de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 16 Maio , 2010, 18:22

 

 

Depois do acordo estabelecido entre Sócrates e Passos Coelho, para ultrapassar a crise por que estão a passar Portugal e os portugueses, chovem críticas de todos os lados. Até parece que os interesses partidários estão acima dos interesses do país.

Penso que este entendimento foi bom e respondeu aos avisos do Presidente da República, que há muito vinha alertando para a necessidade de os políticos acertarem num consenso que provocasse a credibilidade de que Portugal precisa, no âmbito das agências que mandam nas economias e finanças a nível mundial.

Apesar dos sinais vindos do exterior e dos avisos dos responsáveis da UE para este sector, não faltam políticos ansiosos por ver tudo isto — o país e os portugueses — na bancarrota, no caos, na terra queimada. Confesso que fico perplexo.

Será que patrocinam novas eleições, numa altura em que urge acertar o passo e correr até para não perdermos o comboio em que estamos metidos? Será que estamos apostados em discutir, discutir, discutir, evitando ou impedindo o que deve ser feito?

Alguns políticos, cuja lengalenga já conhecemos, falam por falar, porque se se calarem passam à reforma. Outros engasgam-se com as suas contradições e exibem-se na comunicação social, sem nada acrescentarem de novo. E Portugal continua nisto.

Como homem comum, penso que a ajuda do PSD ao Governo do PS veio na hora certa e terá, ao que julgo, o apoio do Presidente da República e dos nossos parceiros da Europa comunitária. Só dentro do país é que não falta quem proteste…

 

FM

 


Editado por Fernando Martins | Sábado, 15 Maio , 2010, 10:56

 

 "Não tenhais medo de falar de Deus

e de ostentar sem vergonha os sinais da fé"

 

Bento XVI

 

Foram muitas e diversas, mas também oportunas, as mensagens deixadas pelo Papa Bento XVI aos portugueses e ao mundo. Destaco esta: "Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé."

Destaco esta por me parecer pertinente fazê-lo neste mundo secularizado, onde tantos escondem as suas convicções religiosas, entre outras. No que diz respeito às religiosas, sinto que muitos cristãos temem testemunhar a sua fé, alinhando frequentemente com os críticos e maldizentes das verdades e mensagens de Jesus Cristo. Dentro de portas, com a família, até conversam e alimentam temas relacionados com a Igreja a que pertencem, mas, quando saem para a vida e para a rua, fecham à chave, antes da partida, o que lhes vai na alma.

Um amigo dizia-me há anos que o seu encarregado na oficina em que trabalhava, conhecido católico, agia com os demais empregados como um autêntico fariseu, na forma bruta e estúpida como lidava com eles, nas injustiças que praticava, na linguagem baixa que usava. E perguntava o meu amigo: «Será possível ser-se cristão em casa e à porta da igreja e um diabo no trabalho?»

Ora Bento XVI veio alertar-nos para a coerência que devemos manter em todas as circunstâncias, assumindo com coragem a fé que professamos e testemunhando a Boa Nova de Jesus Cristo sem complexos. Não será fácil, dizem alguns; eu acho que é fácil e normal que o façamos. A não ser que sejamos gente de duas caras e covardes.

 

Fernando Martins

 

 

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 15 Maio , 2010, 10:16

 

INOCÊNCIA E TEOLOGIA

 

Anselmo Borges

 

 

 

 

 

Há anos, ia eu a passar por um mercado, no Maputo, e ouço uma negra a dizer para outra: "O Deus dos cristãos é muito mau: porque a primeira mulher ofereceu uma maçã ao marido e ambos comeram, castigou a humanidade com os males todos que tão bem conhecemos..."

E eu pensei para mim que, se fosse como ela dizia, tinha toda a razão. Mas não foi isso que foi frequentemente transmitido? Seja como for, não é admissível essa leitura.

O que lá está, de facto, é de tal modo imenso que se torna inesgotável. No essencial, do que se trata é da passagem da animalidade à humanidade. No jardim do Éden, está a inocência própria da animalidade. O mito narra então a constituição do ser humano: quando aparece o animal humano, perdeu-se a inocência e entrou-se na "nocência" - o étimo é o verbo latino nocere: fazer mal, prejudicar, causar a morte de. Por outras palavras, o que constitui o ser humano é a liberdade, a capacidade de distinguir o bem e o mal, e a grandeza de livremente fazer o bem e a tragédia de poder fazer o mal.

