de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 29 Junho , 2009, 21:08

1. As últimas décadas viram nascer e crescer um conjunto de grandes artistas que, à medida que o mundo das comunicações se foi globalizando, os tornou presentes em toda a parte. Assim aconteceu com Michael Jackson (1958-2009), que (na internet) é colocado entre os cantores, compositores, actores, dançarinos, escritores, produtores, poetas, instrumentistas, estilistas, ilusionistas e empresários. O artista cresceu muito, tendo sido a sua estrutura de personalidade, de um jovem que não viveu a juventude e de uma criança forçada ao trabalho musical, desafiada fortemente a compreender o preço da fama planetária. O álbum mais vendido da história da música Pop – Thriller – editado em 1982, sendo na altura uma revolução envolvida de dança e inovação de vídeo-clip é marca de recorde de vendas.

2. Por estes dias, na ocasião de seu falecimento, foram muitas as reportagens e entrevistas que ajudam a compreender muitas realidades da vida dos artistas por dentro, do altíssimo preço da fama e da estrutura mental necessária para conviver com a perseguição mediática. Após grandes baixios de imagem pública, o chamado «King of Pop» (Rei da Música Popular) preparar-se-ia bem acima do limite humano para dezenas de concertos, de duas horas imparáveis de dança. A fasquia seria muito alta, a medicina terá atenuado as dores da exigência dos compromissos, a fragilidade acrescentada nos últimos anos tornaram desumana a tarefa. De entrevistas do próprio Michael Jackson gravadas e dadas nestes dias ressalta uma surpreendente pequenez de uma tão grande vedeta da música capaz de entupir as redes da internet.

3. O seu “nome” tornou-se imensamente maior que a sua pessoa humana. O fenómeno global a que quanto mais se foge – de fotógrafos, fãs ou de casos de escândalo lançados sobre si… (?) –mais se é perseguido, fala-nos de uma tremenda factura que se paga, quando a estrela já não pode respirar em liberdade mas é escrava da sua condição. A música fica, o mito nesta morte adensa-se. A história da vida, fala…

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 12 Junho , 2007, 14:03
Que modelo de
desenvolvimento?



