de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 11:10
Eu não tenho experiência de vida partidária nem aspiro a tê-la, mas não dispenso, como nunca dispensarei, a intervenção política, como cidadão livre e consciente das suas obrigações cívicas.
Respeitando as posições partidárias, como importantíssimas para a vida democrática, tenho dificuldades em entender a posição de alguns membros dos nossos partidos políticos, sobretudo quando criticam as decisões dos chefes democraticamente eleitos. Como é o caso, claro e a vários níveis, do PSD, com tantos militantes responsáveis a denunciarem como más as listas para as legislativas aprovadas superiormente pelos órgãos oficiais e propostas por Manuela Ferreira Leite. Não vejo isso em nenhum outro partido, por enquanto.
A leitura que faço, muito simplesmente, é esta: Os sociais-democratas que protestam querem dizer, muito abertamente, que não vale a pena votar nas listas do PSD. Será?

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 10:42
20 de Agosto de 1887

Neste dia, em 1887, faleceu na sua casa, na rua do Seixal, o insigne aveirense Dr. Manuel José Mendes Leite, soldado-combatente, jornalista, deputado, governador civil, impoluto cidadão e, sobretudo, legislador-parlamentar, a quem se ficou a dever a proposta da abolição da pena de morte em Portugal, nos crimes políticos.

Fonte: Calendário Histórico de Aveiro




Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 19 Agosto , 2009, 19:58
Marginal panorâmica
Bacalhau é rei

Ribau Esteves ladeado por João Manuel da Madalena, da Confraria G. do Bacalhau,
à sua direita, e Pedro Machado, da nossa Região do Turismo, à sua esquerda


Capital Portuguesa do Bacalhau


“O sucesso do ano passado motivou-nos para fazer mais e melhor”, garantiu o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, na abertura oficial do Festival do Bacalhau 2009, integrado no programa das festas do Município Mar Agosto.
O autarca ilhavense agradeceu a todos os que souberam viver as energias positivas, para se pôr de pé este festival, “que começou aqui”, no Jardim Oudinot, no ano passado, quando ele tinha “pouco tempo de vida”.
Sublinhou que o Concelho de Ílhavo é a “Capital Portuguesa do Bacalhau”, graças à acção das empresas que ainda o pescam e comercializam, referindo a importância de valorizarmos os factores de “atractividade” do Município e região.
Ribau Esteves salientou a aposta feita na área concelhia em “crescer com gente nova”, contribuindo para a valorização da nossa região turística.
Depois de enaltecer a acção do professor João Reigota, grão-mestre honorário da Confraria Gastronómica do Bacalhau, que foi “alma mater deste festival", o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo agradeceu a todos os que contribuíram para a organização deste evento, que fica à espera de 150 mil visitantes, número alcançado no ano transacto. Haverá animação musical, exposições, artesanato, cinema ao ar livre e muita festa, até ao próximo domingo.
Parte do resultado líquido do Festival do Bacalhau será canalizada para o novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.
FM
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 19 Agosto , 2009, 13:27

PRIMEIRA OU TERCEIRA IDADE?

O dia amanhecera cinzento. Uma sarria daquelas que as más-línguas apelidam de chuva molha-tolos, foi a companhia dos veraneantes que escolheram para as suas férias, aquela Ria a gosto.
Deambulava pela marginal duma Nova Costa do Prado, com um visual diferente, remoçado, atractivo e desafiador de uns largos passeios na calçada. Mais apeteceria dizer do calçadão, pois se calhar, não fica atrás dessas longas avenidas que atraem os turistas ao Rio de Janeiro. Sim, é de facto uma delícia passear-se, no amplo espaço agora criado, na marginal desta zona balnear de casas às risquinhas e tradições seculares.
Abrindo aqui um parêntesis, é de louvar o esforço de descentralização do poder que emergiu após a revolução de Abril e que não se pauta só pelo negativo. Há que ter uma visão crítica das coisas, mas reconhecer e dar o devido valor a quem o tem. Aqui, neste particular, estão as autarquias em destaque, já que, numa dinâmica de regionalização bem patente, têm dado cartas, no que concerne ao desenvolvimento local, quer no interior, outrora relegado para segundo ou terceiríssimo plano, quer mesmo no litoral. Aqui é notório o avanço que foi dado às infra-estruturas locais, para melhor e mais efectivamente servirem as populações residentes.
Foi, como referido atrás, numa dessas marginais que acompanha a ria no seu curso, que encontrou aquele trio de sexagenárias. O alarido era tanto, no veículo que conduziam, de quatro rodas, que chamava a atenção dos transeuntes. Como chamar-lhe? Bicicleta? Não. Pois não tem apenas duas rodas. Triciclo, também não. Quadriciclo? Não existe ainda em linguagem corrente, mas será, a curto prazo, incorporado, para designar uma nova realidade linguística e um novo meio de transporte! Sem gastar qualquer combustível poluente para a atmosfera, que agradece; apenas movido pelo esforço físico de pedalar. E que bem o faziam a Nor, a Lia e a Dá! Detentoras duma já madura idade, faziam coro na gargalhada fácil e estridente e desafiavam os casais jovens que passeavam com os seus rebentos. Cruzou-se com elas, numa pequena paragem do seu circuito turístico e aí, se formou, rapidamente, um quarteto para a galhofa! Não dizem que rir é a melhor terapia? E... que melhor época do que as férias, para fazer do riso umas termas recuperadoras de energias? Sem dúvida que ali, naquele passeio pela marginal, capitalizaram uma grande reserva de saúde para aplicação futura. E... honra seja feita aos fautores daquele calçadão, que retempera as forças depauperadas, nas liças da vida hodierna. Parabéns à autarquia local, pelo prazer que proporcionou a este quarteto de gente madura, que sintetizou a boa disposição ali auferida, da seguinte forma:



Primeira ou terceira idade?
Que importa, se há juventude?
Não tenham de nós, piedade!
Na meia, está a virtude!




Mª Donzília Almeida
17.08.09
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 22:19



O José Vilarinho enviou-me, há dias, notas do seu diário de bordo, com belíssimas fotografias. Umas já as publiquei. Outras ficaram em arquivo. Como algumas pessoas me falaram da beleza das fotografias, aqui ficam mais duas, para regalo de quem sabe apreciar coisas bonitas.
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Ver mais aqui

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 22:14
A Gafanha foi feita pelos gafanhões. Com suor, muito suor, e lágrimas. Humanizou as dunas como ninguém o havia feito.

Leia aqui
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 16:52
Festival do Bacalhau de 2008


FESTIVAL DO BACALHAU NO JARDIM OUDINOT


No âmbito das Festas do Município de Ílhavo - Mar Agosto 2009 –, vai realizar-se de 19 a 23 de Agosto, como tenho vindo a anunciar, o Festival do Bacalhau no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré. A Cerimónia de abertura do festival vai decorrer amanhã, quarta-feira, dia 19 de Agosto, pelas 18 horas, no “Porão de Salgado” do Navio-Museu Santo André.
A dimensão socioeconómica e cultural do bacalhau é uma aposta fundamental que a Câmara Municipal de Ílhavo tem vindo a assumir de forma crescente, numa opção pela diferenciação do Município de Ílhavo, enquadrada na frase “O Mar por Tradição”.
O Festival do Bacalhau integra diversas actividades e espectáculos, bem como a Mostra Gastronómica das Tasquinhas de Bacalhau, que conta com a presença de nove Associações, nomeadamente, a Confraria Gastronómica do Bacalhau, Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, Confraria Camoniana, Associação de Solidariedade Social da Gafanha do Carmo, Associação Cultural e Recreativa Chio-Pó-Pó, Grupo folclórico “O Arrais”, Grupo de Jovens “A Tulha” e Bombeiros Voluntários de Ílhavo. Haverá, ainda, venda de padas de Vale-de-Ílhavo, mostra e provas de vinhos, matinées de cinema ao ar livre (em ecrã gigante), bares com esplanadas, mostras de artesanato, stand de exposição de empresas, animação para crianças e concertos nocturnos, com as “Just Girls”, “Roberto Leal”, “José Cid”, “Per7ume” e “Rita Guerra”.
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Ver programa aqui
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Fonte: CMI
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 13:23

D. Manuel de Almeida Trindade
tinha grande admiração
pelo padre Jeremias
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No domingo participei na eucaristia das 11.15 horas, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, presidida pelo padre Jeremias Vechina, meu colega da escola primária, na já famosa, para os da minha idade, Escola da Ti Zefa. Não via o padre Jeremias há anos e gostei de estar com ele alguns minutos. Esteve doente há pouco tempo. "Desta safei-me", disse-me. Também gostei da homilia que fez, com nível, ou não fosse ele um conhecido especialista em espiritualidade.
Quando cheguei a casa veio-me à memória o tempo da escola. E dele recordei a alegria natural e permanente, bem como a facilidade com que fazia amizades com todos os colegas. Ainda recordei a sua caligrafia, com a inclinação para trás, ao contrário do que era habitual.
Depois, a minha memória continuou até que cheguei à admiração que D. Manuel de Almeida Trindade, que foi Bispo de Aveiro, tinha pelo padre Jeremias e pela sua cultura espiritual, como um dia me disse. E fui à cata de algum escrito de D. Manuel, onde essa admiração estivesse patente. Localizei, então, no livro do nosso antigo bispo - Apontamentos de Retiros - um retiro orientado pelo padre Jeremias, em Fátima, entre 13 e 17 de Junho de 1983.
Só algumas passagens:

Conferência da manhã:

“Uma conferência doutrinalmente profunda. O Padre Jeremias começou por evocar o centenário da morte de Santa Teresa de Ávila e o papel que ela desempenhou no século em que viveu. O seu papel foi servir de ponte: ensinou os teólogos (teólogos da escolástica decadente) a rezarem e a serem ‘espirituais’: e ensinou os espirituais a recorrerem à teologia (e aos teólogos) para que a sua espiritualidade tivesse fundamentos sólidos e não fosse devocionismo epidérmico.”
Mais adiante, diz: “Belas palavras as do Padre Jeremias acerca da esperança a partir do pensamento de S. João da Cruz.”

Outra Conferência da manhã:

“Bela conferência do Padre Jeremias sobre a maneira como o homem provocou a ausência de Deus e como Deus procura afirmar a sua presença de amor, chegando a sentar-se no banco dos réus, no lugar do homem… Esta ‘ausência’ de Deus é sentida pelos místicos da maneira mais viva. S. João da Cruz fala nas ‘noites escuras em que Deus parece que se esconde – os terríveis silêncios de Deus!”

Fico-me por aqui para não cansar os meus leitores. Apenas quis recordar o meu amigo padre Jeremias, sublinhando, levemente, a sua espiritualidade e a admiração que D. Manuel de Almeida Trindade tinha por ele.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 18 Agosto , 2009, 12:38


Esta exposição, patente ao público até 27 de Setembro, reúne um conjunto de obras de jovens criadores que, após um longo tempo de aprendizagem, se disponibilizaram a participar nesta mostra promovida pelo Centro Cultural de Ílhavo. Trata-se de uma acção fundamental para promover a criação artística de todos os que escolheram esta área de intervenção.
A motivação subjacente à realização desta exposição revela-se como uma oportunidade de apresentação do trabalho desenvolvido por jovens artistas plásticos.
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 17 Agosto , 2009, 15:14

Encontros e Reencontros


Sempre foi agradável encontrar e reencontrar amigos. Com eles, trocamos impressões, emoções e sensações. Recordamos e revivemos momentos felizes e menos felizes. Partilhamos sonhos e sentimos a cumplicidade de muitos ideais experimentados há longos anos. E é nas férias de Agosto, normalmente, que se revêem cúmplices de vivências da meninice e juventude.
Neste Agosto já reencontrei alguns. Uns que identifiquei de imediato; outros que deixaram alguns traços, muitas vezes imperceptíveis, na minha memória cheia de brancas. São denunciados uns pela voz, outros pelos olhos, uns por sinais desvanecidos do rosto, nunca pelo cabelo ou falta dele.
Depois, lá vem uma frase que desencadeia um processo interminável de sequências, como a história das cerejas. Pegamos numa e logo agarrada a ela vem um cacho apetitoso.
Por estes dias, senti a amizade de antigos alunos que pararam apressados os carros para um abraço do outro lado da rua. Vi quanto emigrantes regressados para férias manifestaram a sua alegria por me encontrarem, “com muito bom aspecto”, sublinham. Sempre há amigos muito gentis!
Ouço histórias de dificuldades ultrapassadas, do bem-estar que por aqui talvez não pudessem ter, da vaidade natural de filhos e netos que singraram na vida, mas também do que os liga ao torrão natal, “as suas raízes” que permanecem bem agarradas ao coração.
Com tudo isto, vêm à baila as notícias da região que lhes chegam pelo meu blogue e que ajudam a mitigar saudades sem medida, com apelos para que continue.
Com votos de bom regresso, aqui fica a promessa da minha presença junto de todos, com um abraço amigo.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 17 Agosto , 2009, 14:09

