de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Janeiro , 2010, 15:33

A sorte também
se constrói


1. Poderão existir determinadas situações em que se pense que só os outros é que têm sorte e que o próprio não… Essa ideia das sortes ou dos azares parece-nos reflectir uma visão menos correcta daquilo que são as referências de compromisso que haverão de presidir os caminho diário. Diz um pensamento que «a sorte protege os audazes», e pode-se acrescentar que a sorte é amiga da atenção zelosa e persistente e inimiga do descuido e do desleixo. O ditado que diz que «quem semeia ventos colhe tempestades» também ajuda a compreender a necessidade de sempre e cada dia, nem que custe (será o que lustra!), viver e semear os grandes valores assentes na bondade, no estímulo à dignidade e ética, no apego constante à responsabilidade de ser e fazer em cada momento o melhor possível.

Alexandre Cruz




2. Como alguém disse, na hora da tragédia de nada vale “rezar” mundos e fundos na turbulenta viagem da estrada se não se descansou o mínimo suficiente para se ter lucidez ou se a pessoa está alcoolizada e incapaz de corresponder às solicitações de constantes e novas situações. Essa ideia de que o “mágico”, o “deus SOS”, o “bombeiro divino”, viria socorrer instantaneamente é uma das grandes falsidades que importa purificar. A desculpabilização do que deve ser a responsabilidade humana para o mágico que substituiria o zelo devido é sinal da imaturidade existencial; é a mesma coisa que passar a vida a semear tempestades e depois pensar-se que se tem direito às bonanças!

3. É por isso que nada fora de cada um de nós fará o que cada um terá de fazer; é por isso que na medida em que se procura viver a responsabilidade constante, esta como que abre as portas ao surpreendente positivo que amplia os índices de motivação… A vida é constante semente que se lança e, simultaneamente, constante colheita. A arte da coerência ética e da persistência serão dos valores estruturantes que, não a curto mas a médio e longo prazo, darão créditos positivos. A chamada “falta de sorte” como fatalismo, não é outra coisa senão a falta de se conhecer e reconhecer a si mesmo.


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Janeiro , 2010, 15:00




COMO NASCEU A PRAIA
DA COSTA NOVA DO PRADO

Uma Costa Nova denuncia a existência de uma Costa Velha. Documentos históricos relatam que os pescadores de Ílhavo estabeleceram suas Companhas de pesca do alto mar na Costa do Norte, em São Jacinto. A abertura da Barra Nova de Aveiro em 3 de Abril de 1808, barra artificial, foi, pela sua má localização, a causa do assoreamento da orla marítima da praia de São Jacinto, verdadeira calamidade que obrigou as Companhas de Ílhavo a transferir os seus assentos para as areias ao Sul do paredão da Barra, pois ali se tornava impraticável o exercício da pesca.





Desta emergência do abandono da Costa Velha pelas Companhas dos pescadores de Ílhavo surgiu, para estas, a imperiosa necessidade de procurarem sítio adequado onde pudessem trabalhar. O ilhavense Luís dos Santos Barreto foi o primeiro arrais a deixar a assoreada Costa do Norte e a estabelecer-se na Costa do Sul, assento da sua Companha, cujo local já tinha de antemão escolhido e que designou com o nome de Costa Nova, que, afinal, era um Enclave, pois esta zona não pertencia a Ílhavo.
Toda a orla marítima entre Ovar e Mira era pertença territorial e exclusiva do concelho de Ovar. Só em 1855, um decreto de 24 de Outubro, anexou ao domínio dos concelhos da Feira, Ovar, Estarreja, Aveiro, Ílhavo e Vagos, a faixa litoral marítima confinante com a terra firme pertencente a cada um destes seis concelhos.

Dinis Gomes





Assim, a costa oceânica e terrenos ao sul do paredão da Barra Nova, até ao encontro de uma linha tirada na direcção nascente poente, desde a Foz da Ribeira dos Cardaes até ao mar, passaram a ser pertença do concelho de Ílhavo. Logo, a povoação da Costa, desde 1808 a 1855, formada em terreno não integrado no domínio de Ílhavo, constituiu um verdadeiro Enclave, fundado por Luís dos Santos Barreto. Outras Companhas de Ílhavo seguiram o exemplo deste arrais e deslocaram-se para a Costa Nova, abandonando a costa velha de São Jacinto. Num breve lapso de tempo encontraram-se neste Enclave a Companha do Salvador, do Arrais José Fernandes Patata, a Companha dos Capotes do Arrais Marçalo Francisco Capote e a Companha do Galo do Arrais Manuel Fernandes Bagão.
Começaram primeiro por construir os palheiros na borda do mar para guarda de todo o artesanato piscatório. A permanência destas Companhas despoletou a criação da população deste Enclave, constituído por milhares de pescadores com as suas mulheres e filhos e pelos indivíduos com interesses ligados ao comércio e indústria das pescarias.