1. Para os chamados países desenvolvidos, para os países em processo de estruturação do seu desenvolvimento, a questão sobre o modelo de vida a seguir apresenta-se cada vez mais como a questão decisiva. Sendo verdade que muitas forças (umas às claras outras obscuras) existem que condicionam os caminhos de desenvolvimento saudável e justo, tanto lá longe como cá perto, todavia, a questão fundamental do futuro das sociedades não se pode desnortear na indiferença reinante, antes terá de ser assumida por todos como reflexão transversal. Aliás, a própria indiferença generalizada convém às forças obscuras que assim melhor controlam as suas vontades unilaterais e muitas vezes menos servidoras de TODOS, porque menos auscultadoras da realidade real. Democracia, cada vez mais, terá de ser sinónimo de participação de TODOS … quando não, deixa de o ser transformando-se em oligarquia (seja política seja económica). Naturalmente, neste processo de construção comum, as elites pensantes, às claras, assumirão um papel relevante de liderança do debate…
2. Um enorme perigo atravessa os processos de desenvolvimento das sociedades: por impossibilidade de acesso ou por distracção individualista, o alienar-se da vida social do bem comum e só aparecer na hora de apagar o fogo. Há países em vias de desenvolvimento onde ainda é impossível o aceder democrático às questões fundamentais de todos nessa sociedade em embrião; há países (tipicamente ocidentais) que se têm esquecido de alimentar a liberdade participada, o que vai gerando uma certa anemia social permiável ao controle social de uns pequenos grupos na sombra, que terão tanta mais força quanto mais a indiferença avançar. Que sensibilidade para TODOS (re)pensarmos o modelo de desenvolvimento que estamos a construir? Onde estão os lugares, dos formais aos informais, para estas questões virem à ribalta e serem plataforma de diálogo, encontro, perspectiva de um futuro comum para TODOS e CADA UM?
3. Nos últimos anos tem crescido a noção e necessidade de uma cidadania assumida na vida cívica diária. Certamente que nesta cidadania pretendida não está inscrita a limitada visão provinda da Revolução Francesa (1789), quando nos direitos do homem e do cidadão não havia ainda lugar para a dignidade do ser humano. O regresso do discurso das cidadanias – espelhado em tantos movimentos cívicos - certamente quererá despertar um adormecimento generalizado naquilo que deverão ser as preocupações de TODOS, não só no cumprimento dos direitos e deveres (como é típico da cidadania) mas numa abertura disponível para a construção social ética e dignificante (como sabemos a lei – pedagógica - não pode ser o centro de tudo, até porque nem tudo o que é legal é ética e dignamente correcto). Nas nossas sociedades, viveremos ainda (ou já) numa mentalidade generalizada em que a preocupação das coisas de cada um é o centro de tudo? E a preocupação comunitária pelo bem de TODOS? Sem esta raiz a comunidade desaparece e a democracia seca…
4. A questão do modelo de desenvolvimento (?) não pode ser lateral, hoje, a todos os processos sociais, da formação/educação à política/gestão económica. O planeta que nos pede que o salvemos ecologicamente propõe-nos que nos salvemos a nós próprios numa abertura humana, sensível e solidária, capaz de reflectir abertamente para redefinir o modelo em que nos temos construído. À desigualdade social que cresce, geradora de profundos desequilíbrios que alastram, torna-se imperioso propor paradigmas de um estilo de vida que não assente no consumo do “ter” mas que revalorize bem mais o “ser”. Neste contexto, em tempos de globalização diária, uma obra de referência de Amartya Sen (prémio nobel da economia 1998), «O Desenvolvimento como Liberdade» (2003, Gradiva), propõe-nos a reflexão sobre o essencial: terá de ser a Liberdade o eixo que determina o desenvolvimento humano e não os euros, os dólares ou as menos claras vontades políticas unilaterais. Que também nas nossas sociedades a liberdade (empenhada por isso responsável no debate, na reflexão para decisões comunitárias) seja o caminho do aprofundamento da nossa própria democracia. Que modelo de desenvolvimento? Estamos disponíveis para mudar a bem de todos? E quem, no panorama mais elevado, nos dá esse generoso exemplo congregador?


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 06 Junho , 2007, 16:43
Os (con)trastes
da realidade global


