de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 31 Outubro , 2009, 23:13
A não perder, para quem gosta de saber mais





"Caim" - a desilusão

O teólogo católico Joaquim Carreira das Neves explica por que ficou desiludido com a leitura do livro "Caim". Em artigo de opinião, escreve que José Saramago "pode ficar totalmente em paz porque só é herege quem é crente". E agradece o convite, feito pelo escritor e pela mulher, Pilar del Río, para visitar Lanzarote.

Ler o texto do Padre Carreira das Neves aqui

NOTA: Texto e ilustração do Expresso

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 28 Outubro , 2009, 00:45
Se gosta de ouvir falar da Bíblia alguém que sabe o que diz, a propósito da polémica provocada por Saramago, veja aqui.
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 25 Outubro , 2009, 12:35
Sobre a polémica causada pelas afirmações de Saramago, a propósito do seu recente livro Caim, Frei Bento Domingues diz, a abrir a sua crónica de hoje no PÚBLICO, o seguinte:




"Seja qual for o interesse literário de Caim de José Saramago, as declarações feitas no seu lançamento foram interpretadas em registo publicitário: o importante não é que se diga bem ou mal; o importante é que se fale."

Nota: Sabido é que a maioria (ainda não suficientemente quantificável) dos católicos não lê a Bíblia com regularidade. Os que participam nas missas, contudo, têm a oportunidade de ouvir leituras bíblicas, com a respectiva adaptação aos dias de hoje, expressa nas homilias. Às vezes os celebrantes esquecem-se disso, mas isso é outro assunto. Com esta polémica, publicitária ou não, estou em crer que, por via dela, haverá muitos que vão pegar no Livro Sagrado dos cristãos, para, enfim, poderem ver quem tem razão. De qualquer modo, não se pense que é assim tão fácil. Ler o Antigo Testamento fora do contexto da época, atendendo apenas à letra do texto, e não ao espírito do mesmo texto, pode ser não aconselhável. Mas leia-se a Biblia e quando houver dúvidas, que haverá certamente, então consulte-se quem sabe.

FM

Editado por Fernando Martins | Sábado, 24 Outubro , 2009, 15:04


Caim e Saramago

"É o primeiro exemplar que vendo", diz-me a jovem da livraria, e parte da passada segunda-feira foi para a leitura do Caim de Saramago. Sinceramente, gostei. O romance escalpeliza um Deus tirânico, arbitrário, imoral, cruel, concluindo que "a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele".
Um crente reflexivo não precisa de irar--se. Em primeiro lugar, há a liberdade de expressão. Depois, é preciso reconhecer que também há na Bíblia e noutros livros sagrados muito daquilo que Saramago denuncia: violência, crueldade, imoralidade, tirania, arbitrariedade.
Chamei aqui frequentemente a atenção para isso. Quantas vezes, num quadro sádico, se pregou inclusivamente que Deus, para aplacar a sua ira, precisou do sangue do próprio Filho. Neste sentido, os ateus que sabem o que isso quer dizer prestam real serviço a Deus na medida em que obrigam os crentes a purificar a sua imagem. No limite, ai dos crentes, se não houvesse ateus!
O que causou mal-estar e crítica legítima foram, no que alguns consideraram uma operação de marketing, as declarações de Saramago em Penafiel, que continuaram, referindo-se à Bíblia como "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", sendo o Corão "a mesma coisa". "Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos." "O Deus da Bíblia é rancoroso, vingativo e má pessoa."
Foram afirmações de ignorância arrogante. E não fica bem ao Prémio Nobel passar um certificado de estupidez aos crentes, que são milhões. Aliás, perante o Deus de Saramago, só haveria uma atitude digna para o crente: ser ateu.
A Bíblia na sua configuração actual, cuja formação demorou mais de mil anos, é formada por 73 livros, mas os crentes aceitam-na como um todo e só como todo é que se reclama da verdade. Como qualquer livro, para se poder apreender o seu sentido, tem de ser lida na totalidade. Saramago, com as suas declarações, fez, pois, uma leitura completamente parcial e unilateral.
Todo o cristão lúcido sabe que a Bíblia não é um ditado divino e que precisa de interpretação. O fio condutor dessa interpretação ou hermenêutica tem a ver com a salvação plena e o sentido último. O que lá se encontra de desumano é para que o crente tome consciência do que nem o homem nem Deus devem ser.
A Bíblia relata, ao longo de mais de mil anos, a relação dos encontros e desencontros dos homens com Deus e de Deus com os homens, sendo natural que se vá dando uma compreensão cada vez mais purificada de Deus. Assim, termina em Jesus Cristo, que mandou amar os próprios inimigos. E a única tentativa de "definir" Deus aparece em São João, e diz: "Deus é amor." Mas, mesmo no Antigo Testamento, também há, por exemplo, o Cântico dos Cânticos e os Profetas, arautos da revolução moral segundo a justiça.
Foi neste contexto que, interpelado pelos media, chamei à colação um dos grandes filósofos do século XX, Ernst Bloch, também ele ateu e marxista, mas conhecedor da Bíblia. Professor na Universidade de Leipzig, na então República Democrática Alemã, teve problemas com o regime comunista, vindo assim para Tubinga, precisamente porque chamava a atenção para a importância da Bíblia. Sem a Bíblia, "o livro mais significativo da literatura mundial", não podemos compreender as catedrais, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach. Sim, que se entende então verdadeiramente? Sem ela, não se entende a cultura alemã, a Missa solemnis de Beethoven, nenhum Requiem, nada".
Para Bloch, há um duplo fio condutor na Bíblia: o sacerdotal, em que domina o deus opressor, dos senhores, e o profético-messiânico-apocalíptico, que anuncia o Reino de Deus, a herdar meta-religiosamente como Reino do Homem: "Esta vida no horizonte do futuro veio ao mundo pela Bíblia."

