de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 06 Setembro , 2008, 11:41
Fotografia do Álbum Carneiro da Silva, S. Paio da Torreira, 1922



Contava-me a minha avó paterna que os seus pais eram lavradores, na Gafanha da Nazaré, no tempo em que ainda só havia sete núcleos de moradores. Verdadeiramente ela dizia sete casas o que eu acho muito pouco. Como alguns conterrâneos, o seu pai possuía um barco moliceiro com o qual recolhia o adubo para as terras. Era costume na altura usar o barco, para com familiares e amigos – dado que as colheitas estavam feitas e arrumadas – fazer o périplo das festas à beira da ria: São Paio, Sra. da Saúde e Sra. das Areias. No barco pernoitavam, cozinhavam e comiam.
Falando desse tempo, às vezes a minha avó recordava uma ida ao São Paio que me ficou gravada em verso: ainda ela mal tinha posto os pés em terra, surgiu não se sabe de onde, um homem todo empertigado de viola ao peito cantando-lhe assim:

Ó minha linda menina,
Não me sais do pensamento.
Vou falar com o teu pai,
Vou pedir-te em casamento.


“E vai eu ós’pois respondi-lhe assim:”- dizia ela

Vai-te embora homem casado,
Panela velha sem fundo.
A ti já te não são dadas
Barbaridades do Mundo
.


Possivelmente o rosário seguia por aí fora como era típico na época. Os arraiais eram as discotecas de então.
Esta cena passou-se por volta de 1900, igual a tantas outras, que eram o espírito do convívio festivo do São Paio, à mistura com comezainas, bailaricos e melancias das Quintas do Norte.
A primeira vez que fui ao São Paio, cerca de 1990, ainda apanhei alguma desta espontaneidade popular, daí para cá isso tem-se perdido em troca com outras formas de expressão mais actuais: regatas, concursos de painéis dos barcos moliceiros, jogos florais e festivais de canções. Mas o São Paio continua fiel à tradição que todos os anos no princípio de Setembro arrasta multidões de forasteiros e emigrantes à típica Vila da Torreira.

João Marçal
:
NOTA: Aqui fica a sugestão, oportuna, de Ana Maria Lopes, de Marintimidades

Ana Maria Lopes a 6 de Setembro de 2008 às 13:56
Outra forma, mais antiga e pessoal de lembrar o S.Paio. Cada um, nos blogs, vale-se dos documentos e das experiências que tem.Óptimo! Aconselho-o a visitar o Marintimidades, que também evoca o S. Paio.
Cumprimentos

Marieke a 6 de Setembro de 2008 às 14:25
Através da leitura do post sobre a festa do S.Paio no blogue da Ana Maria Lopes ,tive conhecimento do episódio hilariante de como um grupo de ilustres Ilhavenses tentou roubar o Santo.
Terá sido como forma de retaliação do roubo da Lâmpada? ahahahhahaha
É um texto do Eng. Senos da Fonseca .
Vale a pena ler
Um abraço
Mria

Fernando Martins a 6 de Setembro de 2008 às 14:51
Estamos sempre a aprender... Mas como é que os ílhavos deixaram levar a lâmpada? Sempre há cada coisa! Mas essa da retaliação é que não acredito... os ilhavos sempre foram gente pacata!

Um abraço

FM

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