de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 23:45
BACALHAU EM DATAS - 52




O FIM DA PESCA À LINHA

Caríssimo/a:

1974 - «Nos primeiros dias de Maio de 1974, tem lugar em Lisboa a última bênção dos navios e tripulações da frota bacalhoeira. Já se deu a revolução de Abril, a Organização Corporativa das Pescas começava a ser desmantelada, a explosão social chegava aos portos bacalhoeiros e a bordo dos próprios navios. A “bênção” de 1974 mantinha intactos os elementos cénicos e a evocação épica da “grande pesca”, mas estava longe da espectacularidade de outros tempos. Ao largo de Belém perfilavam-se uns poucos de navios embandeirados, pronos a largar para a Terra Nova. Cenário tão desolador e de tão nítido contraste com tempos idos que o “Jornal do Pescador” se coibiu de publicar as habituais fotografias. Nas palavras do bispo que presidiu à cerimónia, D. Maurílio Gouveia, o mundo marítimo passava naquele momento por profundas transformações que pareciam abalar as suas estruturas.» [Oc45, 91]

«Em 1974, o Gil Eanes amarrou ao cais em Lisboa. Depois de outra tentativa na área comercial foi definitivamente desactivado, aguardando a sua demolição. Foi salvo deste triste epílogo por uma comissão, os “Amigos de Gil Eanes”...» (v.1955) [HDGTM, 43]


«Nos anos 50, enquanto a frota portuguesa ainda se encontrava em crescimento em termos de capacidade, a produtividade por navio descia, por escassez efectiva de bacalhau, a valores bastante baixos. O sistema português atingiu rapidamente o colapso, como seria de esperar considerando a sua precária estrutura. Quando o regime caiu em Abril de 1974, o que restava da frota bacalhoeira “de navios de pesca à linha” não tardou a desaparecer. Registaram-se nesta época profundas mudanças na política de pescas do estado português – e também alterações nos regimes de soberania dos espaços marítimos, com a implementação do conceito de mar territorial. A definição do limite de 200 milhas como Zona Económica Exclusiva de cada país, determinou o fim do acesso aos melhores pesqueiros de bacalhau, uma vez que os bancos da Terra Nova e Groenlândia deixaram de ser do domínio público. A arte da pesca do bacalhau à linha, com veleiros carregados de dóris e de pescadores, entrou em irreversível processo de extinção. No entanto, a memória desta gesta continua viva, através da presença entre nós de um protagonista essencial desta história: o CREOULA, um dos últimos lugres bacalhoeiros do mundo.»[C. 13]

... « [A] queda do Estado Novo coincidia com o fim da pesca à linha com dóris, arte que a frota portuguesa foi a última a abandonar entre as grandes potências mediterrânicas da pesca do bacalhau. O sinal mais tangível do crepúsculo de um tipo de pesca que o Estado Novo teimara em manter por razões de ordem económica e social – no limite por critérios políticos – é o do número de “navios de linha” que vão aos bancos da Terra Nova na campanha de 1974.Da mítica “White Fleet”sobravam três navios com motor, todos eles de casco de madeira: o ILHAVENSE, o SÃO JORGE e o NOVOS MARES. Os dois primeiros naufragaram, ambos por incêndio a bordo: o ILHAVENSE em plena faina nos traiçoeiros “Virgin Rocks” dos baixios da Terra Nova e o SÃO JORGE quando regressava de St. John's a mando da recém-criada Secretaria de Estado das Pescas que considerara esgotadas as possibilidades de ceder às reivindicações salariais da tripulação do navio. Das três embarcações apenas regressou o NOVOS MARES com os porões praticamente vazios, a tripulação em greve e o costado coberto de inscrições onde se liam vivas à liberdade e às Forças Armadas. Além dos pescadores e tripulantes em greve, o NOVOS MARES trazia a bordo alguns homens que salvara do SÃO JORGE. Quando o navio chegou ao cais da Gafanha da Nazaré, junto a Aveiro, foi esperado com a emoção de sempre, mas decerto com ansiedade redobrada. Ansiosas as mulheres temiam pela vida dos seus homens e pela certeza dos salários, há meses ouviam notícias de naufrágios, de tumultos e insubordinações a bordo, da Revolução que chegara ao mar.» [Oc45,90]


