de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 20 Fevereiro , 2010, 08:00

 

Escola alternativa?

por Maria Donzília Almeida

 

Após a revolução de Abril, apoderou-se dos Portugueses um fervor revolucionário e igualitário que viria a produzir os seus efeitos práticos. Considerando que a organização do ensino em Portugal obedecia a critérios fascistas, a divisão dos alunos por escolas de cariz diferente, as Escolas Comerciais e Industriais, versus Liceus, mais por estatuto económico, que por vocação ou capacidades, haveria que mudar-lhe o rumo.

Conceberam os ideólogos da revolução, que a sociedade não deveria ser estratificada e se deveria dar a mesma oportunidade a todos, independentemente da classe social donde se era oriundo. Assim, foi dado um golpe duro às instituições de ensino, acabando com a clivagem entre ensino técnico e ensino liceal. Ia ser uma alegria formar uma sociedade de doutores, que o resto não interessava!

Quando precisássemos de um técnico, de um electricista ou de um mecânico, recorríamos às páginas amarelas, que por um passe de mágica haveriam de nos dar resposta!

Foi assim que nasceu o ensino unificado, que durante anos atirou pessoas para as universidades, ignorando, por completo, as necessidades técnicas do país.

 

 

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 13 Fevereiro , 2010, 11:56


Desabrochar…


 Por Maria Donzília Almeida


 

Iniciar uma aula com gente miúda, depois de um intervalo alargado, é sempre um trabalho árduo para o professor. Aquietar aquele fervilhar constante, aquela energia incontida, é tarefa hercúlea para o docente que quer iniciar a sua aula de qualquer disciplina.
Quando as criancinhas, numa imitação pura do mundo dos adultos, começam a imiscuir-se no mundo dos afectos, surgem cenas inesperadas e até divertidas. Amores não correspondidos sempre foram o mote para divagações de poetas, artistas de vários quadrantes, até a sétima arte neles se inspira.
Percorria as coxias da sala de aula, quando observa a B.M. (sem W!!!) a desenhar coraçõezinhos no braço estendido do J.A. Este estava, embevecido, a seguir com os olhos o traço firme da mão da sua pretendida. Como a aula estava a começar, advertiu a teacher que deveriam acabar com a brincadeira, sem se ter apercebido da comunicação daquelas duas almas.

 
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 11 Fevereiro , 2010, 10:37
Momentos agradáveis
na prática docente

Por Maria Donzília Almeida

Com este tempo invernoso que parece ter chegado para se instalar, de vez, cria-se nos espíritos mais sensíveis, um estado de melancolia, algo incómodo.
Para contrariar os efeitos nefastos desta situação, traz-se à memória a evocação de momentos agradáveis, nesta prática docente.
Ainda sobre as tão badaladas aulas de substituição, que com o surto das gripes têm aumentado, recordo aquele episódio ocorrido algum tempo atrás.
É de referir pela enésima vez que nenhum aluno aceita de bom grado, as aulas de substituição. É um tempo que na opinião das crianças, seria utilizado para mais umas brincadeiras, um convívio em espaço aberto e uma descompressão de energias.
Dirigia-se para a tal turma de gente miúda, a iniciar este ano a frequência daquela escola, quando, inesperadamente, contra todas as expectativas, ouve uma salva de palmas. Não querendo acreditar no que ouvira, entrou na sala e ouviu o comentário: Esta s’ôra é fixe!

Socorreu-se da sua memória já cansada, para evocar que estratégias pedagógicas, que prodígios de didáctica utilizara para alcançar tais níveis de popularidade! Se é verdade que as crianças na sua ingenuidade e candura não mentem, deram ali sinais concretos da avaliação que fazem do professor, num contexto tão hostil como são aquelas aulas. Dava vontade que estivessem ali os senhores do poder, para constatarem a realidade viva das nossas escolas.
Se levava o coração oprimido, pelo tempo cinzento e pela meteorologia da vida, um raio de sol abriu aquela escuridão... e sorriu com uma alegria genuína, prenunciando outros agradáveis momentos que aquele dia lhe iria proporcionar.
Surpreendida com aquela inesperada e rara atitude, inquiriu sobre a D.T. (Directora de Turma) daquela turma especial. Teria que dispensar o merecido elogio, a uma tão privilegiada criatura. Não é todos os dias que um professor substituto tem honras de tão amistosa recepção.