1. Na era da informação global que vivemos, somos bombardeados continuamente com informação de alguma da muita realidade que se constrói cada momento. Para o melhor e para o prior, a inevitabilidade feita obrigação de convivermos com as notícias diárias mostra-nos o abismo existente entre a grandeza heróica da humanidade que vive e cria maravilhas e a miséria cruel e desumana que se julgava impossível. A amálgama noticiosa gerida em preciosos segundos espelha, por si mesma, os gritantes contrastes do mundo da realidade. Quando depois de uma notícia sobre o futebol dos milhões vem uma outra que mostra a pior miséria de Darfur, que sentir? Ou quando depois das vedetas da canção vem a reportagem das crianças raptadas, exploradas e tratadas como…, que pensar e como viver?
2. As próprias estradas da informação electrónica estão cheias dos já famosos números trágicos que, entre tantas imagens sensibilizantes e chocantes colocam de um lado as crianças americanas obesas de gordos hambúrgueres e, do outro, as famintas crianças da Somália que nos comovem com seu inocente e suplicante olhar. Que fazer, quando a vida diária tem de seguir o seu percurso normal? Será que, no hábito de tanto ver, vamos perdendo a sensibilidade e abdicando do compromisso diário em fazer o melhor possível? A era, a que chamamos da informação global, está aí a mostrar-nos tudo; sem meias palavras nem meias imagens, vamo-nos habituando a ver tudo, mesmo os maiores contrastes (e trastes) de um mundo que, a partir de cada pessoa e cada instituição, com tanto proclamado “conhecimento” teria de ser bem melhor.
3. Como sublinha o sociólogo Alain Touraine (na sua interessante obra Iguais e Diferentes. Poderemos viver juntos? Piaget, 1998), no âmbito desta influência que gera opinião pública mundial, «os meios de comunicação ocupam um espaço crescente na nossa vida e, dentre eles, a televisão conquistou um lugar central porque põe mais directamente em relação a vivência mais privada com a realidade mais global, a emoção face ao sofrimento ou à alegria de um ser humano com as técnicas científicas mais avançadas.» Todos, consciente ou inconscientemente, estamos a ser moldados com os valores e limites do poder das comunicações; com a força e velocidade da “imagem”, que vai substituindo a serenidade e o conteúdo da “mensagem”, somos menos livres que o que pensamos, e a forma de fazer sobreviver a “liberdade” exigirá uma síntese existencial de quem faz “opção” clara pelo Ideal, pelo Valor, pela Qualidade de Ser.
4. Nesta novo contexto em que todo o Mundo entra pela Pessoa, pela Família, pela Escola, pela Instituição que se não se agiliza perde-se excessivamente no seu peso formal, trata-se, como diz Touraine, de uma nova «relação directa que elimina as mediações entre o indivíduo e a humanidade e corre o risco, ao descontextualizar as mensagens, de participar activamente no movimento geral de dissocialização. A emoção que todos sentimos das imagens de guerra, de desporto ou de acção humanitária, não se transforma em motivações e em tomadas de posição. Não somos muito mais comprometidos quando vemos os dramas do mundo que quando vemos a violência no cinema ou na televisão.»
5. Será que de tanta abundância no Ver (as graças e desgraças do mundo) vamos ficando existencialmente indiferentes? Até onde nos levará este mundo que entra por nós dentro e nos deixa demasiadamente pequenos para tantos desafios inadiáveis? Quando o espírito de decisão política se revestirá mais de um sentido de humanidade generoso para ser possível a salvação do planeta? Que dirão os números desumanos dos contrastes ao G8? Convivem pacificamente com o seu lauto e supérfluo banquete enquanto vêm as imagens da magreza que muitas vezes eles próprios por conveniência geoeconómica fazem persistir? Neste tempo global os grandes decisores políticos mundiais fazem persistir o escândalo gritante da desumanidade, esta que produz a desigualdade crescente…e nem ainda sequer a vontade política ecológica triunfa para haver futuro sustentável. Mas estamos também nós dispostos a mudar os hábitos? Andaremos distraídos, esquecendo que ao permitir o semear de ventos as tempestades serão a nossa própria dramática colheita?!
6. Soa a passividade indiferente o manter de equilíbrios estratégicos e diplomáticos enquanto a fome de pão e a sede de água e de dignidade humana (a par do problema ambiental) dizimam milhões de pessoas como nós, facto que interpela cabalmente os países mais ricos (à custa dos pobres) e as instâncias universais da ONU e os seus/nossos (já perdidos?) Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Sendo verdade que muitíssimo caminho louvável já está percorrido, o certo é que a visão dependerá grandemente dos óculos que se queira pôr: aos grandes olhos superficiais de um diplomata ocidental, que todos os dias tem pão e água, vamos andando e adiando; aos magros olhos de que sofre na pela a tragédia, vamos sobrevivendo até a desespero final, onde já não há força para gritar até porque ninguém ouve.
7. Um NOVO REALISMO, diante destes contrastes alarmantes, precisa-se; todo este mundo que hoje entra pelas Pessoas, Escolas, Famílias e Trabalho dentro merecerá ser acolhido, estudado e vivido na busca clara e inequívoca de todos envolver na procura rigorosa de um ideal comum; a este chamaríamos uma EDUCAÇÃO HUMANITÁRIA. É essencial cada criança habituar-se e cada pessoa saber do valor apreciável de uma gota de água do outro lado do mundo (que está ali) para dar valor a cada copo de água fresca e crescer numa consciência de humanidade que saiba partilhar! Sim, qual o Valor da água? É pelas coisas simples que vamos!...

