de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 16 Outubro , 2009, 20:19



An Apple a day, keeps the doctor away!


Hoje, dia 16 de Outubro, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Uma data para reflectir e é bom que faça gerar alguma controvérsia, entre as pessoas.
Por ironia do destino, ao chegar ao local de trabalho deparei com um acréscimo de iguarias, no bar, constituídas por doces suculentos e apelativos. Não que houvesse qualquer intencionalidade de contrariar os objectivos pedagógicos da efeméride, mas simplesmente como resultado do sentido de partilha que se vive na Escola. Ainda não percebi muito bem, ou talvez não queira aprofundar a questão, do motivo, pelo qual os aniversariantes, festejam a alegria, do dom da vida, com os famigerados bolos de aniversário, ou outros de qualquer espécie!
Por que não oferecer uma cenoura, que contendo caroteno, contribui para embelezar os olhos, tão do agrado das senhoras? Um tomate, cujo componente licopene, antioxidante, combatendo os radicais livres, mantém a juventude das células por mais tempo? Uma maçã, que segundo a tradição, comida à razão de uma por dia, afasta o médico? (An Apple a day, keeps the doctor away!) Tudo isto seria a alternativa ao consumo excessivo de glicose e contribuiria para uma vida mais saudável. Mas.....ninguém tem esta ideia peregrina de ser vegetariano, no dia do seu aniversário!
É um hábito salutar nesta instituição de ensino, a partilha da alegria da comemoração, consubstanciada numa fatia de bolo! Hoje, que todos deveríamos comungar do desiderato de viver + saúde, ninguém se absteve de degustar o sabor excelente da dádiva dos colegas. Por que será que a doçura vem indelevelmente associada à alegria, à felicidade? Amarga, já basta a vida! - dizem alguns! Por isso, o sweetheart inglês, traduz bem essa interligação entre dois prazeres diferentes: o físico e o espiritual! Andam de braço dado, como os amantes!
No entanto, isso não impediu que uma reflexão pairasse na minha mente sobre os desequilíbrios que existem no planeta terra, no concernente ao tema. Durante o dia de hoje, fui bombardeada com notícias sobre o factor obesidade que engrossa os seus números, especialmente no grupo da infância /juventude.
Ainda recordo as cenas que pela vida fora tenho observado, dos malabarismos que as jovens mamãs fazem para “enfiar” a sopinha aos seus rebentos, quando eles fazem birra e rejeitam o alimento. Desde as “aterragens” forçadas dos aviões na careca dos avôs, dos passeios pelo quintal, distraindo as adoráveis criancinhas, como se estivessem a infligir-lhes algum suplício (Comer para elas parece que é!), até às mais estranhas cenas de persuasão e ou intimidação, tudo acontece para dar de comer a quem não o quer!
Do outro lado está essa multidão de crianças e adultos, que morre à fome e não tem uma côdea de broa para mitigar a fome. É revoltante, chocante e deprimente constatar esta discrepância entre a abastança de alguns que engordam desmesuradamente e aqueles que numa subnutrição escandalosa, definham e morrem à míngua.
As desigualdades sempre me fizeram pensar e sofrer, pois há crianças que são vítimas inocentes da má distribuição da riqueza.
E......há muita gente que come mal, muito mal, por excesso e falta de critério de escolha, basta relembrar os malefícios do fast food; outros sem possibilidade de escolha não têm uma migalha para deitar à boca! Esses nem sequer comem!
Estranha esta injustiça humana, que não pára de crescer! Ainda há pouco tempo circulava na net, a imagem cruel duma criança desnutrida, a sucumbir à fome e a ser cobiçada pelas garras de um abutre!
Era bom que os detentores do poder fizessem alguma coisa para minorar estas diferenças e atenuassem o sofrimento dessas crianças. Há muito ainda por fazer e que urge ser alvo de consideração.

