de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 25 Abril , 2010, 09:17

 

 

 

Diariamente recebo e-mails com mensagem pessimistas. Doentiamente pessimistas. Muitas vêm com imensas saudades do antes de Abril. Para eles,  os cravos da liberdade murcharam há bastante tempo. Que é preciso outro Salazar... só um outro ditador é que poderia endireitar a situação de crise com que nos confrontamos... isto já não vai com democracias... E por aí adiante.

É sabido que a democracia é de todas as formas de governo a menos má, dizem os politólogos. Mesmo assim, há quem já não acredite em nada. O mundo está perdido e os políticos estragam todos os sistemas. Não há salvação possível. Contudo, que se saiba, sempre  foi assim. E o mundo continua a rolar, queiram os não queiram os homens.

Do outro lado estão aqueles que entendem que tudo gira sobre rolamentos bem oleados. A virtude estará algures.

Há dias, num grupo onde pontificava  juventude que protestava, quiçá com alguma razão, porque não consegue inventar empregos nem meios mais ou menos estáveis  de subsistência. Os desabafos sucediam-se e ninguém adiantava nem vislumbrava solução à vista.

Uma idosa que ali estava, como que indiferente ou marginalizada, balbuciou a medo, mas de forma audível: «Está tudo muito bem, mas voltar atrás é que eu não queria.»

 

FM


Editado por Fernando Martins | Sábado, 24 Abril , 2010, 22:15

 

 

O sonho de Abril

 

Maria Donzília Almeida

 

 

 

Este mês de Abril é rico em efemérides e para acabar, aí temos mais uma vez, a comemoração da Revolução de Abril, que vai já na sua trigésima sexta vez, consecutiva.

 Quando, há 36 anos, explodiu ao som das baionetas o grito da liberdade, o povo estremeceu e começou a sonhar.

Não foi tanto o espalhafato, a euforia incontrolada, a loucura do romper das barreiras que deixou o povo estonteado. Foi a esperança numa vida diferente, numa vida sem mordaças, mas que trouxesse alguma melhoria a quem sempre fora explorado.

Fizeram-se comemorações, de lés a lés, o país estrebuchou e deu largas à sua alegria incontida.

Passaram-se já 36 anos, já se ouviu chamar jovem democracia......mas, c’os diabos! As pessoas têm um tempo para crescer, para amadurecer, para se tornarem adultas! Não será infantilização, chamar-se ao regime em que vivemos, uma jovem democracia? Não terá já passado o tempo suficiente para que a “criança” tenha crescido e assumido postura de adulto?

Pela observação do que nos cerca, constata-se que afinal a democracia ainda não mostrou o lado bom, o lado da maturidade, da consolidação de propósitos e valores.

Vivemos num mundo sem amarras, é verdade, sem mordaças, é certo, mas que importa podermos dizer o que sentimos o que achamos sobre aqueles que nos governam, se nada é feito para alterar o que está mal?

                                  


Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Abril , 2009, 22:24

"Onde estavas no 25 de Abril? Esta pergunta, que Baptista-Bastos fixou sobre a revolução dos cravos, baila muito na minha cabeça. Também eu me questiono com ela, quando o 25 de Abril vem. E afinal onde estava, realmente? Quando a liberdade veio, com a força para muitos de nós desconhecida, tinha eu já 35 anos.Na manhã desse dia, levantei-me sem saber de nada. Como a grande maioria dos portugueses. Estava destacado, profissionalmente, para uma tarefa do Ministério da Educação, ao tempo chefiado por Veiga Simão. Animava bibliotecas populares e outras, promovia e apoiava cursos de adultos, dinamizava instituições de cultura e recreio, formava bibliotecários e preparava professores para a difícil missão de ensinar gente crescida a ler e a escrever. Gostava muito do que fazia. Nesse dia, o concelho de Sever do Vouga estava na agenda. Saí de casa e meti gasolina na Cale da Vila. Nesse ínterim, liguei o rádio portátil para ouvir as notícias. Perplexo, achei estranho sentir o rádio confuso. Avaria? Não. Uma voz anunciava o que estava a passar-se em Lisboa."
Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Abril , 2009, 11:07