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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 14 Maio , 2010, 14:55

Jardim de narcisos, sociedade empobrecida

António Marcelino

 

  

 

«Há narcisistas na sociedade, na cultura, na política e até nas igrejas. Procuram parecer e aparecer, ao lado dos grandes e nos momentos privilegiados em que não falta televisão, ou, então, expendendo pareceres que se apresentam como a última palavra lúcida e digna de ser ouvida e seguida.
Alguns dizem-se da Igreja. Por certo, com outro evangelho que não o de Cristo. Este privilegia o amor, manda não julgar nem condenar, convida a olhar mais para quem precisa que para se inebriar a si próprio, abre caminho andado por Cristo, propõe a humildade como senda de verdade, traduz o poder por serviço…
Os narcisistas vêm à tona se o ambiente é favorável e o espaço convidativo a críticas, ataques, juízos e esconjurações aos outros e se o engodo pesca para o seu lado.»

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Maio , 2010, 08:54

 

 

ACÇÃO DE COMPRAR

 

Georgino Rocha

 

O processo de circulação de bens inclui normalmente a fase de venda e compra. A ética das vendas comporta valores que estão regulados por lei, embora nem sempre com a devida adequação. Não assim com a das compras. E ir de compras ou fazer compras, mesmo em tempo de “apertar o cinto”, não é um acto banal, sem impacto social, despido de consequências.

 

A acção de comprar é sempre um acto moral, além de económico – afirma Bento XVI na sua última encíclica “sobre o desenvolvimento humano integral, na caridade e na verdade”. Exibe e transmite valores, supõe critérios, manifesta opções, implica decisões, enfim desvenda e expõe a pessoa, o seu estilo de vida e o nível em que se integra na escala social. Mantém a situação, questiona o sistema e pode fomentar a transformação dos produtos e a sua distribuição. O comprador/consumidor possui um poder efectivo de grande alcance. Daí, a importância de ganhar consciência do acto de fazer compras, de educar na sobriedade, de dar prioridade aos bens do comércio justo.

 

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 08 Maio , 2010, 08:38

 

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JESUS: de direita ou de esquerda?

 

Anselmo Borges

 

 

Determinamos o espaço a partir da nossa posição corporal: lá em cima, lá em baixo, atrás, à frente, à esquerda, à direita.

Porque a maior parte das pessoas tem mais maleabilidade e força na mão direita, a parte direita ficou privilegiada. Deve-se entrar com o pé direito, dá-se a direita à pessoa mais importante, Cristo está sentado à direita de Deus... Justo deve ser o Direito. Antes dos avanços da neurologia, a situação dos esquerdinos não foi feliz. De alguém radicalmente maléfico, diz--se que é uma pessoa sinistra (do latim: mão esquerda). As seguradoras devem tratar dos sinistros.

Em termos escandalosamente genéricos, diria que, em política, a direita andava ligada aos valores ditos tradicionais, como a família, por exemplo, à ordem e ao capitalismo e a esquerda, a valores que se diziam de esquerda, como mais justiça, por exemplo, à revolução e ao socialismo. Hoje, quando impera a lógica aparentemente triunfante do capitalismo neoliberal e do pensamento único e se julga que a história chegou ao fim, sem lugar para mais revoluções, as fronteiras estão muito esbatidas.

E Jesus?

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 06 Maio , 2010, 15:35

 

 

Os católicos em Portugal de 2010

sabem que por mais ninguém

fariam uma festa tão solene

  

António Rego

 

Mergulhada num vale embebido de verde, a aldeia das Furnas, nos Açores, é certamente uma das mais belas do mundo. Com o vulcão acordado dia e noite, anos a fio, águas quentes, frias e mornas, fontes abundantes e humildes, um lago sereníssimo a espelhar os cambiantes do céu, a embriaguês das flores na sua variedade estonteante, tudo num singular enquadramento de montanhas, outros tantos miradouros geradores de silêncio respeitoso e prolongado com olhares pasmados. O vale das Furnas tantas vezes descrito por tantos escritores portugueses e estrangeiros.

 


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 04 Maio , 2010, 12:37

«Todos falam de crise do Estado e das instituições. Todos pedem reformas, apesar de as receitas variarem. Existirá alguma razão para esta percepção, para este desconforto? Uma causa sociológica e não só política?

Penso que sim. É a rapidez com que as pessoas actualmente comunicam, se agrupam e tomam decisões, graças aos telemóveis e à internet, enquanto os processos previstos pelas instituições são tortuosos e lentos.»

 

Por Francesco Alberoni

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Maio , 2010, 13:52
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 01 Maio , 2010, 10:30

CATÓLICOS EM AUTOGESTÃO

 

Anselmo Borges

 

 

 

Pessoas da política e dos media pediram-me para escrever um texto sobre o que é ser católico. Porque por vezes "discutem entre si, acusando-se mutuamente: quem é o católico?"

