de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 21:28


O Ângelo Ribau acaba de editar um livro — RETALHOS DAS MEMÓRIAS DE UM EX-COMBATENTE. Não é uma daquelas edições que se compram nas livrarias por bom dinheiro e que, quantas vezes!, apetece atirar para o caixote do lixo. É simplesmente um livro para os seus mais íntimos.
Quem conhece o Ângelo sabe que ele sofreu, como tantos outros portugueses, a brutalidade da guerra. Dela fala sempre que a ocasião o proporciona, ao jeito de quem quer afugentar chagas que lhe marcam a alma. E talvez por isso mesmo é que ele escreveu estas páginas, na esperança de que, por esta forma, possa fechar à chave, em baú inviolável, revoltas cravadas na memória como carraças.
Começa este seu trabalho, que acompanhei ao longo do tempo, dirigindo-se «Àqueles que lutaram mas, por eles, nem os sinos dobraram. Tudo à Pátria deram, e dela nada receberam.» E só depois o dedica “Aos seus entes queridos, que sem culpa formada, sofreram como poucos terão sofrido as agruras da Guerra de Angola, sem sequer lá terem estado fisicamente.»
Em Angola, onde lutavam mais dois irmãos, o Ângelo sentiu, na pele e no espírito, a dureza provocada por opções políticas do «orgulhosamente sós», políticas essas que enlutaram famílias sem conta nesta Pátria multissecular.
Não se julgue, porém, que este livro nos vem só com histórias tristes, porque o humor de quando em vez alegrava a malta. Li ou reli, com gosto e com sentido de meditação, as memórias deste amigo que foi à guerra e que pegou nela para nos dizer como se sofre em nome de causas injustas.


Angola, aquela que nos ensinaram na escola como parte integrante de Portugal, está presente em cada página. Povoações nativas e cidades que mudaram de nome, florestas e noites sombrias, Noite de Natal que o trouxe, magicamente, até à Gafanha, para consoar com esposa e filhos e restante família, «na casa do forno», ali perto dos “Muceques”, onde foi «traído pelas lágrimas»
Graças à sua excelente memória, que a guerra terá avivado, o livro foi invadido pelos colegas, soldados, sargentos e oficiais, por tiros e granadas, minas e emboscadas, mas também por mortos que estão ainda vivos dentro de si.
Fotógrafo apaixonado desde a juventude, não podia deixar de nos oferecer os retratos do que via e sentia, a preto e branco, que o seu laboratório portátil não dava para mais. Mas as cores da guerra estão neste seu trabalho, que não está à venda nas livrarias.


Fernando Martins




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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 18:30



A força educativa do desporto


1. Está em fase final o campeonato africano de nações, a decorrer em Angola. Após o atentado inicial em Cabinda contra a selecção do Togo, o jogo passou a ser jogado dentro do campo de futebol. A este caso contra a selecção do Togo podem-se juntar tantos outros onde o desporto é usado para outras finalidades nada desportivas. Pelas multidões que se juntam, pela representatividade dos países e, por isso, pela força sócio-política que o desporto tem, ele é usado desmedidamente como bandeira ora de orgulho nacional, ora de combate intolerante. Não passam muitas décadas em que no centro da própria Europa as modalidades dos jogos olímpicos ou os campeonatos de futebol, quando havia paz e segurança para se realizarem, esses torneios espelhavam bem as lutas “frias” entre os países em jogo.

Alexandre Cruz



2. A história está toda unida, uns acontecimentos inter-cruzam-se com outros; a história das grandes manifestações desportivas inscreve-se na mesma história ou de passos de desenvolvimento humano ou de recuo intolerante de uns para com os outros. Hoje, em cada mega iniciativa desportiva, ao mesmo tempo todos os países (ou mesmo em parceria) o querem, e quando organizam o batalhão de segurança bate recordes de ano para ano…não vá o atentado atingir um estádio ou uma prova. Sabe-se que na antiguidade, quando dos jogos olímpicos, a guerra “parava” para essa realização cultural; reza a história do século XX que os jogos é que pararam para deixar passar e acabar a mísera guerra. Os acontecimentos desportivos não deixam ninguém indiferente; quem dera que sejam sempre vividos no chamado “fair play”, dos bastidores ao espaço público!

3. Numa entrevista recente o alemão Wilfried Lemke, assessor da ONU para o Desporto ao Serviço do Desenvolvimento disse que «o desporto pode fazer bons vizinhos». Da recente vivência do jogo solidário para com o Haiti, ele testemunha como, lá longe, as crianças e jovens se juntam «para jogar em Israel e na Palestina». Urgentes, estes sejam os jogos onde todos saem vencedores para um futuro de segurança e paz!


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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 16:40


Passei hoje pela Praia da Vagueira. Não estava deserta, porque ali há alguma vida, mas estava muito longe da época balnear. É normal. Mas este barco do mar, próprio da arte da xávega, mostra bem como se descansa, atrás do barracão. Lá há-de vir  o tempo em que enfrentará, com galhardia, as ondas do oceano.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 12:15


No seu comentário final, Eduardo Marçal Grilo, antigo Ministro da Educação e actual Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhou que hoje caminhamos para uma escola diversificada. “Cada escola, ou agrupamento de escola, tem o seu projecto educativo. E esse projecto não é um plano de actividades. O projecto educativo é uma ideia do que se quer que os alunos aprendam”, observou.
Marçal Grilo afirmou que a escola é “construída para os estudantes”, não é “dos professores, dos pais, da Câmara Municipal ou da comunidade”.
“É aos pais que cabe a educação pelos filhos”, defendeu.
12 anos depois da lei da autonomia das escolas, o antigo ministro da educação disse que “deve caminhar-se, tão rápido quanto possível, para a autonomia das escolas. Mesmo com riscos”.
Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, também antigo ministro da educação, falou da importância do pluralismo no sistema educativo, afirmando que “uma das expressões da crise social tem a ver com a ideia de que a escola está abandonada”.
“O professor vê-se muitas vezes obrigado a executar funções que não lhe competem, porque o professor não é o único educador. Ele é o profissional da educação mas a sociedade e a família têm uma função fundamental”, precisou.
No início dos trabalhos, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, destacou "a importância e a urgência em centralizar as competências de uma escola de prestígio". O Arcebispo de Braga realçou o "papel específico da Igreja" que deve ser o de "comunicar o pluralismo educativo”.
Neste sentido "a Igreja tem o direito para apresentar a sua especificidade, mas o dever de dar credibilidade aos projectos", pois a " escola é o primeiro espaço de esperança para a vida".

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Janeiro , 2010, 11:51
Ideia três, travar salários e admissões na função pública: esta fobia de congelar os salários da função pública – que levará sindicatos para a rua – não deveria ser usada apenas em momentos de grande aflição. O que afecta as contas públicas é a existência de funcionários que não trabalham – não a existência de salários ou dos próprios funcionários. Olhar remunerações de pessoas como um problema é supor que uma dieta começa pela comida – e não pelo gordo. Seja como for, a ideia é fácil e penaliza os mesmos – ainda que se saiba que fazer crescer estes salários é impossível para um país que quase não tem dinheiro para existir.

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