de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 23 Março , 2010, 18:36

 

 

Custos descabidos

Por JM Ferreira

 
 

«Estamos em maré alta de festas populares e respigamos isto de um pequeno folheto: "Chegou o verão e, com ele, a época das tradicionais festas populares em honra dos santos. Nem sempre, porém, estas festas são verdadeira manifestação de alegria cristã e de veneração dos santos, nossos intercessores e exemplos a seguir".

Sugere este texto as festas a que nos habituamos a ver, frequentar, a estar presentes, quem o faz, claro. E sugere ainda outros factores, como sejam autênticos milagres de gestão e engenharia financeira, apenas comprovando o aforismo e a realidade de que com trabalho tudo se consegue. Às vezes os custos envolvidos, nota-se à vista desarmada, podem ser considerados exorbitantes e, nalguns casos, descabidos. Com estas opiniões, até parece que somos contras as festas.

 

 


Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Dezembro , 2009, 16:32




No cimo do meu blogue, em destaque, está uma frase interessante que veio num e-email de um fiel leitor e amigo. Dá, julgo eu, para pensar.
De facto, está em nós a resposta para muitos problemas de que nos queixamos no dia-a-dia. Será que somos, nós, os portugueses, pessimistas? Talvez. Pessimistas e habituados a protestar por tudo e por nada. A culpa dos males que nos afligem é normalmente dos outros. E para descarregarmos as nossas raivas, privilegiamos o Estado. O causador dos ancestrais atrasos em que estamos mergulhados, dizem. Mas, se pensarmos bem, até nem estamos.
Eu sei que dez por cento dos portugueses passam fome. Outros dez por cento estão no limiar da pobreza. E os restantes 80 por cento?
As notícias alusivas à passagem do ano dizem que os hotéis e os grandes centros turísticos estão cheios. Cheira-me a festa por todos os lados e não há casa mais ou menos remediada que não tenha hoje mesa farta para festejar a entrada no ano 2010.
Será uma forma de esquecer tristezas? Se calhar é isso. Mas no dia 2 de Janeiro, como manda a nossa tradição, depois da digestão bem feita, lá voltaremos às nossas queixas e protestos. Até à entrada do ano 2011.
Boas festas para todos.

Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 03 Dezembro , 2009, 10:56

1862

Neste dia, em 1862, iniciou-se a construção da capela de Nossa Senhora dos Navegantes, junto ao Forte da Barra de Aveiro. Ainda hoje ao culto, carateriza-se pela sua arquitectura acastelada e muito simples, ao jeito do Forte que lhe fica quase em frente. Torna-se mais badalada por alturas dos festejos em honra da padroeira, venerada pelos pescadores e marinheiros. É o mais antigo templo das Gafanhas, permanecendo de pé e ao serviço da comunidade. 

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 26 Outubro , 2009, 20:13

Comissão de Festas

Importa respeitar a legislação
em vigor sobre festas religiosas

No domingo, na missa das 10 horas, celebrada pelo Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, tomou posse a Comissão de Festas em honra da nossa Padroeira, com o propósito firme de levar por diante uns festejos condignos no próximo ano, 2010, ano em que a freguesia e paróquia comemoram um século de existência.
Depois das palavras estimulantes do nosso Prior,  no sentido de promoverem o culto a Nossa Senhora da Nazaré, razão primeira das festas, os empossados leram, em conjunto, o compromisso de respeitar as leis da Diocese de Aveiro, no referente às festividades ligadas a Nossa Senhora e demais padroeiros e outros santos, venerados nas diversas paróquias.

Sublinho este acontecimento por saber que nem sempre os princípios estabelecidos, legalmente, pela Diocese são respeitados, não sei por culpa de quem, uma vez que os párocos, admito, não se têm esquecido de lembrar, a quantos integram as comissões de festas, o que está determinado, com rubrica indispensável do bispo diocesano.
Estranho, por isso, que em algumas paróquias surjam conflitos, num claro desrespeito ao que, desde há muito, ficou legislado, organizando as festas e encaminhando dinheiros remanescentes à revelia do que está oficialmente escrito.
Lamento ainda que, durante as festas ligadas à Igreja, sobretudo na parte chamada profana, haja cantores de baixo nível, a que não chamo artistas, que usam e abusam de uma linguagem pior que brejeira, ofensiva do respeito que devem merecer os santos e Nossa Senhora. Julgo que se impõe uma reflexão sobre estes pormenores, no sentido de se dignificarem os festejos que à sombra da Igreja Católica se realizam, sobretudo no Verão, como manda a tradição.

Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Setembro , 2009, 22:25
 

SenhoraNavegantes10.jpg

ProcissãoPorto de Aveiro.pngAspectos da festa

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Mais de cem embarcações
participaram na procissão pela ria


Mais de cem embarcações participaram na procissão de N.ª Sr.ª dos Navegantes, no domingo passado, entre o Clube Stella Maris e o Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré. O evento de fé, tradição e cultura foi organizado pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, e contou com a colaboração de entidades como o Stella Maris, a paróquia e a Administração do Porto de Aveiro.
Os três andores seguiram em três barcos diferentes. O barco de pesca “Jesus nas Oliveiras” carregou a imagem principal, a de N.ª Sr.ª dos Navegantes, que ao largo de S. Jacinto foi saudada por muitos populares, acompanhados de uma imagem com a mesma invocação e pela Banda local.
No Forte da Barra uns bons milhares de pessoas aguardaram a chegada do cortejo marítimo. Seguiu-se a Eucaristia, presidida pelo P.e Francisco Melo e um festival de folclore. Na celebração, perante autoridades e povo, comentando as leituras, o pároco da Gafanha da Nazaré realçou que a sabedoria de Deus não é antagónica em relação ao ser humano e notou que quem tende a absolutizar as suas concepções e formas de agir, cortando o diálogo, “está condenado ao fracasso”. Dirigindo-se à Sr.ª dos Navegantes, confiou-lhe “os que arrancam do mar o pão de cada dia”, as pessoas da Gafanha da Nazaré, pobres, doentes, crianças, idosos e as famílias, “sobretudo as mais desestruturadas”.
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NOTA: Acompanhei, desde sempre, nesta segunda fase da sua existência, a festa em honra da Senhora dos Navegantes. E nunca perdi a oportunidade de presenciar a procissão pela ria, pelo colorido e alegria que ela proporciona. Este ano, porém, por razões especiais e inadiáveis, não tive esse prazer.
Desde domingo que tenho pensado na festa e no povo que a vive com entusiasmo. Por isso, não resisti a dar nota desta falta, que me levou a solicitar fotos para publicar no meu blogue. Aqui ficam elas, graças à colaboração gentil do meu amigo Jorge Pires Ferreira, director-adjunto do Correio do Vouga. Também fica o texto publicado naquele semanário diocesano.
 
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 14:41
Procissão pela Ria (foto de Carlos Duarte)
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Tradição vai manter-se
para alegria das gentes do mar e da ria


Os festejos em honra da Senhora dos Navegantes vão realizar-se nos dias 19 e 20 de Setembro. Cumpre-se, deste modo, a tradição, para alegria das gentes do mar e da ria, que nutrem por Ela uma terna devoção. A organização é do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, que conta com a indispensável colaboração da paróquia e da Obra do Apostolado do Mar, bem como da Junta de Freguesia, Instituto Português da Juventude, Câmara Municipal de Ílhavo, Porto de Aveiro e outras instituições particulares e oficiais.

No sábado, no Stella Maris, pelas 21 horas, vai ser celebrada uma eucaristia de acção de graças por todos os que labutam sobre as ondas do mar e na laguna aveirense, que dão pão para muitas famílias da nossa diocese, sem deixarem de estimular a coragem de todos, quando as águas revoltas ameaçam a integridade física dos marítimos.

No domingo, as festas começam com a procissão pela ria. O cortejo litúrgico sai do Stella Maris por volta das 14 horas, com irmandades e andores, em que pontifica o da Nossa Senhora dos Navegantes. Autoridades diversas, banda de música, grupos folclóricos e muito povo integram-se na procissão, que deve chegar ao Forte da Barra pelas 16.30 horas.

Deve assinalar-se a passagem por São Jacinto, onde o povo marca sempre presença simpática e amiga, mostrando a sua devoção a Nossa Senhora, graças à iniciativa louvável de Dona Fernanda.