Anselmo Borges

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 15 Outubro , 2009, 12:05

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<div style="text-align: justify;"><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/StcB2B6nftI/AAAAAAAAMxQ/eCqHwVkjKhQ/s1600-h/saramago.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" rel="noopener"><img $r="true" border="0" src="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/StcB2B6nftI/AAAAAAAAMxQ/eCqHwVkjKhQ/s200/saramago.jpg" /></a><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><span style="font-size: x-small;">Saramago</span><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">1. Logo que no ano 2005 saiu a obra <em>As Intermitências da Morte</em> do escritor José Saramago, veio a claro a inquietude de não deixar indiferente a questão do sentido da vida e do destino humano para além do visível. A frase inicial dessa obra é lapidar: «No dia seguinte ninguém morreu…». Abre, assim, uma ampla reflexão sobre a vida e a morte, o vazio ou o sentido da existência. Haverá que ter olhos para ler e compreender Saramago, particularmente nestes últimos anos. Todos os autores têm tantas fases literárias como etapas humanas de sua reflexão e mesmo filosofia de vida. Ninguém duvida que na fase da inteira autonomia humana, na época de todas as forças físicas pessoais e da lucidez mais apurada um certo “super-homem” se pode apoderar de si mesmo gerando ideias de dar valor absoluto ao que é só humano…<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">2. Foi tornado público nestes dias o último passo do escritor. Por trás de tantas críticas que faz ao fenómeno da religião (há que saber ter olhos para as entender, contextualizar nos vazios da própria vida existencial de quem escreve e não se deixar conduzir ou iludir…), a verdade é que Saramago continua, mesmo com linguagem de “combatente”, a não deixar o infinito indiferente. A obra <em>Caim</em> (2009), na qual Deus é uma das personagens principais, continua na generalidade a culpar Deus pelos males do mundo… Não sabendo separar as águas pela superficialidade onto-teológica, continua a confundir quando deduz o todo pela parte… Culpar Deus diante do mau uso das liberdades humanas é conclusão precipitada que nos tempos actuais resulta como sedutora mas desconstrutiva.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">3. Desde os tempos mais antigos da Humanidade e em todas as religiões que a “conversa” com Deus tem muitos caminhos… Duvidar, dialogar, debater (como Job, AT) é assumir a presença do Outro. Já a indiferença é o pior dos males. Ainda que a linguagem o atrapalhe na produção daquela literatura tipo Dan Brown ou que a ideologia da história de vida aprisione o “sentir”, a verdade é que a inquietude persiste. Infinita paciência de Deus!<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><a href="http://1632un.blogspot.com/" rel="noopener">Alexandre Cruz</a><br /></div>

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