de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 17:46
O centenário da Gafanha da Nazaré, em retalhos, também passará por aqui e por ali.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 17:16


Casamento gay

Sem pretender atirar mais uma acha para a fogueira, ou deitar água na fervura, de um tema tão quente e que está na ordem do dia, ocorreu-me fazer alguma reflexão.
Há já muito tempo, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo está em debate aceso, tendo já feito correr rios de tinta e abrasado os espíritos mais inflamados.
Ainda bem que ontem foram assinados acordos entre o Ministério de Educação e os sindicatos, o que tendo acontecido veio aplacar os ânimos exaltados dos Professores e serenado os mais belicosos da classe. Fora isto, ganharia foros de exclusividade na Assembleia da República tendo ultrapassado assuntos e problemas de que enferma a sociedade portuguesa: desemprego, pobreza, vandalismo, marginalidade e até violência doméstica. Aqui, calam-se as estatísticas e apenas é dada visibilidade aos casos pontuais que emergem dos recônditos da sociedade. Quando algum caso gritante vem a lume, é escalpelizado nos jornais diários, a população estremece, comenta, protesta, mas vai dormir o sono dos justos, como se nada se passasse ao lado.
O tema referido em epígrafe, teve o dom de mobilizar tudo e todos.
Parece que Portugal está perante o problema mais premente de todos os tempos — o casamento!


Desde sempre que ouvi falar nesta instituição social e revestia-se de tal importância que o compromisso era selado por duas vias: a civil e a religiosa. Com o evoluir dos tempos e a democratização(!?) da sociedade o casamento religioso tem vindo a perder terreno, acompanhando assim, a laicização da sociedade. A par com o decréscimo do casamento religioso, também o civil foi diminuindo, sendo cada vez menor o número de casais que celebra o seu compromisso afectivo, de forma institucionalizada.
Ora se isto acontecia nos casais heterossexuais, que desde tempos imemoriais se habituaram a dar uma satisfação à sociedade, sobre os seus relacionamentos afectivos e efectivos, e agora isso está a decair, surge um paradoxo. Porquê esta febre acerca da legitimação das uniões homossexuais, se eles continuam a existir e são aceites pela maioria do povo? Será que esta necessidade tão pretendida irá acarretar algum benefício à qualidade de vida desta franja da população? Parece que do lado oposto da barricada, nos heterossexuais, não há essa preocupação na opção que fazem de viver juntos, sem papéis. E quando há a possibilidade de ter filhos, nem isso os demove das suas escolhas de vida em comum.
Apesar da contestação por alguns sectores mais conservadores da sociedade, deste vanguardismo ideológico, o que se passa é que tantos os heterossexuais como os homossexuais continuam a fazer a sua vidinha, regidos pelos seus próprios princípios, alheios às normas e às imposições da moral tradicional.

M.ª Donzília Almeida

08.01.10

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 12:49
Por outras palavras, se as negociações neste momento em curso produzirem por um Orçamento por flagrante milagre do Altíssimo, produzirão necessariamente um Orçamento do medo: medo da "Europa", medo da "comunidade" financeira internacional e, simplesmente, medo da reacção da populaça, já exasperada com as querelas dos políticos. Ora o medo, no fundo, quer dizer que o PS e o PSD nem se atrevem a dizer que sim, nem se atrevem a dizer que não; e que o equívoco em que vivemos continuará, entre a gritaria e o rápido apodrecimento do regime. Mau ano novo, como previu Cavaco.
Vasco Pulido Valente

No Público de hoje
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 12:44
Um grande bico-de-obra está aqui: Enquanto houver quotas, não há paz nas escolas. E, afinal, os professores ainda se queixam de falta de informação, mas a que tinham não justificava manifestações de entusiasmo, lê-se no Público.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 09 Janeiro , 2010, 12:34



