de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 20:36
"A lei da união de facto serve para quê? Se for para ser igual ao casamento, já há o contrato de casamento, se for para outra finalidade é bom que se explicite. Não há nada em política como ser muito claro.
O problema é seguramente meu, sobretudo quando tantos amigos se entusiasmam com o tema. Mas continuo sem ver qualquer utilidade na lei da união de facto. E, a bem dizer, não a vejo na que Cavaco vetou, e já pouco via na já existente.
Para mim, o casamento civil - pelo qual tanta gente lutou, de forma a que o casamento religioso não fosse a única forma legal de ter família - é um contrato entre duas pessoas. A lei da união de facto vem estabelecer, basicamente, o seguinte: quem não quer assinar o contrato tem os mesmos direitos e deveres daqueles que o assinaram. Isto é o que parece: uma aberração."

Henrique Monteiro
.
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 11:06
Igreja antiga
Igreja actual


Nós, os gafanhões, somos assim...

A paróquia de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha completa hoje 99 anos de vida. Daqui a um ano, se Deus quiser e o povo estiver unido, celebraremos o primeiro centenário. É curioso como um século de existência parece tão curto. Digo isto, porque tive o privilégio de conviver com gafanhões que, antes de 1910, lutaram para que a então povoação da Gafanha se tornasse independente e seguisse a sua vida, deixando, por isso, a casa materna.
Antes dessa data, que foi a consagração desse esforço, já o nosso povo andava a construir a nova igreja matriz, que foi inaugurada, ainda inacabada, em 1912. Contudo, segundo Nogueira Gonçalves, a inauguração aconteceu em 1918, tendo o templo sido "produto de construtores locais". Como paróquia e freguesia nasceram juntas, como rezava a lei da monarquia, na altura própria as águas foram separadas, e ainda bem. A paróquia seguiu, como lhe competia, a valorização espiritual, cultural e social, e a freguesia voltou-se para o lado que lhe competia, procurando dar outras e variadas respostas, de vertente política, para bem da comunidade humana, na qual se insere a religiosa.
Hoje, porém, penso que se torna importante olhar o futuro com certezas de uma terra mais próspera, sob todos os ângulos de vista. Mais próspera, tendo sempre presente que o progresso deve ser sustentado, isto é, com os pés bem assentes na matriz das nossas raízes e sem ofensas ao ambiente e às pessoas.
Os gafanhões actuais vieram um pouco de toda a parte. Há anos, a análise a um recenseamento dizia que por aqui habitavam pessoas de mais de mil origens. Mas pode dizer-se, sem iludir ninguém, que toda a gente foi integrada, naturalmente, sem conselhos fossem de quem fossem, e sem decretos que nos recomendassem atitudes a seguir, no sentido da aceitação dos outros. Nós, os gafanhões, somos assim: abertos, acolhedores, dinâmicos, amigos dos seus amigos, empreendedores, capazes transformar areias esbranquiçadas e estéreis, das dunas, em terra fértil.
Neste dia de aniversário permitam-me que recorde a importância de nos prepararmos para o centenário, quer apoiando as autoridades religiosas ou políticas, quer avançando com projectos próprios, com a convicção de que a festa tem de ser de todos e para todos.


Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 10:22

"Na carta, Ted Kennedy afirma que 'a fé católica está no centro da família' Kennedy e diz que foi a fé que o ajudou a lutar nas horas de maior sofrimento. Também diz que pediu que a carta fosse entregue pessoalmente, pelas mãos de Barack Obama, porque este também é um homem de fé."


Leia mais aqui, no i

Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Agosto , 2009, 22:30
Nossa Senhora da Nazaré