No Forte da Barra, logo depois da chegada da procissão, haverá missa solenizada, com cânticos oferecidos pelos grupos folclóricos que participam nos festejos, sob o patrocínio do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré. Depois, no festival de folclore, actuam os Ranchos de Gouveia e de Taveiro, tal como o grupo anfitrião.

FM

Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Agosto , 2009, 22:30
Nossa Senhora da Nazaré


Teve lugar hoje, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, a festa em honra da nossa padroeira. Foi uma festa simples, mas bastante significativa, organizada pela Irmandade de Nossa Senhora da Nazaré, que tem por missão promover o culto à Virgem Maria, como lembrou, na missa solenizada das 11.15 horas, o Prior da Freguesia, padre Francisco Melo.
Gostei muito de participar nesta eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. António Francisco dos Santos. Igreja cheia, coral dirigido por Cristina Ribau e acompanhamento musical da Filarmónica Gafanhense, onde sobressaiu a escolha dos cânticos e a harmonia do conjunto.
D. António elogiou a participação de todos e a urgência de se apostar numa comunidade, com projectos em sintonia com o Plano Diocesano de Pastoral.
O nosso Bispo ainda deu posse ao novo vigário paroquial, padre César Fernandes, que os gafanhões já conhecem e cuja dedicação apreciam.
À tarde realizou-se a procissão, com irmandades, instituições paroquiais, músicas e muito povo, que percorreu o trajecto habitual, passando pelo Cruzeiro.
Não houve festa profana. Sei que o povo gosta de festa, também com conjuntos musicais, comes e bebes, barracas de bolos e de quinquilharias, arraial e foguetes. Não sei se é bom ou menos bom ficar-se simplesmente pela festa religiosa. Em tempo de crise, económica e social, penso que a opção deste ano se justifica perfeitamente. Outros dirão que não. Gostos não se discutem. Mas cá para mim, que já tenho boa idade para pensar com calma, concordo com a festa religiosa apenas. Há bastantes festa musicais e outras que a Câmara de Ílhavo patrocina ou organiza.
Mais um apontamento, sobre a Irmandade de Nossa Senhora da Nazaré. Por sugestão do padre João Ferreira Sardo, a irmandade foi criada em 22 de Agosto de 1902, conforme alvará emanado do Governo Civil. Depois, os Estatutos foram aprovados pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, em 4 de Maio de 1903. Ainda não tinha sido criada a paróquia. Pertencíamos, então, àquela diocese. A Diocese de Aveiro foi restaurada em 11 de Dezembro de 1938.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Agosto , 2009, 11:59
Costa Nova

A edição 2009 do Mar Agosto continua a fazer parte da vida do Município, com momentos diversificados de festa, música, cultura, tradição, desporto, entre outras, numa acção que é também de homenagem ao Sol, à Ria e ao Mar, à nossa História e, em especial, à Vida.

PROGRAMA:

25 AGOSTO, Terça-feira
22 horas: Espectáculo com a Filarmónica Gafanhense, Largo do Farol, Praia da Barra

28 AGOSTO, Sexta-feira
22 horas: Grande Concerto de Verão, com LUÍS REPRESAS, Relvado da Costa Nova

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 19:27
Cenário do Festival de Marisco

Ria A Gosto – Festival de Marisco da Costa Nova


De 6 a 9 de Agosto, veraneantes e visitantes, bem como os residentes, podem saborear, no relvado da Costa Nova, o Festival “Ria a Gosto” – Festival de Marisco da Ria de Aveiro, numa organização conjunta do Illiabum Clube e da Câmara Municipal de Ílhavo.
Tendo como palco o Relvado da Costa Nova, com os seus coloridos Palheiros como cenário, o Festival de Marisco da Costa Nova tem como objectivo principal divulgar o marisco e “frutos do mar”, numa aposta clara nos produtos “Ria de Aveiro”. Assim, o Festival abrirá ao público amanhã, dia 6 de Agosto, pelas 18.30 h, encerrando no Domingo, dia 9, após o serviço de almoço. Durante estes dias serão servidos mais de mil quilos de variado marisco, do berbigão às navalhas, ou do camarão às santolas. Se faltar, nem sabe o que perde!

