de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 21:11



1640 e a actualidade

1. Existem datas históricas que, por motivos vários (mas normalmente pela heróica capacidade superadora das limitações), fazem parte da memória viva das comunidades nacionais e/ou mesmo da própria comunidade internacional. Na história de Portugal o acontecimento da Restauração da Independência (1 de Dezembro de 1640) escreve uma página em que pelos relatos da época a heroicidade saiu vencedora da própria lógica racional pessimista, pois onde é que de um país já na altura tão “pequeno” poderia haver tanta força para superar as vizinhas armadas; quer a espanhola, quer a “armada” paralisante da pessimista visão lusitana que por esse tempo começou astronomicamente a crescer arrastando consigo os séculos seguintes.

2. Mesmo sem os providencialismos mitológicos que poderiam conduzir a outras reflexões, a verdade é que, após o desvio do planeamento estratégico que está na matriz dos portugueses – o «globalismo» – para as “areias marroquinas” que liquidaram D. Sebastião (1578) em Alcácer Quibir e abriram a Batalha da Sucessão, da crise reinante pelos tempos de 1640 as gentes do povo português souberam construir terreno fértil e tirar partido das conjunturas para ser possível a Restauração de «1 de Dezembro de 1640». Sublinham os estudiosos dessa conturbada época que: 1º, a nobreza portuguesa no geral e por razões de comodidade, estava orientada para o reinado ibérico (da fusão Portugal – Espanha); 2º, um homem providencial (Pe António Vieira) conseguiu alimentar a alma das forças vitais diante da frágil independência, esta que só se deu por formalizada após 28 anos (1668).

3. Há dias, ao ouvir o Prós-e-Contras sobre a crise das finanças nacionais, as suas questões estruturais que se arrastam, veio à memória esta história que nos precede em acontecimentos “gloriosos”, mas que nos persegue numa limitação de implementação histórica de tantas excelentes ideias (irrealizáveis). Um novo realismo social poderá salvar-nos? O nome do Povo é sociedade civil.

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 14:00


Veio-me hoje à mão, na minha biblioteca, uma edição de "Cartas de Soror Mariana", de 1941, em francês, com "Tentativa de texto português por Afonso Lopes Vieira". Foi-me oferecida há meses por um amigo, coleccionador de primeiras edições e de outras edições raras, trabalho que desenvolve, presentemente  em tempo de aposentado, com gosto e brio. Gostei de ver a paixão com que o meu amigo lida com a sua colecção.
Não colecciono livros, mas não posso deixar de apreciar os bibliófilos. Não colecciono, mas vou comprando o que me dá gozo, em princípio, ao sabor da bolsa. No entanto, quando encontro nas minhas estantes um livro mais antigo, sinto um fascínio especial, sobretudo agora que ando a ler "A Obsessão do Fogo",  obra que tem por tema dominante o livro através dos tempos, onde se revelam curiosidades preciosas.
Aqui fica esta edição antiga de "Cartas de Soror Mariana". Mas ainda tenho outras que de vez em quando hei-de mostrar aos meus amigos.

FM
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 12:21


Não passamos do blá blá blá


Ontem à noite ouvi economistas portugueses no Prós e Contras da Fátima Campos Ferreira, na RTP. Não vou aqui escalpelizar o que eles disseram, para não cair em lugares comuns de quem sabe muitíssimo pouco da macroeconomia. Nem da microeconomia sei, afinal. Mas como cidadão, acho que posso sonhar. E então sonho que um dia o Nobel da Economia tem de ser atribuído a um português, pela sua extraordinária contribuição para colocar Portugal, como vencedor de crises, no cume dos países que se posicionam no grupo dos que souberam encontrar caminhos de progresso, onde todos os portugueses têm trabalho e pão.
Ouvindo os economistas, sente-se que cada um tem resposta pronta para todos os nossos problemas, soluções simples para vencer défices, receitas mágicas para tirar o nosso País do atraso endémico em que vegeta há tantos anos. Falam com convicção, como quem tem na manga a receita curativa para os males económicos e outros que nos afligem.
Se eu fosse primeiro-ministro, chamava-os a todos para, em reunião magna, ditarem o caminho certo aos nossos políticos. É que, enquanto não fizerem isto, não passamos do blá blá blá. E quem sofre é o povo.

FM
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 11:59




Rezar com Maria em tempo de Advento

O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
Não te peço mapas, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados,
com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza.
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias
se entusiasmem na construção da vida.
Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo
como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras
que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
a graça de ser de nova.