Teve lugar hoje, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, a festa em honra da nossa padroeira. Foi uma festa simples, mas bastante significativa, organizada pela Irmandade de Nossa Senhora da Nazaré, que tem por missão promover o culto à Virgem Maria, como lembrou, na missa solenizada das 11.15 horas, o Prior da Freguesia, padre Francisco Melo.
Gostei muito de participar nesta eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. António Francisco dos Santos. Igreja cheia, coral dirigido por Cristina Ribau e acompanhamento musical da Filarmónica Gafanhense, onde sobressaiu a escolha dos cânticos e a harmonia do conjunto.
D. António elogiou a participação de todos e a urgência de se apostar numa comunidade, com projectos em sintonia com o Plano Diocesano de Pastoral.
O nosso Bispo ainda deu posse ao novo vigário paroquial, padre César Fernandes, que os gafanhões já conhecem e cuja dedicação apreciam.
À tarde realizou-se a procissão, com irmandades, instituições paroquiais, músicas e muito povo, que percorreu o trajecto habitual, passando pelo Cruzeiro.
Não houve festa profana. Sei que o povo gosta de festa, também com conjuntos musicais, comes e bebes, barracas de bolos e de quinquilharias, arraial e foguetes. Não sei se é bom ou menos bom ficar-se simplesmente pela festa religiosa. Em tempo de crise, económica e social, penso que a opção deste ano se justifica perfeitamente. Outros dirão que não. Gostos não se discutem. Mas cá para mim, que já tenho boa idade para pensar com calma, concordo com a festa religiosa apenas. Há bastantes festa musicais e outras que a Câmara de Ílhavo patrocina ou organiza.
Mais um apontamento, sobre a Irmandade de Nossa Senhora da Nazaré. Por sugestão do padre João Ferreira Sardo, a irmandade foi criada em 22 de Agosto de 1902, conforme alvará emanado do Governo Civil. Depois, os Estatutos foram aprovados pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, em 4 de Maio de 1903. Ainda não tinha sido criada a paróquia. Pertencíamos, então, àquela diocese. A Diocese de Aveiro foi restaurada em 11 de Dezembro de 1938.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Agosto , 2009, 15:34

Hoje, manhã cedo, na Costa Nova, a sensibilidade do Carlos Duarte captou esta contraluz para seu e nosso deleite. É como um poema que na aurora brota, saltitante, da nossa imaginação para a luz do dia. E a safra dos pescadores, madrugadores, dá-nos, a cada momento, o estímulo de que precisamos para o cântico matinal, impregnado da alegria de viver.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Agosto , 2009, 09:52
BACALHAU EM DATAS - 36



MESTRE MÓNICA

Caríssimo/a:

Aproximemo-nos de uma das nossas mais gradas figuras – certamente Mestre Manuel Maria estará entre os “dez mais” da nossa Comunidade.
Sirvamo-nos de duas transcrições da revista «Propaganda Industrial», de 1957.
A primeira pretende ser um retrato tirado na comemoração do “LXX aniversário da fundação dos Estaleiros Mónica”:

«Manuel Maria Bolais Mónica nasceu em Ílhavo em1889, sendo filho do construtor de barcos José Maria Mónica, que durante anos e anos trabalhou afincadamente nos estaleiros de seu pai, em Gafanha, onde, traçando planos de embarcações que, depois de construídas, seguindo sempre a feição tradicionalista, eram lançadas à água. Passava-se isto no tempo em que as fainas se prolongavam pela noite fora e eram iluminadas a archotes de alcatrão.
Em 1910, o Pai Mónica entendeu aproveitar a colaboração dos seus dois filhos, Manuel e António, que deveriam ser os continuadores da sua obra. Foi assim que, apenas com 21 anos de idade, Manuel Maria iniciou a sua carreira de construtor naval em que obteria plena consagração.
Perito na construção em madeira, das suas mãos privilegiadas e competentes, saíram já muitas dezenas de navios de linhas airosas, altos panos e borda firme: traineiras, cargueiros, bacalhoeiros, lugres, rebocadores, lagosteiros, etc..
Construiu o Mestre nos seus estaleiros, até hoje [1957], 85 unidades. Na sua especialidade – construção em madeira – são os Estaleiros Mónica considerados hoje como um dos melhores da Europa, senão o primeiro.
Em 1942, a quando da construção de 6 caça-minas para o Almirantado Britânico (Port PatriK, Port Belo, Port Reath, Port Stanlley, Port Royal e Port Patroch), foram confirmados os seus méritos e a qualidade dos trabalhos ali realizados pelos Engenheiros Dobson, do Almirantado Britânico, e Dicson, dos Loyds de Londres, que, na homenagem prestada ao construtor e seus colaboradores, tiveram palavras de elogio que a modéstia, aqui, não deixa reproduzir.
Mestre Manuel Maria é agraciado pelo Governo da Nação com as insígnias de Mérito Industrial e Cruz de Cristo.
Pretendeu o Mestre iniciar nos seus estaleiros a construção de navios em aço, mas o alvará que lhe foi concedido em 1945 concedia-lhe a respectiva licença, mas a título precário e provisório,sem direito a indemnização. Desgostoso, em 1947, resolveu encerrar o trabalho dos estaleiros, que estiveram paralisados durante cerca de 5 anos, pois só em 1952, a pedido da Parceria Marítima Esperança, reiniciou os seus trabalhos na construção dos navios Ilhavense II e Celeste Maria.
Mestre Mónica para melhor apetrechamento dos seus estaleiros, foi a Inglaterra, onde adquiriu uma doca flutuante de betão armado, para o serviço da frota bacalhoeira do porto de Aveiro, a segunda do País. Esta doca tem o comprimento total de 65,90 m. e a largura máxima de 19,45 m. e permite a docagem da maior parte dos navios entrados neste porto de pesca. [...]
Actualmente tem em construção os seguintes navios: Nau de S. Vicente, para a expansão comercial portuguesa nos estrangeiro; Novos Mares, para a pesca do bacalhau, e Helena Vilarinho, para a pesca de arrasto.
Nos seus estaleiros trabalham presentemente 250 operários especializados, o que nos permite avaliar a grandeza das construções em curso.»

