de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 12 Março , 2010, 08:00

 

A força da credibilidade
 
 Por  Alexandre Cruz
 
1. Quem “folheia” num minuto as notícias pelos sítios da internet dos principais jornais diários sente que o relatório de acontecimentos destacados são pouco inspiradores pois trazem sempre consigo sintomáticas nuvens de insatisfação. Dois recentes sublinhados poderemos destacar: a entrevista do presidente da república que salientou a necessidade da “ética nos negócios”, e os resultados da revista forbes que exalta Américo Amorim como o homem mais rico do país. Quem não se lembra de há quase um ano o gigante grupo Amorim ter executado o despedimento de trabalhadores justificando tal facto pela crise reinante! A este perfil noticioso pode-se juntar os resultados que vão chegando do exercício do ano de crise 2009, de que se poderá destacar há dias o rejubilar dos magníficos resultados da EDP…
 

Editado por Fernando Martins | Sábado, 05 Setembro , 2009, 10:35



Desde o Eutífron, de Platão, que, nesta relação de ética e religião, se coloca o famoso dilema: os mandamentos são bons porque Deus os prescreve ou Deus prescreve-os porque são bons? Na segunda hipótese, Deus não seria absoluto, já que subordinado a normas e valores independentes dele. Na primeira, poderia mandar o arbitrário, como afirmou o voluntarismo medieval: segundo Ockam, "Deus pode ordenar que a vontade criada o odeie".
Mas o dilema tem solução. O Homem é um animal ético e a moral é autónoma. Ao contrário dos outros animais, o Homem vem ao mundo por fazer e tem de fazer-se, realizar-se a si mesmo. E qual é o critério da acção humana boa senão precisamente a adequada e plena realização do ser humano? A exigência moral não surge do facto de se ser crente ou ateu, mas da condição humana de querer ser pessoa humana autêntica e cabal, plenamente realizada, de tal modo que o teólogo Andrés Torres Queiruga pode escrever, com razão: se se pensar fundo, "não existe nada que no nível moral deva fazer um crente e não um ateu, contanto que tanto um como o outro queiram ser honestos". Se dissentirem em muitas opções, isso não acontecerá propriamente por motivos religiosos, mas morais, devido à dificuldade em saber qual é muitas vezes a decisão correcta.
Então, por paradoxal que pareça, autonomia e teonomia coincidem. De facto, se se aceitar, como é o caso da perspectiva cristã, que Deus cria por amor, o que é que Deus pode querer e mandar senão precisamente a adequada e plena realização da pessoa humana? Na criação por amor, o único interesse de Deus só pode ser o Homem vivo, realizado e feliz.
Mesmo que não possam ser separadas, moral e religião distinguem-se. A prova está em que se pode ser não religioso e moral: não é verdade que, "se Deus não existir, tudo é permitido". Por outro lado, o crente também sabe que a religião, embora a implique, não se reduz à moral.
De qualquer modo, a religião pode contribuir para a moral, de múltiplos modos. A religião autêntica deverá constituir mais um impulso para a acção ética. Quando se pergunta pelo fundamento último da moral na sua incondicionalidade, é difícil não ser confrontado com a religião e o absoluto de Deus. Depois, a religião dá horizonte de futuro, mesmo quando se falhou e se precisa de perdão e novo alento - há uma personagem de Hemingway que, a um dado momento, pergunta, perplexa: agora que não há Deus, quem nos perdoará? -, e abre à esperança de sentido último.
Melhor do que o que aí fica poderá dizê-lo uma carta comovente que o senador Edward Kennedy enviou ao Papa, pouco tempo antes de morrer, e que o cardeal Th. McCarrick revelou na celebração do seu funeral.
Alguns passos: "Santidade, espero que ao receber esta carta goze de boa saúde. Rezo para que tenha todas as bênçãos de Deus na condução da nossa Igreja e inspire o mundo nestes tempos difíceis. Escrevo-lhe com profunda humildade para pedir-lhe que reze por mim, agora que a minha saúde declina. Foi-me diagnosticado um cancro no cérebro há mais de um ano e, embora continue em terapia, o mal continua a minar-me. Tenho 77 anos e preparo-me para a passagem seguinte da vida. Tive a graça de ser membro de uma família maravilhosa, e os meus pais, em particular a minha mãe, mantiveram a fé católica no centro das nossas vidas. O dom da fé manteve-se, cresceu e deu-me alívio nas horas mais escuras. Sei que fui um homem imperfeito, mas com a ajuda da fé procurei endireitar o caminho. Quero que saiba, Santidade, que nos quase 50 anos de serviço público, dei o meu melhor para embandeirar os direitos dos pobres e abrir portas de oportunidades económicas. Trabalhei para receber os imigrantes, combater a discriminação e ampliar o acesso aos cuidados médicos e à educação. Procurei sempre ser um católico fiel, Santidade, e embora as minhas debilidades me tenham feito falhar, nunca deixei de crer e respeitar os ensinamentos fundamentais da minha fé. Rezo para que Deus o abençoe a si e à nossa Igreja e agradeceria muito as suas orações por mim."

