de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Maio , 2010, 11:37

As sandálias do Pescador

José Tolentino Mendonça

A propósito da visita Apostólica de Bento XVI ao nosso país, têm-se multiplicado as tentativas de traçar um perfil do Papa partindo das singularidade do seu carácter ou da sua biografia. “Como definir o Papa Ratzinger?”, parece ser a preocupação dominante. E não falta quem sublinhe o seu brilhante passado académico, o seu estatuto intelectual reconhecido, o timbre germânico do seu temperamento ou até a timidez afável do seu sorriso. É claro que tudo isso tem importância para perceber o Pastor que nos visita, mas também é necessário dizer que essa informação é, no fundo, completamente irrelevante.


Editado por Fernando Martins | Sábado, 15 Maio , 2010, 10:10

Do Editorial do DN de hoje

 

 

 

 

 

«A visita do Papa Bento XVI a Portugal dava um verdadeiro manual de Ciência Política para os principais responsáveis pela República. Começou cedo, ainda no ar, a caminho de Lisboa, quando fez um claro mea culpa pelos casos de pedofilia que envolveram o clero. "O principal inimigo", disse, não está fora, "mas dentro da Igreja". O acto de contrição foi tão claro que nem deu azo a notícias futuras - ao longo dos quatro dias de visita, o assunto nunca mais veio a público. Não foi, porém, o único acto de humildade do principal responsável pela Igreja Católica. Bento XVI foi, também, sensato quando afirmou, preto no branco, que a Igreja tem de aprender a viver num novo mundo, se quiser manter o papel de influência que a visita a Portugal provou ainda ter.

Mas a humildade de reconhecer erros (ou o pecado, na versão doutrinal) não foi a única lição de Sua Santidade aos políticos portugueses. Houve outra, até mais forte, de convicção e de liberdade, no mais polémico dos temas facturantes da vida política portuguesa do momento: o casamento homossexual. Bento XVI falou do tema, defendeu o dogma de fé - a doutrina católica - sem pudores aos fiéis. Mas, evitando o tema nos encontros com Cavaco Silva e José Sócrates, mostrou que a máxima "a César o que é de César" é, para o Papa, outra das linhas fundamentais da sua acção - não prejudicando, claro está, a sua própria liberdade de pensamento e de palavra.

Por fim, ficou talvez a maior das lições: a de esperança. E não havia melhor momento para a deixar. Soubessem, os políticos portugueses, o valor desta máxima e talvez o futuro não parecesse aos portugueses tão sombrio.»

 

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 12 Maio , 2010, 19:51

 

Bento XVI com gente da cultura:

 

 

É preciso manter desperta a busca da verdade

 

Foi com grande emoção, contida com esforço, que ouvi hoje, ao vivo, o Santo Padre Bento XVI, no principal auditório do Centro Cultural de Belém (CCB).

Um silêncio profundo encheu a sala antes da entrada do Papa, e quando «o homem vestido de branco» assomou ao pano de fundo do palco, os aplausos explodiram de alegria.

Não era o filósofo apresentado nos mais recentes debates e escritos nem o teólogo proclamado ainda antes de se sentar na cadeira de Pedro. Não era o alemão frio e tímido que toca piano e se debruça sobre os clássicos. Não era o Papa fechado sobre si mesmo e que come à mesa sozinho. Não era o homem carismático continuamente comparado com o seu predecessor João Paulo II. Quem chegou afinal?

Chegou ao CCB o sucessor de Pedro, o que traiu o Mestre, mas a quem Jesus recomendou que nos confirmasse na fé; chegou o continuador da cadeia apostólica, que carrega aos ombros as certezas e dúvidas das comunidades católicas em caminhada de busca e de aprendizagem da vivência da compaixão e do perdão; chegou o pastor universal com a missão de guiar todos os homens e mulheres de boa vontade rumo a uma sociedade mais fraterna.

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 21 Abril , 2010, 09:14

 


 

 

HUMILDE TRABALHADOR

 

Georgino Rocha

 

 

 
Na sua primeira aparição pública na Praça de São Pedro, o recém-eleito Papa surge com um sorriso confiante e apresenta-se como humilde trabalhador da Vinha do Senhor. Foi a 19 de Abril de 2005.
E desde então, Bento XVI, iluminado pelo Espírito Santo e apoiado por um conjunto numeroso de pessoas especializadas, mostra em que concentra o seu trabalho e onde investe os seus esforços a fim de ser fiel à missão que Jesus Ressuscitado lhe confia e ajudar a Igreja a dar resposta eticamente válida e cristã às grandes interrogações com que se debatem os homens e as mulheres de hoje.
 