A segunda é um hino:

«Parece-me que respiro melhor, quando vou à Gafanha benzer os barcos de Mestre Mónica. Mas não é só o ar da ria que tem o dom de nos abrir os pulmões. É não sei que fulgor de abundância, de riqueza nacional, de vitorioso progresso que por ali passa e nos bate em cheio no peito. É um milagre de beleza que Mestre Mónica sabe extrair de troncos rudes, de matéria informe. Quando passam os carros a gemer sob o peso morto daqueles pinheiros, quem imagina a elegância e a majestade, a doçura e a força, a maravilha e arte que dali vão sair!
Vai Ilhavense; vai Santa Joana; vai, Santa Mafalda; vai, Avé -Maria, desce imponente a húmida calha, entra nas águas, encanta os mares, recolhe a presa, e depois, ao regresso, entra airosa na barra, ao som da orquestra, ao flutuar das bandeiras, à alegria das multidões!
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Aveiro, 5 de Abril de 1957
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+ João Evangelista,
Arcebispo-Bispo de Aveiro
»

Manuel

Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Agosto , 2009, 21:54


O múnus de servir o Povo de Deus que me foi confiado e de anunciar a Boa Nova do Reino no coração do mundo do nosso tempo e o imperativo de prepararmos desde já o novo Ano Pastoral no quadro do nosso Plano Diocesano de Pastoral tornam necessário e urgente prover as Estruturas diocesanas, os Serviços pastorais e as Paróquias da Diocese de pastores generosos e de servidores dedicados.

A ordenação de um novo presbítero, o primeiro desde que fui chamado a servir a Igreja Diocesana de Aveiro, e a ordenação de seis diáconos permanentes mobilizaram e encheram de alegria toda a Diocese e constituem para cada um de nós um sinal de confiança no futuro e uma bênção de Deus que devemos agradecer e merecer.

Este sinal de esperança não nos faz esquecer a escassez de Clero nem nos dispensa de recorrer à cooperação de Igrejas irmãs e de Congregações religiosas mas ajuda-nos a olhar o horizonte da missão com espírito fortalecido e generoso, anima-nos a investir com confiança e com determinação no Seminário e na Pastoral Vocacional e incentiva-nos a trabalhar em toda a Diocese com renovado entusiasmo e com fundada alegria, certos de que Deus não faltará à sua Igreja com os trabalhadores necessários.