Anselmo Borges

In DN

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 06 Julho , 2009, 21:13

Ao longo do dia de Sábado, num seminário organizado pela CNJP, figuras como Laborinho Lúcio, Guilherme de Oliveira Martins, Ulisses Garrido ou Adriano Moreira reflectiram sobre a "Crise ética na economia e na política".
Tendo como ressalva a recusa de "euforias" ou "cruzadas" éticas (nas palavras de D. Carlos Azevedo ou de José Manuel Pureza) e sublinhando, portanto, a necessidade de actuar responsavelmente em vez de ideologicamente, ficou porém claro que já não há como defender a neutralidade axiológica do sistema económico vigente.
É imperativo denunciar a imoralidade de um modelo económico que tem vindo a aumentar as desigualdades, a causar profundas fracturas sociais e a pôr em risco até a sobrevivência humana no planeta.

Ler mais aqui

Editado por Fernando Martins | Sábado, 04 Julho , 2009, 13:20
Comissão Nacional
Justiça e Paz
promove seminário

A crise ética na economia e na política vai estar este Sábado em debate. A Comissão Nacional Justiça e Paz quer, através do seminário, reflectir sobre os comportamentos éticos de decisores, mas "aprofundar a arquitectura institucional que provocou a actual situação", centrou Alfredo Bruto da Costa, Presidente da CNJP, na abertura do seminário.
Ler mais aqui

NOTA: Actualização logo que possível


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 17 Setembro , 2008, 12:07

Regresso de Paulo Pedroso à Assembleia gera desconforto


Li hoje no Público que o regresso de Paulo Pedroso à Assembleia da República está a gerar algum desconforto entre os deputados socialistas. Isto mostra quanto a política, ao nível dos interesses partidários, é uma entidade sem alma.
É conhecido que Paulo Pedroso foi acusado de estar envolvido no crime da pedofilia da Casa Pia. Recordo-me bem do seu sofrimento e da luta que teve de travar para se libertar dessa acusação. Esteve preso e suspendeu a sua intervenção política, por questões de ética. O tribunal arquivou o processo por falta de provas credíveis e o Estado foi obrigado a indemnizá-lo por danos materiais e morais.
Julgando-se livre das peias que o envolviam, entendeu que seria hora de retomar os seus direitos cívicos e políticos. Alguns camaradas seus, do seu PS, admitem agora que, mesmo assim, a sua presença na Assembleia da República é incómoda para o partido.
A vida tem destas coisas. Põe carimbos terríveis numa pessoa e recusa retirá-los por interesses mesquinhos. Sem mais comentários.

FM

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 09 Setembro , 2008, 21:35

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, chama uma vez mais a atenção para a urgência de todos contribuirmos para a erradicação da pobreza entre nós. Trata-se de um problema complexo, mas que tem solução, se todos quisermos. Tenho para mim que, frequentemente, tomamos conhecimento desta realidade, mesmo ao pé da porta, mas estamos longe de dar passos que contribuam para ajudar quem está a precisar de ajuda. Penso, por isso, que vale a pena ler o texto de Eugénio Fonseca.