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Fevereiro , 2010, 15:58

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 18:51

Portugal continua a dar novos mundos ao mundo

Por Maria Donzília Almeida



Numa altura em que os humores andam um pouco enegrecidos por este Inverno pardacento, surge como algo pertinente, reflectir um pouco acerca da doença. Já que nos interessa mais o seu contrário, a saúde, vou socorrer-me da definição desta, pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Para este organismo, saúde não é apenas a ausência de doença, mas sim um estado de bem-estar físico, mental e social, uma espécie de harmonia entre todas as componentes do ser humano.
Sem pretender meter a foice em seara alheia, recordo os tempos de adolescência em que li Júlio Dinis, médico/escritor, que afirmava no seu livro “As Pupilas do Sr. Reitor”, que não havia doenças! A assunção protagonizada pela sua personagem Daniel, um recém-formado médico, sucessor de João Semana, foi, na altura uma tirada bombástica que caiu em terreno explosivo. A afirmação convicta do médico estagiário, na botica do João da Esquina, já na altura era muito vanguardista. Havia, na verdade, doentes que tinham características particulares, ao serem contagiados por qualquer doença. Não há dois doentes iguais, ainda que com sintomas da mesma doença.


E, na senda deste médico de aldeia, João Semana, aí temos nós os sucedâneos médicos de família, que nos tratam da saúde como podem e sabem. Sem dúvida que o SNS (Sistema Nacional de Saúde) tem crescido e tem-se implantado por todo o país, mas ainda restam muitas lacunas para que a organização seja perfeita.
Graças a Deus e aos esforços de muitos cientistas, que seguindo as pisadas de Hipócrates e Galeno, têm trabalhado com afinco na investigação. São gigantescos os passos que já foram dados no conhecimento de muitas enfermidades e no processo de as debelarem. A esperança de vida tem vindo a subir exponencialmente assim como a qualidade da mesma.
E, no campo da medicina, nós Portugueses devemos orgulhar-nos, pois na lista dos famosos, internacionalmente, temos nomes bem sonantes, que simultaneamente acumulam o talento de serem brilhantes escritores. Portugal continua a dar novos mundos ao mundo!


04.01.10
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Janeiro , 2010, 19:25


Afinal ainda há pessoas altruístas
Por Maria Donzília Almeida

Foi numa daquelas tardes ensolaradas de domingo. A chuva e o vento em aliança cúmplice e de uma fidelidade mútua, a toda a prova, haviam dado umas curtas tréguas aos habitantes desta zona costeira.
Nem sequer podemos praguejar contra o mau tempo, pois ele está no seu tempo e no espaço que lhe compete. Seria mais preocupante se estivesse um calor de rachar, em pelo Janeiro. Tudo se quer no seu tempo, como ... pelo Advento, como lá diz o povo.
Este ar de graça do astro-rei originou um êxodo da cidade de Aveiro que veio desaguar a estas praias onde o farol ainda tem honras de atracção turística e é olhado com alguma pequenez!
Com esta enxurrada de gente à procura do seu raio de sol, era ver as esplanadas dos cafés a abarrotar de gente, a saborear uma bebida ou simplesmente a desfrutar do afago dos raios solares. Outras pessoas calcorreavam os passeios pedonais, vulgo passadiços, fazendo aquele recomendado exercício físico com a família por perto. Num ou noutro local, a tomar a bebida ou a brincar com os rebentos, sobre a relva, era ver os casais novos a partilharem momentos de bem-estar.
Com o ambiente agradável que um dia de sol proporciona, sentia-se na atmosfera evolar-se o aroma adocicado e quente da bolacha americana e das tripas. Neste dia, senti um desejo enorme, já que há muito tempo não saboreava o petisco.

