de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Julho , 2008, 09:41

E depois de Sydney?

O pano caiu sobre a XXIII Jornada Mundial da Juventude, realizada em Sydney, ente 15 e 20 de Julho, o que não significa que o que levou aquelas centenas de milhares de jovens a participarem nesta expressão pública de fé em Jesus Cristo tenha terminado.
Bem pelo contrário: os trabalhos “a sério e a doer” começam agora. O dia seguinte, para aqueles que têm uma missão evangélica a cumprir, por norma, é sempre o mais difícil e gratificante. Se assim não for, então, as JMJ não têm qualquer razão de ser.
Aliás, creio não escandalizar ninguém ao dizer que as JMJ, só por si, não são, nem pretendem ser, uma varinha mágica para os desafios com que, permanentemente, a Igreja se defronta e para os quais tem que procurar respostas e soluções, neste mundo vertiginoso, em que os jovens e os adultos vivem e devem convergir fraternalmente.
Durante estes dias da XXIII JMJ, tive a curiosidade de ir lendo testemunhos de alguns dos seus participantes e todos eles são a expressão viva e sincera, sem dúvida, de uma experiência pessoal e profunda com a Pessoa de Cristo e isto não é quantificável.
Afinal, como dizia o Evangelho, do Domingo passado (dia do encerramento da XXIII JMJ): “O Reino dos Céus é semelhante, a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes, mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto, e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos”. (Mt 13,31-32).
Isto, sim, é que é desconcertante e provocante e nos deve levar a querer ir mais além, por esses campos fora (o mundo), à maneira de Jesus Cristo (o semeador), que aguardam, ansiosamente, por serem cultivados pela semente (a Palavra de Deus) da esperança, caridade e do amor. É aqui que os jovens devem estar e é por isto que eles fazem tanta falta à Igreja! Eles precisam de sentir e saber do quanto são importantes!
Em 2 Novembro de 2007, a Agência Ecclesia colocava a seguinte questão a D. Jorge Ortiga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa: “Todos os anos são crismados milhares de jovens. Como não são aproveitados, é uma espécie de “check-in” para saírem da Igreja?”
Reconhecendo que esta é uma das dificuldades da Igreja, D. Jorge Ortiga acrescentou: “Temos de nos interrogar. Temos de alterar a metodologia. Pessoalmente, estou convencido de que vale a pena todo este itinerário catequético, porque é algo que se semeia. Mais tarde ou mais cedo, eles voltarão.”
Não sei se estes regressos são assim tão lineares e frequentes e muito menos desconheço, com o rigor exigido, as circunstâncias em que os mesmos ocorrem, quando acontecem. A estes percursos, há que acrescentar e relevar, também, as aulas de EMRC e a Pastoral Universitária.
Seja em Sydney, Madrid ou numa outra qualquer terra situada no mais recôndito local da Terra, a Igreja tem que ser capaz de apontar e levar os jovens ao encontro do sentido e dos valores da vida autêntica, do testemunho sincero da felicidade e do compromisso de fidelidade que só Cristo oferece. Tudo isto só se faz com pessoas concretas, preparadas e maduras, fora dos grandes holofotes mediáticos, através da alegria da Boa-Nova, da segurança da mensagem que transmitem e da autoridade fraterna que exercem, enquanto educadores da fé e na fé. Quando esta oferta de vida e de futuro sustentado na rocha é feita, aceite e compreendida, os jovens descobrem um novo entusiasmo para as suas vidas e estão dispostos a partilhá-lo e a sofrer por Aquele em quem acreditam e amam
Infelizmente, isto nem sempre acontece e, quando tal assim sucede, é mais um tesouro e um semeador que se perdem e uma Igreja que fica mais pobre.

Vitor Amorim

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