"Quem contacta com pessoas em situação de pobreza sabe que, para a grande maioria, não é possível sair dela sem a colaboração de terceiros. Os percursos vitais que levam as pessoas ou famílias a subsistir privadas das condições indispensáveis a uma vida digna são fruto de processos de deterioração social e económica continuados no tempo. Estamos, por isso, perante uma realidade que exige esforços redobrados. Mas que tem solução. A erradicação da pobreza é, de verdade, um facto evitável. O problema actual não é de inexistência de meios, mas de querer ou não querer. Ou seja, já não é um problema técnico, mas político e ético."

Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Maio , 2008, 16:44


Ética nas liberdades de imprensa

1. Este ano foi Maputo a acolher as cerimónias centrais do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de Maio). É neste contexto que a instância Iniciativa Africana dos Média reflecte de forma aberta e plural sobre a «situação, desafios e oportunidades, expansão e consolidação da Liberdade de Imprensa e do direito à Informação em África». Tratam-se, assim, de dimensões essenciais da pessoa humana em sociedade, como janelas abertas para democracia em liberdade de comunicação. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos inscreve-se nesta mesma matriz, ao destacar que «todo o ser humano tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião» (art. XVIII). Estes são os “lugares” mais profundos do ser humano.
2. Continua, ainda, grande a lista de países em que o bloqueio à liberdade de expressão é limitação de vivência no respeito inclusivo pelas diferenças. Quando a intolerância triunfa (ou triunfou…e a sua história é bem longa e de muitos quadrantes) é sinal fechado do assumir explícito da dignidade da pessoa humana. Não é por acaso que uma boa parte dos relatórios diagnósticos internacionais baseia-se na percepção da liberdade e alguns autores, mesmo, apresentam a referência «o desenvolvimento como liberdade» (obra pioneira de Amartya Sen, Nobel da Economia 1998). É nesta linha que os direitos humanos destacam que «todo o ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras» (art. XIX da Declaração Universal).
3. Também neste 4 de Maio, no âmbito do 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Bento XVI salienta que «quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade. São muitos a pensar que, neste âmbito, seja actualmente necessária uma «info-ética» tal como existe a bio-ética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida» (Mensagem de Bento XVI para o 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 4 de Maio).
4. Os novos desenvolvimentos sociais geram novos imperativos no apurar da reciprocidade das liberdades, e nestas a justa liberdade de imprensa nos novos alcances das comunicações actuais. Quem não se lembra há uns tempos das polémicas caricaturas de Maomé…onde se entrecruzavam ausências de ética social na percepção da liberdade de cada um… Informar a profundidade do ser humano com o reconhecimento da dignidade do outro continua a ser a maior tarefa humana, porque caminho de tolerância, paz e desenvolvimento.

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Abril , 2008, 12:03

"É triste que tanta gente ache que a epidemia pedófila na Igreja foi uma inevitabilidade que decorre da intrínseca perversidade do clero; é triste que tantos outros considerem o caso um detalhe sem importância nem consequência. Creio, pelo contrário, que a pedofilia na Igreja foi um acontecimento repugnante mas evitável. E que muitos católicos ainda não se aperceberam do significado desta crise. Ainda há quem fale em acidentes isolados: mas foram cinco mil padres e 13 mil vítimas, só nos Estados Unidos. Que o clero católico, o mesmo que difunde uma ética exigente em tempos de caos ético, tenha estado implicado em tão grande escala em abusos de menores, eis o que não pode redundar senão em perda de autoridade moral e de confiança dos crentes."