Em Portugal como em tantos países, sobretudo ocidentais, estas interrogações têm a ver com a compreensão da pessoa humana, com o valor da verdade, com a excelência da caridade, com o sentido da vida, com a sorte da humanidade solidária, com a sustentabilidade do planeta, com a capacidade da razão, com o alcance do bem integral acessível a todos e a cada um, com a função social da religião. 
 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 18 Abril , 2010, 11:55

 

 

Deixemo-nos de demagogias baratas

 

 

Quando o Governo decretou tolerância de ponto (para os funcionários públicos) para os católicos poderem associar-se à visita do Papa, participando em algumas cerimónias, sentiu-se a alegria de quantos sonhavam estar com Bento XVI.

Dir-se-ia que o Governo, que é laico e deve continuar a sê-lo, teve em conta que a maioria dos portugueses vive o catolicismo, cultuando e respeitando no dia-a-dia os valores cristãos. Nesse sentido, não morre ninguém se os católicos que o desejarem tiverem o prazer e a alegria de ouvir e ver o Santo Padre.

Nestes casos, nunca faltam os radicais que nos atiram aos olhos a areia dos seus ódios à Igreja católica dissimulados em argumentos pueris. Clamam eles que um dia com o Papa arruína a produtividade no nosso País, tanto mais que estamos em crise.

Vamos ser realistas:

 

1. As empresas podem não permitir a tolerância de ponto para os seus trabalhadores;

2. Os funcionários públicos com direito à tolerância de ponto são, em princípio, os do Porto e Lisboa, nos dias em que o Papa está nessas cidades. No dia 13 será para todo o país;

3. Os não católicos, naturalmente, não aceitarão a tolerância de ponto, porque, como será óbvio, não estarão interessados nas prédicas do Papa. Devem, portanto, ocupar os seus postos de trabalho;

4. Os radicais e intolerantes em relação à defesa do Estado Laico nunca perdoam, por norma, qualquer aproximação do Governo aos interesses de confissões religiosas. E então se a religião for maioritária, ficam logo altamente assustados e com medo da velha e há muito ultrapassada união entre o trono e o altar. Mas se for uma religião minoritária, alguns até acham bem e aplaudem;

5. Claro que, se a tolerância de ponto fosse decretada por um outro acontecimento qualquer, como o dia de Carnaval, tudo estaria bem;

6. Meus caros compatriotas, procuremos  ser compreensivos e vivamos sem demagogias baratas.

 

Fernando Martins

 

 

 

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 14 Abril , 2010, 12:48

 

 

 

Tarde do dia 11 e manhã do dia 14 também com tolerância de ponto para funcionários públicos em Lisboa e Porto, respectivamente

 

 

O Governo decidiu dar tolerância de ponto a todos os trabalhadores da Administração Pública no dia 13 de Maio por ocasião da presença do Papa Bento XVI em Portugal, disse hoje à Lusa fonte oficial do executivo.

 

A mesma fonte adiantou à agência Lusa que será também concedida tolerância de ponto aos funcionários públicos em Lisboa, na parte da tarde do dia 11 de Maio, assim como no Porto, na parte da manhã, no dia 14 de Maio.

 

A visita de Bento XVI a Portugal inicia-se no dia 11 de Maio, em Lisboa.

 

Na tarde do dia seguinte, o Papa segue de helicóptero para Fátima, onde permanece até dia 14 de manhã, quando sai em direcção ao Porto, cidade onde o chefe de Estado do Vaticano termina a visita ao país.

 

Fonte: Ecclesia


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 13 Abril , 2010, 14:55

 

 

É um peso-pesado da teologia, capaz de ombrear,

em intuição e produção de pensamento,

com clássicos contemporâneos

 

José Tolentino Mendonça

 

No encontro que Bento XVI tem previsto realizar com protagonistas da cultura portuguesa, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, caberá ao cineasta Manoel de Oliveira saudar o Papa. Raras vezes a história nos associa aos seus momentos culminantes, normalmente diferidos para uma ponderada reconstituição posterior. A história tem poucos directos. O seu fluir, as suas alterações, os seus movimentos são observáveis por escassos radares em cada tempo. Também por isso o evento anunciado vem em contra-corrente.

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 08 Abril , 2010, 10:11

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«Encontro-me entre aqueles que admiram muito e gostam do actual Papa Bento XVI. No que escreve, no que diz, nos seus gestos encontramos sempre um intelectual, uma resposta culta, uma busca do racional num homem profundamente crente e, sobretudo, vemo-lo entrar certeiro nas grandes questões ideológicas que atravessam um mundo global. Nunca é um Papa acomodado à varanda de São Pedro, olhando apenas os que vão ao seu encontro. Bento XVI é inquieto, tem a inquietude do grande teólogo, do homem culto que sabe que a Igreja Católica precisa de estar virada para as questões que atravessam as sociedades cultas, e não pode divorciar-se das elites europeias e norte-americanas.»

