de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Outubro , 2009, 23:41


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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><br /></div><br /><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/SskkAb1lG7I/AAAAAAAAMr8/iyijKD_yn64/s1600-h/BorisAltivo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img $r="true" border="0" src="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/SskkAb1lG7I/AAAAAAAAMr8/iyijKD_yn64/s320/BorisAltivo.jpg" /></a><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">Boris altivo<br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><span style="color: white;">.</span><br /></div><br /><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: red;">B</span>onacheirão</span></strong><br /><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: red;">O</span>bediente</span></strong><br /><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: red;">R</span>eguila</span></strong><br /><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: red;">I</span>rreverente</span></strong><br /><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: red;">S</span>orninha!</span></strong><br /><br />Donzília Almeida

Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Outubro , 2009, 11:11
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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/Ssh0GWqyhlI/AAAAAAAAMrk/j8cN6Nhu4Kg/s1600-h/imagemjesus.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img $r="true" border="0" src="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/Ssh0GWqyhlI/AAAAAAAAMrk/j8cN6Nhu4Kg/s200/imagemjesus.jpg" /></a><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><br /></div><span style="color: red; font-size: large;"><strong>Meu Pai, meu Filho, meu Espírito Santo</strong></span><br /><br />Estendo as mãos à caveira da noite, e a criatura que sou consome-a a areia do vidro do tempo. nada digo que não te pertença, nada escrevo que não corra à eternidade.<br /><div style="text-align: justify;">De cada vez que caio subo mais alto, e ao encontrar-te, voo acima de mim mesmo. Aquieto-me contigo, com o pão e o vinho, e não há luz que pese como o absoluto cristal do ar.<br /></div><div style="text-align: justify;">Mas quando o teu rosto se afasta, e a treva se desdobra, o Mundo fica um caroço de mágoa que endurece no lugar do coração.<br /></div><div style="text-align: justify;">Livra-me da tua ausência. Fica comigo enquanto o dia acaba.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Mário Cláudio <br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">In <em>Cartas a Deus</em><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div>
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Outubro , 2009, 00:40
BACALHAU EM DATAS - 41


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<span style="color: #660000;"><strong><em>BACALHAU EM DATAS - 41</em></strong></span><br /><br /><br /><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/Ssff_0xpDBI/AAAAAAAAMrU/3U7vX3VLgTU/s1600-h/MariaGl%C3%B3ria" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img $r="true" border="0" src="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/Ssff_0xpDBI/AAAAAAAAMrU/3U7vX3VLgTU/s400/MariaGl%C3%B3ria" /></a><br /></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">Maria da Glória<br /></div><div style="text-align: center;"><br /></div><div style="text-align: center;"><br /></div><div style="text-align: center;"><span style="color: red; font-size: large;"><strong>O NAUFRÁGIO DO “MARIA DA GLÓRIA”</strong></span><br /></div><div style="text-align: center;"><br /></div><br /><div style="text-align: justify;">Caríssimo/a:<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O relato que aí vos deixo é o resumo do muito que encontrei, em livros e na internete, sobre este acontecimento que marcou profundamente a nossa infância.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O MARIA DA GLÓRIA era um lugre de três mastros, 45m/320tb, construído em 1919 na Gafanha da Nazaré, ria de Aveiro, com o nome de PORTUGÁLIA, por Alfredo Mónica. Em 1927 foi adquirido pela Empresa União d’Aveiro, Lda, que lhe alterou o nome e em 1937 instalou-lhe um motor auxiliar.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">O jornal “Ilhavense”, na sua edição de 1 de Agosto de 1942, noticiava que segundo um telegrama recebido no Ministério da Marinha e assinado pelo capitão da marinha mercante Sílvio Ramalheira, comandante do lugre-motor “MARIA DA GLÓRIA” na altura, <em>“este barco foi afundado no dia 5 de Julho pelas 15:30, por um submarino que não ostentava bandeira nem qualquer outro sinal indicador da sua nacionalidade”</em> [Submarino alemão U-94, do comando do Oberleutnant Otto Ites.]A notícia do “Ilhavense” prossegue afirmando que “<em>o lugre levava a bandeira portuguesa pintada no costado. [...] Como o capitão Ramalheira nada podia fazer, resolveu dar ordem de abandono do lugre. A tripulação e pescadores – 44 homens – passaram apressadamente para os dóris, as minúsculas embarcações da faina bacalhoeira e que em breves instantes o “MARIA DA GLÓRIA”, sucessivamente atingido, afundou-se”.</em><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><em>“A partir do momento em que o navio afundou, começou então a negra e angustiosa tragédia dos pescadores e tripulantes. Os dias passavam entre as brumas densas, apertadas, que guardavam no meio do mar o mistério sombrio, dramático dos acontecimentos. Os dóris, primeiro em grupos, juntos durante cinco dias, foram-se dispersando pouco a pouco. A névoa isolá-los-ia por fim. Nas longas noites agitadas e tristes as ondas levavam cada barquinho para seu lado. [...]”