Pedro Mexia escreveu hoje, no PÚBLICO, no caderno P2, um texto sobre a visita do Papa aos EUA. Para o ler, vá à página 2.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Março , 2008, 14:12

Quem frequentou a catequese lembrar-se-á, ainda que vagamente, dos sete pecados capitais: soberba, inveja, gula, luxúria, ira, avareza, preguiça. Estes são os sete pecados capitais da tradição, a partir de uma lista do Papa Gregório Magno no século VI.
Durante as festas pascais, não houve jornal, rádio ou televisão que não tenha referido uma nova lista a juntar à antiga. Devo confessar que esse interesse me causou algum espanto, tendo mesmo sido tentado a pensar que poderia haver quem subtilmente, lá no íntimo, imaginasse que talvez o Vaticano tivesse descoberto alguma nova oportunidade interessante para transgredir e pecar. Ah, aquele pedido: Oh God, make me good, but not yet!
Tratou-se de um equívoco, pois o Vaticano não publicou propriamente um decreto com uma nova lista de pecados capitais. Mas, por outro lado, na base do alarido, está uma chamada de atenção para questões complexas e graves que não podem de modo nenhum passar despercebidas.
O que é que se passou na realidade?
O Osservatore Romano, jornal oficioso do Vaticano, publicou, no passado dia 9 de Março, uma peça do jornalista Nicola Gori, com o título "As Novas Formas do Pecado Social", a partir de uma entrevista com mons. Gianfranco Girotti, bispo do tribunal da Penitenciária Apostólica, organismo da Santa Sé.
Nicola Gori perguntou ao bispo quais eram os novos pecados em tempos de globalização. Mons. Girotti, depois de lembrar que o pecado "é sempre a violação da aliança com Deus e os irmãos", respondeu que há várias áreas dentro das quais deparamos hoje com atitudes pecaminosas referentes aos direitos individuais e sociais.
E enumerou-as: "Antes de mais, a área da bioética, dentro da qual não podemos não denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujos êxitos são difíceis de vislumbrar e ter sob controlo. Outra área, propriamente social, é a área da droga, com a qual a psique enfraquece e se obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. Mais: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma injustiça social insustentável. E a área da ecologia, que reveste actualmente um interesse relevante."
Foi a partir daqui que houve quem pretendesse poder elaborar uma lista de novos sete pecados capitais, segundo esta denominação ou semelhante: as violações genéticas; as experiências moralmente discutíveis, como a investigação em células estaminais embrionárias; a toxicodependência; a contaminação do meio ambiente; contribuir para cavar mais fundo o abismo entre os ricos e os pobres; a riqueza excessiva; gerar pobreza.
Embora a lista não exista enquanto tal, é necessário reconhecer que se não pode de modo nenhum ignorar que estas quatro áreas - a área biológica, com as violações genéticas; a área ecológica, com a poluição ambiental; a área da droga, com o risco da toxicodependência; a área das desigualdades sociais, com desequilíbrios socioeconómicos que bradam aos céus - são domínios nos quais existe o perigo real de ferir gravemente a dignidade humana e, nesse sentido, para os crentes, violar a aliança com Deus, pecando.
O que é, de facto, o pecado? Mais uma vez, segundo o catecismo, é a transgressão voluntária da Lei de Deus. Mas, aqui, é preciso perguntar: algo é bom porque Deus o manda ou Deus manda-o porque é bom para o ser humano? Algo é mau porque Deus o proíbe ou proíbe-o porque é mau para o ser humano?
O crente reflexivo sabe da autonomia moral e, assim, sabe que só é proibido por Deus o que prejudica o ser humano e só é mandado o que o dignifica e engrandece. O critério dos mandamentos de Deus é o Homem vivo e a sua realização.
Assim, no quadro da ética do cuidado e do princípio da precaução, quem não verá a urgência de reflectir sobre novas situações pecaminosas, como violações genéticas, poluição ecológica, toxicodependência, um mundo estruturalmente injusto?

Anselmo Borges

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 27 Março , 2008, 17:18
“Todos os homens têm direito ao pão para a boca e à verdade para o espírito”

Vitorino Nemésio

Utopia ou Cidadania?