Apesar da dificuldade, fica aí uma tentativa simples, quase ingénua.

Afinal, o católico é antes de mais o cristão baptizado na Igreja Católica. O acento tem de estar no "cristão". Ora, quem é o cristão? 

 

 

 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 29 Abril , 2010, 11:45

 

 

 

Democracia, sob o signo da desilusão?

 

António Marcelino

 

«Não conheço, nem há, por certo, regime democrático que tenha sido de implementação fácil e rápida. Não anda a esse ritmo a capacidade de mudança de mentalidades, interesses e atitudes, nem por ele se deixam conduzir grupos unidimensionais, de direita ou de esquerda. Tudo é difícil se se falar mais de direitos a exigir do que de deveres a cumprir. Não faltam escolhos para a democracia, se esta não for de fachada.»

 

 

 

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 24 Abril , 2010, 11:56

 

 

 

 

O ANIMAL HUMANO

 

Anselmo Borges

 

«Apesar de todas as semelhanças, não se pode ignorar as diferenças específicas que separam o homem do animal. Apontam-se exemplos.

O próprio Darwin, referindo-se à linguagem humana, falou do "poder quase infinitamente maior de associar os mais diversos sons e ideias". A linguagem duplamente articulada e a capacidade de discurso são algo que remete para a singularidade única do homem.»

 

 

 

 

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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 23 Abril , 2010, 11:24

 

Pessoas, instituições e estruturas

 

António Marcelino

 

 

«Nota-se por aí uma certa nostalgia da concepção vertical. A ser verdade, isso significa um regresso ao clericalismo, já esconjurado pelo Vaticano II.

 Há que denunciar e contrariar esta tendência, onde ela se verificar.
O pensamento único, em coisas de livre e enriquecedora opinião, é próprio de donos e patrões. Hoje até estes, se forem lúcidos, não dispensam a opinião dos seus colaboradores.
A Igreja não é propriedade de ninguém. Ela é, no tempo, o próprio Cristo ao serviço das pessoas e da sociedade. Esta a imagem esperada de todos os seus membros em tudo da sua vida e acção, mormente dos mais responsáveis. Para a Igreja, são as pessoas a sua grande preocupação. Nelas reside a maior dignidade e delas se espera a melhor colaboração.»

 

 

 


Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 23 Abril , 2010, 09:39
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Uns amigos meus estiveram há dias em Montemor-o-Velho, cujo castelo admiraram. Tanto bastou para que  hoje o recorde aqui. Foi num dia de verão que lá estive. Dia quentíssimo, que me obrigou a procurar refrescos. Insaciavelmente. O castelo, para além das memórias que evoca, permite-nos apreciar uma paisagem  que se estende a perder de vista. Foi dia, também, de visitas organizadas por instituições que cuidam de idosos. Eram muitos. E havia, em muitos deles, aqueles olhos abertos e as perguntas sobre as vidas de há séculos, quando por ali se lutava à pedrada e coisa parecida. Recordar o passado é olhar para o presente, com outras lutas. Não à pedrada, mas à custa de ideias ou por causa delas. Como será no futuro?

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 23 Abril , 2010, 07:14

Zelo pelos menores ou ódio farisaico?

António Marcelino

 

 

Já ninguém ousa negar o facto de que houve e há membros da Igreja, infiéis e incoerentes, ante as exigências normais da sua missão evangélica. Infidelidade e incoerência acompanham as pessoas de todos os tempos e quadrantes, lugares e culturas. Só quem é vesgo agora apenas para um lado de trevas, como se todos os outros lados fossem luz esplendorosa e jardins de beleza.
Gente sensata e gente culta vai acordando para uma visão realista e não preconceituosa e sabe distinguir as faltas de poucos e a fidelidade clara e continuada de muitos; outra gente ou se embrenhou num farisaísmo sempre disposto a julgar os outros sem olhar para si própria, ou se aproveita da desgraça para auferir os rendimentos de uma publicidade emotiva e acrítica; outra ainda, caçadora da noite, provoca e explora o campo para fazer valer objectivos e interesses pessoais e ideológicos que de outro modo não rendem. De tudo se tem visto. Os métodos usados não trazem novidade.
Os membros da Igreja, como de qualquer organização, sempre necessitarão de purificação. É preciso reconhecê-lo e, na parte que à Igreja diz respeito, o vem fazendo com humildade e coragem. Sabe ler a história e reencontrar caminho. Este não se faz a ocultar o mal, mas também não se faz a negar o bem.

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