de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 18 Julho , 2008, 08:57

Nelson Mandela: de guerrilheiro a pacificador!


Há 90 anos, precisamente no dia 18 de Julho de 1918, nascia, na África do Sul, que até ao ano de 1910, tinha sido uma colónia do Império Britânico, Nelson Mandela, que viria a ser um dos maiores activistas negros na luta contra o apartheid (do afrikaans: “vida separada”), estabelecido, formalmente, pela minoria branca que governava o país, a partir do ano de 1948. Considerado um terrorista e um rebelde, pelo poder branco instituído, era, para a maioria negra (cerca de 75% da população do país era, e é, negra), um herói, um guerrilheiro e um libertador.
Preso, pela primeira vez, em 1956, volta a sê-lo em 1962. Em 1964, é condenado a prisão perpétua e é enviado para a prisão da Ilha de Robben, a 12 quilómetros da Cidade do Cabo, onde passa a ter o número 46664 (466.º preso, do ano de 1964). Daqui, continua a incentivar à luta armada. Na sequência da enorme pressão internacional que, entretanto, se foi formando, por todo o mundo, contra o regime do apartheid, Nelson Mandela é libertado, incondicionalmente, no dia 11 de Fevereiro de 1990, após cerca de 28 anos de cativeiro.
Em 1994 foi eleito o primeiro presidente negro da República da África do Sul, cargo que ocupou até 1999. Em 1993, divide a atribuição do prémio Nobel da Paz com Frederik de Klerk, exactamente o homem que o tinha mandado libertar.
Com mais ou menos controvérsias até ser preso, muito dificilmente alguém deixa de reconhecer que Nelson Mandela foi, a partir daí, o principal artífice, político e moral, da transição do regime branco do apartheid para o regime de maioria negra, fazendo-o sempre na busca da reconciliação, da tolerância interna e no respeito pelos direitos de todos os cidadãos sul-africanos. A fundação da nação estava, finalmente, a realizar-se.
A forma sempre afável e conciliadora como o procurou fazer, sobretudo a maneira como se soube impor às correntes mais radicais do seu partido (ANC) e da restante maioria negra, foram-lhe granjeando o reconhecimento e a admiração de toda a comunidade internacional, pela qual, em múltiplas ocasiões, tem sido homenageado por todo o mundo. Após a sua saída da presidência, foi chamado a mediar muitos conflitos internos e externos, devido ao seu estatuto de grande líder.
Em 1995, o Papa João Paulo II visita a África do Sul, país que antes se tinha recusado a visitar, devido ao regime do apartheid em vigor, tendo-se encontrado com Nelson Mandela. Três anos mais tarde, é Mandela que visita João Paulo II, no Vaticano. Entre estes dois homens, nasce uma amizade e admiração mútua.
Ainda que fragilizado pela idade e a doença, Nelson Mandela continua, hoje, tal como João Paulo II, a irradiar simpatia e a despertar um afecto muito grande nos jovens, havendo historiadores que chegam a comparar as semelhanças que existem entre estas duas personagens fascinantes. Simon Usherwood, da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha, referiu-se a estes dois homens dizendo: "Esta pode ser a última geração de figuras políticas e sociais capazes de ainda ter voz através da sua longevidade. A vida deles estende-se até um tempo em que o mundo era tumultuoso e questões básicas sobre a liberdade, a justiça, a democracia e a ordem social continuavam ainda sem resposta. Cada um deles encontrou a sua própria resposta e partilharam-na. Eles deixaram uma marca". Já o historiador britânico Timothy Garton Ash, afirma: “Como João Paulo II, Mandela comoveu gerações. Um dos homens mais amados da Terra e talvez o único a rivalizar com o Papa na questão da autoridade moral.” Ainda para este historiador, Mandela foi a única pessoa, além de João Paulo II, que poderia almejar ao título de "maior homem do nosso tempo".
Num momento conturbado e de desorientação, à escala planetária, faltam líderes que sejam portadores e símbolos de integridade ética e moral, que o mundo tanto precisa para solucionar os seus conflitos. Por tudo isto, é bom e necessário não esquecer o exemplo destes “veteranos”, que não se limitaram só a acreditar. Lutaram, cada um a seu modo, mas num bom combate de vida, por aquilo em que acreditavam, e disso deram e deixaram o exemplo de que é possível, ainda, continuar o seu caminho!


Vítor Amorim

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