Libertação e política


Volto ao teólogo flamengo Edward Schillebeeckx, um dos mais notáveis e influentes pensadores católicos do século XX, que morreu, com 95 anos, no passado dia 23 de Dezembro, em Nimega (Holanda), em cuja universidade ensinou. Foi um dos principais mentores do Concílio Vaticano II, acontecimento determinante do século XX. De facto, aos seus críticos é preciso perguntar: o que seria a Igreja sem esse Concílio?, sem ele, como seria o próprio mundo?
E. Schillebeeckx fez parte de uma plêiade excepcional de teólogos - entre eles, M. D. Chenu, H. Urs von Balthasar, Yves Congar, Henri de Lubac, Karl Rahner, J. B. Metz, Hans Küng -, que ousaram pensar e que deram uma nova orientação ao cristianismo e à Igreja. Um dos problemas maiores da Igreja actual é que precisamente essa geração está a desaparecer e não tem substitutos à altura.
Acusado de pôr em perigo a ortodoxia, teve de enfrentar por três vezes a Congregação para a Doutrina da Fé - uma das vezes, porque defendeu que a comunidade poderia designar membros seus não ordenados para presidir à Eucaristia -, e denunciar os seus métodos inquisitoriais, constatando que a Igreja se ia desviando do Concílio e se tornava cada vez mais monolítica, confundindo unidade com uniformidade.


Foi-lhe atribuído o Prémio Erasmus, pois "os seus trabalhos vêm confirmar os valores clássicos da cultura europeia ao mesmo tempo que contribuem para o exame crítico desta cultura". Nunca perdeu a esperança na Igreja, comunidade de Deus, crítica e solidariamente presente e activa entre os homens e as mulheres deste mundo, entre os crentes, "que voltam as costas precisamente à Igreja estranha ao mundo, à Igreja do Concílio de Trento e dos tempos anteriores ao Concílio Vaticano II, Igreja triunfalista, juridicista e clerical, que pretende ser o intérprete irrefutável da vontade de Deus até ao mínimo pormenor". Numa das últimas entrevistas, concluiu: "Continuo optimista. Acredito em Deus e em Jesus Cristo. Que mais me pode faltar?"
O conceito de "experiências negativas de contraste" é certamente uma das chaves para o seu pensamento, pois formam uma experiência fundamental. É de facto nessas experiências que o homem aprende a distinção entre bem e mal e a urgência ética. O que vemos e ouvimos do mundo põe-nos em contacto com uma realidade que não está de modo nenhum em ordem - há algo que está radicalmente mal. Por isso, a experiência de sofrimento, de maldade, de injustiça e infelicidade é "fundamento e fonte" de uma indignação e de um "não" fundamental ao mundo tal como se apresenta. Ora, esta incapacidade de se resignar com o mundo tal como está revela uma "abertura" para uma outra situação, que constitui "apelo radical ao nosso sim", sim a um mundo outro, com sentido, justiça, felicidade. Este sim aberto, que é ainda mais forte do que o não, pois é ele que torna possível a resistência e indignação frente ao mal, é, num mundo ambíguo - mistura de bem e de mal, de sentido e sem sentido -, alimentado e solidificado por experiências fragmentárias, mas reais, de sentido e felicidade, convocando à solidariedade de todos para a construção de um mundo melhor, com rosto humano.
Aqueles que acreditam em Deus "preenchem religiosamente esta experiência fundamental", recebendo então o "sim aberto" mais orientação e horizonte, dados no vínculo entre ética e mística. Os cristãos, concretamente, a partir da revelação de Deus no homem Jesus, confessado como o Cristo e Filho de Deus, são transformados pela esperança fundada de que "no núcleo mais íntimo da realidade, está presente um suspiro da compaixão, da misericórdia; os crentes vêem aí o nome de Deus", cuja causa é a causa dos homens, o seu bem-estar e felicidade.
A fé num "Deus dos homens" que quer chamar todos à plenitude da vida implica, por um lado, que é preciso acreditar no homem, pois não há salvação que não passe pela libertação, também sócio-política, mas, por outro, não se pode cair numa fé iluminista ingénua no progresso nem num messianismo político, pois "nenhum progresso sócio-político reconciliará alguma vez com a injustiça que coube aos mortos".

Anselmo Borges
 
In DN
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