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 30 Maio , 2007, 13:41
Aliança das Civilizações


1. Alianças, pontes estratégicas para encontros comuns, parcerias que fortaleçam os laços de unidade, são dinamismos sempre bem vindos pois correspondem ao essencial da nossa comum dignidade humana: nascemos para viver juntos, mas muito mais que isso, para ser felizes uns com os outros. Precederam-nos séculos de buscas e procuras tantas vezes intolerantes, em que os muros levantados espelhavam a não aceitação das diferenças de pensamento e acção (ainda que muitas destas culturalmente saudáveis na base da dignidade humana); chamaram-se muitos nomes “em vão” acentuando-se mais os pormenores das diferenças que a unidade do essencial, o que representou factor gerador de “choques” demonstrativos da incapacidade de coexistir com o outro.
O tempo que vivemos (e sempre que a velocidade comunicacional agitou a vida para novos mundos tal se verificou), será a época da nova síntese construída pelos líderes que, acolhendo a autêntica liberdade (responsável), sabem integrar a pluralidade de forma criativa. Só haverá “aliança” na reciprocidade de projectos e compromissos; e só com sensibilidade e bom senso a reciprocidade ajudará uns e outros a tornarem relativos os pormenores e darem importância ao que merece esse patamar. Felizmente vamo-nos abrindo à totalidade, pelo menos no campo das ideias, e reconhecendo que falar de identidade não é dizer um igualitarismo clonado mas que no nosso próprio ser inscreve-se uma “identidade como diferença”. No fundo, todos neste mundo somos filhos da pluralidade, a noção de diferença construiu-nos, até nas grandes mensagens existenciais históricas; porque é que por vezes preferimos o “choque” à “aliança”?
2. Na percepção feliz do eixo determinante da aproximação dos povos em globalização, o então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, lançou (em 14.07.2005) a “Aliança das Civilizações”. Este lançamento sublinha que na nossa condição humana de pessoas as grandes questões da humanidade não se resolvem à pressa, on-line, ou tecnologicamente longe do “outro”; um novo entendimento, a partir das próprias feridas que atravessam os povos, quererá reinterpretar o nosso tempo. Na base da interdependência entre todas as nações neste mundo global, a Aliança das Civilizações apresenta-se, na sua origem, como plataforma quererá combater os preconceitos e incompreensões entre as culturas, nomeadamente islâmicas e ocidentais.
Sublinhava-se na altura, segundo o porta-voz de Kofin Annan, Stephane Dujarric, que «os acontecimentos deste últimos anos acentuaram a impressão de um fosso crescente e de uma falta de compreensão entre as sociedades islâmicas e ocidentais, um ambiente que foi explorado e exacerbado por extremistas em todas estas sociedades». Neste contexto, afirma o comunicado fundacional, «a Aliança das Civilizações entende-se como uma coligação contra estas forças, como um movimento para promover o respeito mútuo pelas crenças e tradições religiosas e como uma reafirmação da interdependência crescente da humanidade em todos os domínios.»
3. Tendo sido o processo desta aliança iniciado pela Espanha e pela Turquia em 2004, ideia depois acolhida e integrada nas Nações Unidas (que a criaram em 2006), será de realçar que presentemente é um cidadão português que preside a este Alto Comissariado. Nomeado a 26 de Abril de 2007, Jorge Sampaio considera que as suas primeiras linhas de acção vão passar por dar «especial atenção à clivagem entre as sociedades ditas ocidentais e muçulmanas, bem como no seio das sociedades ocidentais ao aumento da intolerância, da xenofobia e do extremismo.»
É inegável e incontornável que a construção da paz mundial, da liberdade como desenvolvimento humano e do próprio salvamento ecológico do planeta, exigirão o máximo esforço de se conjugar em aliança todas as sinergias positivas e estimulantes. Este também poderá ser um modo de diluir os riscos sempre dramáticos do pensamento extremista. Se as comunicações globais de hoje colocam-nos à mesa uns com os outros todos os dias, será essencial que esse encontro se revista sempre mais de espírito de aliança em cooperação parceira. É tarefa que é missão real (que quererá mesmo iluminar de sentido a comunidade virtual); é missão pessoal e global que exigirá de cada cidadão a entrega diária no aliar o rigor dedicado à sensibilidade para com cada outro… Só nesta vi(d)a aberta e plural haverá futuro com futuro!... (Toda a cega intolerância uniformista, venha de que fonte vier, é regresso ao pior do passado.) Assim seja tão fácil construir pontes de entendimento humano entre os povos como erguer pontes de betão!...

