de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 09 Fevereiro , 2010, 11:12

O 22.º dos 99 exemplares do livro mais caro do mundo, "Michelangelo - La Dotta Mano" ("Miguel Ângelo - A Mão Sábia", em tradução literal), pode ser apreciado na Biblioteca Nacional, em Lisboa.
A capa reproduz em mármore e em tamanho natural (56,7 X 40,1 cm) o baixo-relevo «Madonna della Scala», de Miguel ângelo.
A obra, que pesa 24 quilos, foi originalmente avaliada em 100 mil euros.
O livro, editado pelo grupo italiano Marilena Ferrari, reúne 45 desenhos e documentos do artista italiano, além de 83 fotografias originais das suas esculturas.

Apreciem, por favor, o que mostra aqui

Um pedido especial: Quem estiver em Lisboa e puder apreciar o livro, conte-me, por favor, o que viu. Eu não posso deslocar-me a Lisboa, onde tanta coisa importante acontece, fundamentalmente para os privilegiados lisboetas.
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Fevereiro , 2010, 14:47

Este livro, editado pela Livraria Chardron de Lélo & Irmão, do Porto, em 1922, faz parte da colecção Obras de Eça de Queiroz. Esta é a quarta edição. É curioso verificar como ao reler este livro sentimos como o grande escritor continua tão próximo do nosso tempo, pela acutilância e oportunidade dos temas abordados.
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 05 Fevereiro , 2010, 11:12

No próximo dia 24 de Fevereiro, quarta-feira, pelas 18 horas, na Casa da Cultura, à Rua Pedro Monteiro, em Coimbra, vai ser lançado um livro de Dinis Alves, "A informação ao serviço da estação". Na contracapa vem um esclarecimento que aqui transcrevo, porque convencido estou de que se trata de um alerta para que os agentes da comunicação social, neste mundo e neste tempo, possam debruçar-se sobre a questão da honestidade profissional, de um serviço que deve apostar sempre numa sociedade melhor, onde não  caibam compadrios e interesses ocultos, em desfavor da verdade. Este é o primeiro dos quatro livros da tese de doutoramento de Dinis Alves.
Sendo o autor, que bem conheço, um homem da comunicação e profundamente metido no meio, o seu trabalho, que ainda não li, revelará, à partida, uma coragem  desusada. Precisamos, de facto, de livros e de gente como Dinis Alves.
FM


“Como eles nos enganam"

«Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão.
Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas.
O cidadão-telespectador perde, mas perde muito mais com outras práticas, muito mais condenáveis também. Há silêncios comprometedores, verdadeiros apagões noticiosos, e há desvirtuações graves merecendo lugar de destaque no pelourinho das falhas deontológicas.
Dinis Manuel Alves passou à lupa centenas de telejornais das TV’s portuguesas, dando conta, neste livro, de autênticas campanhas de manipulação informativa. “A informação ao serviço da estação” talvez se devesse chamar “Como eles nos enganam”.»


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 03 Fevereiro , 2010, 12:24

A Câmara Municipal de Aveiro e a FEDRAVE convidam todos os interessados pela cultura e história aveirenses para a Sessão de Lançamento da obra Ecomuseu do Salgado de Aveiro, da autoria de Énio Semedo, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Aveiro, e para a inauguração da exposição Monográfica sobre o Salgado de Aveiro, na Galeria Municipal, no dia 05 de Fevereiro, pelas 18 horas.


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 21:28


O Ângelo Ribau acaba de editar um livro — RETALHOS DAS MEMÓRIAS DE UM EX-COMBATENTE. Não é uma daquelas edições que se compram nas livrarias por bom dinheiro e que, quantas vezes!, apetece atirar para o caixote do lixo. É simplesmente um livro para os seus mais íntimos.
Quem conhece o Ângelo sabe que ele sofreu, como tantos outros portugueses, a brutalidade da guerra. Dela fala sempre que a ocasião o proporciona, ao jeito de quem quer afugentar chagas que lhe marcam a alma. E talvez por isso mesmo é que ele escreveu estas páginas, na esperança de que, por esta forma, possa fechar à chave, em baú inviolável, revoltas cravadas na memória como carraças.
Começa este seu trabalho, que acompanhei ao longo do tempo, dirigindo-se «Àqueles que lutaram mas, por eles, nem os sinos dobraram. Tudo à Pátria deram, e dela nada receberam.» E só depois o dedica “Aos seus entes queridos, que sem culpa formada, sofreram como poucos terão sofrido as agruras da Guerra de Angola, sem sequer lá terem estado fisicamente.»
Em Angola, onde lutavam mais dois irmãos, o Ângelo sentiu, na pele e no espírito, a dureza provocada por opções políticas do «orgulhosamente sós», políticas essas que enlutaram famílias sem conta nesta Pátria multissecular.
Não se julgue, porém, que este livro nos vem só com histórias tristes, porque o humor de quando em vez alegrava a malta. Li ou reli, com gosto e com sentido de meditação, as memórias deste amigo que foi à guerra e que pegou nela para nos dizer como se sofre em nome de causas injustas.