Ver todo o documento aqui

Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Agosto , 2009, 15:46

A idade é culpada de muita coisa, boa e menos boa. Se olhar bem, penso que o bom sobreleva o menos bom. Ainda bem.
Este mês de Agosto, dos muitos que já vivi, este terá sido o pior. Raros foram os dias em que me senti com calor ou com temperaturas amenas. De manhã, quase sempre registei um ventinho agreste e céu com nuvens mal-encaradas, que me obrigavam a procurar um sol directo que me levasse a dispensar os agasalhos próprios do Inverno. Só em casa me via garantidamente confortável. Daí o facto de me refugiar na leitura e na escrita, com fugazes passeatas para me deleitar com o agradável encontro com o mundo em férias ou sem férias.
Tomei nota da falta de muita gente, talvez pressionada pela crise que os órgãos de comunicação social nos traziam à memória a todo o momento, na impossibilidade, certamente, de outros temas ou de imaginação para os descobrir. De modo que tive pena de viver um Agosto tão chocho, pese embora o constante prazer que vivi com familiares e amigos, que tiveram a paciência de me acompanhar.
E quando desabafava, recordando férias de antanho, com a família toda à minha volta, que o frio, o vento e o desconforto que o triste tempo me dava, alguém comentou, assertivamente: Isso é por causa da idade. Se calhar até é.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Agosto , 2009, 15:03
Palheiro de José Estêvão


"Eça de Queirós descreveu a Costa Nova, em 1883, como "um dos mais deliciosos pontos do globo". Nas férias costumava frequentar um "excelente chalé", a casa que ainda hoje existe e é conhecida como o palheiro de José Estêvão. Eça elogiava "a brisa, a vaga, a duna, o infinito e a sardinha" da Costa Nova, mas faltava- -lhe uma condição suprema para a ins- piração: "um quarto isolado com uma mesa de pinho", como referiu numa carta ao seu amigo Oliveira Martins."

Leia mais no i de hoje

Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Agosto , 2009, 13:03
Claudete com seu marido, Gaspar Albino, numa entrevista para a tv

Chegou-me hoje a informação do falecimento de Claudete Albino, esposa do meu bom amigo Gaspar Albino. A morte nunca é esperada e longe estava eu de receber esta triste notícia. A dor, seja para quem for, não pode ser ignorada, sobretudo pelos amigos. O seu funeral será na próxima segunda-feira, pelas 11 horas, na capela funerária da Misericórdia de Aveiro.
Muitos gafanhões devem recordar a professora Claudete que leccionou, no início da sua vida profissional, na Escola da Cambeia. Depois, mais tarde, licenciou-se em Direito. Porém, a sua grande paixão, tanto quanto fui percebendo, foi a cultura artística. Pintava com grande sensibilidade, mas também fotografava com arte.
Recordo que a artista Claudete organizou, com o marido, também artista multifacetado, a primeira exposição de artes plásticas, promovida pela Comissão Diocesana da Cultura, tendo notado, nessa altura, a sua capacidade de diálogo e a sua visão para levar por diante um trabalho com muita qualidade.
Acompanho na dor os seus familiares, em especial o meu amigo Gaspar Albino, na certeza de que ele sabe que voltará a estar com a sua Claudete, um dia, no seio da paz de Deus.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sábado, 29 Agosto , 2009, 12:45



Na França, talvez o país europeu mais laico, não há receio de debater, ao mais alto nível e publicamente, com a participação de alguns dos filósofos hoje mais influentes, a questão da religião e, concretamente, do cristianismo. Assim, realizou-se na Sorbonne, em 2008, um debate sobre o tema em epígrafe, de que resultou um livro, acabado de editar, com o mesmo título: La tentation du christianisme.

É que - lê-se na introdução - não se pode esquecer que "a religião foi durante muito tempo a nossa cultura e continua a sê-lo, mesmo sem darmos por isso. Sem uma reapropriação lúcida e esclarecida dessa herança, é grande o risco de ver ressurgir os demónios do passado": os fundamentalismos e "um materialismo hiperbólico".

A filosofia leva consigo três perguntas fundamentais, como disse Kant: Que posso saber?, que devo fazer?, que me é permitido esperar? No fundo, o que as atravessa é a questão do Homem e do sentido da existência. Há uma teoria, que responde à pergunta pela realidade global enquanto lugar onde se joga a existência humana. Há uma ética, que pergunta pelas regras do jogo. A terceira pergunta tem a ver com a finalidade do jogo e a salvação: o quê ou quem nos salva da finitude e do temor da morte?

