de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 28 Dezembro , 2007, 12:53



Penso que ninguém porá em dúvida a conveniência de o Governo, qualquer que ele seja, procurar reformar o Estado. É sabido que a máquina estatal está sobrecarregada com despesas incomportáveis para o nosso frágil Orçamento do Estado, cujo equilíbrio tem sido difícil de conseguir. Excesso de funcionários, muitos deles já substituíveis pelas novas tecnologias, tornam difícil esse equilíbrio orçamental. Contudo, qualquer reforma tem sempre de ter em conta as pessoas, sob pena de se criarem novos problemas sociais, com reflexos negativos incontornáveis nas famílias. O que se tem feito, atirando funcionários para o desemprego ou para situações equiparadas, não está correcto, humana e socialmente falando. O Estado vive para as pessoas.
Com a pressa de se acabar com o défice orçamental, têm surgido outras decisões gravosas para o povo. Sobretudo para o povo que não nada em dinheiro. Fechar Centros ou Postos de Saúde, Urgências e Atendimentos nocturnos, obrigando os doentes a deslocarem mais de 100 quilómetros, à sua custa, não está certo. Ainda hoje de manhã, nos noticiários habituais, ouvi um comandante de uma Corporação de Bombeiros dizer que o transporte de um doente, distante do hospital cerca de 100 quilómetros, custará 40 euros. A ambulância deixará o doente para ser assistido e terá de regressar. O doente, se não ficar internado, terá de alugar um táxi ou requisitar outra ambulância. Conclusão: Uma ida a uma urgência poderá ficar por 80 euros. Se a pessoa for rica, não virá daí nenhum mal ao mundo. E se for pobre?
O que eu penso é que muitas vezes os estudos económicos e sociais são elaborados por comissões técnicas, que nem sempre conhecem suficientemente bem a realidade do país e dos portugueses que somos. Com uma visão economicista da vida, desprezam-se por vezes as situações concretas das pessoas. As suas dificuldades e os seus dramas serão, disso estou certo, profundamente afectados. Mas o Governo, em nome da urgência de reformar o Estado, realidade que não podemos ignorar, teima em fechar os olhos, caminhando soberana e ostensivamente, contra tudo e contra todos. Para que o défice seja anulado será mesmo necessário anular as pessoas?

Fernando Martins

Paulo Ferreira a 28 de Dezembro de 2007 às 17:48
Não podes esquecer que o socorro é gratuito, pelo menos devia ser, 40 euros é quanto recebem os bombeiros por efectuarem esse serviço, mesmo assim ir de táxi sai mais caro, essa verba é paga pelo o INEM ou o SNS, mas ultimamente o INEM e o SNS se recusa a pagar todos os serviços de socorro, obrigando aos Bombeiros a cobrar esse serviço ao cidadão.

Não podemos esquecer que os Bombeiros não recebem absolutamente nada para ter ou manter o serviço de saúde, somente recebem por aquilo que fazem.

joão marçal a 28 de Dezembro de 2007 às 18:56
Àcerca de 15 anos um economista americano foi galardoado com o Prémio Nobel da Economia por ter revolucionado os conceitos que estavam na moda sobre esta matéria, ou melhor feito um retrocesso naquilo que os gurus académicos tinham instaurado. Resumindo, disse ele no seu trabalho: "gerir um país deverá ser como gerir uma família só que noutra escala; há que fazer opções e não gastar aquilo que não se tem; pelo contrário convém acautelar o futuro reservando alguma riqueza para os imprevistos". Pergunto agora eu como classificaríamos um casal, nosso vizinho porventura, que apesar de andar de Mercedes nas auto-estradas, viajar de TGV para a capital e voar em Top Class Executive, não alimenta decentemente os filhos, não os agasalha suficientemente no Inverno, não tem casa compatível para os abrigar e quando doentes os trata em curandeiros?

JM

Fernando Martins a 28 de Dezembro de 2007 às 19:24
Meus caros

Obrigado pelas vossas reflexões. A partir delas, podemos sempre partir para outras.
Para mim, suscitar a partilha de opiniões é o mais importante.

Continuem a participar, para tentarmos contagiar outros

Um abraço

Fernando Martins

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