de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 22:56

O verniz e o cinto…
Por alexandre Cruz


1. Chegámos a um momento muito difícil. Sente-se o verniz a estalar e continua certa a garantia do apertar do cinto. Quem viveu períodos como este (e mesmo quem não viveu) sente que o futuro tem um reforço de incertezas como já não se sentia há muito tempo… O caso da lei das finanças regionais e todo o xadrez de pressões, intenções primeiras, segundas e terceiras; a crise social instalada, o aumento transversal da precariedade, as pessoas do desemprego histórico, a criminalidade e insegurança que se confirma cada vez mais diária; a nossa comparação com a Grécia e a galopante não credibilidade externa; a escassez de horizontes políticos que enfermam um diálogo que todos reclamam mas que “todos” falham; a sensação de que a liberdade de opinião se sente ameaçada com sucessivos casos de “alegadas” pressões e de “problemas” a serem resolvidos…


3. Um criticismo sistemático dos males que nos atormentam que impedem de ver uma luz em céu aberto; a ideia de que se formos mesmo perguntar o que os portugueses pensam sobre «saúde, cultura, educação, justiça, história, rigor, método, empreendedorismo, política», diante destas e de outras tantas outras ideias estimulantes ou áreas sociais essenciais a sensação de que entre a indiferença ou o dizer mal é o pântano generalizado preferencial; a verdade de que apatia e descompromisso atraem a desmotivação, ambiente este que conduz a novas multidões de emigração diante de um país truncado (porque o truncámos!?); a noção de que carecemos: 1º, da autocrítica de revisão em ordem ao progresso diário e 2º, da nobre responsabilidade de cada um para se assumir todas as consequências, preferindo-se a vitimização preguiçosa ou a desculpabilização.

3. Claro que tudo o que apresentamos acima não é nada de novo, nem nada de verdade; ou outras vezes é tudo de verdade e ainda será pior; de extremos e de verniz estalado e de cinto apertado. Tudo simbólico o que escrevemos; só uma verdade: os habitantes de um país são os que o constroem; o mal que se publicita volta ao ponto de partida, sendo perca de tempo. Mas, efectivamente, diante de tantas crises, o que o país menos precisava era do que se vê; excepto aquela sugestão de baixar até ao “valor X” as grandes reformas e os irrazoáveis salários “pagos” pelos cintos apertados. E esta!?


Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 18:51

Portugal continua a dar novos mundos ao mundo

Por Maria Donzília Almeida



Numa altura em que os humores andam um pouco enegrecidos por este Inverno pardacento, surge como algo pertinente, reflectir um pouco acerca da doença. Já que nos interessa mais o seu contrário, a saúde, vou socorrer-me da definição desta, pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Para este organismo, saúde não é apenas a ausência de doença, mas sim um estado de bem-estar físico, mental e social, uma espécie de harmonia entre todas as componentes do ser humano.
Sem pretender meter a foice em seara alheia, recordo os tempos de adolescência em que li Júlio Dinis, médico/escritor, que afirmava no seu livro “As Pupilas do Sr. Reitor”, que não havia doenças! A assunção protagonizada pela sua personagem Daniel, um recém-formado médico, sucessor de João Semana, foi, na altura uma tirada bombástica que caiu em terreno explosivo. A afirmação convicta do médico estagiário, na botica do João da Esquina, já na altura era muito vanguardista. Havia, na verdade, doentes que tinham características particulares, ao serem contagiados por qualquer doença. Não há dois doentes iguais, ainda que com sintomas da mesma doença.


E, na senda deste médico de aldeia, João Semana, aí temos nós os sucedâneos médicos de família, que nos tratam da saúde como podem e sabem. Sem dúvida que o SNS (Sistema Nacional de Saúde) tem crescido e tem-se implantado por todo o país, mas ainda restam muitas lacunas para que a organização seja perfeita.
Graças a Deus e aos esforços de muitos cientistas, que seguindo as pisadas de Hipócrates e Galeno, têm trabalhado com afinco na investigação. São gigantescos os passos que já foram dados no conhecimento de muitas enfermidades e no processo de as debelarem. A esperança de vida tem vindo a subir exponencialmente assim como a qualidade da mesma.
E, no campo da medicina, nós Portugueses devemos orgulhar-nos, pois na lista dos famosos, internacionalmente, temos nomes bem sonantes, que simultaneamente acumulam o talento de serem brilhantes escritores. Portugal continua a dar novos mundos ao mundo!