Angola, aquela que nos ensinaram na escola como parte integrante de Portugal, está presente em cada página. Povoações nativas e cidades que mudaram de nome, florestas e noites sombrias, Noite de Natal que o trouxe, magicamente, até à Gafanha, para consoar com esposa e filhos e restante família, «na casa do forno», ali perto dos “Muceques”, onde foi «traído pelas lágrimas»
Graças à sua excelente memória, que a guerra terá avivado, o livro foi invadido pelos colegas, soldados, sargentos e oficiais, por tiros e granadas, minas e emboscadas, mas também por mortos que estão ainda vivos dentro de si.
Fotógrafo apaixonado desde a juventude, não podia deixar de nos oferecer os retratos do que via e sentia, a preto e branco, que o seu laboratório portátil não dava para mais. Mas as cores da guerra estão neste seu trabalho, que não está à venda nas livrarias.


Fernando Martins




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Editado por Fernando Martins | Domingo, 24 Janeiro , 2010, 12:50



Hoje apresento mais um livro antigo da minha biblioteca. Trata-se de OS FAMINTOS — Episódios da vida popular, de João Grave, membro da Academia das Ciências de Lisboa. Esta terceira edição, com data de 1920, é da responsabilidade da Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, do Porto.
Diz o autor, que este livro foi um romance de estreia, havendo nas suas páginas «uma frescura de sentimento e uma sinceridade de intuitos» que lhe parecem «incontestáveis».
João Grave nasceu em Vagos em 11 de Julho de 1872 e faleceu no Porto em 1934. Foi escritor, jornalista e director da Biblioteca Municipal do Porto.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Janeiro , 2010, 22:15



«Por escolas de outros tempos»


Penso que nunca se publicou tanto no nosso País como agora. Diariamente aparecem nas livrarias novas obras de jovens promissores e de escritores consagrados. As reedições sucedem-se, sinal de que há muita gente a ler. E se as edições se vão multiplicando dia a dia, com facilidade para alguns escritores e com imensas dificuldades para os novatos nestas lides da escrita, é sabido, também, que muitos outros se vêem obrigados a edições de autor, isto é, pagas pelos próprios, sem ajudas de ninguém. Os mais teimosos lá vão tentando descobrir patrocínios para as suas publicações, mas nem sempre é fácil. Outros desistem dessas preocupações e vão escrevendo para os familiares e amigos.
Um desses é o meu amigo Manuel Olívio da Rocha, um gafanhão que reside no Porto há décadas. Quase todos os anos, pelo Natal, brinda-nos com um trabalho que poderia, muito bem, ser impresso e distribuído por editoras que não se envolvessem somente com escritores que aparecem nas televisões ou nas rádios, ou que tenham amigos nos jornais e revistas, ligados a lóbis editoriais.


Neste Natal trouxe-me «Por escolas de outros tempos», onde nos oferece um retrato das escolas das nossas meninices. Evoca professores e alunos, fala das brincadeiras não ensaiadas, recorda exames que nos inquietavam e a «tinta que escorreu do aparo e pôs uma borrata logo ali no meio da cópia!»
Evoca professores que fizeram história na Gafanha da Nazaré e diz com graça: «Há dias em conversa alguém me dizia que o Professor Carlos era baixo e pequenote… Fiquei perplexo! Na minha ideia ele era um “gigante”… »
Ilustrado quanto baste, a preto e branco, como exige a bolsa do meu amigo, este trabalho do Manuel Olívio leva-me lá para trás, para folhear os livros que usávamos, escrever com a pena que entrava no tinteiro da carteira, antes de chegar ao papel. Dos borrões inesperados, dos mapas que duravam anos a fio, das provas levadas a sério, dos desenhos e das caligrafias, dos problemas de seis operações, do quadro preto que acolhia tanta sabedoria decorada e tantos erros que exasperavam os professores.
Depois há transcrições da Monografia da Gafanha do Padre Resende, a relação dos jogos daqueles tempos, ilustrados quando possível, adivinhas, poemas e outros textos.
E muito, muito mais, que seria impossível transcrever. O melhor é ler o livro. O pior é que o livro não foi editado nem está à venda. As editoras não podem. Mas há tanta coisa nas livrarias sem graça nenhuma, meu Deus.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Janeiro , 2010, 12:40