Era o 1º ano da sua actividade profissional. Encontrava-se a leccionar numa escola do concelho, a mais próxima da sua residência, da altura.
A manhã acordara-a tranquila e preparava-se para mais um longo dia, trabalho árduo, mas compensador. Escolhera esta profissão, não por imposição de alguém, muito menos por qualquer conveniência de qualquer nível. Fora a escolha do coração, no mais amplo sentido da palavra. Alguém com alguma responsabilidade havia-a “empurrado”, sem sequer ter dado aquele empurrãozinho de que hoje tanto se fala. Foi uma personagem marcante na sua vida e, sem dúvida que influenciou, que marcou indelevelmente o seu percurso profissional. Refere-se à sua English teacher do 5º ano do Liceu, altura em que era feita a escolha da carreira profissional. Recorda-se tão bem desta criaturinha de estatura mediana, tal qual a sua, o carro que usava na altura, até a própria indumentária lhe ficara retida na memória. O nome também tinha algo em comum, pelo menos naquilo que caracteriza a mulher portuguesa, especialmente em épocas passadas, Maria Helena Pedroza! Que gratas recordações lhe traz este nome! Tanto a marcou, que se tornou uma aluna diligente, sem, para isso, fazer qualquer esforço, já que estudar Inglês era um enorme prazer. Fica aqui a homenagem pública e um profundo sentimento de gratidão pelos horizontes que lhe fez abrir! O carácter nobre desta profissão, que tem por objectivo lapidar diamantes brutos, ganha espírito de missão! Bem-haja!
Foi neste contexto de actividade, que a jovem teacher acolheu a notícia do dia 25 de Abril de 1974. A medo e com todas as cautelas, o acontecimento foi divulgado. A princípio, surgiu a música clássica a preencher a programação de todas as estações de rádio, que deu o lamiré daquilo que estava a ocorrer no nosso país. Num país, mergulhado num sistema político totalitário, havia 40 anos, foi uma efeméride que provocou reacções antagónicas e paradoxais. Sem me alongar na análise duma revolução, deixando isso para os experts na matéria, gostaria apenas de fazer algumas reflexões sobre o assunto. Iniciara nesse ano a minha carreira docente e assisti, ao longo da minha já longa existência, às mais variadas e inquietantes reformas no sistema educativo.
De tudo o que tem germinado no terreno pantanoso deste campo de acção, resta-me uma amarga constatação. Os professores têm vindo a perder direitos, ao longo de décadas conquistados, sem que esse acréscimo de dedicação à escola tenha revertido em melhorias das aquisições dos nossos alunos. O que a sociedade civil tem vindo a verificar é uma progressiva degradação da formação académica, apesar do muito show off que as escolas fazem para atestar a sua prova de vida!
O professor foi transformado num (in)competente (!?) burocrata em que a quantidade de papéis é inversamente proporcional ao sucesso alcançado pelos alunos. A tutela manda! A tutela assim quer e o professor, como qualquer subalterno, obedece a contragosto, consciente de que estamos a caminhar para uma hecatombe. Os diversos movimentos de contestação da classe docente, amplamente divulgados, comentados pela comunicação social e aplaudidos por uma grande parte da população, atestam e reflectem o mal-estar existente na classe e a inoperância de sucessivos governos em resolver a sua problemática.
Quem por vocação está no sector, confrange-se com o estado de coisas da educação em Portugal e sente-se impotente para o alterar, pese embora toda e qualquer discordância do sistema vigente.
Fica uma questão: será que ainda estamos na infância duma democracia que pretende instalar-se neste jardim florido, à beira-mar plantado? Se assim é… puxa que esta criança teima em ficar, eternamente, no estado infantil! Quebremos as amarras, as mesmas que os capitães derrubaram nessa bendita madrugada, há 35 anos atrás! Deixemo-la chegar ao estado adulto… pois já tem idade para isso!

Mª Donzília Almeida
23.04.05

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 24 Abril , 2009, 23:56

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, a liberdade acordou ao som de Vila Morena.


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