Segundo Luc Ferry, antigo ministro da Educação da França, para perceber como é que o cristianismo se tornou chave da cultura ocidental, não há como compará-lo com a filosofia grega e, nomeadamente, o estoicismo, no quadro das três interrogações apontadas. De facto, o cristianismo operou uma revolução nos três aspectos: teórico, ético e soteriológico.

Em primeiro lugar, uma revolução no plano da teoria. Na perspectiva grega, o cosmos é theion, isto é, divino, e também Lógos, "lógico", racional, derivando daí a ética: o bem, para os estóicos, era a justeza, isto é, estar ajustado à ordem do cosmos.

Na perspectiva cristã, o Lógos divino encarna numa figura humana, Jesus, como diz o Evangelho segundo São João: "No princípio era o Lógos, o Lógos era Deus e o Lógos fez-se carne (Homem)". Deparamo-nos então com uma dupla revolução, ontológica e epistemológica: "O ser supremo, o divino, deixa de ser uma estrutura anónima e cega para tornar-se uma pessoa; o modo de apreensão ou de conhecimento do divino já não é essencialmente a razão, mas a fé." É fundamentalmente com a fé-confiança que se vai ao encontro das pessoas.

Daqui, deriva uma revolução ética. A cosmologia grega implicava um mundo hierarquizado e aristocrático, confundindo-se a dignidade moral com os talentos naturais. O cristianismo apresenta o escândalo de um Deus encarnado numa figura humana frágil e, agora, o valor moral já não provém dos dons naturais, mas da liberdade: pense-se na famosa parábola dos talentos - afinal, o decisivo não são os talentos recebidos, mas o que deles se faz. Assim, a infinita dignidade da pessoa humana e a igualdade radical de todos vieram ao mundo pelo cristianismo e "todas as morais democráticas, sem excepção, são directamente suas herdeiras".

Finalmente, uma revolução soteriológica. Se o divino já se não confunde com a estrutura cega e anónima do mundo, mas encarnou, identificando-se com uma pessoa concreta, a salvação muda de sentido, tornando-se uma promessa e um compromisso de Cristo, de uma pessoa com outras pessoas, portanto, "um assunto de intersubjectividade, não de mundanidade". Deus em Cristo "ocupa-se de cada um em pessoa e pessoalmente" e dá-lhe a vida eterna, na ressurreição: "Poder reviver e reencontrar depois da morte os que amamos - vamos reencontrar a pessoa amada com o rosto do amor. A promessa é, evidentemente, grandiosa. É aqui que se encontra o coração do coração da tentação cristã, da sedução que o cristianismo exercerá sobre os homens."

Luc Ferrry não crê, porque "é demasiado belo para ser verdade". Outros, porém, acreditaram e acreditam, precisamente porque o cristianismo mostra a sua verdade na sua correspondência com o dinamismo mais fundo do ser humano. Cabe a cada um decidir.

Anselmo Borges
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 20:02

Completaram-se ontem dez anos sobre a morte de D. Hélder Câmara, o Bispo que mostrou ao mundo um outro modo de olhar o homem sofredor. Tive o grato prazer de o ouvir, há anos, na Sé de Aveiro, cheia como um ovo, em cerimónia simples presidida por D. Manuel de Almeida Trindade. D. Hélder dirigiu a quem estava uma mensagem simples e fraterna, habitual na sua pessoa. Ficou no meu espírito a ideia de um homem de fé, que acreditava numa justiça social assente na Boa Nova de Jesus Cristo.


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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 18:29
Carla Bruni com Sarkozi
:
E não disse alguém que
o melhor do mundo são as "adoráveis criancinhas"?


