de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 01 Abril , 2010, 18:54

 

 

A solidão

 

 

1.O nosso tempo, cheio de progressos tecnológicos e científicos, tudo embrulhado pelas novas formas de comunicação, gera muita solidão. Olhamos uns para os outros a correr e nada vemos. Olhamos para nós próprios e nem nos reconhecemos. O mundo está abafado por ilusões. Contudo, urge mudar tudo isto. Pode ser nesta Páscoa, que é primavera, vida nova, libertação, ressurreição.

 

2. Ontem desloquei-me a Aveiro com minha mulher. Uma afilhada vinha fazer exames a uma clínica e como não nos víamos há muito, combinámos o encontro na sala de espera do estabelecimento de saúde.

À hora marcada entrámos a correr e saudámos quem estava, com uma boa tarde apressada, ciciada. Sentei-me numa cadeira vaga, ao lado de uma senhora. Sugeri a minha mulher que perguntasse na recepção a que horas seria o exame da minha afilhada. Nessa altura, a senhora sentada a meu lado, com voz doce mas audível, vira-se para mim e pergunta: «O senhor não é o professor Fernando?»

«Sou, sim.» — respondi.

«É que eu sou a S…»

 

 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Dezembro , 2008, 12:13
"Estamos todos bem servidos/ de solidão", escreve Alexandre O'Neill. Não de solidão sozinha; de multitudinária solidão sim, e essa "de manhã a recolhemos/ no saco, em lugar de pão". Porque, ao mesmo tempo que abandonamos os nossos velhos à pior e mais dolorosa das solidões, desaprendemos de estar sós connosco. A verdade é que a maior parte de nós não é boa companhia para si próprio.
À nossa volta, nos locais de trabalho, na rua, quantas vezes na família, a humilhação tomou cada canto e esquina das nossas vidas, instalou-se nos comportamentos e nos corações, corroendo, como um cancro, a existência individual e social.
Tememos ficar sós porque tememos aquilo que temos para nos dizer, e sentamo-nos diariamente diante da TV como quem fecha os olhos.
Há uma novela de Cesare Zavattini cuja personagem planeia durante toda a vida dar uma merecida bofetada ao chefe e morre sufocada por esse desejo nunca consumado e pelo desprezo de si mesmo.
Quantas vezes morreram por dentro, antes de se matarem, os polícias e GNR (este ano já são 14) que em Portugal regularmente se suicidam "com a arma de serviço"?

Manuel António Pina, no JN
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