José Tolentino Mendonça

Ilustração de Rui Aleixo

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 01:21

Aclamação de D. João IV

A minha geração continuará
a lembrar feriados de que nos orgulhamos

Hoje, 1 de Dezembro, é celebrada a restauração da independência de Portugal. Depois do domínio filipino, durante 60 anos, um grupo de portugueses, movido por um patriotismo inabalável, resolveu escorraçar traidores e entregar a coroa a um português de lei, o então D. João, da Casa de Bragança. Veio a ser o nosso D. João IV, o Restaurador, a cuja descendência pertence o actual Duque de Bragança, D. Duarte Pio João.
Penso que este feriado nacional, como tantos outros, localizado na nossa história e com um significado muito grande, caiu no esquecimento. Decerto por culpa de todos, mas sobretudo de muitas Escolas, instituições oficiais e privadas, famílias e comunicação social, que relegam para segundo plano datas importantes da nossa identidade, matriz de um povo que soube construir uma Pátria respeitada no mundo, por feitos gloriosos.
Não me espanta, pois, a ignorância que grassa por aí, com os portugueses sem tempo nem apetites para se preocuparem com o nosso passado. E daí, as razões para num dia qualquer se acabar de vez com certos feriados, substituindo-os por outros. Estarei a ser pessimista?
De qualquer forma, a minha geração, que cultivou, pelo que sei e sinto, o amor à História Pátria, continuará a lembrar feriados de que nos orgulhamos. Como este.

FM
 
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 00:29

(clicar na imagem para ampliar)


Sobre este livro, ler aqui
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Dezembro , 2009, 00:11


Nome próprio

Com uma caterva de nomes pela frente, duma assentada, é um desafio para a memória, já fustigada pelas intempéries da vida e pelo desgaste natural da idade. Aflora à memória, selectiva agora, aquela frase que traduz tão bem a ideia – Viver todos os dias... cansa!
É o que acontece a qualquer professor, no início de mais um ano lectivo, quando lhe são atribuídas as turmas que compõem o seu horário. Tantos alunos diferentes com nomes tão variados, alguns copiados das mais diversas fontes, alguns, das telenovelas que correm, na altura do seu nascimento. Permeáveis às influências que vêm de fora, aparece uma panóplia de nomes que dariam para um estudo muito interessante.
A juntar a tudo isto, aparecem nomes estrangeiros de origem anglo-saxónica, kevin, Cindy, Nicholas, que até dão uma nota de realismo e multiculturalidade, às aulas de Língua Estrangeira.
Tudo isto convém ser memorizado pelos professores, se não querem imitar os seus colegas do século passado que, tanto nas Escolas, como noutras instituições públicas, tratavam as pessoas por números! Já lá vai esse tempo da redução das pessoas à condição de dígitos!
E, se o nome duma pessoa, é a palavra mais doce para os seus ouvidos, em qualquer idioma, como defendia Dale Carnegie, há mesmo a obrigação de ser tratada assim. Mais dizia o referido americano, patrono das Relações Humanas que todos deveríamos tratar as pessoas pelo nome, sempre que cumprimentamos alguém, ou nos dirigimos a essa pessoa por qualquer motivo É uma forma de cativar e estreitar laços que podem tornar-se muito favoráveis no relacionamento humano. Ainda recordo a forma bizzarra como se faziam entender as pessoas, noutros tempos, em que se queria interpelar alguém cujo nome se desconhecia. - Olha, tu que fumas! Claro que não se estava a nomear um fumador, nem havia nessa altura a discriminação dos fumadores, nem a sua e erradicação para lugares restritos.
Foi numa das suas rondas pelas coxias da sala, que a teacher admoestou aquele aluno e o chamou à realidade do que se passava na aula.
Não, não me chamo João! Ripostou categoricamente o RV, cioso do seu direito ao nome próprio. Para esta gente que ainda não gastou o seu nome, nas liças da vida, é uma afronta trocarem-lho! Sem ter qualquer fixação pelo nome João, apenas tem para a teacher, o valor de um nome verdadeiramente português, a par de José, António, Manuel,etc. Daí a invocação frequente do João da Esquina!
Foi difícil para a mestra levar a sério aquela reprimenda, pois a carinha laroca, redondinha como a lua cheia, num palminho de corpo que pareceu arrebatado ao recreio de um jardim-escola, não intimidava!
É uma reacção frequente, em meio escolar de gente miúda, quando o professor, no meio de tantas caras novas, lhes troca a identidade.
São pequeninos, mas muito senhores do seu nariz, ou seja do nome de baptismo pelo qual são reconhecidos no mundo dos adultos.
E... atesta Dale Carnegie, o nosso nome é música para os nossos ouvidos...especialmente quando proferido por alguém... que nos é muito querido!

M.ª Donzília Almeida

09.11.11
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