de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 17 Abril , 2010, 10:27

NÓS E OS OUTROS

 

Anselmo Borges

 

 

 

 

Nos anos 20 do século passado, Louis Bolk avançou com a teoria da neotenia, posteriormente seguida e aprofundada por biólogos e filósofos. Constata, no essencial, que o Homem é um prematuro - para fazer o que faz, precisaria de permanecer no ventre materno mais um ano, mas isso não é possível; assim, nasce no termo de 9 meses, em vez de passados 20 -, tendo, portanto, de receber por cultura aquilo que a natureza lhe não deu. Frágil segundo a natureza e sem especialização, tem de criar uma espécie de segunda natureza ou habitat, precisamente a cultura. Como escreve o filósofo Robert Legros, "é na cultura ou no que a fenomenologia chama um mundo que a humanidade de Homo encontra a sua origem, e não na natureza. Quanto à origem da cultura, ela está por princípio votada a permanecer uma questão sem resposta".

Enquanto os outros animais nascem feitos, o Homem, nascendo por fazer, em aberto, tem de fazer-se a si mesmo e caracteriza-se por essa tarefa de fazer-se com outros numa história aberta, em processo.

Constata-se deste modo que nos fazemos uns aos outros genética e culturalmente. Os meninos-lobo mostram-nos que nos tornamos humanos com outros humanos. Eles tinham a base gené- tica de humanos, mas faltou-lhes o encontro com outros homens. O ser humano é, pois, sempre o resultado de uma herança genética e de uma cultura em história.

Assim, no processo de nos fazermos, o outro aparece inevitavelmente. O outro não é adjacente, mas constitutivo. Só sou eu, porque há tu, em reciprocidade. O outro pertence-me, pois é pela sua mediação que venho a mim e me identifico: a minha identidade passa pelo outro, num encontro mutuamente constituinte.

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 11 Abril , 2010, 20:26

Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Abril , 2010, 09:47

A lei do celibato obrigatório

 

Anselmo Borges

 

 

 

 

 

Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele.

 

Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher."

 


Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 08 Abril , 2010, 10:11

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«Encontro-me entre aqueles que admiram muito e gostam do actual Papa Bento XVI. No que escreve, no que diz, nos seus gestos encontramos sempre um intelectual, uma resposta culta, uma busca do racional num homem profundamente crente e, sobretudo, vemo-lo entrar certeiro nas grandes questões ideológicas que atravessam um mundo global. Nunca é um Papa acomodado à varanda de São Pedro, olhando apenas os que vão ao seu encontro. Bento XVI é inquieto, tem a inquietude do grande teólogo, do homem culto que sabe que a Igreja Católica precisa de estar virada para as questões que atravessam as sociedades cultas, e não pode divorciar-se das elites europeias e norte-americanas.»

 

Zita Seabra no JN 

 


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 18:56

José Pacheco Pereira diz que o pensamento do Papa ajuda a iluminar alguns problemas contemporâneos

 

 

Bento XVI chega a Portugal no próximo dia 11 de Maio, carregando consigo uma visão estratégica da Igreja e do mundo, muito clara, que se centra na necessidade de referências, de valores, de um pensamento forte contra a “ditadura do relativismo” a que tantas vezes se tem referido.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, Pacheco Pereira sublinha que o Papa “tem uma noção de reforço dessa identidade de combate ao relativismo e do combate a um conjunto de teorias – caso da Teologia da Libertação – que transformava o cristianismo numa espécie de progressismo político muito influenciado pelo marxismo”.

 

 

Ler toda a entrevista aqui


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 18:48

« a igreja tem um património imenso de humanismo e caridade. é, em muitos aspectos, factor de progresso, de protecção dos mais carenciados. é uma referência consistente num mundo por vezes caótico e desintegrador. tem uma mensagem que pretende dar sentido à vida de muitas pessoas. alguns cristãos [leigos e clérigos,], infelizmente, são criminosos. era bom que não existissem? era. mas existem. como tal, devem ser julgados e condenados.
tudo o que fugir disto é manobra de manipulação.

e a meu ver esta é a única maneira da igreja mostrar a sua supremacia moral.»

 

Ler mais aqui

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 15:03

Liberdade de exprexão na imprensa portuguesa

 

A Comissão de Ética da Assembleia da República continua afanosamente as audições sobre o que tem sido a liberdade de expressão na imprensa do nosso país. Não sei se é correcto e ético exibir, como o tem feito, de portas abertas a toda a comunicação social, o que se diz e ouve, permitindo um “lavar de roupa suja”, que nos mostra um retrato degradante da sociedade em que vivemos.

As audições, no todo ou em parte, que ouvi, não passam, por regra, de acusações e de vinganças que suscitam outras acusações e ameaças de recursos a tribunais, para defesa da honra de quem se sente injuriado.

Penso que as comissões de inquérito deviam agir de forma menos teatral e com mais recato, porque de maus espectáculos estamos todos fartos. Imaginem só o que resultará destas tristes cenas. Creio que os processos nos tribunais vão disparar substancialmente, ficando à espera de julgamentos, se os houver, lá para as calendas.

Concordo que as comissões parlamentares actuem no sentido de ficarem a conhecer as realidades da sociedade, mas  sem terem a preocupação de substituir os inquéritos judiciais, pois só a Justiça tem o direito e a obrigação, a meu ver, de julgar, condenando ou absolvendo, os que desrespeitam as leis portuguesas.

Agora, andarmos para aqui a assistir a estes espectáculos onde se pressente que há baixezas morais em Portugal, entre quem devia ser exemplo de integridade cívica, não leva a porto nenhum. No fim das audições, para além dos “podres” publicamente publicitados, o que fica? Nada.