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 04 Agosto , 2009, 10:31

28 de Agosto

LUIS REPRESAS
NA COSTA NOVA

Diz um velho ditado, com alguma lógica, que “tristezas não pagam dívidas”. E um outro refere que “Mais vale rir que chorar”. Partindo destes pressupostos, vamos tentar viver as férias com a alegria possível e desejável.
Para este mês de Agosto, a autarquia ilhavense fez uma programação abrangente, chegando a todo o concelho, que não é assim tão grande, geometricamente falando. Há festas para todos os gostos, para todas as idades e para todas as sensibilidades. Também não deve faltar ânimo para participar, até porque é quase tudo oferecido. Os comes e bebes, como é óbvio, têm de ser pagos. Mas como cada um pode comer à medida do seu bolso, penso que o assunto, em princípio, está resolvido.
Música a rodos mais espectáculos variados enquadram uma panóplia de diversões. Mas permitam-me que destaque a I Semana Náutica do Município de Ílhavo, o Festival e Marisco na Costa Nova, as comemorações do 72.º Aniversário da Fundação do Museu Marítimo de Ílhavo, o Festival do Bacalhau, a Rota das Padeiras e o grande concerto com Luís Represas.

Ver programa detalhado aqui
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 20 Junho , 2009, 10:59

Os sinais de festa indiciam folguedos adequados ao São João, santo popular muito querido dos portugueses, a par do também nosso Santo António e de São Pedro, o primeiro Papa do cristianismo. Não sou muito dado a festas de bailaricos, mas aprecio a alegria espontânea do povo... Bom São João para todos os figueirenses e veraneantes desta terra de muito mar, de muito sol e... de algum vento.
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 15 Dezembro , 2008, 19:37
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A Câmara Municipal de Ílhavo, em colaboração com as quatro Juntas de Freguesia do Concelho, oferece amanhã, dia 16, no recinto da "Feira dos 13", na Vista Alegre, um espectáculo de circo a três mil crianças da Rede Pré-Escolar, pública e privada, e do 1.º Ciclo do Ensino Básico, da área do Município. Trata-se de uma festa de Natal, sempre ao gosto das crianças, que conta, ainda, com uma lembrança do “Pai Natal”.
O circo é da responsabilidade da Companhia Cardinali, não faltando os tigres, o homem canhão, malabaristas, equilibrismo, trapezistas e muito mais, para além dos insubstituíveis palhaços.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 27 Setembro , 2008, 17:54
Costa Nova antiga. Seria dia normal ou de romaria?


ROMARIA DA SENHORA DA SAÚDE MANTÉM A TRADIÇÃO

Este fim-de-semana vamos ter festa rija na Costa Nova, em honra de Nossa Senhora da Saúde. Amanhã há missa, procissão e as tradicionais devoções particulares a Nossa Senhora.
Para além disso, que é o substrato religioso das festividades em honra dos padroeiros, neste caso da padroeira da paróquia da Costa Nova, vem a romaria do povo das redondezas, ao jeito de quem encerra a época balnear.
Diz o padre Rezende, na sua Monografia da Gafanha, que “Frei João Pachão, no século Jerónimo Pachão, das Aradas, naquele tempo já frequentador da Praia, fundou em 1822 ou em 1824, com o auxílio das companhas e com esmolas do povo, uma capela de madeira, que dedicou a Nossa Senhora da Saúde”. A história continua e a dado passo, com mais banhistas a procurarem a praia, José da Graça, de Ílhavo, gerente de uma das companhas, avançou com a ideia de construir outro templo, porque o primeiro não oferecia as condições mínimas para o culto.
Continua o padre Rezende: “Com o concurso das outras companhas pôs mãos à obra, e em 1890 tinha erguido a linda capela, que a brisa do mar beija a toda a hora, numa saudação fagueira.”
“Todos os anos – garante o autor da Monografia – desde a sua fundação, é celebrada a festa à sua excelsa Padroeira, no último domingo de Setembro, atraindo à praia multidões de devotos e forasteiros.”
Mais adiante, sublinha que a devoção é tanta que não faltam ofertas valiosas, tais como “Cordões, libras, ligas, anéis, crucifixos, medalhas, (tudo de oiro), velas, ex-votos de cera, outros ex-votos, azeite, novenas, orações, tudo ali era levado pelos verdadeiros devotos em agradecimento à SS. Virgem, pelas graças recebidas”. E depois acrescenta: “Pena é que os pseudo-festeiros, ou devotos-arrecadadores, dessem aplicação desconhecida às esmolas que anualmente subiam a alguns contos.” (permitam-me um à parte: nestas coisas, de vez em quando, não falta quem se aproveite da devoção dos fiéis)
Diz ainda o padre Rezende que, “Nesse tempo de esbanjamentos, foi a família do Dr. Luís de Magalhães, quem manteve com esplendor o culto da capela. Está bem paramentada pela generosidade das famílias Magalhães e Maia Alcoforado”.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sábado, 06 Setembro , 2008, 11:41
Fotografia do Álbum Carneiro da Silva, S. Paio da Torreira, 1922



