de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Janeiro , 2010, 19:38

Obama

A ilusão e gestão das expectativas

1. Faz um ano (20 de Janeiro) que Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos. No mundo das emoções, grandes expectativas podem conduzir a grandes desilusões. Após um ano de sua eleição e depois de um inédito estado de graça, Obama tem neste momento a popularidade em baixa, ou pelo menos não em tão alta. Como se sabe, das emoções sociais – um sintetizador de opinião sempre na ténue fronteira da sensibilidade – espera-se o melhor e o pior; mas a verdade é que Obama, crescendo acima de si próprio tornando-se mito quer pela sua eleição inédita de afro-americano quer envolto de uma nuvem clarividente de esperança inabalável, Obama continua a ter “razão”. Talvez tenha havido, e continua a haver, um problema de comunicação e de responsabilidade. O slogan «yes we can» está construído na primeira pessoa do plural, facto que não personaliza nele próprio o centro de referência.

Alexandre Cruz



2. Talvez o “mal” de Obama não tenha estado nele próprio, mas no que dele todos, sedentos de um farol de referência, projectaram. Mesmo quando o presidente insiste na «Era da Responsabilidade» de forma colectiva, pede-se-lhe bem mais do que um líder pode dar. Embora na capitalização da candidatura ou na imagem da eleição bem gerida da obamania, o certo é que Obama está a ser fiel ao próprio desígnio que apontou: «o caminho vai ser longo», esta a frase por ele muito repetida mas que os ouvidos práticos carentes de respostas para «hoje» não compreendem. O Nobel da Paz viu-se transfigurado, sendo atribuído não por realizações mas por ideais apontados; os seus discursos de multidões famintas de esperança no «atoleiro do Iraque» ficarão para a história como pólo motivador que, após o 11 de Setembro de 2001, abre a janela da Esperança ao século XXI.

3. O que pode fazer um homem sozinho? O paradigma da responsabilidade partilhada é o seu ideal sócio político; acerca do que fez, faz ou fará, não se esteja continuamente nesta asfixia descomprometida da espera de um milagre, de que um resolve os problemas de todos. Obama não é deus nem pode nunca ser endeusado. A esperança comprometida com a história é o seu lema em gestão…

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Janeiro , 2010, 17:24
Catedral de Barcelona (interior)

Confraria Universal del Bacallà de Espanha presente
no XI Capitulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau em Ílhavo,
no próximo dia 23 de Janeiro


Das Confrarias Gastronómicas já confirmadas no XI Capítulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau, vai estar presente a Confraria Universal del Bacallà de Barcelona. Esta Confraria espanhola foi fundada em 1200 e reconhecida como de grande importância para Espanha pelo rei Alfonso V (O Magnânimo) em 1447, sendo detentora de um túmulo no chão da Catedral de Santa Maria del Mar, Barcelona. Após algum tempo sem actividade foi “refundada” em 1986.
Esta Confraria Espanhola faz parte da organização do I Congresso Mundial do Bacalhau a decorrer em 2011, em Barcelona, juntamente com o Gremio de Bacallaners e a Fundação do Instituto Catalão de Cozinha. Na cerimónia de Entronizações, a Confraria Universal del Bacallà entronizará o Grão Mestre da Confraria do Bacalhau, João Manuel Madalena.


Antes de visitarem a região de Ílhavo (em especial o navio Santo André e o Museu de Ílhavo) os Confrades espanhóis visitam a cidade do Porto, seguindo para Coimbra, Fátima e Lisboa.
Também já confirmaram a sua presença as Confrarias do Bacalhau de Bordéus (França),  de Eibar (região Basca – Espanha) e do Queijo Manchego de Espanha.

Confrarias Portuguesas já confirmadas: Lampreia; Queijo Serra da Estrela; Tripas; Caco; Barco Rabelo; Panela ao Lume; Almas Santas da Areosa; Camonianos; Pinhal do Rei; Chanfana; Arroz e do Mar; Ovos Moles; Broa de Avanca; Moliceiro; Saiinhas;