Esta saída à rua após uma longa quarentena, fizera espicaçar em muita gente jovem esse mesmo desejo, pela tripa. Foi ai, junto ao farol que a bicha se formou e cada vez parece que crescia mais. Resolvi lá colocar-me, na certeza de que iria passar ali um bom bocado. A conversa com pessoas amigas que distraíam o passar do tempo, ocupava o tempo e diminuía-lhe a duração. Depois de ter lá permanecido uma boa meia hora, eis que a dona do quiosque sai do seu aposento e põe-se a contar as pessoas, no sentido de saber para quantas dava a massa remanescente. Passou por mim, ah que alívio e três pessoas atrás, informou que já não havia massa para mais. Houve um sussurro de consternação e um sentimento de frustração por uma espera malograda. Mas, enfim, todos acataram com maior ou menor decepção, à excepção de um jovem senhor que exclamou p’ra todos ouvirem: - Sou marido duma senhora grávida e... não acabou a frase, mas certamente esperava uma qualquer reacção por parte das pessoas que faziam bicha. Na verdade a resposta não se fez esperar e uma senhora uns passos à frente imediatamente disponibilizou o seu lugar para a futura mamã poder degustar o saboroso paladar da tripa.
Afinal ainda há pessoas altruístas neste mundo cão em que nos movimentamos.

Maria Donzília Almeida

30.01.10
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 22 Janeiro , 2010, 16:12


O Tempo

Quando não há outro assunto de conversa, fala-se do tempo. Entre os Britânicos, é assunto recorrente, quando a intimidade das pessoas não lhes consente outro tema de conversa. É suficientemente abrangente para tocar a todos e está sempre na ordem do dia. O tempo que fez, o tempo que faz e o tempo que se espera, cabem sempre nos interesses e no conhecimento de cada um.
Isto acontece quando o tempo é comedido e não extravasa os limites que lhe são atribuídos. No momento presente, é tema central de muitas conversas, digamos até que anda nas bocas do mundo, pelos excessos que tem cometido. Basta lembrar as cheias que têm acontecido no Brasil, uma calamidade, nos Estados Unidos, os nevões do norte da Europa e ultimamente os abalos telúricos no Haiti. Todos os dias nos chegam as imagens pungentes dum povo sofredor que está, neste momento, a tentar reerguer-se perante a catástrofe. É chocante, deprimente a exibição da tragédia humana que assolou um povo, já tão fustigado pelas intempéries da vida.

M.ª Donzília Almeida



Perante este cenário apocalíptico, que as televisões trazem até nossas casas diariamente é quase mesquinho queixarmo-nos deste inverno persistente que desde que chegou a Portugal, ainda não nos deu tréguas. A chuva contínua, portadora duma humidade que se entranha nos ossos, o vento a fazer das suas, quando resolve soltar a sua energia eólica que propulsiona as hélices plantadas na paisagem, um céu plúmbeo que parece abafar-nos como um capacete de chumbo, são factores que condicionam o nosso humor.
Em conversa com os nossos vizinhos do norte da Europa, ouvi referir as temperaturas “tropicais” que se fazem sentir neste “canteiro florido”! Sim, para países como a Noruega, Suécia, Finlândia e até a Holanda, nós somos uns privilegiados da meteorologia, com as condições climáticas de que dispomos. Mesmo assim, somos uns “queixinhas” pois não paramos de nos lamentar com este tempo chuvoso, cinzento, enfim, invernoso que nos coloca o astral em baixo. É bem verdade que as condições climatéricas têm uma boa quota -parte de responsabilidade pelo humor melancólico que assola a população deste país, especialmente na estação iniciada com o solstício do Inverno. Mas... já faltou mais para o equinócio da Primavera! Graças a Deus!

M.ª Donzília Almeida

22.01.10




Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Janeiro , 2010, 19:40

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 17:16


Casamento gay

Sem pretender atirar mais uma acha para a fogueira, ou deitar água na fervura, de um tema tão quente e que está na ordem do dia, ocorreu-me fazer alguma reflexão.
Há já muito tempo, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo está em debate aceso, tendo já feito correr rios de tinta e abrasado os espíritos mais inflamados.
Ainda bem que ontem foram assinados acordos entre o Ministério de Educação e os sindicatos, o que tendo acontecido veio aplacar os ânimos exaltados dos Professores e serenado os mais belicosos da classe. Fora isto, ganharia foros de exclusividade na Assembleia da República tendo ultrapassado assuntos e problemas de que enferma a sociedade portuguesa: desemprego, pobreza, vandalismo, marginalidade e até violência doméstica. Aqui, calam-se as estatísticas e apenas é dada visibilidade aos casos pontuais que emergem dos recônditos da sociedade. Quando algum caso gritante vem a lume, é escalpelizado nos jornais diários, a população estremece, comenta, protesta, mas vai dormir o sono dos justos, como se nada se passasse ao lado.
O tema referido em epígrafe, teve o dom de mobilizar tudo e todos.
Parece que Portugal está perante o problema mais premente de todos os tempos — o casamento!