.</em><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Escrevia “O Primeiro de Janeiro”, a 3 de Setembro de 1942, após a chegada dos quatro primeiros sobreviventes a Portugal: <em>“No dia do afundamento do lugre português havia bom tempo, mas a primeira noite passaram-na sob medonho temporal, com chuvas torrenciais. A bordo dos dóris não havia mantimentos. Foram queimados trapos, em miragem de socorro e no terceiro dia, dos nove dóris lançados à água os sobreviventes só conseguiam avistar quatro. Passaram muita sede e muita fome. O capitão do “MARIA DA GLÓRIA” distribuíra pelos dóris, para melhor orientação, o “estado maior” do lugre. Ao sexto dia da terrível odisseia, o capitão Ramalheira, por estar extenuado, abandonou o seu frágil bote com outro tripulante, que estava também muito mal e passaram para outro dóri, o que seria recolhido ao 11º dia [a 15 de Julho]. Na pequena embarcação abandonada ficava o cadáver de um terceiro marítimo, morto pelo cansaço e pela fome.” </em><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Os sobreviventes foram recolhidos por uma corveta da marinha de guerra norte-americana.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Entre os 36 mortos e desaparecidos do afundamento do “Maria da Glória” estavam várias parelhas de irmãos, entre elas por exemplo dois jovens da Gafanha da Encarnação, os irmãos José Augusto Cardoso Roque com 22 anos de idade e Manuel Cardoso Roque, de 18 anos de idade, ambos solteiros. Eram os mais velhos dos 12 irmãos. Mais tarde, um dos sobreviventes da tragédia contou à família que José Augusto Cardoso Roque seguia a bordo do dóri onde iam os oito sobreviventes. No entanto, o amor fraternal e os gritos de desespero do irmão mais novo, que seguia num outro barco, levou-o a pedir para mudar para o outro bote, de modo a poder acompanhar e confortar o irmão Manuel. E assim, ambos desapareceram para sempre nas águas do Atlântico. A tragédia ocorrida em 1942 aconteceu 25 anos após o regresso de Augusto Roque, o pai dos dois infelizes tripulantes, de França, onde combateu contra as tropas alemãs durante a I Guerra Mundial.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Em 1942 naufragaram o "DELÃES" e o "MARIA DA GLÓRIA", afundados por submarinos alemães. Do "DELÃES" todos se salvaram, mas do "MARIA da GLÓRIA" apenas sobreviveram oito tripulantes que com fome e em desespero comeram o cão do navio. A água era a que recolhiam das velas dos sete dóris que ainda estavam a flutuar. O comandante do navio capitão Sílvio Ramalheira foi um dos sobreviventes e demorou muitos meses a recompor-se.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Curvemo-nos perante a memória dos tripulantes e pescadores do MARIA DA GLÓRIA, muitos deles nossos parentes e vizinhos:<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Sílvio Ramalheira-39 anos- Ílhavo-Capitão-Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">António dos Santos-49 anos-Ílhavo-Piloto- Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">Domingos Sarabando-28 anos-Gafanha-motorista-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Jacinto Alcides T. Pinto- 27 anos-Ílhavo-Aj. Motorista-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Carlos Gafanhão-32 anos-Gafanha-Cozinheiro-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">José Martins Júnior-22 anos-Gafanha- Aj. Cozinheiro- Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">José Menício Tróia-38 anos-Aveiro- Contra-mestre-Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">António Carlos Afonso-17 anos- Gafanha- Moço-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">João Rosa Pereira-19 anos- Gafanha- Moço-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Miguel dos Santos P. Novo-20 anos- Gafanha-Moço-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">João Manuel P. Redondo-16 anos-Ílhavo-Moço-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">António Maria dos Santos-27 anos- Murtosa-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">António Luís Brázida-24 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">José Francisco da Graça-40 anos- Fuzeta- Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Américo Pereira Patusco-38 anos- Murtosa-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">António Ramos Paló- 35 anos-Fuzeta-Pescador_Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Júlio da C. Simões Júnior-36 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Isidro da Fonseca-34 anos-Murtosa-Pescador-Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">António Santos Cego-26 anos-Figueira da Foz-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Manoel dos Ramos Baló-32 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">João Maria Costeira-37 anos- Murtosa-Pescador-Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">Felisberto Pires Flora-54 anos- Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">António André Simões-?-Fuzeta- Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Manuel dos Santos Neves-?-São Jacinto-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Joaquim Lino C. Simões-27 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">João Luís Brázida- 29 anos-Fuzeta- Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Manuel Gualberto Martins-21 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Lázaro das Neves- 25 anos-Gafanha-Pescador- Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">José dos Santos Matias-32 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">José Maduro Viegas-34 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">António Maria Gandarinho-?