 

Zita Seabra no JN 

 


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 18:56

José Pacheco Pereira diz que o pensamento do Papa ajuda a iluminar alguns problemas contemporâneos

 

 

Bento XVI chega a Portugal no próximo dia 11 de Maio, carregando consigo uma visão estratégica da Igreja e do mundo, muito clara, que se centra na necessidade de referências, de valores, de um pensamento forte contra a “ditadura do relativismo” a que tantas vezes se tem referido.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, Pacheco Pereira sublinha que o Papa “tem uma noção de reforço dessa identidade de combate ao relativismo e do combate a um conjunto de teorias – caso da Teologia da Libertação – que transformava o cristianismo numa espécie de progressismo político muito influenciado pelo marxismo”.

 

 

Ler toda a entrevista aqui


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 09 Março , 2010, 04:19

Nota Pastoral sobre a visita do Papa ao nosso país

A visita do Papa Bento XVI a Portugal é um acontecimento de singular importância e, por isso, deve ser preparada condignamente, não apenas no brilho exterior e no ambiente festivo, mas sobretudo no horizonte da fé, da construção da unidade eclesial e de uma sociedade mais justa e fraterna. Vem até nós como peregrino e a Igreja em Portugal deverá caminhar com o sucessor de Pedro, redescobrindo no cristianismo uma experiência de sabedoria e missão. Sabedoria vivida no conhecimento das realidades terrestres, a partir de uma referência a valores, de modo que, na fidelidade à identidade cristã, sejamos capazes de dar um contributo positivo à construção de uma sociedade mais justa; missão como itinerário de uma vida que se quer mergulhada no mundo, mas diferente em opções e atitudes, e que, sobretudo pelo exemplo, anuncia Cristo e a sua boa nova

 

Ler mais aqui

 

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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Janeiro , 2010, 10:34

Bento XVI com o rabi Ricardo di Segni, AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE


Bento XVI fala de acção "discreta" durante a II Guerra, judeus pedem arquivos abertos

O Papa Bento XVI foi ontem visitar a Sinagoga de Roma - o que aconteceu pela primeira vez. Mas quem esteve presente, nos discursos dos judeus que o acolheram e no discurso que dirigiu à comunidade judaica da cidade, foi o Papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica durante a II Guerra Mundial.

Durante a cerimónia, o presidente da Comunidade Judaica de Roma, Riccardo Pacifici, pediu ao Papa a abertura dos arquivos do Vaticano respeitantes ao pontificado de Pio XII (1939-1958). "Enquanto esperamos um julgamento partilhado, desejamos, com o maior respeito, que os historiadores tenham acesso aos arquivos do Vaticano sobre este período e todos os acontecimentos" ligados à Alemanha nazi, afirmou.

António Marujo



Foto publicada no PÚBLICO
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 05 Janeiro , 2010, 23:12




No encontro do mundo da cultura com o Papa

O cineasta Manoel de Oliveira foi a personalidade escolhida pelo mundo da cultura para discursar no encontro com Bento XVI, a decorrer no Centro Cultural de Belém (CCB), Lisboa, na manhã de 12 de Maio deste ano.
Bento XVI estará em Portugal de 11 a 14 e terá um encontro com agentes da cultura. “Na auscultação, as personalidades foram unânimes na escolha de alguém que está acima de diferentes sensibilidades e que defende nos seus filmes valores cristãos” – disse à Agência ECCLESIA D. Carlos Azevedo, coordenador geral da visita de Bento XVI a Portugal.

Fonte: Ecclesia

 

Editado por Fernando Martins | Domingo, 29 Novembro , 2009, 18:45



O Santo Padre exortou ontem, na celebração de vésperas do I Domingo do Advento,  os católicos a viverem este tempo litúrgico com alegria. E adiantou: “O homem, na sua vida, está permanentemente em expectativa, à espera: quando é criança, quer crescer; como adulto, tende à realização e ao sucesso; avançando na idade, aspira a um merecido repouso. Mas chega um momento em que descobre que esperou demasiado pouco de si mesmo; para além da profissão e da posição social, nada lhe resta para esperar.” E disse mais: “A esperança marca o caminho da humanidade. Mas, para os cristãos, a esperança encontra-se animada por uma certeza: que o Senhor está presente no fluir da nossa vida, Ele acompanha-nos e um dia enxugará as nossas lágrimas. Um dia, não muito distante, tudo encontrará o seu cumprimento, no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz.”
 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 26 Novembro , 2009, 10:22

Bento XVI com os artistas


“O coração do homem contemporâneo tem uma grande fome de beleza, que é também a beleza total, iluminada pelo transcendente”

Tolentino Mendonça,

Sobre o discurso do Papa aos artistas, na Capela Sistina

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 10 Setembro , 2009, 11:44
Penso que é cada vez mais necessário fazer a experiência de viver, momentos que sejam, o silêncio, como recomenda o Papa Bento XVI. No meio do barulho ensurdecedor das políticas e das misérias humanas, como corrupções, agressões, guerras e injustiças,  há que encontrar uma nova forma de estar em sociedade, no respeito absoluto pelos nossos parceiros no mundo.

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