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Janeiro , 2010, 17:08



Igreja em campo aberto


.A Igreja sempre esteve em campo aberto. É de sua natureza e, por isso mesmo, essa é a sua missão e seu modo natural de agir. Em campo aberto: ao calor do Verão, ao frio do Inverno, à beleza da Primavera, à serenidade do Outono. O Vaticano II veio dizer que assim é.
Porém, houve tempo, já lá vão séculos, em que a Igreja caiu na tentação de construir palácios com muralhas. À maneira de reis e fidalgos. Umas mais ostensivas a denunciar poder. Outras mais discretas, com frestas estreitas para poder espreitar, guardando da tentação de sair para o vento. Visto de longe, tudo parecia bem e iluminado. Assim, se tornou mais difícil entrar e sair, e mais cómodo estar de ouvidos cerrados ao rugir de vendavais e ao cair da chuva. O mesmo é dizer, estranho às intempéries da vida que geram sofrimento, e à luta inglória de muitos sem saberem como enfrentar o abandono.
As verdades foram ganhando bolor, as gargantas ferrugem, e o povo a ter de se contentar com a esmola ocasional e fugidia das palavras piedosas de algum frade pregador, que passava, de tempo a tempo, pelo povoado. Muitas casas paroquiais já nem eram do padre, mesmo com ele a viver lá dentro. E, onde ele ainda mandava, não raro as propostas de religião que apontavam para Deus eram limitadas, sempre iguais e de alcance reduzido para aqueles a quem chegavam, que, mesmo estes, iam escasseando, a pouco e pouco.
Um dia os maiores se aperceberam que, lá fora, em campo seu, se moviam outras forças e nelas estava o inimigo que era preciso esconjurar. Saíram, então, das muralhas para fazer guerra ao intruso. De defesa da fé e da verdade, dizia-se. Tarde de mais. Com a luz debaixo do alqueire não se pode estranhar que, na noite da vida, surjam lampiões. Os de fora equiparam-se com armas depreciadas pelos de dentro. A estas, outras se juntaram, de novo cariz e não menos poderosas. E a guerra de oposição não terminou mais.
Avisos do céu foram abafados. Palavras de profetas, não ouvidas. Sinais de novos caminhos, rejeitados. O bem que os outros faziam, desfeiteado…

António Marcelino



Mas o Espírito ia trabalhando. Onde era maior o sofrimento pela injustiça dos pecados sociais, surgiam novos apóstolos; onde o tesouro da verdade estava aberto só a iniciados, alguns mais ousados penetraram nele e apresentaram-no como bem de todos os que a ele tinham direito; onde o medo imperava, uma coragem inesperada tornou-se expressão de vida; os humildes vieram à ribalta e soaram palavras novas…
Já nada era igual na Igreja, nem modo havia de retroceder. Uns perceberam que era necessário abrir caminhos novos e uniram-se para tal tarefa. Outros não temeram a tempestade e enfrentaram-na corajosamente. Outros, ainda, avançaram sem intuitos de guerra, dispostos a falar a todos da “liberdade com que Cristo nos libertou”, mesmo onde já se hasteavam bandeiras de outras liberdades de sinal diferente.
Muralhas foram caindo; incómodos por novo rumo foram crescendo; a noite dando lugar a dias de esperança; as lutas perderam o sentido; a paz foi mais desejada; os ouvidos mais atentos às vítimas das mentiras e injustiças; os corações sensíveis à dor.
E a Igreja viu-se, como nos seus princípios, no Cafarnaum da confusão, na feira franca das ideias e das opções, no campo aberto onde todos entram. Surge, então, João XXIII com um sorriso de esperança. Carregava as preocupações de muitos, era eco da voz do grande Profeta. E disse assim: a Igreja de Cristo é luz das nações e sinal de salvação para todos, se for, de novo, serva e pobre; ela é povo de irmãos com vocação de fraternidade universal; edifica o Reino e é sinal de que Ele já está entre nós; é mãe e mestra, serviço e não poder; tem na pessoa humana  o seu caminho e o seu lugar é o lado da verdade e da justiça; tem de deixar de vez o trono dos grandes e estar, disponível para o lava-pés; falará com o mundo e ouvirá dele as alegrias e esperanças…
Outra vez Igreja no campo aberto de uma sociedade plural. Aí tem de ser ela mesma: fermento, sal, luz, proposta de amor e aberta ao diálogo, disposta ao sofrimento, fiel à verdade e ao encontro das pessoas. Igreja votada, a tempo inteiro, ao essencial, o projecto de Cristo. Igreja no mundo, sem ser do mundo, deixando que o Espírito a conduza.

António Marcelino

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Janeiro , 2010, 12:33

 Bispo de Aveiro condena
acto de violência contra sacerdote

Soube hoje, pelo Correio do Vouga, que o Padre Manuel Marques Dias, de 81 anos, foi agredido e roubado. O Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, em nota pastoral, já disse tudo o que era preciso dizer sobre o assunto. Quaiquer outras considerações, mesmo pessoais, apenas servirão para manifestar a nossa solidariedade ao Padre Manuel e ao presbitério de Aveiro, através do nosso bispo.
Conheço o Padre Manuel há décadas. Entusiasmei-me, muitas vezes, com as suas inquietações sociais e com o seu envolvimento, concreto, na luta em favor dos trabalhadores e dos pobres. Falava com o coração na boca e era um padre incomodado e incómodo. Numa altura em que o comodismo, o medo e a falta de coragem campeavam no comum das pessoas e mesmo na Igreja, a sua atitude tornou-se notória. Por isso, parecia, imensas vezes, uma carta fora do baralho. Mas não era. O Padre Manuel nunca desligou, que eu saiba, o cristianismo da justiça social, como alavanca de uma sociedade mais fraterna. Foi incompreendido por muitos cristão e amado por outros. Na Igreja, como na sociedade, há sempre dois lados da barricada: uns remam para um lado e outros tantos para o outro lado, nem sempre em sintonia com a verdade do Evangelho. Mas o Padre Manuel nunca renegou os seus principios e os seus valores. Hoje fala-se dele por razões tristes. Amanhã seria bom que falássemos do exemplo de vida com que ele marcou muita gente.

Fernando Martins

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