04.01.10
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 15:02

Carlos Naia


Classe de Jornalismo

A convite do orientador da disciplina Fotografia/Comunicação, Carlos Duarte, da Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo, esteve o jornalista Aveirense, Carlos Naia, durante uma hora, para evocar passagens da sua vida jornalística.
Com a Carteira Profissional n.º 180, Carlos Naia é uma referência do jornalismo aveirense, onde esteve cerca de 40 anos no Jornal de Notícias,  donde se aposentou. Hoje mantêm colaboração em alguns jornais regionais e em rádios, no acompanhamento do Beira Mar, já que, segundo o orador, nunca se deixa de ser jornalista.
Carlos Naia começou por historiar a sua vivência no JN com episódios curiosos para os dias de hoje, como as entregas de reportagens ao maquinista do Foguete para entregar no Porto, ou percorrer a região numa “acelera”, até às noitadas na entrada da Barra, na ânsia de ver os destroços dum avião ou do naufrágio dum barco. O “exame prévio” (censura) também não foi esquecido assim como as perseguições nos Congressos Republicanos em Aveiro. O PREC foi outro momento da vida nacional que foi descrito pelo antigo jornalista como uma época de intenso combate por um jornalismo livre e sem influência partidária ou religiosa, valores que eram “sagrados” no Jornal de Notícias.

Hoje o jornalismo da sua época é como se fosse a pré-história da profissão, tal é a evolução na comunicação onde a informação corre pelo mundo em milésimos de segundos e muitas vezes feita não por jornalistas, mas por simples cidadãos, através do novo fenómeno que é a Net e, também, as mudanças se fazem sentir nos jornais que ainda há 20 ou 30 anos eram propriedade de famílias e hoje são peças de um poder económico, onde o jornalista é uma simples peça de um puzzle enorme, no qual o jornalista  está, simplesmente, por vezes, dependente do poder económico.
Durante mais de uma hora, o jornalista respondeu a algumas questões apresentadas pelos alunos, terminando com a promessa de voltar em breve.

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 14:46

Evoco hoje e aqui o grande Almeida Garrett, que nasceu em 4 de Fevereiro de 1799. Simplesmente porque a minha rua foi baptizada com o seu nome. Foi de facto um grande escritor, dramaturgo, poeta e político liberal. É mais conhecido, porventura, como dramaturgo, havendo quem o coloque no pedestal de renovador do teatro português.
Em nada contribuí para a escolha do nome, mas confesso que gosto de morar nesta rua, com o seu nome, mas também devo reconhecer que se trata de um sítio calmo, com vizinhos amigos. A minha casa foi a terceira a ser construída nesta rua, no longínquo ano de 1965. Hoje está cheia. E na altura a minha casa tinha um certo ar airoso. Contudo,  presentemente, foi ultrapassada por outras construções mais modernas e talvez mais funcionais. De qualquer modo, não trocava este meu recanto por qualquer outro.
Sobre Almeida Garrett, posso adiantar que de vez em quando visito os seus livros para me deliciar com uma prosa que encanta. Já agora, um pormenor sobre Garrett: Quando fui observado no Hospital Militar de Coimbra, apresentei-me de pijama atado com um cordel à cintura. Ao entrar no consultório, o médico-presidente da Junta Médica olha para mim e pergunta: «Quem és tu?» «Ninguém», respondi eu. Tinha lido tempos antes  "Frei Luís de Sousa".

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 14:24
4 de Fevereiro de 1961

Em Angola, neste dia, em 1961, começou a guerra colonial portuguesa, ao abrigo das políticas defendidas por Salazar, que proclamavam que Portugal era um país multicultural, multi-racial e multicontinental, uno e indivisível. Nas escolas, desde tenra idade, todos eram doutrinados para estes princípos, de que Portugal se estendia do Minho ao Algarve, chegando a Timor e Macau, depois de  passar por  Angola e Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e  Príncipe,  Açores e Madeira. A guerra está na memória da minha geração, pelas mortes que custou, pelos traumas que provocou, pelos mutilados que deixou. Tudo tende a esquecer, mas tal  não é fácil para os que por lá passaram e para milhares de famílias que viram partir para a luta tantos dos seus filhos. Muitos por lá ficaram.