Contava-me a minha avó paterna que os seus pais eram lavradores, na Gafanha da Nazaré, no tempo em que ainda só havia sete núcleos de moradores. Verdadeiramente ela dizia sete casas o que eu acho muito pouco. Como alguns conterrâneos, o seu pai possuía um barco moliceiro com o qual recolhia o adubo para as terras. Era costume na altura usar o barco, para com familiares e amigos – dado que as colheitas estavam feitas e arrumadas – fazer o périplo das festas à beira da ria: São Paio, Sra. da Saúde e Sra. das Areias. No barco pernoitavam, cozinhavam e comiam.
Falando desse tempo, às vezes a minha avó recordava uma ida ao São Paio que me ficou gravada em verso: ainda ela mal tinha posto os pés em terra, surgiu não se sabe de onde, um homem todo empertigado de viola ao peito cantando-lhe assim:

Ó minha linda menina,
Não me sais do pensamento.
Vou falar com o teu pai,
Vou pedir-te em casamento.


“E vai eu ós’pois respondi-lhe assim:”- dizia ela

Vai-te embora homem casado,
Panela velha sem fundo.
A ti já te não são dadas
Barbaridades do Mundo
.


Possivelmente o rosário seguia por aí fora como era típico na época. Os arraiais eram as discotecas de então.
Esta cena passou-se por volta de 1900, igual a tantas outras, que eram o espírito do convívio festivo do São Paio, à mistura com comezainas, bailaricos e melancias das Quintas do Norte.
A primeira vez que fui ao São Paio, cerca de 1990, ainda apanhei alguma desta espontaneidade popular, daí para cá isso tem-se perdido em troca com outras formas de expressão mais actuais: regatas, concursos de painéis dos barcos moliceiros, jogos florais e festivais de canções. Mas o São Paio continua fiel à tradição que todos os anos no princípio de Setembro arrasta multidões de forasteiros e emigrantes à típica Vila da Torreira.

João Marçal
:
NOTA: Aqui fica a sugestão, oportuna, de Ana Maria Lopes, de Marintimidades

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Setembro , 2008, 09:56
A Festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes vai ter lugar no Forte da Barra, Gafanha da Nazaré, no dia 21 de Agosto. A procissão pela Ria começa às 14 horas, no Porto de Pesca Longínqua, com a alegria dos barcos e barquinhos cheios de gente.
A Festa da Senhora dos Navegantes vai realizar-se no dia 21 deste mês, com a já tradicional procissão pela Ria a dar uma cor diferente aos festejos. Na véspera, no Stella Maris, haverá uma outra festa, comemorativa dos 25 anos da bênção e lançamento da primeira pedra do actual edifício-sede daquele clube da Obra do Apostolado do Mar, seguida de missa.
No dia seguinte, domingo, teremos então a festa mais popular, com procissão pela Ria, actuação da Filarmónica Gafanhense e Festival de Folclore, em que actuarão os Grupos de Cantares da Associação Cultural de Azurara da Beira, de Danças e Cantares “Olhos de Água” e Etnográfico da Gafanha da Nazaré.
A procissão começa no Porto de pesca Longínqua, pelas 14 horas, seguindo em direcção ao Forte da Barra, depois da passagem sempre esperada por São Jacinto. Segue-se, junto à Capela da Senhora dos Navegantes, a eucaristia, com cânticos dos grupos etnográficos convidados. A actuação da Filarmónica e o Festival de Folclore serão logo depois.
A procissão pela Ria de Aveiro insere-se na Regata Grandes Veleiros, comemorativa dos 500 anos do Funchal.

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