de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 15 Novembro , 2009, 15:58

Piódão

Fui, há bastante tempo, a Piódão. Era um Verão quente e seco, de céu claro e convidativo à contemplação da paisagem desabitada. Uma ou outra casita e uma ou outra aldeia semeadas nos horizontes possíveis deslumbram sempre os da beira-mar. Foi o caso. Uma semana depois, mais dia menos dia, um fogo terrível matou securas e verduras daquela natureza virgem,  deixando tudo mais pobre,  onde a reflexão nos alimenta a alma, fixando-se no nosso ADN.
Uma leitora ocasional do meu blogue topou este meu espaço e procura informações. Tanto bastou para que neste domingo triste, com frio de Inverno a alertar-nos para o que aí vem, eu pudesse reviver esse passeio. Por isso este texto e esta fotografia que na altura registei para mais tarde, como hoje, recordar.

FM

Editado por Fernando Martins | Sábado, 07 Novembro , 2009, 14:11

Pérola de Sesimbra

Mestre Lourenço, de Sesimbra, fez amizades na nossa terra. A sua traineira, Pérola de Sesimbra, ainda a laborar, terá sido o último barco feito pelo Estaleiro Mónica.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 07 Novembro , 2009, 12:01


Para começar um sábado tristonho, que foi o que senti esta manhã, nada melhor do que recordar, graças a uma foto, um passeio que fiz, há muito, ao Castelo de Montemor-o-Velho. O dia estava quente e lindo e ali, com toda a tranquilidade, pude usufruir do ar puro, dando um abraço ao passado do nosso povo que, com unhas e dentes, defendeu e lutou pela sua liberdade.

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 06 Novembro , 2009, 15:06
É  bom recordar. Tanto gosto eu como muitos dos meus leitores. É sempre saudável reviver rostos e projectos muito válidos. veja aqui.


Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 17:23
A propósito de uma referência, no meu blogue, a uma fábrica de conversas que existiu em São Jacinto, Jorge Meneses teve a gentileza de me enviar dois comentários, com foto de um catálogo alusivo à referida fábrica, datado de 1914.
Sublinha o meu leitor que a empresa era designada por  Fábrica Brandão Gomes & C.ª, com sede em Espinho. Tinha três filiais: Matosinhos, São Jacinto e Setúbal.
Adianta que, infelizmente, “a única coisa que sobrou desse império conserveiro foi o corpo principal da Fábrica de Espinho, completamente restaurado para o Fórum de Arte e Cultura de Espinho (valha-nos ao menos isso).”
Com os meus agradecimentos, aqui fica a informação.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 23 Agosto , 2009, 19:23
Boa recordação que não quero perder


Os anos passaram e os interesses multiplicaram-se. A vida trouxe novos hábitos e a idade sugeriu comodidades, até aí sem peso para se imporem.
As formigas e os mosquitos provocaram alergias, as mantas não eram acolchoadas e o chão nada tinha de mesa que se visse, para além dos tachos, pratos e talheres. Os piqueniques tiveram o seu fim quase por completo. Mas a saudade desses tempos, cheia de alegria, ainda me assalta, como boa recordação que não quero perder.

Ler mais aqui


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 11 Agosto , 2009, 20:41
O regueirão


Escrevi hoje uma pequena história vivida há uns 60 anos. Pode lê-la aqui.

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 16 Junho , 2009, 00:01

Sou filho duma simbiose difícil: nasci na freguesia da Glória, ao que me dizem ali para os lados da travessa de São Martinho, mas filho de pai "cagaréu", marinheiro, e de mãe "ceboleira".
Já lá vão os tempos em que se roubavam os andores, se apedrejavam os namorados das freguesias rivais, se ridicularizavam, reciprocamente, as referências caracterizadoras dos nascidos na Vila Velha, a Glória, e na Vila Nova, a Vera-Cruz.
Sou simbiose disso tudo: fruto do salgado do peixe maila cebola e a chanfana.
E, por isso mesmo, quando olho para a freguesia onde nasci — a Glória — não sou capaz de nela pensar sem deixar de também me sentir vestido de camisa de linho branco e de manaia azul, roupas próprias do marnoto da Vera-Cruz.
-
Gaspar Albino


Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Abril , 2009, 22:24

"Onde estavas no 25 de Abril? Esta pergunta, que Baptista-Bastos fixou sobre a revolução dos cravos, baila muito na minha cabeça. Também eu me questiono com ela, quando o 25 de Abril vem. E afinal onde estava, realmente? Quando a liberdade veio, com a força para muitos de nós desconhecida, tinha eu já 35 anos.Na manhã desse dia, levantei-me sem saber de nada. Como a grande maioria dos portugueses. Estava destacado, profissionalmente, para uma tarefa do Ministério da Educação, ao tempo chefiado por Veiga Simão. Animava bibliotecas populares e outras, promovia e apoiava cursos de adultos, dinamizava instituições de cultura e recreio, formava bibliotecários e preparava professores para a difícil missão de ensinar gente crescida a ler e a escrever. Gostava muito do que fazia. Nesse dia, o concelho de Sever do Vouga estava na agenda. Saí de casa e meti gasolina na Cale da Vila. Nesse ínterim, liguei o rádio portátil para ouvir as notícias. Perplexo, achei estranho sentir o rádio confuso. Avaria? Não. Uma voz anunciava o que estava a passar-se em Lisboa."
Fernando Martins
Leia mais aqui

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 09 Abril , 2009, 11:04
Manta Rota


Por estar no Algarve, apetece-me recordar um antigo aluno, de Manta Rota, que deve viver na Gafanha da Nazaré e que não vejo há bastantes anos. Gostava que me visitasse, para recordar com ele os tempos em que veio para a nossa terra.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Março , 2009, 21:47

Faz hoje 19 anos que faleceu o Padre Rubens. Sobre a sua morte, escrevi um texto no Timoneiro de Abril de 1990, que em parte aqui transcrevo.

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 02 Fevereiro , 2009, 11:22
No Marintimidades, Ana Maria Lopes veio este fim-de-semana com uma história bastante curiosa, à volta de umas colheres que terão sobrevivido ao drama do Titanic. E o mais interessante é que, para alimentar a nossa curiosidade, adia o final da história para daqui a uns dias. É certo e sabido que a partir de hoje me vai obrigar, sem custo, aliás, a visitar o seu blogue, dia a dia, na esperança de saber, ao certo, se as colheres vieram, realmente, de célebre paquete.
Não é muito frequente termos à mão um blogue temático, tão rico de pormenores e tão cheio de memórias ligadas às nossas tradições. Pois o Marintimidades aí está, regularmente, com assuntos da Ria e do Mar, que Ana Maria Lopes domina com muita sensibilidade e saber. Não terá ela elementos, mais do que suficientes, para uma exposição no nosso Museu Marítimo de Ílhavo? Julgo que sim. Haja quem a estimule a dar passos nesse sentido. Para já, temos o seu blogue, que é, sem dúvida, uma exposição permanente de vivências que tanto nos ajudam a seguir-lhe os passos, embora timidamente.
FM

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 29 Janeiro , 2009, 12:07
A propósito do falecimento do Dr. Ribau, cuja notícia neste blogue chegou muito longe, o meu leitor e amigo João Marçal enviou-me dois textos, que aqui publico, com muito gosto. Demorei a pô-los no meu blogue, porque estive à espera de uma fotografia.



Assiste doente às 6 horas da manhã

Dizia minha mãe que o Dr. Ribau tinha orientado a escolha do nome com que fui baptizado, pois foi meu médico nos meus primeiros dias de vida. Eu digo que ele talvez a tenha salvado quando, chamado às 6 horas da manhã, logo compareceu em nossa casa assistindo-a num AVC que, felizmente, só leves sequelas lhe deixou e apenas durante algum tempo.
Muitas vezes comentámos esta sua disponibilidade.
Que descanse em paz.