Solidariedade

Encontrar um lugar de estacionamento, numa zona balnear, onde o farol é ponto cardeal, dir-se-ia que é como procurar agulha em palheiro.
Na verdade, com a multidão de gente que aflui a esta praia, torna-se quase uma aventura encontrar uma nesga de terreno, onde deixar arrumado o veículo que nos trouxe até ao destino. Não há parques de estacionamento disponíveis para as necessidades do tráfego que entope, nos meses de verão, as artérias de toda a zona costeira. Não estará a autarquia muito preocupada em sanar o problema, pois não consta da carta de intenções, agora tão profusamente propalada, numa época de fervor eleitoral. Sendo que a grande massa de veraneantes e ou banhistas que desaguam neste mar, são forasteiros que vêm à procura deste sol, em terras planas e arejadas, não parece estar na lógica eleitoralista da edilidade camarária, o alargamento da rede viária, nem tampouco, a criação de espaços alternativos de estacionamento.
Primeiro estão os munícipes que urge satisfazer... nomeadamente em períodos concretos como estes de febre eleitoral. Esperemos por melhores tempos, associados a mais amplos propósitos e que, por arrastamento, também trazem benfeitorias para a própria região.
Foi num contexto de grande dificuldade em arrumar, condignamente, o seu carro, que a autora destas linhas se defrontou com a situação que passa a descrever. Num pseudoparque de estacionamento em terra batida, mas muito empoeirada, circulava devagar, na mira de vislumbrar algum buraquito no meio de tanta chapa automóvel. A certa altura, observa o estacionar de um veículo que numa manobra de economia, daria para dois carros. Fica parada em frente do condutor, lançando subliminarmente o pedido de lhe facultar um pouco do seu avantajado espaço de estacionamento. Se a telepatia funciona ou não, não sabe, mas a resposta não se fez esperar e mais que depressa se vê o senhor fazer manobras para arrumar melhor o seu veículo. Aquele tão almejado lugar de estacionamento surgia como por milagre daquela troca de olhares, um de súplica (!?), outro de compreensão e generosidade. Mesmo atrás de uns óculos escuros que o sol escaldante impunha, houve entendimento e do bom, do positivo! Depois de sair do seu carro, o emigrante francês, ainda concedeu a sua ajuda a estacionar o outro veículo, que ali coubera. Depois de um profuso e sentido agradecimento, cada qual dirigiu-se para o recanto da praia que mais lhe convinha, mas aquele gesto de solidariedade ficara bem gravado na memória daquela veraneante.
Regressada da praia, ainda com o sol alto e a dardejar, neste dia escaldante de Agosto, sem a nortada característica da época, teve um relance! Ia deixar-lhe preso, na escova do limpa pára-brisas, uma nota de agradecimento – Merci! A falta duma caneta ali, à mão, não constitui óbice à realização do seu propósito. Uns banhistas, a sair do parque, deram a ajuda para a concretização do seu gesto.
Apesar de ser um dever cívico, de cidadania, pensarmos nas necessidades dos outros quando estacionamos o nosso veículo, deparamos, a cada passo, com o egoísmo atroz daqueles que olham só para o seu umbigo e para o seu carro e quantas vezes ocupam um espaço que daria para uma limousine! Todos têm direito a um lugar... ainda que seja um modesto Honda com música Jazz!
Na verdade, é imenso o prazer e gratidão que sente perante atitudes deste jaez! E... este emigrante em França, ao longo das vicissitudes por que passou na sua odisseia, por certo aprendeu, bem fundo, o sentido da partilha que tão ostensivamente ali, demonstrou. Merci beaucoup, mon ami!

M.ª Donzília Almeida
13.08.09
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 17 Agosto , 2009, 14:01
Marte

O planeta Marte poderá ser observado a olho nu, tão grande quanto uma lua cheia, especialmente no dia 27, quando vai estar mais próximo da Terra. Não deixe de observar o céu na noite de 27 de Agosto, às 00h30, porque verá duas "luas"!!! Não perca. A próxima vez que Marte vai aparecer assim será em 2287.
Partilhe isso com seus amigos pois ninguém, hoje vivo, terá oportunidade de observar novamente o facto.
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Nota: Não consegui qualquer confirmação. Se for verdade, teremos uma boa oportunidade de conferir o facto. Se não for, não morre ninguém.
FM
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 16 Agosto , 2009, 12:59

Silêncio

uma gaivota
ou apenas pequenas coisas
um sorriso
um silêncio
a lua


uma pomba
ou apenas pequenas coisas
um olhar
um silêncio
a lua


estamos sós
abrigados dos ventos
à espera
da chuva
do tempo de poesia
e do sorriso
das gaivotas