Desde sempre que ouvi falar nesta instituição social e revestia-se de tal importância que o compromisso era selado por duas vias: a civil e a religiosa. Com o evoluir dos tempos e a democratização(!?) da sociedade o casamento religioso tem vindo a perder terreno, acompanhando assim, a laicização da sociedade. A par com o decréscimo do casamento religioso, também o civil foi diminuindo, sendo cada vez menor o número de casais que celebra o seu compromisso afectivo, de forma institucionalizada.
Ora se isto acontecia nos casais heterossexuais, que desde tempos imemoriais se habituaram a dar uma satisfação à sociedade, sobre os seus relacionamentos afectivos e efectivos, e agora isso está a decair, surge um paradoxo. Porquê esta febre acerca da legitimação das uniões homossexuais, se eles continuam a existir e são aceites pela maioria do povo? Será que esta necessidade tão pretendida irá acarretar algum benefício à qualidade de vida desta franja da população? Parece que do lado oposto da barricada, nos heterossexuais, não há essa preocupação na opção que fazem de viver juntos, sem papéis. E quando há a possibilidade de ter filhos, nem isso os demove das suas escolhas de vida em comum.
Apesar da contestação por alguns sectores mais conservadores da sociedade, deste vanguardismo ideológico, o que se passa é que tantos os heterossexuais como os homossexuais continuam a fazer a sua vidinha, regidos pelos seus próprios princípios, alheios às normas e às imposições da moral tradicional.

M.ª Donzília Almeida

08.01.10

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 21:15

Mesa da França

Encerramento do período escolar


No dia 18 de Dezembro encerraram em todas as escolas do país, as actividades lectivas referentes ao 1.º período.
Iniciado em meados de Setembro, tem agora a 1ª interrupção lectiva, que, nos bons velhos tempos, se chamava férias do Natal. Agora, em pleno século XXI, ninguém pode ir para a neve fazer sky, já que nos são dados uns míseros dias para comemorar o Natal em família e gelo.....é o que vemos nas relações humanas, ainda que nesta quadra, a que alguns chamam festiva!
Também na Escola se procedeu a um digno encerramento de actividades, com a evocação do espírito natalício.



Mesa da Suíça

O dia foi dedicado às adoráveis criancinhas que durante o ano nos dão cabo da cabeça, mas que acatam com muita alegria e euforia até, a prenda que a escolha lhes dá todos os anos. O objectivo das celebrações é dar-lhes a possibilidade de vivenciar o espírito de partilha, de confraternização que são a componente do Natal.
Cada turma com o seu DT ornamentou uma mesa com doces, bebidas, enfim, uma panóplia de iguarias que costumam degustar-se nesta quadra. Aqui, deve-se uma palavra de agradecimento às mãezinhas que afanosamente se esfalfaram para que os seus filhos trouxessem as sobremesas típicas e de fabrico artesanal. O que as mães não fazem pelos seus rebentos!

Viveu-se um ambiente cosmopolita, naquela manhã fria de Dezembro, já que cada turma fora encarregada de representar um país, no convívio colectivo da escola.
Foi agradável aos olhos e... ao paladar a apreciação de petiscos exóticos, num enquadramento visual a que só os professores, com toda a sua imaginação, conseguem dar forma.
Se houve pais, ali à mistura com o corpo docente e discente, puderam constatar como se trabalha e com que sentido corporativo se conseguem alcançar resultados desta natureza.
Depois de todas as mesas preparadas e ornamentadas, com os Profs e alunos à volta das mesmas, quem passeasse pelo meio deste aglomerado de gente, haveria de sorrir e comentar:_ Aqui está uma Escola viva em que todos estão envolvidos nesta celebração do espírito do Natal.
No fim da festa, depois de terem comido, bebido e arrumado devidamente os despojos, os alunos lá foram à sua vida, enquanto os professores iriam começar outra etapa do seu trabalho - a avaliação. Só depois disso é que irão ter direito a um merecido Natal.