"Manual de Civilidade e Etiqueta" é uma edição de 1914, da responsabilidade do Editor - Arnaldo Bordalo, de Lisboa. Trata-se de «Regras indispensaveis para se frequentar a boa sociedade», coligidas por Beatriz Nazareth. É curioso como um livro destes nos pode dar um retrato de uma época, onde as classes chamadas mais altas, no conceito de pirâmide social, decerto estariam em contraste flagrante com a pobreza maioritária do grosso da sociedade.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 13 Janeiro , 2010, 12:34


«Alguém tinha de ser Sophia. Foi a Sophia»


Alberto Vaz da Silva foi o responsável pela Evocação de Sophia, tornando mais público a sua amizade e profunda admiração pela poeta maior da nossa geração. Juntou ao que escreveu, a partir de vivências e cumplicidades, no meio de silêncios e viagens, comungando emoções, escritos de Maria Velho da Costa e José Tolentino Mendonça.
Maria Velho da Costa assina um prefácio que é um poema de evocações enredadas em diálogos e saudades. «Falávamos na noite, no alpendre quase morno, sem tom nem som. Nenhuma das duas era desesperadamente musical. Não havia música nem nos fazia preciso. Falávamos mais de todos do que de tudo; do tudo eram a arte e a poesia — nem política, nem mundos a mudar.»
José Tolentino Mendonça, no posfácio, fala da «evocação intensa, dilectíssima e discreta» como Alberto Vaz da Silva se abeira de Sophia, apoiando-se na visão inaugural de um jardim E mais adiante diz que «Este é, se quisermos, um livro sobre jardins. Os que nos precedem, os que formam sem sabermos a nossa alma e os seus declives, os que silenciosamente se avistam nas várias formas de grafia, desde aquela que cintila na vastidão silenciosa dos céus (e que também nos pertence), à nossa grafia íntima, feita de arranhões, de registos digitais, de textos, crateras».
Alberto Vaz da Silva quis assinalar, com esta publicação, o terceiro aniversário da morte de Sophia. Seguiu, religiosamente, as passadas da poeta nos caminhos da sua vida desde menina. Recordações e poesia que brotam sem hora marcada, em qualquer canto, estão neste livro. Mas também há registos de viagens, conversas familiares, reflexões e militância política que a levaram a cantar hinos à liberdade sonhada e vivida. E a sua obsessão pelo mar tão presente no seu espírito e nos seus poemas.

«O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do seu manto»

In Geografia

Termina assim Alberto Vaz da Silva «Alguém tinha de ser Sophia. Foi a Sophia».

E ainda

«Assim pudesse o tempo regressar
Recomeçarmos sempre como o mar!»


In Musa


Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 17:38





"Longe" é um livro de sonetos de José Gomes Ferreira, em 2.ª edição, da Seara Nova,  de  MCMXXVII.
Tem, como curiosidade, o facto de apresentar o cartão do autor, Cônsul de Portugal na Noruega, dedicado ao seu amigo Alfredo Brochado.

NA CATEDRAL DA LAREIRA

Na Catedral da Lareira
há chamas ajoelhadas,
erguendo as mãos da fogueira,
esguias como as espadas.


São poentes os vitrais…
Ardem pinheiros… Perfume…
As chamas rezam missais
com letras feitas de lume.


Quero rezar com vocês!...
Ó Sol! Senhor português,
escuta o meu sonho, atende-o…


Vem ensinar-me a rezar
— tu que és o brando luar,
e a flor, o fruto, e o Incêndio…

José Gomes Ferreira
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 03 Janeiro , 2010, 17:57




(Clicar nas imagens para ampliar)

Este livro - Segredos Necessarios para os officios, artes, e manufacturas, e para muitos objectos sobre a economia domestica - foi editado em 1861.


