de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 11:30


Fim de Agosto. Com ele vem sempre a angústia para milhares de professores do nosso país. Nunca sabem se serão colocados e onde. Se ficam na mesma escola ou se são atirados para longe. Se o que ganham dá para as despesas e se vale a pena abandonar a família, simplesmente para subirem uns pontos na lista, na esperança de um dia se aproximarem da sua residência habitual, junto dos seus.
Nunca senti na pele e no espírito situações dessas, nem sequer imagino o sofrimento que isso provoca. Nunca soube o que foi viver na dúvida profissional e na incerteza de ter ordenado. Nunca experimentei abandonar a família para garantir o sustento. Portanto, tenho algumas dificuldades em me pôr no lugar dos professores deste tempo. Também não sei, com rigor, como é nos outros países da UE, os que estão connosco no mesmo barco. Só sei que não é humanamente aceitável, numa democracia que prega a justiça social, viver uma realidade, ano a ano repetida, de angústia sufocante. No final do mês de Agosto.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Novembro , 2008, 23:28
Confesso que começo a ficar baralhado. Fui professor e continuo muito ligado à classe. Temas como escola, ensino, educação, alunos, professores e comunidade educativa continuam a ter um lugar especial na minha mente. Bem tento ficar de fora, alheando-me do que se passa à minha volta, ao nível do ensino e da educação, mas não consigo. De todo…
Perante a realidade das gigantescas manifestações de descontentamento dos professores, não posso ficar indiferente. Não consigo. E se a isto juntar o que ouço de alguns professores, com esgares de revolta e de tristeza, não devo ficar calado. Este país não pode continuar alheio ao diálogo; não pode aceitar a incapacidade, permanentemente demonstrada por parte dos responsáveis, para se sentarem, de uma vez por todas, à volta de uma mesa, para se acabar com os tristes espectáculos que todos estão a fazer passar para os alunos. Quando os professores e os governantes não conseguem entender-se, gritando, em altos berros, as suas razões, que hão-de as crianças e jovens pensar?
Eu sei que há professores muito honestos e muito esforçados; eu sei que há professores muito competentes e muito criativos; eu sei que há professores que trabalham por vocação, numa entrega diária; mas sei que o contrário também é verdade. Os primeiros, no entanto, estarão em grande maioria. Disso tenho a certeza absoluta. Já por lá passei.
Por estes dias tenho ouvido diversos docentes, de vários graus de ensino. Todos se queixam do excesso de burocracia, o que os impede de se entregarem mais e melhor àquilo que gostam de fazer: ensinar; muitos se queixam de alunos indisciplinados e pouco estudiosos; diversos contestam a arrogância e a prepotência do ministério; outros tantos sentem-se desesperados pelo clima desgastante do dia-a-dia, que lhes destrói a serenidade necessária para ensinar e motivar os alunos, para a descoberta e para a aprendizagem.
Deste meu recanto, de professor aposentado, apetece-me pedir a quem nos governa que ouse ouvir os professores, para que o caos acabe. E ao Presidente da República suplico que, pensando muito nos alunos, converse com o primeiro-ministro. É urgente encontrar uma saída para este drama nacional. As nossas escolas precisam de paz. Todos ganharemos.

Fernando Martins

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