de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 17:38





"Longe" é um livro de sonetos de José Gomes Ferreira, em 2.ª edição, da Seara Nova,  de  MCMXXVII.
Tem, como curiosidade, o facto de apresentar o cartão do autor, Cônsul de Portugal na Noruega, dedicado ao seu amigo Alfredo Brochado.

NA CATEDRAL DA LAREIRA

Na Catedral da Lareira
há chamas ajoelhadas,
erguendo as mãos da fogueira,
esguias como as espadas.


São poentes os vitrais…
Ardem pinheiros… Perfume…
As chamas rezam missais
com letras feitas de lume.


Quero rezar com vocês!...
Ó Sol! Senhor português,
escuta o meu sonho, atende-o…


Vem ensinar-me a rezar
— tu que és o brando luar,
e a flor, o fruto, e o Incêndio…

José Gomes Ferreira
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 15:11



Ética Republicana

Com as programadas celebrações da República Portuguesa, que envolvem, para já, cerca de 500 iniciativas, abrangendo os mais diversos campos, fala-se muito de ética e de ideais republicanos dos que, em Lisboa, em 1910, substituíram a Monarquia pela República.
Na minha adolescência li um livro, intitulado Proscritos, de Luís Gonzaga de Azevedo, que me deu uma triste imagem dessa ética, mais tarde corroborada por historiadores cultores da verdade histórica. Contava, com fotos ilustrativas, as perseguições que os republicanos protagonizaram, junto da Igreja católica, em especial do clero e da Companhia de Jesus, bem como de todos os que, mesmo republicanos, discordavam do pensamento dos vencedores e dos que ocupavam os cargos de liderança.
Mais tarde, ao ler a história da primeira república, fiquei admirado com a tirania e o caos em que caiu o País, abrindo as portas à segunda república, que nos deu quase meio século de ditadura.
Afinal, a República, que durante anos e anos muitos portugueses ignoraram, nada tinha de democracia e de fraternidade, muito menos de liberdade e de igualdade, como proclamavam os arautos do novo regime, que pescaram na Revolução Francesa os propósitos nobres que estariam na base de uma sociedade nova e mais justa.
Historiadores actuais, Vasco Pulido Valente e Rui Ramos, por exemplo, explicam bem o que foram esses tempos, de perseguições, assassínios, falta de liberdade, censura, manipulação de eleições, organização de bandos criminosos e outras tropelias indignas de gente civilizada. Aos jesuítas chegaram a medir a cabeça, ao jeito nazi.
É óbvio que tudo já lá vai e que hoje o importante é olhar o futuro, na certeza de que melhores dias virão, nesta terceira república que nos é dado viver.
Houve aspectos positivos? É claro que houve, os quais devem ser lembrados com respeito por todos os que procuraram levá-los à prática na construção do nosso País, na aurora do século XX. Mas também não podemos enterrar a nossa História, sob pena de passarmos, aos nossos jovens,  uma mensagem falsa da mudança de regime.

Fernando Martins


Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 12:23


(Clicar na imagem para ampliar)
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 12:05
PELO QUINTAL ALÉM – 3




A COUVE

A
Senhora Mestra Joana Rosa
Ti Pluremes

Caríssima/o:

Com licença, hoje, apresento a couve.
Não preciso de dizer que há muitas variedades de couve... ou será que os nossos jovens já não distinguem a galega do repolho?
Não se dispensava na horta por mais pequena que fosse.



a. Ainda hoje é rainha no nosso Quintal.
E mal vai quando, como neste Natal, não arranjamos para a bacalhoada da Consoada: dias antes saraivada tremenda furou e destroçou as folhas de tal forma que tivemos que ir a outro quintal mais afortunado...

e. Terreno bem cavado e melhor adubado com o rico esterco do curral do reco, ela ia medrando e... Podia não haver muita coisa para um caldo, mas uma ou duas batatas, um olhinho de azeite quando o havia, e uma boa braçada de couves...
Parece que foi ontem...
A senhora mestra perguntou a doutrina a um catequizando e este houve-se tão bem que ela, como prémio, mandou-o a casa da ti Pluremes para lhe catar as couves... Aquilo era só bicharada: encheu uma caçarola com lagartas gordas.
E ninguém imagina a recompensa que recebeu por esta caçada: um prato de caldo cheio até às bordas! Foi uma merenda de truz!