Junto da margem esquerda da ria de Mira alinharam-se em graciosa curva os primeiros palheiros para habitação de famílias de Ílhavo, Águeda e outras localidades.
O primeiro palheiro construído foi o de Luís dos Santos Barreto, seguindo-se o de Manuel da Maia Vieira (da casa de Alqueidão), sargento-mor de Ordenanças e Juiz Ordinário de Ílhavo e o de José Ferreira Félix, Tenente de Milícias e Vereador da Câmara Municipal de Ílhavo, da família Couceiro da Costa, também de Alqueidão (Lagoa nessa época). Como baliza do norte da praia firmou-se o palheiro mandado edificar por Manuel de Moura Marinho, de Viseu, que, depois, serviu de tebaida ao tribuno José Estêvão e visitada por notáveis personagens da literatura, como Eça de Queirós, Conselheiro Luís de Magalhães, Oliveira Martins, Antero de Quental, António Feijó, Alberto de Oliveira e muitos outros génios da nossa literatura. Concomitantemente vários palheiros foram construídos na Lomba da praia.
Em 1908 completou a Costa Nova do Prado 100 anos de existência e em 24 de Outubro de 1955 o primeiro centenário da integração da Costa Nova do Prado no concelho de Ílhavo. O ilhavense Manuel Ferreira da Cunha esclareceu que na margem direita da ria houve um sítio na Gafanha chamado Prado, dando origem à denominação completa desta formosa praia.
O tio Ricoca, um dos mais arrojados pescadores da Costa Nova, destemido e valente como poucos, foi um dia convidado pelo Arcebispo Pereira Bilhano, para o ir ajudar a tomar banho no mar. O caso tornou-se conhecido na praia e logo uns e outros começaram a pedir ao tio Ricoca igual serviço. Foi assim que nasceu um dos primeiros banheiros de profissão na Costa Nova. Seguiram-se o tio João do Grande, tio Galante e o tio Joaquim Rico, todos boas pessoas e com goelas para tragarem quantos copinhos de aguardente os banhistas lhes ofereciam no decorrer do banho, inda que fossem um quarteirão deles.

Dinis Gomes, 4 de Agosto de 1935


Curiosidades:

Em 1935 havia duas Companhas na Costa Nova: Nossa Senhora da Saúde e Santo Amaro
Entre as duas margens da ria havia 8 barcas de passagem que faziam o trajecto de meia em meia hora e levando $20 por passageiro, com a fiscalização rigorosa do cabo de mar; depois das 21 horas o serviço era considerado extraordinário passando a pagar cada passageiro 2$00 se fosse sozinho e 1$00 se fosse acompanhado

Nota: Texto e fotos enviados gentilmente pelo Jorge Ribau

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Janeiro , 2010, 14:36
 



Comemorar o passado a pensar no futuro

O regime republicano completa um século em Portugal. Atravessou períodos difíceis e no entanto sobreviveu. Nem Salazar o eliminou. Justifica-se, por isso, celebrar cem anos de República.

Mas, celebrar como? Certamente não evocando o passado com espírito saudosista ou propagandístico. Estudar a implantação da República e os anos que se lhe seguiram é importante. Mas numa perspectiva crítica e plural e, sobretudo, aprendendo as lições do passado para prepararmos um futuro melhor.

Francisco Sarsfield Cabral

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Janeiro , 2010, 14:15

O Divino nas ruas

O nosso tempo tem grandes pensadores e esperamos que o terramoto no Haiti desperte as suas reflexões. Até porque os nossos contemporâneos merecem mais do que uma reportagem a “constatar” que o divino já não mora ali.

Em boa verdade, é quase inevitável perguntar por Deus nestas circunstâncias, mas não é honesto esquecer, com essa pergunta, aquilo que é da responsabilidade de cada ser humano. O divino não se manifesta no furor dos cataclismos, mas nos pequenos gestos que alteram a vida de quem nos rodeia, nesta aldeia global em que ninguém é um estranho.
Não será fácil perceber o que se passa no coração dos haitianos. Lembro, contudo, que muitos dos que têm sido salvos dos escombros atribuem a sua sobrevivência a uma força divina que, de uma forma ou outra, sentiram presente ao seu lado, quando a esperança desaparecia. Seria tentado a confiar mais em quem saiu vivo deste verdadeiro inferno do que num qualquer repórter demasiado lesto a expulsar o divino da vida de quem ainda sofre, ama e espera num futuro melhor. Porque há coisas que não se podem contabilizar.

Octávio Carmo




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