Como exemplo do que nele podemos aprender, aqui fica a fórmula de produzir frio, que bem pode substituir a neve. Em tempos sem frigoríficos, os nossos antepassados não prescindiam de um saboroso gelado, em época de calor.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 22 Dezembro , 2009, 17:46

Miguel Veiga apresenta o livro de Valdemar Aveiro


Valdemar Aveiro escreve
sem muletas de ninguém

“80 Graus Norte – Recordações da Pesca do Bacalhau”, um livro de Valdemar Aveiro, viu a luz do dia, em 3.ª edição, no passado sábado, 19 de Dezembro. Apresenta-se em formato clássico, grafismo cuidado e com ilustrações expressivas.
Miguel Veiga, advogado e político nortenho, que “também escreve umas coisas” sublinhou na apresentação da obra que o seu amigo escreve “musicalmente”, tocando as “cordas da sua lira” e usando uma técnica “sem parangonas nem chavões”. Faz-se acompanhar de “notáveis qualidades, amáveis e aprazíveis”, sem esconder a “lhaneza e a coloquialidade, a simplicidade e a simpatia”.
Citando o Padre António Vieira, disse que “não há coisa mais escrupulosa no mundo que papel e uma pena”, acrescentando que “dois dedos com uma pena é o ofício mais arriscado que tem o género humano”.
O advogado e político do Norte, pessoa também muito dada à cultura, às artes e à escrita, afirmou que gosta das histórias de Valdemar Aveiro, “naquilo que representam de um género coloquial e eficaz e, sobretudo, intenso e fluido, espesso e rápido, quase falado, do vastíssimo universo das narrativas”. E refere ainda que o Capitão Valdemar, “lobo e trovador do mar”, escreve “pelo seu pé e sem muletas de ninguém”.
“80 Graus Norte – Recordações da Pesca do Bacalhau” veio substituir, nesta edição, o primeiro título do livro – “Figuras e Factos do Passado”. Segundo o autor, o antigo título não se “ajustava aos temas abordados”, enquanto o actual “é uma referência geográfica à latitude mais elevada que os portugueses atingiram em busca do bacalhau”. Foi na década de 30 do século passado que quatro capitães ilhavenses, em três navios da frota aveirense e um de Viana do Castelo, se aventuraram nos mares gelados da Groenlândia. Eram tempos de navegação à vela e de iluminação a petróleo.

FM



Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 21 Dezembro , 2009, 21:01


Mostro hoje um outro livro antigo da minha biblioteca. "O MARTYR DO GOLGOTHA", em três volumes, ilustrados a preto e branco, é da autoria de Henrique Perez Escrich. A tradução é de J. Cruzeiro Seixas. Trata-se da terceira edição publicada pela Bibliotheca do Cura de Aldeia, do Porto, datada de 1879, com permissão do Eminentíssimo Cardeal Bispo do Porto. Desta obra foram extraídos os Autos de Natal, apresentados, há muitos anos, no Cortejo dos Reis.
Henrique Perez Escrich foi um romancista e dramaturgo espanhol nascido em Valência em 1829 e falecido em 1897 na cidade de Madrid.
FM
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Dezembro , 2009, 18:15






Este "DICCIONARIO DA ANTIGA LINGUÁGEM PORTUGUEZA", que tinha o preço de 800 reis, teve por Editor e proprietario F. A. Miranda e Souza e foi composto e impresso na tipografia da Empreza Lusitana Editora, pertencente ao editor, C. do Ferregial, 23, Lisboa. Foi coordenado por H. Brunswick.
Intercalado  com grande número de vocábulos HODIERNOS de OBSCURA SIGNIFICAÇÃO,  foi pertença do Dr. Alberto Souto.
É óbvio que de vez em quando o consulto...

FM
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 12 Dezembro , 2009, 16:15

Padre Georgino Rocha

D. António Francisco dos Santos:

“A teologia não está fora da cultura
nem na fronteira da vida”


O livro do Padre Georgino Rocha – Intervenção da Igreja na sociedade portuguesa contemporânea – “ajuda-nos a descobrir os passos de Deus no caminho da esperança”, afirmou o nosso Bispo, D. António Francisco dos Santos, na sexta-feira, 11 de Dezembro, na Biblioteca Municipal, em sessão de lançamento daquela obra, por iniciativa da Comissão Diocesana da Cultura, com o patrocínio da Câmara Municipal de Aveiro.
O prelado aveirense referiu que “todos nós somos testemunhas desses passos de Deus pelo mundo”, adiantando que este livro “é o alimento do espírito” e que “a teologia não está fora da cultura nem na fronteira da vida”.



