de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 20 Março , 2009, 10:14

A noite tem um secreto encanto portador de um enorme desafio, como se pode ver no episódio de Nicodemos com Jesus. Ajuda-nos a mergulhar na face oculta da vida, abre-nos aos segredos mais íntimos, coloca-nos perante as interrogações maiores do espírito, leva--nos a assumir os apelos mais sérios da consciência. Traz-nos, de facto, uma excelente oportunidade para nos encontrarmos connosco mesmos na autenticidade mais genuína do nosso ser integral.

Assim aconteceu com Nicodemos, o judeu importante de Jerusalém que escolhe a noite para visitar Jesus e abrir o coração preocupado com problemas existenciais. Há coisas que não entende, apesar da sua reconhecida e brilhante cultura. É mestre e membro do grande conselho, simpatiza com a causa de Jesus e procura ajuda espiritual, quer clarificar a questão fundamental que o preocupa: Como pode alguém fazer-se um novo ser?

Jesus, que havia suscitado a pergunta, acolhe-a na sua intensidade e dá-lhe uma resposta cheia de sentido que desvenda horizontes completamente novos: A fé em Deus faz-nos ver com outro olhar, ter outra compreensão, abarcar outras dimensões, amar outras realidades, ser de outro modo, nascer a partir de dentro.

E a razão é simples, continua Jesus na versão de São João: O amor de Deus ao mundo, à humanidade desejosa de viver a autenticidade do seu ser original, a cada pessoa chamada à plena e equilibrada realização das suas legítimas aspirações. A prova indesmentível deste amor é a cruz – sinal da ignomínia dos criminosos condenados -, mas expressão máxima de quem enfrenta todas as hostilidades porque acredita no amor – fonte original de um mundo novo que urge recriar constantemente.

O crucificado revela este amor gratuito e “põe a nu” o que pode a injustiça humana, a força dos preconceitos e das manipulações, a aliança de interesses, a rede de influências, a facilidade em mudar de opinião, segundo as conveniências, o recurso a atitudes que desdizem da dignidade natural de todo o ser humano.

Em Jesus ressuscitado, o amor lúcido, fiel, altruísta, universal, misericordioso, terno, radical, apresenta o modo mais humano de ser pessoa e de conviver em sociedade, de descobrir o projecto de Deus e de viver ao “seu jeito”.

Georgino Rocha
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