M.ª Donzília Almeida

16.10.09


Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 16 Outubro , 2009, 14:49



O Colóquio “Falas do Mar / Falas da Ria” resulta de uma colaboração entre o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Universidade Nova de Lisboa – com especial relevo para os projectos “Falas da Terra: Natureza e Ambiente na Tradição Popular Portuguesa” e “Práticas da Cultura” – , o Museu Marítimo de Ílhavo e o Centro de Estudos Interculturais (CEI) do Instituto Politécnico do Porto.
“Falas do Mar / Falas da Ria” é dedicado a todo o riquíssimo património oral, literário, documental, pictórico, fotográfico e multimédia existente – do passado e do presente – sobre as práticas culturais, representações, valores, comportamentos, simbologias e discursos ligados ao Mar em geral e à Ria de Aveiro em particular.
A perspectiva interdisciplinar deste Colóquio conta com a contribuição de investigadores, criadores e narradores capazes de encetar uma busca comum e comparada do conhecimento, com a preocupação de ligar a investigação bibliográfica e multimédia à experiência de vida e do terreno.
Ciente de que as comunidades do Mar e da Ria organizam o seu quotidiano em diálogo constante com o meio circundante, este Colóquio explora o modo como a tradição canta, conta, simboliza, representa, desenha, transfigura, questiona e perpetua essa interacção, tanto no real como no imaginário.
As rotas desta navegação pelas Falas do Mar e da Ria passam pelos usos da memória, pelas histórias de vida, processos artísticos e sociais, hábitos de trabalho e mobilidades, tempos, territórios, identidades, cerimónias, técnicas e rituais. Viaja entre - e intra-culturas, não só no espaço e no tempo, mas também entre os diversos conceitos de cultura. Um projecto inter/intracultural coordena em si as leituras plurais do termo, incluindo desde a cultura popular, a cultura de massas e as definições sócio-simbólicas da cultura, até à cultura erudita, académica e institucional. Para que a viagem do conhecimento possa seguir rumos por todos navegáveis, sem se perder nos meandros do hermetismo erudito.

Contactos:
Museu Maritimo de Ílhavo www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt - museuilhavo@mail.telepac.pt
Av. Doutor Rocha Madail, São Salvador, Ílhavo - 234 329 990
IELT/FCSH/UNL www.ielt.org - instielt@gmail.com
CEI / ISCAP / IPP www.iscap.ipp.pt/~cei - cei@iscap.ipp.pt

Fonte: Texto promocional do Colóquio
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 16 Outubro , 2009, 14:35


José Carlos Seabra Pereira, catedrático da Faculdade de Letras da Universiadade de Coimbra, vai estar em Ílhavo no próximo dia 24 de Outubro, sábado, pelas 18.30 horas,  no museu, para proferir uma conferência, subordinada ao tema Humanismo cívico e horizontes universais em Camões, inserida nas comemorações  do 8.º aniversário da ampliação e remodelação do Museu Marítimo de Ílhavo. A iniciativa é da Câmara Municipal e da Confraria Camoniana de Ílhavo.
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 16 Outubro , 2009, 00:03
Ao ler o artigo do meu amigo Fernando Martins (FM) sobre o lançamento do CD de Jacinta e o facto de não existir na Gafanha da Nazaré um espaço onde se possa ver cinema trouxe-me à memória vários episódios que devem pôr FM e os seus leitores de sobreaviso.

Nos meus tempos de Coimbra existiam na cidade quatro salas de cinema e todas elas concorriam entre si e raro era o fim-de-semana em que as salas não estavam esgotadas. Isto, é claro, porque não existia a televisão e mesmo no início tudo decorria com normalidade.

Em Aveiro havia quatro salas também sempre com boa frequência e em Ílhavo havia um cinema que, segundo os naturais da época, dava para as despesas, além de cinema no Illiabum Club.

O mundo não pára e, em Coimbra, neste momento, das quatro salas, só existe uma, além, é claro, das salas dos Centros Comerciais, que pertencem a grupos privados internacionais. O mesmo acontece em Aveiro, e em Ílhavo acabaram, à excepção de, recentemente, existir cinema no CCI, com filmes que estão actualmente no circuito comercial.

Mas, segundo FM, devia ser a iniciativa privada a dinamizar um cinema na Gafanha da Nazaré. Desculpa, amigo, mas é pura demagogia e isto porque, quem é o empresário que investe para perder dinheiro? Ou será que passados uns dias estaria a pedir subsídio à Câmara, porque estava a prestar um serviço público como algumas instituições privadas têm feito?

Aveiro com dois espaços onde existem várias salas, com sessões em que não há ninguém nas salas. Em Ílhavo, e segundo a minha observação, em média são 10 a 20 espectadores por sessão e, volto a repetir, em filmes actuais.