Cebola nos dentes do engaço


Tendo-nos deixado há pouco mais de um mês, a sua memória perdurará no espírito dos que o conheceram. Foi o médico ideal para os seus conterrâneos que compreendia e ao lado de quem estava nos momentos de aflição. Gostava de lembrar esses contactos com toda a compreensão, sabedor da inocência e tradição do povo.
Contava com satisfação o dia em que há muitos anos foi procurado por um camponês que se havia ferido espetando um engaço num pé. Durante a prestação dos cuidados médicos que lhe dedicou, perguntando ao acidentado se já havia tomado alguma precaução quanto ao sinistro, este respondeu com toda a convicção:
- Espetei uma cebola nos dentes do engaço.

João Marçal


Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 08 Dezembro , 2008, 11:44
A propósito da evocação que o Ângelo Ribau fez sobre um pobre de pedir, António da Bicha, recebi do João Marçal um comentário que, pela oportunidade dos esclarecimentos, aqui insiro, de forma mais visível.

Lembro-me bem do ti António da Bicha; foi alguém que sempre conheci e que portanto considerava como fazendo parte da realidade dos meus tenros anos. No seu percurso diário era às vezes acompanhado pela garotada dentro daquelas zonas a que chamávamos "cantos". Logo a seguir o grupo era substituido. Segundo a minha mãe era oriundo duma família com posses mas a perda da mulher atirou-o para aquele desinteresse pela vida. O desgosto provocou-lhe alguma fragilidade emocional que o levou a tingir as galinhas do capoeiro de preto. Quando andava na primária e contei isto aos meus amigos de aventuras, resolvemos uma tarde de verão explorar o lugar onde tinha a sua cabana num areal da Gafanha de Aquém. Lá estava o capoeiro e a criação era toda preta, mas esta de origem.Tinha um sobretudo que mais parecia uma manta de retalhos: ele próprio ia acrescentando pedaços de tecido como telhas sobrepostas num telhado. Era uma figura do nosso quotidiano cuja lembrança fez com que lhe atribuíssem o nome de uma rua na Gafanha da Nazaré.
João Marçal

Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Dezembro , 2008, 12:33

O Ti António da Bicha


Magro, escanzelado, vestia uns trapos que, mesmo como trapos, já haviam conhecido melhores dias. Com o seu chapéu roto, mais parecia um espantalho das searas, do que um ser humano que Deus ao mundo tenha posto.
Era assim o Ti António da Bicha, um pobre pedinte que, quando eu era ainda moço, dos meus sete, oito anos, aparecia na nossa casa, a pedir esmola. Batia ao portão, abria a aldraba – naquele tempo não era necessário fechar as portas à chave – e pedia uma esmolinha por amor de Deus, para matar a fome, com a cara triste de pedinte, como era conveniente!
Nós, os filhos da casa, tínhamos, por este homem, não sei se respeito, se medo.
- Vai ao portão ver quem é, diz a minha mãe!
Fui.
- Mãe, é o Ti António da Bicha a pedir esmola!
- Ele que espere um pouco e tu vem cá.
Cheguei à casa do forno onde minha mãe já tinha posto sobre a mesa um naco de boroa e duas batatas. Esperei. A minha mãe veio do lado da salgadeira trazendo um pedaço de toucinho salgado.
- Leva isto ao pobre. Estamos em vésperas de Natal e ele tem de ter com que matar a fome!
Fui.
Ao entregar a esmola, notei que deu uma dentada na boroa, guardando o resto num dos lados do saco. As batatas guardou-as noutro.
Ao receber o toucinho, olhou-o, como que duvidando da dádiva que estava a receber. Guardou-o com cuidado, olhou-me e sorriu. Foi a única vez que vi aquele rosto sorrir.
- Deus vos dê saúde e sorte para o poderem ganhar, foi o agradecimento que lhe ouvi, ao mesmo tempo que murmurava uma Ave-maria, que acabaria logo que eu deixasse de o ouvir!
E seguiu a sua viagem para o portão próximo, o do vizinho Sarabando.

Ângelo Ribau

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