«Quando o regime soçobrou em Abril de 1974, o que restava da frota bacalhoeira de “navios de linha” não tardou a desaparecer.» [Oc45, 91]

«A eminência de tragédia humana nos dois “navios de linha” que se afundaram sem que todavia houvesse vítimas, a greve a bordo do Novos Mares e a greve das tripulações de mais nove arrastões da frota bacalhoeira, incluindo alguns navios de rede de emalhar, exprimem uma espécie de epitáfio da “Campanha do bacalhau” a que não faltam elementos típicos de uma história trágico-marítima.» [Oc45, 92]

Manuel

Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 21:15

Mesa da França

Encerramento do período escolar


No dia 18 de Dezembro encerraram em todas as escolas do país, as actividades lectivas referentes ao 1.º período.
Iniciado em meados de Setembro, tem agora a 1ª interrupção lectiva, que, nos bons velhos tempos, se chamava férias do Natal. Agora, em pleno século XXI, ninguém pode ir para a neve fazer sky, já que nos são dados uns míseros dias para comemorar o Natal em família e gelo.....é o que vemos nas relações humanas, ainda que nesta quadra, a que alguns chamam festiva!
Também na Escola se procedeu a um digno encerramento de actividades, com a evocação do espírito natalício.



Mesa da Suíça

O dia foi dedicado às adoráveis criancinhas que durante o ano nos dão cabo da cabeça, mas que acatam com muita alegria e euforia até, a prenda que a escolha lhes dá todos os anos. O objectivo das celebrações é dar-lhes a possibilidade de vivenciar o espírito de partilha, de confraternização que são a componente do Natal.
Cada turma com o seu DT ornamentou uma mesa com doces, bebidas, enfim, uma panóplia de iguarias que costumam degustar-se nesta quadra. Aqui, deve-se uma palavra de agradecimento às mãezinhas que afanosamente se esfalfaram para que os seus filhos trouxessem as sobremesas típicas e de fabrico artesanal. O que as mães não fazem pelos seus rebentos!

Viveu-se um ambiente cosmopolita, naquela manhã fria de Dezembro, já que cada turma fora encarregada de representar um país, no convívio colectivo da escola.
Foi agradável aos olhos e... ao paladar a apreciação de petiscos exóticos, num enquadramento visual a que só os professores, com toda a sua imaginação, conseguem dar forma.
Se houve pais, ali à mistura com o corpo docente e discente, puderam constatar como se trabalha e com que sentido corporativo se conseguem alcançar resultados desta natureza.
Depois de todas as mesas preparadas e ornamentadas, com os Profs e alunos à volta das mesmas, quem passeasse pelo meio deste aglomerado de gente, haveria de sorrir e comentar:_ Aqui está uma Escola viva em que todos estão envolvidos nesta celebração do espírito do Natal.
No fim da festa, depois de terem comido, bebido e arrumado devidamente os despojos, os alunos lá foram à sua vida, enquanto os professores iriam começar outra etapa do seu trabalho - a avaliação. Só depois disso é que irão ter direito a um merecido Natal.

Maria Donzília Almeida

19.12.09

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 21:06


A subversão da religião


No meio da vertigem das compras e das prendas, do consumismo, não sei quantas pessoas se lembrarão ainda de que a festa do Natal está referida ao nascimento de Jesus Cristo. Seja-se cristão ou não, crente ou ateu, impõe-se reconhecer que se trata de uma figura determinante da História. Sem ele, a nossa autocompreensão não seria a mesma.

Nos últimos tempos, a atenção voltou--se para o que não é de modo nenhum central, quando se pensa no que ele é e no seu significado: como e quando nasceu, se a mãe era virgem, se teve irmãos e irmãs... Compreende-se a curiosidade das pessoas, mas estas perguntas não vão ao essencial.
Hoje sabemos que Jesus nasceu alguns anos antes da era cristã (entre 6 e 4) - o erro deveu-se a Dionísio o Pequeno, quando no século VI calculou a data do seu nascimento. Provavelmente nasceu em Nazaré da Galileia, onde se criou. Os relatos dos Evangelhos referentes ao nascimento e à infância servem-se de linguagem simbólica para significar o que mais interessa. Assim, a data de 25 de Dezembro foi adoptada mais tarde pelos cristãos de Roma, para significar que ele é o Sol verdadeiro que a todos ilumina. A presença dos pastores e dos magos anuncia o núcleo da sua mensagem: que Deus se interessa em primeiro lugar pelos mais pobres e que não exclui ninguém.