-Gafanha-Pescador-morto<br /></div><div style="text-align: justify;">João Valente Caspão-23 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Eustáquio Caria Matracão-24 anos-Nazaré-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">José A. Cardoso Roque-22 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Manuel Cardoso Roque- 18 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Manoel dos S. Parrolheiro-28 anos-Matosinhos-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Júlio de Abreu Guerra-33 anos-Buarcos-Pescador-morto<br /></div><div style="text-align: justify;">José Ramos-?-Setúbal- Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Laurélio das Neves-33 anos-Gafanha-Pescador-Sobrevivente<br /></div><div style="text-align: justify;">José da Rocha Rito-25 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Ramiro Nunes Ramizote-42 anos-Ílhavo-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Artur Pereira Ramalheira-?-Ílhavo-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">Armando das Neves-20 anos-Gafanha-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;">José Martins Freirinha-49 anos-Fuzeta-Pescador-Desaparecido<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">E terminemos com este desabafo do ti Zé Caçoilo, ouvido por Bernardo Santareno [Nos Mares do fim do mundo, pp 219 a 222] :<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><em>«Ah gentes amigas, s'aqui, nestes bancos do bacalhau,. cada home dos nossos qu'as ondas comeram, ficasse assinalado por uma alminha acesa, como é d'uso lá nas nossas terras, podem crer, amigos, qu'atão este mar saria todo ele um luzeiro, maior qu'aquele qu'enche a Cova d'Iria, no treze de Maio!»</em> <br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Manuel<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div>

Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Outubro , 2009, 00:25
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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/SsfdRWADf8I/AAAAAAAAMrM/v5fOFhF9Ii8/s1600-h/casamento-alian%C3%A7as.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img $r="true" border="0" src="https://1.bp.blogspot.com/_edOTyb048mE/SsfdRWADf8I/AAAAAAAAMrM/v5fOFhF9Ii8/s200/casamento-alian%C3%A7as.jpg" /></a><br /></div><div style="text-align: justify;"><br />Esta afirmação é feita a propósito de Jesus de Nazaré. Constitui o mais belo testemunho da sua vida e compêndio da sua obra. Desvenda o sentido de tantas atitudes notoriamente desconcertantes. Evidencia o alcance de gestos aparentemente insignificantes. Abre horizontes de plenitude aos momentos mais sombrios das suas lutas e tensões, inclusive da própria morte. <br /></div><div style="text-align: justify;">“Em proveito de todos” faz-se humano e assume um tipo de vida coerente com a dignidade da sua natureza; por isso, repõe a pessoa na sua fonte original – a de ser criatura de Deus, imagem e semelhança divinas, expressas no masculino e no feminino; por isso, propõe mensagens cheias de novidade que reforçam os laços solidários e fraternos entre os humanos e manifestam a relação com os bens de toda a criação que lhes é confiada; por isso, aproveita as ocasiões em que os seus adversários pretendem envolvê-lo e apanhá-lo em armadilhas e, com uma habilidade sábia e surpreendente, desmascara-lhes a mentira, deixando a descoberto a verdade.<br /></div><div style="text-align: justify;">“Em proveito de todos” restitui ao matrimónio o seu valor e sua qualidade originais, pondo a claro o projecto de Deus sobre o amor conjugal. Afirma que Moisés não foi fiel ao pacto da criação e que é preciso superar a “dureza do coração”, só possível com uma nova compreensão da relação entre homem e mulher. Esta relação mútua será sempre o sinal da relação original de Deus com o primeiro par humano, fruto de um amor exclusivo e único, dinâmico e fecundo, assertivo, fiel e performativo. <br /></div><div style="text-align: justify;">É certo que a licença concedida por Moisés representa um passo em frente na tradição judaica, obrigando o homem a legalizar o divórcio com a sua mulher mediante a carta de repúdio, E, em certas situações, a própria mulher repudiar o marido. Sem este acto formal, ficava pendente da arbitrariedade, do capricho ou de qualquer miudeza ocorrente, contrariando claramente a qualidade da relação assente no amor mútuo como pretendia o sonho primeiro do Criador da natureza humana.<br /></div><div style="text-align: justify;">O alcance da proposta de Jesus não é entendido por todos de igual modo. Por isso, dá origem a situações de vida divergentes e, por vezes, opostas que convém compreender à luz do projecto original e não apenas de qualquer lei positiva. <br /></div><div style="text-align: justify;">Esta diversidade de situações contém um gérmen evocativo, ainda que discreto e escondido, daquela harmonia interpessoal latente no coração humano e correspondente força de atracção e sedução. Como tal merece respeito, reconhecimento e apreço.<br /></div><div style="text-align: justify;">“Em proveito de todos” ergue-se o amor matrimonial, estável na liberdade da opção pelo casamento, apaixonado pela doação generosa, feliz no esforço de cada dia, compreensivo perante as fragilidades humanas, responsável pela aliança celebrada e pelo compromisso assumido. Feliz e fecundo, tendo o amor de Jesus como fonte inspiradora e medida de realização.<br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;">Georgino Rocha <br /></div><div style="text-align: justify;"><br /></div>
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