i. Desta hortaliça tudo se aproveita, como sabeis...
Em tardes de fome e de penúria os talos sabiam que nem bolos da Comunhão!

o. No capítulo da”couve e a saúde” é uma fartura...
A couve é um vegetal muito rico em Cálcio, Fósforo e Ferro, minerais importantes à formação e manutenção de ossos e dentes e à integridade do sangue. Contém ainda vitamina A, indispensável à boa visão e à saúde da pele; e vitaminas do Complexo B, que tem por funções proteger a pele, evitar problemas do aparelho digestivo e do sistema nervoso.
Esta hortaliça é laxante pela sua grande quantidade em fibras; boa para a asma e bronquite. Além disso, a couve é muito boa para combater as enfermidades do fígado, como a icterícia e os cálculos biliares, assim como os cálculos renais, as hemorróidas, e as menstruações difíceis ou dolorosas.
E o suco? É um tónico excelente, muito recomendado às crianças em fase de desenvolvimento. E não digo mais senão parece que estamos na festa do S. Paio a ouvir as virtudes da banha da cobra: ele é o caldo da couve cozida que é indicado nas enfermidades da pele; a couve dissolve também os cálculos, combate a artrite e as dores reumáticas e as nevralgias, desinfecta o intestino, cura as úlceras gástricas e dá óptimo resultado no combate a vermes. Em caso de febre, aplica-se à cabeça do enfermo cataplasma refrescante de folha de couve, que serve, também, para tratar feridas inflamadas...



u. Até podemos afirmar que entrava nos banquetes e fazia boa figura.
O nosso mestre Padre Rezende, na sua Monografia, na página 159, escreve:
«Três pratos apenas [na festa do Baptizado], mas abundantes, sendo o primeiro a sopa de couve com batatas inteiras e negalhos ou molhinhos....»
E não ficou famoso o «carneiro com couves»?
Também entra em muitas estórias a figurona:

«Comecemos pela sopa da lenda, a sopa de pedra.
Conta-se que um frade, já cansado e com fome após uma longa jornada, bateu à porta de um solar e pediu à cozinheira que o deixasse entrar para fazer uma sopa. Que não se preocupasse, pois precisava apenas de um tacho, água, sal e um seixo do rio. Mas o nosso frade, sentado à lareira, assim que a água deu sinais de ferver principiou a pedir, um a um, vários ingredientes. Agora um bocadinho de feijão, depois um enchido, a seguir uma couve, etc.
O resultado foi uma suculenta e saborosa sopa que ficou como símbolo do engenho humano.
Ainda hoje faz parte da tradição ser servida com um seixo ou pedra pequena no fundo do prato.»

Já conhecias?
E esta?



«Era uma vez um coelhinho que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.
Quando o coelhinho branco voltou para casa, deu com a porta fechada. Muito admirado bateu à porta.
- Quem é? – perguntaram-lhe de dentro.
- Sou eu, o coelhinho branco, que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.
Responderam-lhe do outro lado da porta:
- E eu sou a cabra cabrez, que te salta em cima e te faz em três!»

E vamos que o caldinho já nos espera; com vossa licença já que não sois servidos...

Manuel

Editado por Fernando Martins | Domingo, 10 Janeiro , 2010, 11:50

No Palácio de Herodes (foto de arquivo)


As comunidades católicas das Gafanhas da Nazaré e Encarnação andam hoje envolvidas com os seus Cortejos dos Reis, respeitando tradições e devoção ao Menino Deus nascido a 25 de Dezembro. Depois dos cortejos, realizados mesmo debaixo de inverno, haverá os leilões das ofertas. Não poderei estar, que o tempo não mo permite, mas não serei gafanhão totalmente ausente destas manifestações da fé de um povo. Que tudo corra bem, apesar de tudo, são os meus votos.

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