de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 12:30

Propósito

Vou apagar o que de errado fiz
Ao longo desta vida já passada
Como este Sol que, em cada madrugada,
Lava as trevas das noites que eu não quis.

Esta minha vontade é o pau de giz
Que deixa em cada linha desenhada
Na lousa de uma vida renovada,
A intenção de voltar a ser feliz.

Nela vou escrever só o que eu quero,
Recomeço a partir de um novo zero
Perseguindo outro modo de viver.

Não temo quaisquer ventos de revés
Que trago, bem assente, nos meus pés,
A sólida certeza de vencer!

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 18:38

Voltar atrás?...

Ao olhar para mim não me revejo
No petiz que eu fui, jovem que sonhou,
Parecendo que a fé já se esfumou
Na tortuosa estrada em que mourejo.

Em adulto perdi todo o ensejo
De fazer o que sempre me animou
E a vida tão sonhada se mudou
De grande sinfonia em fraco harpejo.

No tremor alquebrado dos joelhos
Sinto que foram vãos esses conselhos
Que tanto me previram este fim.

Tentar voltar atrás de nada vale
Por não haver regresso que me cale
A saudade que sofro já por mim!


Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 20:55

Voltar atrás?...

Ao olhar para mim não me revejo
No petiz que eu fui, jovem que sonhou,
Parecendo que a fé já se esfumou
Na tortuosa estrada em que mourejo.

Em adulto perdi todo o ensejo
De fazer o que sempre me animou
E a vida tão sonhada se mudou
De grande sinfonia em fraco harpejo.

No tremor alquebrado dos joelhos
Sinto que foram vãos esses conselhos
Que tanto me previram este fim.

Tentar voltar atrás de nada vale
Por não haver regresso que me cale
A saudade que sofro já por mim!

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 15 Julho , 2009, 17:24

;
Retrato incompleto

Gente que lavra a água igual ao chão
Penteando os seus cabelos de moliço
É o povo que mantendo a tradição,
Dá vida ao moliceiro e ao seu feitiço.

Gente ousada na dura emigração,
Voltando à terra, findo o compromisso,
É o povo que, p’ra ter mais farto o pão,
Deixou, p’l mundo, a juventude e o viço.

Tomando em suas mãos o seu destino
A si mesmo se fez, desde menino,
Este povo de história tão grandiosa.

Peito aberto à saudade do futuro,
De coração honrado e gesto puro,
É gente boa, é gente da Murtosa!


Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 08 Julho , 2009, 12:37
COMPANHEIRA

Se eu largo, para o mar, pescando o pão
No cais deixo um olhar vestindo anseio,
E um coração lanceado p’lo receio
De ser o mar imenso o meu caixão.

E se, às vezes, o mar parece chão,
Onde a Lua nos despe o alvo seio,
Há noites em que o mar nunca tem freio
Mordendo a nossa carne, como um cão.

A mesa onde a família se senta
É que me dita a sina da tormenta
Que me há-de acorrentar a vida inteira.

Nas horas em que a paz é mais ausente
A barca é a minha muda confidente,
Rainha do mar, minha companheira!

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Junho , 2009, 23:06


Estrada

Olhando as minhas mãos, assim despidas,
Tão vazias de anéis e compromissos,
Tão desnudas de feitos e feitiços
Penso que as intenções foram perdidas.

Descubro em minhas rugas esculpidas
As marcas dos propósitos postiços
E, nos meus olhos, de brilhos já mortiços,
A dor de renovadas despedidas.

Tive amor no meu peito e não o quis,
Senti m sonho à mão e nada fiz
Por julgar que este mundo era ilusão.

Tendo de meu tão pouco ou quase nada
Vejo, no fim da estreita e erma estrada,
Sorrindo, à minha espera, a solidão.

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 11 Junho , 2009, 00:10
Foi o vento

Foi o vento cortante como gume,
Que me fez companhia nessa espera
Em que só a saudade mais austera
Me falava de ti, como um queixume.

Foi o vento que trouxe o teu perfume
Nessa clara manhã de Primavera,
E, então, eu senti, que antes de quimera,
Eras rosa vermelha em fogo e lume.

E os dias se passaram a correr
Num tempo de alegrias e prazer
Como só haveria em pensamento.