Maria Donzília Almeida

19.12.09

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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 14 Dezembro , 2009, 17:38


Involução docente

Com a evolução dos tempos, há a necessidade de o cidadão comum se adaptar às novas realidades. Se isto se aplica a qualquer sector de actividade, com mais premência se aplica à vida docente.
Com uma formação académica centrada numa componente específica do saber, esperar-se-ia que o professor se dedicasse ao seu mister, não extravasando o domínio da sua área curricular.
Isto passava-se, antigamente, em que cada saber estava a cargo do seu detentor, sem que o professor metesse a foice em seara alheia.
Era assim, na mesma época em que as estações do ano estavam bem definidas, antes de as alterações climáticas terem destruído essa harmonia. Num qualquer Outono de meados do século passado, todos sabíamos que urgia reordenar o guarda-fatos e guardar para uma hibernação de alguns meses, as roupas da estação cessante – o Verão.
Hoje, no ano da Graça de 2009, em pleno século XXI, se por um lado o conhecimento tende a especializar-se e cada um tende a saber o máximo num campo, cada vez mais restrito, aparece algo de paradoxal com a profissão docente. A esta estão atribuídas funções de pai, amigo, médico, psicólogo, animador cultural, etc, etc. O mais surpreendente e inesperado é a sua função emergente de baby-sitter que integra a nova carga horária de qualquer interveniente, na acção educativa!
Quando falta o professor da disciplina, lá vai o baby-sitter de serviço, que a Escola moderna tem sempre em reserva. Nunca as nossas criancinhas foram tão bem tratadas (!?), “domesticadas”, vigiadas por pessoal especializado e tão competente! Noutros tempos, era uma alegria quando, raramente, um professor faltava; hoje, nenhuma das crianças que frequentam as nossas escolas, fica entregue a si própria, pode pôr o pé em ramo verde! Com toda esta vigilância, este acompanhamento próximo da perseguição detectivesca, pensarão alguns, esperar-se-ia uma sociedade perfeita, cumpridora de regras, bem formada e informada!
Hoje, no contexto da Escola actual, quase todos os professores têm, na sua carga horária, uma parte dedicada a esta actividade: baby-sitting!
Há uma tendência inata do ser humano, para reagir, negativamente ao que lhe é imposto, ao que tem um carácter obrigatório, daí, o dito jocoso sobre a utilidade das leis! “Servem para ser violadas”!
E, se já tanta coisa é imposta aos estudantes, como uma carga horária excessiva, logo contraproducente, porquê enclausurá-los numa sala de aula, tal qual uma prisão, quando um professor falta?
O prazer do “furo”, do aliviar da carga lectiva, a sensação de uma “liberdade condicional”, em tempo de cumprimento de deveres, seria sem dúvida algo que ajudaria a descomprimir, a expandir energias aprisionadas, a vivenciar e aprender o sabor da liberdade!
E...parafraseando o poeta ”Ai que prazer não cumprir um dever/ Ter um livro para ler e não o fazer...”
Imposto, imposto......é o que se paga ao estado sem se lhe poder fugir e o PNL (Plano Nacional de Leitura) que quer, à viva força, que todos leiam, nem que seja a toque de campainha!

