de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 14:05

Assim ele tinha a paixão dos objectos,
conchas, rodas, ramos secos, utensílios,
coisas aparentemente desmembradas e soltas,
que encontrava ao acaso em ferros-velhos,
pequenas lojas escuras, vãos de porta, recantos poeirentos,
ou apanhava do chão quando passava,
entre vagos montões de sucata ou de lixo,
e depois se transformavam
quando ele lhes encontrava na casa um local certo,
porque conhecia a sua identidade profunda,
o rosto oculto que elas não revelavam facilmente.
Deixava-as vir devagar à superfície de si próprias,
as suas mãos eram sempre pacientes com as coisas,
e também o olhar que descobria a sua intimidade
e a partir delas as combinava,
porque nem todas se entendiam entre si,
era preciso estar atento às suas afinidades ou
disparidades, mesmo às menos evidentes.
Mas ele tinha o segredo da harmonia.

Teolinda Gersão (n. 1940)

Donzília a 14 de Agosto de 2009 às 14:58
"A beleza não está nas coisas, mas em quem as vê!" Disse alguém...e eu corroboro em absoluto. Todos os objectos enumerados no poema, aparentemente desconexos e sem beleza teriam a beleza dos olhos que as observavam. Quando foram referidas as conchas...revi-me, pois acho um encanto muito especial nestas coisinhas que o mar tão generosamente nos oferece! E os burgos arrojados na praia, na maré vaza? Que delícia para os olhos! Todos os dias "roubo" alguns, que disponho a meu bel prazer, no jardim.
Sou uma aficcionada por coisas marinhas!

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