de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Fevereiro , 2008, 12:58
A juventude da Parvónia

1. Mesmo após a polémica, tudo continua na mesma. E a certa altura já nem se sabe como reagir ao mau gosto que vai crescendo de forma desmedida. O assunto é a campanha, diga-se sem jeito nem inteligência, da “parvónia” chamada Media Markt. A conclusão da história publicitada, após um arranjo que leva ao ridículo um chefe militar e um escuteiro, é que quem é “parvo” é que não vai ao Media Markt. Enfim, para além da pobreza da qualidade do anúncio, já há muita gente a dizer precisamente o contrário…
2. O ditado diz que «quem não sente não é filho de boa gente». Sabemos como são as coisas. Entre o silêncio do não ligar ao assunto (esta a receita dos tempos indiferentes), ou a coragem de dar uma “pedrada no charco”, correndo o perigo das múltiplas interpretações, até de exagero, a Junta Central do CNE emitiu um comunicado, apelando ao bom senso ético. O parvo anúncio coloca o jovem escuteiro oriundo, imigrado (emigrante?), do país Parvónia no cenário mais ridículo…
3. Após o corajoso comunicado da Junta Central (sabendo que correria o perigo das análises habitualmente passivas de “estar a dar importância demasiada ao assunto”), CNE que neste país pela “escola de vida” do Escutismo procura realizar um ideal de trabalho sério com mais 70 mil jovens portugueses, a resposta do Media Markt (do seu country manager!), aliviando a coisa, não deixa de nos dar dois sinais: 1º, que a aparvalhada figura do escuteiro pretendia «representar a juventude» portuguesa; 2º, que só os escuteiros ficaram ofendidos, pois «nenhuma associação de militares nos contactou» (bom, o papel do militar não desce à figura do jovem).
4. O que vale é que os jovens já se estão pouco importando com o que deles dizem, senão!... Indiferentes, no “porreirismo” do deixa andar que vão copiando pelas referências sociais, já comem tudo… É de saudar a Junta Central do CNE, que fala em nome das instituições se viram, vêem ou verão, expostos a um ridículo anestesiador dos padrões de dignidade e qualidade de uma sociedade. Quem sabe esta (ex)posição do CNE tenha sido um contributo para os próximos anúncios que, para garantir a polémica que vende, colocariam figuras de estado nessa parvónia…(Talvez aí a coisa mudasse!) E depois queixamo-nos dos medos do futuro!

Alexandre Cruz

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