Foi num dos seus habituais passeios de bicicleta, nesta planície, ensolarada e abraçada pela ria, que se encontraram. Uma lojinha do comércio local, onde as pessoas ainda contam como tal e estabelecem relações de boa convivência, foi o cenário deste insólito episódio.
Deparou com aquela cliente a procurar as peças de joalharia que mais lhe convinham, como souvenirs da sua estadia na terra natal. Os seus entes queridos que haviam ficado em terras de Sarkozy/Carla Bruni, o casal mediático que anda nas bocas do mundo, decerto aguardavam com expectativa, as surpresas que iriam de avião, para chegarem mais depressa ao seu destino.
Sem qualquer assunto específico ou importante, entabularam conversa e sem mais nem p’ra quê, o tema versava a preservação do ambiente. Ouvia-a deliciada, defender com unhas e dentes, o ambiente e as formas como colaborava e se empenhava para fazer valer os seus princípios. Pasmava como aquela criatura preconizava a utilização mínima dos sacos plásticos, que, na sua opinião, deveriam ser pagos nos supermercados. Era uma posição vanguardista e, também, algo polémica, mas arrebatava o anuimento desta veraneante. Era tal a convicção com que debatia e defendia as suas posições que até, numa sugestão ali dada, para reduzir o consumo dos famigerados sacos plásticos, declarava que usava uma bacia para trazer o peixe, quando o comprava à beira de sua casa. Dentro da carteira, havia sempre um saquinho desdobrável para o que desse e viesse e num ímpeto de demonstração da sua eficácia, pega nele e oferece-o àquela ilustre desconhecida! Admirável, como encontrava uma pessoa que partilhava, tão cabalmente, os seus princípios ecológicos. Palavra puxa palavra, até que se identifica como professora e mais... como tendo sido aluna da sua interlocutora. Um abraço bem apertado selou e fez reviver a amizade de outros tempos, numa época em que eram ambas muito jovens, com apenas 3 anos de diferença na idade.
Depois de uma troca efusiva de palavras, num revivalismo de épocas passadas, nos bons velhos tempos em que caminhavam na construção e realização dos seus sonhos, dá-se um flash de memória. Aquela cliente, residente em França, faz a retrospectiva da sua vida passada, relatando os passos mais marcantes do seu percurso docente. Encontra-se em França, a leccionar Português aos filhos dos emigrantes, numa licença concedida para o efeito. Aqueles Portugueses, apesar do enorme esforço de aculturação, ainda conseguem ter disponibilidade mental para transmitir aos filhos a língua pátria que os viu nascer. Mérito, muito mérito nesta atitude de transmissão da sua língua-mãe, que, apesar de já não ser a dos seus filhos, ainda tem peso de bilinguismo. E... não está provado que quantas mais ferramentas um jovem possuir para enfrentar a vida, mais probabilidades tem de sucesso? O acervo de línguas também entra nesse cômputo. E... poliglota é a ambição de muitos e foi, durante algum tempo, um sonho acalentado pela autora destas linhas. Que bom é podermos compreender os nossos irmãos de paragens exóticas, no seu linguajar, sem precisarmos de intérpretes ou de qualquer ajuda exterior.
Revelam, apenas, um sinal de inteligência, estes emigrantes, que se demarcam daqueles, que noutras épocas vinham passar as vacanças a Portugal e construir a maison dos seus sonhos numa evidência de novo-riquismo balofo. Falavam Francês, em público, com os seus rebentos, como forma exibicionista de demonstrarem que já tinham andado por outras paragens e, quiçá, fazerem crer do sucesso alcançado na vida.
Revelou à sua antiga teacher, no tom brejeiro e decidido, marca da sua personalidade, que em breve iria para a retraite. Comungava da opinião de muitos docentes que estão desencatados com as políticas educativas, praticadas neste país e que nos últimos tempos têm feito correr rios de tinta.
Que não, que ainda não sentira vontade... de lhe seguir os passos para a retraite..., apesar da onda de descontentamento que varre a classe. Ainda se sente com genica e vai desfrutando do lado pitoresco da profissão, no contacto com uma faixa etária irreverente, sim, mas também muito espontânea e que lhe alimenta o seu espírito jovem.
E... não disse alguém que o melhor do mundo, são as “adoráveis criancinhas”?
Mª Donzília Almeida
27.08.09
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 18:23
Se gostar de saber quais são os nomes mais originais das listas às autárquicas, veja aqui. Mas não se ria, porque o seu também pode ser original, sem saber.

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 27 Agosto , 2009, 12:01
Etty Hillesum
Laurinda Alves, na sua crónica de hoje, no i, diz, citando ETTY HILLESUM, a judia holandesa que esteve em campos de concentração, que "A pensar nunca resolvo o assunto. Não é a pensar que uma pessoa consegue sair de estados de alma difíceis. Nesse caso outra coisa tem de acontecer. Então, deve-se ser passivo e escutar. Estabelecer outra vez contacto com um bocadinho de eternidade."

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