Orlando Jorge Figueiredo

Editado por Fernando Martins | Domingo, 16 Agosto , 2009, 00:40
Marcelo Rebelo de Sousa


Na morte, Missa de Acção de Graças

Qual é a sua relação com a morte? Sente que vive este tempo em desconto?
Sou cristão e nisso não tenho angústia nenhuma. A morte é uma passagem para outra vida. Nesse sentido até me choca um bocadinho que nas missas de corpo presente, nesses momentos que são imediatamente dolorosos, não haver a ideia da Acção de Graças. Mesmo os cristãos vêem só o lado da separação física, em vez de darem graças por se ter aberto uma nova vida, que no fundo é o que nós andamos a fazer aqui. Andamos por aqui em peregrinação, o tal rally paper para essa outra vida. E quando chega a morte as pessoas pensam como se a sua fé não fizesse sentido nenhum. Ora se a fé faz sentido, então a morte tem de ser lida à luz dessa fé.

Quantos anos lhe apetecia viver mais?
Sou providencialista: aqueles que Deus quiser. Agora, sem ser providencialista, acho que estou aqui para cumprir determinadas missões no domínio do ensino, da comunicação com os outros, da pedagogia e da transmissão aos outros. O Amigo lá de cima decidirá se é daqui a dois, cinco, dez ou 15 anos. Mas eu tenho uma teoria que descobri agora: as pessoas morrem como vivem. Se vivem pachorrentamente, serenamente, morrem assim. Se vivem de forma violenta, abrupta, morrem assim. Há uma frase em latim que diz tales vita finis ita - tal vida, tal morte. O que quer dizer que já há muitos séculos se pensava isso. Eu, como tenho uma vida particularmente agitada, provavelmente vou ter uma morte agitada.
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Ler toda a entrevista aqui

Editado por Fernando Martins | Domingo, 16 Agosto , 2009, 00:08
BACALHAU EM DATAS - 34
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Mulheres das secas


MULHERES ... SECAS

Caríssimo/a:

A propósito do “Festival do bacalhau”, onde 150 mil visitantes provaram, o ano passado, todas as iguarias à base de bacalhau”, lembrei-me de vos segredar que há dias recebi uma “caldeirada de espinhas de bacalhau”; foi uma prima que se lembrou de mim e mas enviou. “Que queres, a gente tem de ajudar; a vida não está fácil, eu ando na seca e sempre trago algum!”
Já ninguém se lembra de que a Gafanha é terra de bacalhau e da sua preparação! E é bem verdade que, além desta prima, uma sobrinha também se dedica a essa faina!..

Bem vindas as espinhas mas logo uma diferença: foram aparadas à máquina. Lascas de bacalhau, viste-las!, só uns fiapitos que a lâmina deixou passar.

E então a imagem de marca: secas a atulhar de bacalhau e de raparigas, montes de raparigas, na labuta, por entre galhofas, ditos e cantares. No final do dia, estradas e caminhos fervilhavam de juventude, em correrias ou andar romanceado, que era hora da procura, dos encontros e das conclusões. De duas irmãs que conheço, percorreram estes caminhos e ambas casaram “fora”: muitos rapazes imigravam à cata de trabalho, aqui criaram raízes e já não regressaram às suas terras de origem!

Casadas e cansadas, chegam a casa onde as espera o filho faminto e carente: seu primeiro cuidado é dar leite à criança que se aperta ao colo da mãe. Nos tempos que correm seria suposto uma qualquer ASAE fazer análises ao leite desta Mãe e não me surpreenderia que os químicos espreitassem bem para o fundo dos tubos de ensaio não acreditando nos valores que o computador ia revelando: suor, gotícolas de sal, uma ou outra farripa de bacalhau, vestígios de escamas e leite de muito boa qualidade! Mas, espanto geral, ao surgir um novo elemento, o mais inesperado e nunca visto: a análise acusava de forma bem clara a presença intensa de cheiro de bacalhau! Quem diria?!

E foi assim, amigas/os, que destas Mulheres nasceu a nossa geração.
De onde, pois, a admiração de que ainda hoje a nossa preferência vá para “todas as iguarias à base de bacalhau”!...

Do muito que (esta geração) viveu, trabalhou, pescou e até mordeu o bacalhau não vos massarei eu já que, ontem como hoje, só o conheço no prato! Mas fica aí o desafio para que se abram espaços (blogues... ou quejandos) onde se aprofundem estes temas; e um dos que valeria a pena seria, sem dúvida, “a mulher da Gafanha e as secas de bacalhau”.

Manuel

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