 

Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 08:36

 

 

E Jesus dormia...

 

António Rego

 

«Desde que partiu do cais de embarque a Igreja mesmo una e santa acumulou traições, pecados, corrupção de poderes e costumes, rasgos cruéis na túnica inconsutil, concubinatos sacrílegos do sagrado com o profano, volúpias de grandeza e oiro, estreiteza orgulhosa de olhares intolerantes sobre pecadores e dissidentes. Tudo isso ao lado do coro imaculado e vibrante dos Cento e Quarenta e Quatro Mil que nunca deixaram de entoar ao Cordeiro o hino sempre novo da humanidade remida e do Ressuscitado que recebe os frutos da semente do bom semeador. E que nos pergunta nas viagens das nossas pequenas tormentas: porque temeis, homens de pouca fé?»

 

 

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 06 Abril , 2010, 17:56

«As crianças não sabem poemas mas conhecem canções, não seguem os mandamentos morais, mas sim "o que dizem os colegas", não conhecem os clássicos, mas sabe o que dizem as personagens televisivas. Na verdade, a pedagogia que nivela tudo por baixo no intuito de esbater as diferenças teve como consequência tornar ignorantes milhões de pessoas e privilegiar aqueles que podiam ir para a universidade e para escolas de excelência com professores respeitados e programas rigorosos. É por essa razão que há cada vez mais pessoas a quererem uma escola mais séria, mais rigorosa, com professores preparados e mais respeitados. Mas também começam a perceber que é essencial que existam normas morais básicas interiorizadas, aprendidas até ao fim da infância.»

Francesco Alberoni, no i de hoje


Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 05 Abril , 2010, 20:04

 

 

 

Eduardo Lourenço, um emigrante sempre presente, não deixa, e bem, de nos ajudar a pensar. E, apesar da sua avançada idade, mostra à saciedade quanto é importante reflectir e ser jovem! Em entrevista ao PÚBLICO soube, mais uma vez e serenamente, indicar caminhos de futuro.

 

«Continuamos a ser uma ilha. Aceitamos a Europa passivamente. Queremos os benefícios mas não queremos a responsabilidade dessa nossa situação de europeus. Eduardo Lourenço fala da nossa peculiar maneira de existir numa Europa que parece reformada da História. Por Teresa de Sousa (texto) e Pedro Cunha (fotos)»

 

Ler aqui

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Abril , 2010, 10:34
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 03 Abril , 2010, 12:20
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A cruz do mundo

 

Anselmo Borges

 

 

Se me não engano, foi Pinheiro de Azevedo quem, em 1976, instituiu o feriado de Sexta-Feira Santa. Penso que é um dos dias que mais fundo calam no coração dos portugueses. Sempre me admirou o facto de, perante a imagem de Jesus crucificado - queiramos ou não, é uma imagem de horror -, mesmo as crianças não entrarem em sobressalto emocional negativo. A partir do que sempre lhes foi ensinado, interiorizaram que ali está o amor. Jesus morreu como testemunha da verdade e do amor.

Um número incontável de homens e mulheres, nos 2000 anos de cristianismo, olharam para aquele crucificado e, no meio do seu sofrimento e angústia, nos becos sem saída da vida, perante os horrores brutos do mundo e da existência, receberam luz, esperança, alívio, inspiração.

 

In DN


Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 02 Abril , 2010, 14:35

 

 

Não são 15 estações de reflexão, mas sete. Ainda assim, ajudam a reflectir sobre a forma como os políticos nacionais estão a olhar (com falhas) para a economia nacional

 

Martim Avillez Figueiredo

 

 

Neste dia de sacrifício faz sentido olhar (sem sofrimento) para o problema nacional. Não é autoflagelação. É apenas pôr bem os pontos nas letras, para que fique claro que a discussão sobre o PEC, ou sobre os caminhos de crescimento, parece fundar-se em pressupostos (agora) errados, tanto no governo como na oposição. Em sete etapas, quase metade de uma Via Sacra.

 

Primeira: O problema da crise internacional é a falta de dinheiro. O problema da crise nacional é a necessidade dele. Estes dois factores, somados, explicam a hecatombe.

 

 

 

Jornal i

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 01 Abril , 2010, 18:10

 

 

Portas fechadas

 

António Rego

 

 

Apenas estranhos como o Centurião e Nicodemos

trabalhavam na sombra a convicção de que ali não estava o fim

 

 

 

 

Havia medo e não pouco. Os acontecimentos precipitaram-se. Tornou-se difícil distinguir amigos de inimigos. Testemunhas de acusação eram às centenas. Uma espécie de fenómeno misterioso se apoderou dentro e fora. Deixou mesmo de haver dentro e fora. Apenas multidão, povo, plebe. Entusiasta junto à portas de David, trajou-se de crueldade junto aos portões de Pilatos.

 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 01 Abril , 2010, 09:45

 

 

 

Páscoa, a mesa para pensar

 

Alexandre Cruz

 

1. Aproximam-se os dias de Páscoa. Brotam os apelos não só à tradição que a tudo se junta mas sim ao autêntico sentido do que o acontecimento representa. A Páscoa abre-se ao convite universal a saber ler a vida de forma continuamente recriadora. É da consciência de que o tempo não é só cíclico e repetitivo mas que traz consigo um «sentido» ascendente, é nesta alma que poderá acontecer Páscoa. Tudo o que gira em torno das festividades pascais pode ser bom, mas a sua efectiva razão de ser, o «coração» da Páscoa é o mais importante. Aquele acontecimento chamado de «Pentecostes», onde todas as línguas e todas as culturas em Jerusalém se entendem na mesma linguagem do «amor», é a grande novidade da Páscoa.

 

 

 

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