Hoje ninguém intelectualmente responsável põe em dúvida que Jesus existiu. A sua existência é atestada não apenas por fontes cristãs, pois há também textos de Flávio Josefo, Tácito, Suetónio, Plínio, entre outros. O que é preciso compreender é que os textos cristãos, concretamente os Evangelhos, são textos de crentes, que narram a história de Jesus a partir da fé e convocando à fé.
Na vida de Jesus, há um paradoxo. Por um lado, viveu num recanto obscuro do Império Romano, a sua vida pública pode não ter chegado sequer a dois anos, morreu crucificado - a pena de morte mais ignominiosa, aplicada aos escravos. Por outro lado, a sua influência decisiva atravessa a História e mais de dois mil milhões de homens e mulheres reclamam-se ainda hoje do seu nome e confiam nele na vida e na morte.
Qual foi o núcleo da sua mensagem? A sua revolução consistiu em primeiro lugar numa nova ideia de Deus. Deus não é o Deus longínquo e tenebroso, que quer adoração e submissão, que exclui, que explora e humilha os seres humanos. Pelo contrário, Jesus fez a experiência de Deus como Abbá, paizinho. Embora as crianças se dirigissem com esta palavra ao pai, em Jesus, não se trata, com esta invocação, nem de infantilismo nem de machismo, pois este Deus-Pai tem traços de Mãe.
A partir desta experiência radical, deriva toda a mensagem de Jesus, para quem o decisivo não era a religião, mas a humanidade. Como mostrou recentemente o teólogo José M. Castillo, o centro do interesse de Jesus não foi a religião, mas a saúde, a comida, as relações humanas boas, a liberdade, o bem-estar e a felicidade das pessoas. Com Jesus, revelou-se a humanidade de Deus e que o caminho para Deus é a humanidade. O Deus de Jesus encontra-se, antes de mais, no secular, não no religioso. "O 'sagrado', o 'religioso' e o 'espiritual' são autênticos, aceitáveis e meios para encontrar Deus, na medida, e só na medida, em que nos humanizarem, nos tornarem mais profundamente humanos". Para Jesus, o "sagrado" indubitável neste mundo é o ser humano.
Leia-se os Evangelhos e concretamente aquele passo de São Mateus, referente à verdade última, ao chamado Juízo Final. Nada há aí de religioso, pois tudo é secular: "Destes-me de comer, de beber, de vestir, fostes ver-me ao hospício e à cadeia."
Jesus, que não era sacerdote, mas leigo, teve de enfrentar a religião e os seus dirigentes, num conflito mortal, porque a religião e os seus dirigentes estavam mais interessados na religião do que na vida e porque "a religião pode ser e costuma ser uma ameaça, um perigo muito sério, para a vida e para a felicidade dos seres humanos". Condenaram-no à morte os dirigentes da religião oficial do seu tempo. Mas Jesus foi tão profundamente humano que "se pôs do lado da vida e deu vida, vencendo as forças da morte".

Anselmo Borges

In DN
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 12:40

D. António com as Fundadoras



Eduardo Arvins com o nosso prior e o nosso bispo


O bem não faz ruído, mas irradia e contagia

A mais antiga instituição de solidariedade social vinculada à paróquia da Gafanha da Nazaré, a conhecida Obra da Providência, organizou ontem o seu jantar de Natal, para fundadoras, dirigentes, antigos dirigentes, funcionárias e suas famílias. Também presentes o nosso Bispo, D. António Francisco, e o nosso prior, Padre Francisco Melo.
Depois das boas-vindas e votos de Santo Natal, apresentados pelo presidente da direcção, Eduardo Arvins, os dirigentes serviram à mesa, num gesto não muito frequente. Quiseram, certamente, levar à prática o sentido de serviço e de família que sabe acolher.