E essa ardente harmonia em nossa vida
Foi repartida ao mundo, a toda a brida,
Por esse arruaceiro que é o vento!

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Maio , 2009, 10:39

Risos

É sempre doce a lembrança que me fica
Das brincadeiras puras dessa infância
Que, recordada, assim a tal distância,
Tem um encanto bom que não se explica.

E a vã saudade um templo santifica
Onde guarda, para sempre, a tal fragrância
Que nem o Tempo, com a sua arrogância,
Desvirtua, molesta ou danifica.

Sinto no peito o repicar do sino
De todos os meus risos de menino
Que me invadem o corpo de candura.

Sei bem que nada fiz para o merecer
Mas queria, quando a luz se escurecer,
Por eles ser levado à sepultura.

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Maio , 2009, 13:03

Santa

Com três riscas de azul em alvo manto,
Face materna em figura minguada
É assim que será sempre lembrada
Aquela a quem o mundo deve tanto.

Vidas famintas viram que era santo
O pão, o gesto, a fala segregada,
Matando a fome ou guiando essa jornada
Para o mundo em que não existe o pranto.

Mais alto que a voz gritam os exemplos,
Mesmo por terra os homens valem templos
E a caridade é mais do que se dá.

Nesses humanos templos se vergou
E por tudo o que não demos rezou
Santa Madre Teresa de Calcutá!

Domingos Cardoso

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 14 Maio , 2009, 12:21

Sorriso

Naquele fim de tarde tu não viste
Nascer a madrugada no meu peito
E, se o mundo era belo e tão perfeito,
Tive o sol na mão, quando me sorriste.

Foi sorriso tão doce que resiste
Ao vil correr do tempo e ao seu efeito
E então, de alma curvada eu rendo preito
Ao amor que, entre nós, ainda existe.

Mas Deus, que quer consigo quem Ele ama,
Levou-te do calor da nossa cama
Que, sem ti, ficou seca de alegrias.

Abriga-te num Céu sem dor ou penas
Mas, sofrendo e descrente, eu sei apenas
Que Jazemos os dois em campas frias.


Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Maio , 2009, 10:33
POVO

Cai o sol às chapadas sobre a aldeia
E a procissão se alonga, lentamente,
Entre a gente apinhada, pura e crente,
Olhos no andor que o santo bamboleia.

Embalada p’la banda que estrondeia
Marca passo a irmandade reluzente
Nas suas brancas opas, penitente,
Remindo, quase sempre, culpa alheia.

São homens que da terra se alimentam
E, em suas mãos, os calos representam
A nobre identidade... o seu brasão!

O orgulho que em mim cresce é grande, é imenso
Por ver que a este povo eu já pertenço
Desde que ao mundo vim, sobre este chão!...


Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Domingo, 03 Maio , 2009, 16:26

Sabedoria

Sabia
Espalhar o estrume,
Cavar a terra,
Lançar a semente.
Regava o milho,
Colhia a espiga,
Armazenava o grão.
Mas não sabia... quem foi D. Dinis.

Sabia
Apanhar a erva,
Ordenhar as vacas,
Salgar o porco.
Peneirava a farinha,
Tendia a massa,
Cozia o pão.
Mas não conhecia... a padeira de Aljubarrota.

Sabia
caiar a casa,
varrer o chão,
pontear a roupa.
Punha flores na jarra,
Pregava um botão,
Vestia-se lavada,
Mas não sabia... escrever a palavra Mulher.

Sabia
preparar um remédio,
esconder uma angústia,
rezar uma oração.
Penteava os filhos,
Aconchegava-lhes a cama,
Não comia para lhes dar:
Mas não sabia... ler a palavra Mãe.
Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 06 Abril , 2009, 10:20


Favor

Olhando-me ao espelho, devagar,
Vejo as marcas que o tempo foi deixando
Nas rugas que me cercam o olhar brando
Lavado por um pranto por chorar.

Vejo-me de alma aberta, par em par,
E ressaltam desse ar tão venerando,
Alegrias compradas, contrabando,
Quem, por feliz, se quer fazer passar.

Vida, que és repetido recomeço,
Concede-me um favor que não mereço,
E eu te entrego o meu ser hipotecado.

Tomando a esperança por esteio,
Neste mudar de vida o mais que anseio
É viver sem os erros do passado.

Domingos Cardoso

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