M.ª Donzília Almeida

14 de Dezembro de 2009
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Dezembro , 2009, 18:30

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 00:11


Nome próprio

Com uma caterva de nomes pela frente, duma assentada, é um desafio para a memória, já fustigada pelas intempéries da vida e pelo desgaste natural da idade. Aflora à memória, selectiva agora, aquela frase que traduz tão bem a ideia – Viver todos os dias... cansa!
É o que acontece a qualquer professor, no início de mais um ano lectivo, quando lhe são atribuídas as turmas que compõem o seu horário. Tantos alunos diferentes com nomes tão variados, alguns copiados das mais diversas fontes, alguns, das telenovelas que correm, na altura do seu nascimento. Permeáveis às influências que vêm de fora, aparece uma panóplia de nomes que dariam para um estudo muito interessante.
A juntar a tudo isto, aparecem nomes estrangeiros de origem anglo-saxónica, kevin, Cindy, Nicholas, que até dão uma nota de realismo e multiculturalidade, às aulas de Língua Estrangeira.
Tudo isto convém ser memorizado pelos professores, se não querem imitar os seus colegas do século passado que, tanto nas Escolas, como noutras instituições públicas, tratavam as pessoas por números! Já lá vai esse tempo da redução das pessoas à condição de dígitos!
E, se o nome duma pessoa, é a palavra mais doce para os seus ouvidos, em qualquer idioma, como defendia Dale Carnegie, há mesmo a obrigação de ser tratada assim. Mais dizia o referido americano, patrono das Relações Humanas que todos deveríamos tratar as pessoas pelo nome, sempre que cumprimentamos alguém, ou nos dirigimos a essa pessoa por qualquer motivo É uma forma de cativar e estreitar laços que podem tornar-se muito favoráveis no relacionamento humano. Ainda recordo a forma bizzarra como se faziam entender as pessoas, noutros tempos, em que se queria interpelar alguém cujo nome se desconhecia. - Olha, tu que fumas! Claro que não se estava a nomear um fumador, nem havia nessa altura a discriminação dos fumadores, nem a sua e erradicação para lugares restritos.
Foi numa das suas rondas pelas coxias da sala, que a teacher admoestou aquele aluno e o chamou à realidade do que se passava na aula.
Não, não me chamo João! Ripostou categoricamente o RV, cioso do seu direito ao nome próprio. Para esta gente que ainda não gastou o seu nome, nas liças da vida, é uma afronta trocarem-lho! Sem ter qualquer fixação pelo nome João, apenas tem para a teacher, o valor de um nome verdadeiramente português, a par de José, António, Manuel,etc. Daí a invocação frequente do João da Esquina!
Foi difícil para a mestra levar a sério aquela reprimenda, pois a carinha laroca, redondinha como a lua cheia, num palminho de corpo que pareceu arrebatado ao recreio de um jardim-escola, não intimidava!
É uma reacção frequente, em meio escolar de gente miúda, quando o professor, no meio de tantas caras novas, lhes troca a identidade.
São pequeninos, mas muito senhores do seu nariz, ou seja do nome de baptismo pelo qual são reconhecidos no mundo dos adultos.
E... atesta Dale Carnegie, o nosso nome é música para os nossos ouvidos...especialmente quando proferido por alguém... que nos é muito querido!

M.ª Donzília Almeida

09.11.11
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 20 Novembro , 2009, 13:53
LIDAR COM AS CRIANÇAS
CONSTITUI UM DESAFIO