Lurditas, da direcção, com Helena e marido

D. António Francisco, com a sua reconhecida serenidade, esteve ontem, também, de visita à Obra da Providência, para conhecer esta instituição de solidariedade social, tutelada, desde a primeira hora, pela Diocese de Aveiro, concretamente, graças ao apoio incondicional do primeiro Bispo da Diocese Restaurada, D. João Evangelista de Lima Vidal.
No jantar, D. António recordou a parábola do Bom Samaritano para dizer que o comportamento das fundadoras da Obra, Maria da Luz Rocha e Rosa Bela Vieira, se inseriu nessa linha, quando acolheram em suas casas mulheres em risco moral e desejosas de mudar de vida. Mas as fundadoras, regista o nosso Bispo, “não as entregaram ao estalajadeiro” para que cuidasse delas, pagando-lhe para isso, mas receberam-nos nos seus próprios lares.


Francisco Ramos e Albino de Jesus, com esposas

Frisou que Maria da Luz, jovem viúva com quatro filhos para educar e com negócios para gerir, não se intimidou quando “o próximo” precisou de ajuda. E disse, referindo-se a Rosa Bela, mais conhecida por Belinha, que na altura se dedicava a tratar de doentes pulmonares, aplicando-lhes injecções e acompanhando-os, que ela “nunca teve medo” do contágio. Como vicentinas, receberam esse espírito como dom a partilhar com os que mais precisam.
O nosso Bispo falou das novas pobrezas emergentes e da necessidade de todos estarmos atentos a quem precisa de ajuda, sendo urgente “viver a caridade” sem ser preciso sair da nossa terra, contribuindo, de maneira concreta, para a construção da “pátria da fraternidade”. E acrescentou que se torna premente cultivar o “sentido de respostas às novas pobrezas”, desenvolvendo o “espírito de vizinhança”.


Manuel, da direcção, com esposa Margarida e Maria da Luz


E a terminar a sua intervenção no jantar, D. António garantiu que “o bem não faz ruído, mas irradia e contagia” tudo e todos; nós, à semelhança das fundadoras, "somos como a Lua; não temos luz, mas reflectimos a luz que recebemos".
Neste jantar, ainda falaram o nosso prior Francisco Melo, para sublinhar a importância da caridade, que nos deve animar no dia-a-dia, e eu próprio, para lembrar que a Obra da Providência continua a preservar, nos dias de hoje, o espírito da caridade com que nasceu. De todos e para todos foram manifestados votos de Santo Natal.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Dezembro , 2009, 00:22

Vivemos uma "deriva libertária"
desde a II Guerra Mundial

As sociedades ocidentais estão a viver uma "deriva libertária" desde o final da II Guerra Mundial, da qual resulta que se alguém quer algo, isso "é razão e quase que moral suficiente para seguir, independentemente do que os outros pensem ou do que as instituições nos peçam", afirma o bispo do Porto numa entrevista concedida ao Expresso e que será capa do suplemento Actual no próximo sábado. Confrontado com a necessidade de perceber se, mais do que uma deriva libertária o que assistimos é a uma afirmação do indivíduo, o prémio Pessoa 2009 sustenta, numa parte da entrevista agora divulgada em exclusivo na edição em linha do Expresso, que "não somos indivíduos. Filosoficamente falando somos pessoas. O indivíduo é aquele que já não se divide mais. Eu sou uma pessoa. Vivo no feixe de relações e vivo numa sociedade tão contraditória como a portuguesa, também com as instituições que têm promovido os valores que a têm definido ao longo dos tempos. Vivo com os outros e com as liberdades e as responsabilidades dos outros".
Não é apenas porque "me apetece ou queira que devo forçar a formalização daquilo que me apetece a mim e a mais um ou dois como eu", diz D. Manuel Clemente. Deste modo, mais do que saber se o interesse das instituições deve sobrepor-se aos interesses pessoais, o bispo defende que "devemos conjugar-nos como pessoa na relação com as outras pessoas e também com as instituições" .

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