de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 22 Julho , 2008, 14:22
Pintura de Jeremias Bandarra

A arte é dom de quem cria;
portanto não é artista
aquele que só copia
as coisas que tem à vista.
António Aleixo


Quando hoje escolhi esta quadra do nosso maior poeta popular – António Aleixo –, logo me veio à lembrança a reacção de muita gente que tem dificuldades em entender certas expressões artísticas, sobretudo as que fogem do trivial.
Olhar para uma pintura abstracta, ouvir uma música clássica e apreciar uma escultura que se situa longe do figurativo são, frequentemente, motivo de desinteresse. Das duas uma: ou os artistas são malucos ou os apreciadores que olham de soslaio para o que eles criam ainda não estão educados para entender o que está acima do normalíssimo.
Penso que esta última asserção é que está certa.
Sendo verdade que a arte não pode nem deve ser apenas uma cópia do que os nossos olhos vêem ou os nossos ouvidos escutam, há que fazer um esforço, com o intuito de educar os sentidos, para chegarmos mais longe. A arte é, essencialmente, não um retrato bruto e simples do que nos rodeia, mas o reflexo de sentimentos, emoções, perspectivas, imaginações e gosto estético do artista, que tem de ser, como diz Aleixo, um criador. Um criador é um artista que, do nada, faz obra que nos eleva, nos enriquece espiritualmente, nos sublima os instintos primários, nos suscita sentimentos do bem e do belo.

FM
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João Marçal a 23 de Julho de 2008 às 00:41
Tenho dedicado alguma atenção ao "Grito de Guernica", e há pouco tempo tive a sorte de o vêr a 3D depois de um apurado trabalho informático de uma pintora americana, onde se valorizam os objectivos expressivos do pintor e da obra. Fiquei ainda mais admirador de Picasso.
Agora, sinceramente sobre esta pintura que exibe não vejo mais que umas formas sem nexo com umas cores que posso considerar bem combinadas. Será que há mais que isso e eu não vislumbro? Não é por falta de interesse, eu tenho procurado em livros, exposições, falado com pintores, etc. Houve um, bem conceituado, que me disse: "não se preocupe com isso, isto é uma pintura que nós fazemos mais para nós, que para os outros perceberem". Se já o admirava, fiquei-lhe reconhecido por me tirar esse peso de cima. Tratava-se de Cândido Teles a quem presto homenagem.

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