Lidar com as crianças, no seu dia-a-dia, constitui um desafio! À paciência, à tolerância, à capacidade de se desdobrar em mil e uma tarefas, que preenchem a actividade dum professor.
Muito se tem escrito sobre os direitos que as assistem, sobre a protecção que a sociedade lhes deve, mas pelo mundo fora, ainda se depara com muita injustiça, maus-tratos, negligência. Em alguns países africanos, subdesenvolvidos, ainda persiste a exploração da mão-de-obra infantil, em trabalhos árduos que não estão de modo nenhum de acordo com a fragilidade dos protagonistas.
Por esse mundo fora constata-se uma discrepância entre os direitos/regalias de algumas crianças, que têm tudo a seu favor, brinquedos, alimentação, boas escolas, cuidados de saúde primários e outras que sofrem no corpo e na alma as agruras de um destino cruel.
Nos países em guerra em que tudo escasseia, alimentos, apoio sanitário e até familiar, depara-se com a subnutrição das pobres criancinhas. As imagens chocantes que circulam na net, são disso clara evidência. Nos países desenvolvidos, começa a tomar forma, cada vez com mais visibilidade, o resultado dos excessos alimentares, traduzidos na obesidade infantil. Os eternos desequilíbrios da civilização.
Para quem contacta com esta realidade - a infância, há décadas, vêm à memória episódios pitorescos que trazem um certo colorido a estes dias cinzentos que teimam em ficar.
Um dia, numa das várias escolas por onde passei, havia um aluno, homónimo do grande português que transpôs o Cabo Bojador, Gil Eanes. Tal como o famoso navegador, também este Gil era aventureiro e tinha nas veias o apelo do mar, quase ali a bater-lhe à porta. Era uma criança irrequieta, viva e dócil ao mesmo tempo.
Um dia, numa aula de Português, em que a professora se ocupava a explicar um qualquer assunto, foi-se apercebendo que aquele aluno denotava uma agitação fora do habitual. Sentado na primeira fila, mesmo em frente ao quadro e à professora, apresentava um comportamento estranho! Ora se ria baixinho, ora cochichava com os colegas. A mestra continuava empenhada na explicação, exposição da matéria. O Gil, com aquela carita de bolacha Maria, não parava de se contorcer na carteira.
Sem se conter mais, pergunta-lhe a professora:
Diz lá, Gil, o que se passa! Porque estás tão agitado? Desembucha, rapaz!
Muito envergonhado, comprometido, depois de muito instado a falar, lá atira o aluno, a custo:
É que... é que...
Diz, Gil, avança! - Diz a professora.
É que... a professora tem a mola aberta!
Depois de reposta a “decência” no seu vestuário, um sorriso beatífico inundou o rosto da professora que a muito custo se conteve para não explodir numa gargalhada estrepitosa.
Aqueles malandrecos não deixam passar nada, nem um simples mas desestabilizador esquecimento!

M.ª Donzília Almeida

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 15 Novembro , 2009, 19:17



Acerca da diabetes

"Menos sal, menos açúcar, mais saúde!" 
 lia-se em grandes caracteres,  naquele poster afixado na parede

Foi no seu périplo pelo país, no exercício da sua profissão docente, que fez uma paragem por terras de José Régio. À memória acorrem, imediatamente, os versos que na sua colectânea de textos de “Língua e História Pátria”, desde menina, a haviam cativado. Pelo ritmo, pela musicalidade. Recitava-os mentalmente, sempre que o nome dessa localidade vinha à baila, ou quando, naquele ano, passava junto à antiga moradia do poeta. “Vila do Conde espraiada, entre pinhais, rio e mar Lembras-me Vila do Conde, Já me ponho a suspirar!”
Foi numa zona piscatória, as Caxinas, com um contexto social muito semelhante à nossa Costa Nova, que passou um biénio da sua longa peregrinação
Os alunos eram vivos, muito participativos e tinham a correr-lhes nas veias, a força do mar. Mas, tal como o mar, tinham o encanto e a beleza das grandes forças da natureza. Exigiam muito do professor, mas quando este chegava até eles, tinha-os completamente nas mãos. Eram vivaços e aventureiros e já tinham a sabedoria que as asperezas da vida conferem. Um dia, até surpreenderam a teacher, ao oferecerem-lhe ali, de mão beijada, um punhado de “beijinhos”!
Foi na escola destes Caxineiros, que a observação daquele slogan haveria de marcar a professora para o resto da vida. De forma incisiva e fácil de memorizar, se fazia a apologia de uma vida saudável, sem soar a proibição! Teve muito mais impacto a conjugação daquelas palavrinhas simples, numa espécie de raciocínio matemático, - por – dá +!
A sua relação com a Matemática, com os números, nunca foi muito chegada, o que já aqui ficou patente, nunca lhe descobriu o verdadeiro encanto, mas alguma coisa sempre ficou desse raciocínio de álgebra. Para fazer-se entender, a sua antiga professora, desta disciplina, usava uma linguagem acessível e fácil de assimilar por todos: fome de fome dá fartura.......ou seja – por – dá +!
E...  levando para a vida prática este ensinamento, ali propagado no slogan, a teacher tão bem o aplicou, que nunca sofreu de obesidade, nem de hipertensão e... taquicardia.... só em momentos muito pontuais... quando tem encontros imediatos de 2.º grau (!?) Mas estes... só começaram a ocorrer neste século XXI, que ainda está na  1.ª década da sua vida!

M.ª Donzília Almeida

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