Não sendo economista e não podendo recorrer a Jesus Cristo, que, no dizer de Fernando Pessoa, “não sabia nada de finanças”, apelei à minha memória e recordei-me de uma entrevista que o Presidente da Galp, Eng.º Ferreira de Oliveira, deu, no dia 17 de Janeiro de 2008, à jornalista da RTP1, Judite de Sousa, no programa “Grande Entrevista”.
O Eng.º Ferreira de Oliveira é considerado um dos maiores especialistas nacionais na área das energias, designadamente no sector petrolífero, pelo que as suas palavras não têm um significado nem uma dimensão quaisquer. Bem pelo contrário.
Na entrevista, Judite de Sousa coloca ao Eng.º Ferreira de Oliveira a seguinte questão: “O que determina que o preço do barril de petróleo tenha atingido, nas últimas semanas, os 100 dólares? Há razões para isso?”
A resposta foi imediata: “…no substancial, nada determina um preço a esse nível. Era possível à indústria petrolífera, como um todo, estar a pôr no mercado o petróleo a 40 ou 50 dólares!”, para logo acrescentar:”“Se eu tivesse que fazer uma projecção, diria que, em 2008, vamos ter o preço do petróleo a cair para os 70 ou 75 dólares o barril!” (sic).
Estamos, é certo, em finais de Março, mas infelizmente, até agora, as suas projecções ainda não se concretizaram (ontem, dia 26, o petróleo chegou, em Londres, aos 103,32 dólares o barril) e os “porquês” que daqui imergem são vários e pertinentes.
Terão sido afirmações levianas, precipitadas, demasiadamente optimistas ou foi ignorado algum aspecto importante capaz, só por si, de condicionar o preço do chamado “ouro-negro”?
Desde os impostos, aos custos de produção, transportes, prémios de seguro de risco, passando pelas instabilidades políticas e conflitos armados, que surgem um pouco por todo o mundo, nada ficou de fora, para aquele cálculo, mas, mesmo assim, o preço não dá sinais de descer.
Resta-me, pois, concluir que, neste tipo de negócio, para não falar já de outros, a realidade estará sempre a ser ultrapassada por decisões enigmáticas e por interesses obscuros, onde prevalece a especulação e a corrupção sem rosto, sem pátria e sem fronteiras.
Alguns estudiosos árabes já referem que o negócio do petróleo se está a transformar, cada vez mais, numa “maldição para os próprios países árabes”, devido aos elevados níveis de corrupção e de especulação que tem gerado à sua volta. Ainda por cima, referem que, em muitos países produtores de petróleo, o seu “desenvolvimento é superficial e artificial”, podendo vir a traduzir-se em custos elevados, daqui a alguns anos, para todo o mundo, nomeadamente o mundo Ocidental, que irá ter que os ajudar!
Podem até as projecções do Presidente da Galp concretizarem-se, mas elas já são um indicador claro que a realidade, neste negócio, é a que alguns querem que ela seja num dado momento e a verdade é uma ilusão que se vende na base da mentira, da injustiça e da manipulação.
No meio de todos estes interesses “subterrâneos”, está o cidadão comum que, como eu, vai vendo que ninguém tem capacidade para o esclarecer, minimamente, dos “porquês” deste negócio. Será possível a alguém ser feliz quando só lhe resta pagar e calar?
Como é possível acreditar, assim, num mundo concorrencial, é certo, mas também mais livre e justo?

Vítor Amorim

Editado por Fernando Martins | Domingo, 24 Fevereiro , 2008, 21:30
No Seminário de Aveiro, 26 de Fevereiro, às 12.30 horas