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Maio , 2007, 15:43

As cidades e as contas


1. A vida é feita de apostas que procuram abrir o melhor futuro para todos. Naturalmente que para a consistência de projectos o “fazer contas à vida” será pressuposto essencial, a fim de se levar a bom porto o ideal que se pretende construir. Sendo certo que existirão circunstâncias e visões estratégicas que poderão representar forte investimento no presente de que se colherá frutos no futuro, todavia, só na cuidada e rigorosa atenção sensível e responsável se poderá garantir a básica sustentabilidade real para os projectos em mente e em mãos.
“Ter mais olhos que barriga” poderá, tantas vezes, significar o viver acima (de mais) das possibilidades o que fará ruir as pontes do futuro. Aliar a ambição expansionista de projectos reformistas ao equilíbrio de realizações com gradualidade sustentada significará o assumir de uma visão política integral, onde se alia o rasgo futurista à realidade presente, não se perdendo nos calores emocionantes da obra feita mas vivendo o autêntico espírito de serviço à comunidade. Lideranças e oposições ter-se-ão de remodelar em consensos estratégicos, pois se não nos alicerçamos, não olhando a meios para atingir fins, a casa pode ruir por dentro. Hoje são uns, amanhã outros…
2. Olhemos para a autarquia da capital no país, Lisboa. O que vemos e ouvimos por estes dias, no concerne ao diagnóstico da situação, nada dignifica a cidade cosmopolita que outrora despertou sonhos (d)e novos mundos. A situação presente na cidade que deveria ser modelo e paradigma referencial para as outras cidades do país é fruto de décadas de (des?)governo do passado e o seu eco estende-se como hábito de gestão por muitas cidades do país. (Se a capital faz porque não eu?!) Como os cidadãos (cumpridores) sentem a gestão da cidade que não cumpre os seus deveres para com os cidadãos? Que atitudes e (des?)credibilidades gerará esta incoerência interna da actividade política autárquica e política em geral?
Talvez, ainda na luta pela sobrevivência, esteja no nosso sangue a despreocupação com aquilo que não nos atinge directamente; talvez nós cidadãos tenhamos deixado andar, gerando-se o costume laxista que foi comprometendo o rigor necessário. Talvez o ponto a que chegámos seja a “meta” que nos mostra que a caminhada que nestas décadas temos percorrido foi um percurso em crescendo, tanto em realidades boas nas lindas cidades portuguesas, mas como também num impressionante desequilíbrio litoral/interior a par do mau hábito de deixar a casa sempre desarrumada. Esta desarrumação foi minando a seriedade e dignidade políticas.
3. «Dêem-me todo o dinheiro do mundo que farei toda a boa obra, pois não preciso de me preocupar com o “depois”», dirá o cidadão. Vivemos o “depois” dramático de muitos “depois” não pensados e ingeridos. Adiar indefinidamente a consistência e sustentabilidade do governo equilibrado das cidades é comprometer o futuro; as grandes cidades, de que hoje muita gente foge (deixando-as ocas) e onde se torna difícil sentir a vida saudável e a cultura, tal o (dês?)ordenamento que ela vive. O problema, arrastado nas últimas décadas, não encontrará soluções instantâneas nem simplistas, embora algumas decisões nomeadamente ecológicas (também para uma melhor mobilidade) sejam inadiáveis.
Não se trata de uma cidade qualquer, falamos de Lisboa, a capital política que dá este sinal desnorteado ao país. Lisboa que, como alguém dizia, não é só dos lisboetas, é do país. Às vezes impressiona como os candidatos (que têm de mostrar toda a valentia) não têm um mínimo (humano) de medo e receio de não ser capazes de por as contas (sociais, culturais e económicas) em dia. A desordem das contas que é espelho da desordem de ideias… Das duas uma: os candidatos ou não se aperceberam da realidade da situação tornando-se exteriores à vida concreta, ou interessará bem mais a “partidarite” da vitória que a gestão complexa do bem comum. Nos últimos anos temos perdido nas campanhas eleitorais autênticas oportunidades de ver (com olhos de ver) como vamos e o que queremos. Será mais do mesmo? Em democracia viva a actividade política é o que o povo quiser que seja. Queremos algo de novo (não só denunciar mas propor concertadamente)? Ou já só navegamos na democracia virtual?!

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