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 12:20

Quando passeio, pelas cidades e aldeias, encontro com regularidade registos históricos, que me apresso a ler. É uma forma de ficar a conhecer um pouco mais os sítios por onde passo. Da Figueira da Foz mostro hoje este apontamento de viagens. Clique nas imagens para ampliar. Ver aqui sobre Luís da Silva Mousinho de Albuquerque

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Fevereiro , 2010, 11:58

Sem muros
nem fronteiras

Por António Marcelino


Nem sempre é fácil viver num mundo complexo como o nosso, que é, ao mesmo tempo, pequeno e grande, fechado e aberto, indiferente e cordial. Onde tudo se conhece e poucos se conhecem, todos opinam e poucos escutam, todos falam de amor e poucos se amam. Cheio de riquezas e de misérias, de capacidades e de restrições, de esperanças e de desesperos… O Vaticano II definiu-o de modo ainda mais eloquente (GS 5-9).
Mas é este o nosso mundo. Aquele em que vivemos, e só pode melhorar se dele fizermos um projecto e pusermos em acção, de modo activo e concertado, nossa vontade e nossas potencialidades, alargando o circulo e o número dos interessados em igual projecto.
Ninguém deve esperar para começar. Quanto mais ingente a tarefa, mais urge o tempo para a realizar. Os cristãos acordados e todas as pessoas de boa vontade que sofrem com o que falta e se alegram com o que se vai conseguindo de bom e de auspicioso, têm de estar conscientes desta tarefa e desta urgência.
A Igreja, com todas as mazelas que sofreu ao longo do tempo, tem como missão ajudar a redimir o tempo perdido e necessário. Ela há-de levar ao despertar da fé, consciente e activa, na medida em que, lendo e discernindo os “sinais dos tempos”, se empenhar no serviço às pessoas, se unir e estimular aos que lutam por projectos sociais de justiça e de verdade.


O presidente da França, por altura da visita de Bento XVI ao seu país, não teve pejo, num mundo laico, como o francês, em reconhecer, de modo público, a importância da Igreja na sociedade e para a sociedade, vendo na mensagem cristã, posta em prática, um factor de equilíbrio e de coesão social e moral. E afirmou textualmente: “O catecismo dotou de um sentido moral, bastante afinado, gerações inteiras de cidadãos. Em tempos recebia-se educação religiosa, mesmo nas famílias não crentes. Isso permitia a recepção de valores necessários para o equilíbrio da sociedade”. E, mais tarde, em iguais circunstâncias, disse ainda: “Nós assumimos as nossas raízes cristãs. Seria uma autêntica loucura privarmo-nos da sabedoria das religiões. Seria um crime contra a cultura e contra o pensamento. Chegou a hora de passarmos a uma “laicidade positiva”.
A Igreja, consciente da sua missão e da sua história, mesmo com suas páginas menos brilhantes e ensanguentadas, foi sempre pátria de santos, conhecidos ou anónimos, e tem, por isso, de se empenhar cada vez mais, na tarefa ingente de ajudar a sociedade a equilibrar-se, para que possa ser uma sociedade bela e justa, de todos e para todos. Ela é global, pela sua mensagem e missão, antes de qualquer outra globalização. Os valores que propugna e propõe, em qualquer tempo e lugar, não estão sujeitos à erosão, nem ficam desgastados pela incoerência de quem os não vive ou os não pratica.
Terminou o tempo dos anátemas, das críticas inconsequentes, da distribuição de culpas, das sondagens para ilustrar e entreter. O tempo é de compromisso, testemunho, acção inteligente, organizada e corajosa. Para isso, há que romper com os muros interiores que ainda subsistem em pessoas e grupos e dividem sempre, mas não têm mais sentido num mundo plural, diverso e complexo. Há que romper com as exclusões e evitar os desencontros, tornando mais difíceis as relações pessoais e os projectos comuns.
Ninguém melhora o mundo distante se não melhorar antes e ao mesmo tempo o seu mundo interior e o da sua imediata proximidade, aí onde os sentimentos clamam por verdade e os actos por coerência.
O papel da Igreja é gerar fermento renovador que levedará a massa amorfa. O que se faz no templo se não se repercute na vida das pessoas e da sociedade nunca servirá de louvor ou de glória para Deus. O que se faz a olhar só para dentro encurta a vista do coração e da vontade, fomenta o narcisismo e torna-se lixo inútil. A hora é de novas oportunidades e de apelos urgentes, mas também, hora de conversão ao essencial.

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