D. António Francisco e D. António Marcelino

D. António Francisco recordou a restauração da Diocese de Aveiro, que foi levada à prática, com a aplicação da sentença executória, precisamente a 11 de Dezembro de 1938, neste “chão da liberdade”.
O lançamento de Intervenção da Igreja na sociedade portuguesa contemporânea  aconteceu num ambiente de alguma forma inédito, com a intervenção de D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro e conhecido pela ousadia das suas intervenções públicas, em prol do diálogo entre fé e cultura, e Alberto Souto de Miranda, antigo presidente da edilidade aveirense, republicano e laico, educado numa família católica, onde não faltava um avô monárquico e maçónico, mas conhecido como homem aberto, tolerante e culto. A moderação coube a Maria da Luz Nolasco, vereadora monárquica da autarquia aveirense, no dizer de Alberto Souto.
D. António Marcelino lembrou que de Manuel Alegre ouviu, na altura do 25 de Abril, que “a história do nosso país não se faz à margem de Igreja”, e logo afirmou que sempre o preocupou ”o diálogo Igreja-Mundo”, tendo nomeado o Padre Georgino para promover iniciativas nesse sentido.


Maria da Luz Nolasco, Helena Pinho e Melo, que organizou a sessão, e D. António

Disse que o livro abarca “um tempo vasto e variado”, citando o autor muitos documentos, sem deixar de referir que neste período houve luzes e sombra. Não se trata de um trabalho exaustivo, sendo garantido que Georgino Rocha se debruçou “sobre o que julgou mais expressivo”.
O Bispo Emérito de Aveiro explicou que a Igreja não age hoje como o fez há 50 anos, salientando a importância do Vaticano II, que “deu uma face nova” ao pensar eclesial. Ao reconhecer que a Igreja desenvolveu, ao longo dos tempos, acções com muito mérito, não deixou de sublinhar que houve omissões “inegáveis”. Também referiu que os documentos dos Bispos, dias depois de publicados, caem no esquecimento, e acrescentou que “a Igreja Católica passa por dificuldades muito concretas de se fazer ouvir e de dialogar”.

Georgino Rocha e Alberto Souto de Miranda

Garantiu que “não é fácil mudar mentalidades de dois mil anos” e que “a vida corre muito mais depressa do que as reflexões teológicas”. “A própria hierarquia – frisou – ainda não entrou na medula da fé.”
Alberto Souto de Miranda, que aprendeu muito com “a leitura deste livro”, afirmou que no Portugal de hoje “temos o privilégio de ter uma Igreja esclarecida, que convive bem com o Estado laico”. Disse que, afinal, “não se confirmaram as profecias da morte de Deus”, referindo que “o nosso passado molecular, o fenómeno religioso e a crença no sagrado têm resistido”, mas não deixou de se interrogar sobre a possibilidade da “neuroteologia nos desvendar os mistérios do cérebro”, que nos fazem crer ou não crer.
Será que, enfim, poderemos fotografar a alma? E quem não acredita terá uma deficiência neurológica? — foram perguntas que deixou no ar.
Alberto Souto questionou-se sobre o porquê de muitos procurarem “religiões de matizes várias” e sobre a razoabilidade do celibato dos padres (imobilismo histórico?). E perguntou se o múnus espiritual e pastoral dos padres anglicanos (casados) é exercido “menos dedicadamente” do que o desenvolvido pelos padres católicos (celibatários).
Acusou a Igreja de em pleno século XXI ainda não conseguir “integrar o postulado de que os homens e mulheres são livres e iguais”, sendo que elas não são vistas como seres menores, mas são “menorizadas e desconsideradas”.
Afirmou que a Igreja tem o seu espaço próprio, respeitado pelo Estado democrático, “que promove a igualdade e a tolerância”, não havendo tempo de “partir em cruzadas sociopolíticas”. O Estado tem tido “a sabedoria e a inteligência de colocar a Igreja onde ela deve estar”, isto é, “numa atitude de esclarecimento, de combate pelas suas ideias e princípios e, se necessário for, no respeito pelas ideias da Polis”.
O Padre Georgino esclareceu que o seu trabalho “não é um livro de história; é um livro de teologia da história”. Não inicia qualquer capítulo sem indicar o contexto; não avança sem destacar o papel de Roma; só depois surge a posição do episcopado.
Refere que a solidariedade faz-se proposta, que não abdica da dignidade da pessoa; e que as perspectivas divergentes são mais do que muitas. “Só a liberdade liberta”, disse a encerrar.

Fernando Martins

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