de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Janeiro , 2010, 22:34




Todos humanos e humanitários

1. Os acontecimentos recentes do Haiti, a par de outros do género onde a condição humana é fortemente interpelada, continua a fazer-nos relançar algumas questões fundamentais. Quantas vezes observamos que em situações trágicas as fronteiras são abertas à solicitude dos “outros”, ou as próprias linhas políticas são relativizadas, pois que socorrer os que mais precisam, sejam eles “quem” forem, afirma-se como o pilar essencial de acção. Mas depois, passado o limpar das águas ou o apagar do fogo parece que tudo volta ao passado de fronteiras fechadas, de relações sociais frias, sofrendo um forte apagão toda a frescura solidária que a urgência faz despertar nos primeiros tempos.

Alexandre Cruz



2. Onde pára a memória de situações trágicas no que elas podem ter de aprendizagem social, local e global? Quando se conseguirá integrar, mesmo nas escolas a partir das tenras idades, toda uma «educação humanitária» para se dar valor ao que se tem, ao que se come e se bebe, também de modo a não estragar, a rentabilizar, a reconhecer e agradecer? A sensação de que tantas vezes se está sempre a começar ou que há tanto de desperdício vivo na sociedade de consumo, faz compreender que a mensagem das tragédias humanitárias não passa o seu eco de sobriedade para quem tem pão de cada dia em abundância. A necessidade de pensar a partir da “praxis” (prática) é um imperativo do mundo global, onde a todo o momento todas as imagens e mensagens estão nas redes sociais da comunicação.

3. Todo um potencial humanitário através de organizações governamentais ou não é activado nas horas mais difíceis, com maior ou menor eficácia procura-se socorrer com todos os meios possíveis, mas, e depois da tragédia? Do que continuamente observamos e da análise mesmo que superficial pelo conteúdo dos chamados sistemas de educação (formal ou informal), perder-se continuamente um potencial educativo a partir da realidade, pois que este não é transferido para “os livros”, não desce ao campo dos saberes, não é ensinado para aprender. E quão importante seria para não se estar sempre no início!...

Alexandre Cruz

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