de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 11 Janeiro , 2010, 00:12


ESTOU BAPTIZADO. SOU CRISTÃO?


A pergunta parece redundante. De facto, quem é baptizado entra num estilo de vida tipicamente cristão. Pode assemelhar-se a quem entra na Universidade para ser bom aluno. O normal será viver de acordo com o seu novo estatuto, não sendo suficiente matricular-se ou simplesmente dizer-se universitário.
A festa do baptismo de Jesus – que se consuma na manhã de Páscoa com a ressurreição - faz-nos ver a novidade do ser cristão. Não basta o baptismo da água, à maneira de João Baptista, apesar de muito positivo. Não basta manter um costume, apesar da sua relação familiar e social. Não basta o rito religioso, apesar da marca que lhe está atribuída: ser expressão de uma atitude crente.
A vida, nos anos da sua duração, traz-nos muitos “baptismos de água” que revelam o grau da nossa humanidade: conselhos de sabedoria, atitudes de fortaleza e honradez, gestos de partilha e generosidade, lições de economia solidária, guias de entretenimento alegre e positivo, acções de formação ética e profissional, compromissos em prol da justiça e da paz.
À água é preciso unir o Espírito Santo – afirma João Baptista aos que tinham outras expectativas; Espírito que se manifesta de vários modos e vai moldando a vida de quem o acolhe com abertura e simplicidade de coração.


São estes modos que configuram o cristão que há em nós e vai crescendo com a graça de Deus, o esforço pessoal e a ajuda dos outros, especialmente da família, do grupo apostólico, da comunidade cristã.
Ser cristão é, não apenas estar baptizado, mas viver e desenvolver os dons recebidos na celebração e patenteados na actuação diária: reconhecer que a nossa comum humanidade se alicerça na filiação divina – em Jesus Cristo, somos constituídos filhos de Deus; sintonizar o agir da consciência e as preferências do coração pelo amor que vem de Deus e nos anima a ser coerentes; assumir os desafios da mudança em curso e, com espírito sábio, interpretar o sentido que comportam e o grau de humanização que manifestam; colocar todo o esforço ao serviço do bem comum – expressão secular do projecto de felicidade que Deus nos oferece -, vencendo a indiferença e a hipocrisia, os grandes males da nossa época.
Ser cristão é fazer a experiência diária, alegre e feliz, de ouvir a voz da consciência que, em nome de Deus, vai segredando: Estou contigo, em ti me revejo e confio, és o meu encanto. Sem medo, comunica esta alegre notícia por toda a parte.

 Georgino Rocha

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 01 Janeiro , 2010, 20:03

S. João de Deus

AGENDA ABERTA

Abri a agenda de 2010 animado pela melhor confiança. E alguma inquietação expectante.
O futuro corre veloz e torna-se presente. Espaços em branco aguardam o horário laboral a ser oportunamente concretizado. Notas de rodapé fazem memória de pessoas e eventos históricos, situando-me na corrente dinâmica do tempo.
Logo no dia um, vem a aprovação, em 1571, da Ordem Hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus que se dedica às pessoas com deficiências mentais profundas e a informação sobre o violento sismo nos Açores, em 1980. Numa coluna lateral, surgem “dicas” para reflexões pessoais, como a de Nossa Senhora no roteiro da paz dos povos. No cimo de cada página, indicam-se os dias da semana e o que de mais importante a liturgia celebra como maravilha de Deus e glória da humanidade.
Esta moldura ajuda-me a ir dando forma à minha agenda. Oferece-me as referências mais consistentes para me saber situar e dar sentido à minha vida. Ao ritmo de cada dia, irei escrevendo a parte visível da minha história: o uso do tempo, as prioridades destacadas, os compromissos assumidos, os encontros realizados, as experiências marcantes, os sonhos idealizados que tiverem de ser adiados, as horas de escuta da consciência e o acerto com as suas chamadas de atenção.


O tempo, na sua densidade, apresenta-se como um tempo aberto aos horizontes ilimitados dos meus sonhos. Posso usá-lo de modos diferentes: adoptar uma atitude passiva própria de quem vive “fora de época”, ser mero consumidor das horas fugidias que se escapam, apesar das marcas indeléveis que sempre deixarão, estar consciente do desafio que me lança e, sabendo que constitui um bem escasso e único, valorizá-lo da melhor forma, adoptando uma atitude assertiva na vida.
Valorizar o tempo é saber aproveitar as ricas oportunidades que comporta. Para a realização de cada pessoa. Para a humanização da sociedade. Para a construção do bem de “nós” como um todo. Para o encontro amigável com Deus que, connosco, peregrina nos caminhos da história e nos deixa as suas pegadas na criação e na cultura para O podermos procurar mais intensamente. Para a sementeira do amanhã que desabrocha na plenitude da eternidade.
Abri a minha agenda para assumir o tempo como dom de Deus que se faz história, a partir das minhas opções. Quero dar-lhe a resposta adequada e ir mais longe, alargando os limites do possível; estar atento ao que me rodeia e erguer o olhar para ver ao largo; discernir os sinais emergentes e impulsionar os seus dinamismos positivos; arranjar tempo para mim sem esquecer os outros, sobretudo os que me são mais próximos e amigos.
Agenda 2010, o registo da vida em que Deus e eu somos protagonistas com o apoio de tantos outros, irmãos em humanidade e na fé. A minha mão faz as letras, mas quem escreve e conhece o sentido pleno do texto é Deus. A Ele pertence o tempo e a eternidade, agora e para sempre!

Georgino Rocha

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