Estas observações fazem-me lembrar um responsável partidário do Concelho que um dia me diz: Não vou e não aconselho ninguém a ir a manifestações sejam quais forem, que, de alguma forma, possam aumentar a estatística de realizações do actual executivo camarário. E, FM, não é que é mesmo verdade!

Sou visitante do Museu de Ílhavo, da Biblioteca e do CCI. Pois bem, há gente de Ílhavo que eu conheço que, nestes 12 anos, nunca foi a estes espaço de cultura, mesmo quando há grandes manifestações culturais, acontecendo muitas vezes estar mais gente de fora do que residentes na cidade.

Como podem os privados ganhar dinheiro com a cultura?

Aproveito para te sugerir que publicites no teu blogue os filmes que decorrem no CCI. É uma forma de contribuíres, ou melhor, de continuares a contribuir para a cultura desta região que, por vezes, é tão maltratada pelos seus “naturais”.

C. Duarte

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A minha resposta

Meu caro Carlos Duarte

Não queiras, por favor, retirar-me a capacidade e o direito de sonhar e de acreditar que os privados também podem e devem investir na cultura, sem pensarem sempre no (malfadado) lucro. Estás a pensar, se calhar, nos pobres privados que mal ganham para comer. Há por aí empresários com muita capacidade, que bem podiam tornar-se nuns mecenas. Mas se não houver, paciência… Pode ser que um dia isso possa acontecer. Sobretudo se por algum passar um raio luminoso e inspirador de valores mais altos, para além da conta no banco.

O cinema é uma extraordinária fonte de cultura, considerada até a sétima arte. Nessa linha, por exemplo, seria interessante que o Centro Cultural da Gafanha da Nazaré passasse a oferecer cinema de qualidade algumas vezes por mês.

Afinal, as muitas salas de cinema dos centros comerciais, onde tenho ido, ainda não fecharam, apesar de terem sessões com apenas meia dúzia de pessoas. E se assim é, temos de crer que é possível haver cinema para quem quiser, com regularidade. Aliás, disseste que a concorrência, em Coimbra, ajudou a encher salas aos fins-de-semana. Em Ílhavo, como não havia concorrência e a sala não era grande coisa, teve logicamente de fechar.

Acredito que toda a actividade, cultural ou outra, pode sobreviver com projectos concebidos e desenvolvidos com apoio de especialistas, à altura de criarem estruturas rendíveis. Não sou eu nem tu, certamente, que vamos pensar em projectos económico-culturais, mas não posso deixar de imaginar que outros o possam fazer. O cinema de hoje não precisa de salas grandes e de despesas incomportáveis, penso eu. E podiam, com sentido de oportunidade, ser aproveitados espaços polivalentes e funcionais, abertos a várias vertentes artísticas e com promotores à altura. Como está a acontecer com bastantes Centros Culturais do país. Tal como em Ílhavo. E neste caso, ainda não ouvi a nossa autarquia a queixar-se com falta de clientes da cultura. O cinema, sozinho, não será economicamente atraente para os empresários. Mas não seria viável associar um conjunto de artes compatíveis, de forma a que o prejuízo de umas fosse coberto pelo lucro de outras?

Sobre a participação do povo nos espectáculos, concordo que não está muito bem. Há gente que prefere ficar pelos cafés e em casa a ver a triste televisão que temos; há gente que gosta mais de frequentar bares, à noite, para beber uns copos (direito, lógico, que lhes assiste), do que ir ao cinema. Há quem prefira ler e escrever, pintar ou ouvir música. Neste momento, por sinal, estou a ouvir a Antena Dois… É quase meia-noite. Mas se o cinema ainda mantém o seu mistério e a sua actualidade, que a todos fascinam, então podemos e devemos sonhar, coisa que não faz mal a ninguém. Eu, pelo menos, continuarei a sonhar, porque o sonho, tenho a certeza, comanda a vida, como diz o poeta.

Quanto às divulgações que faço, daquilo que considero importante, cá continuarei, apesar de não ter muito tempo para isso. Se calhar, talvez devesse sair um pouco mais de casa, para ir ao cinema. Pode ser que amanhã o faça, se houver filme que me cative. Em Aveiro, claro, porque na cidade da Gafanha da Nazaré não há salas de cinema.

Um abraço, sem demagogias

Fernando Martins



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