ÉTICA E RESPONSABILIDADE
SOCIAL NAS EMPRESAS

Por iniciativa da ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores, vai ter lugar no Seminário de Santa Joana Princesa, em Aveiro, no próximo dia 26 de Fevereiro, terça-feira, pelas 12.30 horas, um almoço/debate com o Dr. José Roquette, que falará sobre ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS.
Este encontro será, igualmente, a oportunidade para retomar a actividade regular da ACEGE em Aveiro através de um conjunto de palestras mensais sobre os temas relacionados com a vida, por vezes difícil, daqueles que procuram viver a empresa com responsabilidade e valores.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 02 Fevereiro , 2008, 14:49
Eu às vezes fico perplexo com as notícias que me chegam, com denúncias e mais denúncias sobre o que se passa a nível político. Chego a pensar, talvez na minha ingenuidade, que anda tudo maluco, com acusações que me sobrecarregam as minhas caixas do correio, quase todos os dias. E depois são os jornais e demais órgãos da comunicação social a mostrarem eventuais irregularidades de políticos e de governantes. Será possível?
Muitas informações que me enviam, de todos os lados, vêm carregadas de ordenados incríveis, de duplas e triplas reformas multimilionárias, de lucros espantosamente altos, de anomalias inadmissíveis, de erros crassos. Quase tudo de gente ligada à política, no activo ou na reforma.
Sabe-se que os jornais, sobretudo os de grande circulação, andam carentes de leitores (a eterna luta das audiências, das publicidades, das tiragens), o que leva os jornalistas a procurarem, porventura nem sempre com o devido rigor, escândalos e irregularidades de quem nos governa. Mesmo que tais acusações não venham a confirmar-se, ninguém jamais conseguirá lavar a mancha que sujou o nome das pessoas visadas. O PÚBLICO continua à frente do campeonato dos eventuais deslizes do primeiro-ministro, José Sócrates. Há tempos foi sobre o seu diploma e agora vem com a assinatura de projectos que não terão sido elaborados por ele. Amanhã virá com outras páginas que levam os leitores, ávidos de roupa suja, a correrem aos quiosques. O EXPRESSO, hoje, também veio com uma história sobre os antigos ministros do CDS. Teremos, mesmo, de acreditar em tudo isto que os órgãos de comunicação social nos oferecem no dia-a-dia? Se for verdade, meus amigos, que políticos temos nós? Que compatriotas nossos assumem os destinos do nosso povo? Que democracia é a nossa? Será que Portugal se aguenta assim?
Apesar de tudo, continuo a pensar que há, decerto, exageros, ódios camuflados e invejas de quem gosta de agir a coberto das leis da imprensa. Normalmente, essas denúncias, que circulam, em grande escala, na Net, nunca são assinadas. E se o são, ninguém conhece os seus autores… O anonimato tem no ciberespaço um campo ideal. Temos de ter cuidado.

FM

Editado por Fernando Martins | Sábado, 20 Outubro , 2007, 12:04
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) multou Scolari em 35 mil euros, pela sua infeliz atitude num jogo internacional de futebol. Esta multa vem na sequência do castigo que foi aplicado ao seleccionador Scolari pela UEFA, que não ignorou o gesto impróprio de um homem que tem de ser um educador. Scolari reconheceu, na altura, embora um pouco tarde, que fez mal. Agora, a verba que lhe vai ser retirada do ordenado vai ser aplicado "num fundo de fair play", conforme informou Gilberto Madail, presidente da FPF.
O presidente esclareceu, ainda, que "o fundo de fair play e código de ética" já estava a ser pensado antes do incidente que envolveu Scolari no Portugal-Sérvia, realizado em Alvalade."A UEFA tem mecanismos de decisão mais rápidos que nós", explicou Madail sobre as razões que levaram a Federação Portuguesa de Futebol a só agora sancionar o treinador brasileiro.
Gestos de ofensas ao “fair play" no desporto português, nomeadamente no Futebol, não faltam. Infelizmente. Indiciará este comportamento, sobretudo de atletas, pouco cuidado, ao nível dos responsáveis, na sua preparação global? Penso que sim. Tantas atitudes irreflectidas, tanta má educação, tantas agressões na disputa da bola e tantas simulações no sentido de enganar os árbitros (que alguns consideram legítimas, como um dia disse o treinador Fernando Santos) só podem ter uma explicação: ensinam os jovens a dominar a bola, mesmo com arte, mas não educam para o respeito absoluto pelos adversários, profissionais da mesma profissão, e pelos adeptos.
Então, que o "fair play e o código de ética" venham quanto antes, com um objectivo fundamental: educar os atletas, os treinadores e os dirigentes. Os castigos serão sempre secundários, porque não resolvem problemas nenhuns. Se os resolvessem, nos países com pena de morte para os infractores não haveria crimes.

FM

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