de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 22:31

BACALHAU EM DATAS - 31



ANTÓNIO RIBAU


Caríssimo/a:


“...[D]ois barcos de pesca à linha: ANTÓNIO RIBAU e LUÍSA RIBAU.”: assim terminava o último “Tecendo ...”. Como é minha convicção de que sempre temos tratado mal os nossos Avós, regresso hoje ao Timoneiro, e desta feita ao ano de 1990, ao mês de Dezembro, para nos deliciarmos com o “TOCA A MARCHAR!...” de Marcos Cirino e O. Louro, e do qual transcreverei pouco mais do que as partes relativas ao senhor António Ribau.

«Diz a lenda regional
que em tempos que já lá vão
fabricou-se o rico sal
nesta linda população
. [...]

“Com a deslocação da Barra , em meados do século XVII para próximo de Mira (...) o número de 500 marinhas (no salgado de Aveiro) estava reduzido em 1778 apenas a 178. A crise da barra e os consequentes assoreamentos na Ria foram causa do abandono e desaparecimento das marinhas das Gafanhas desde Vagos e desde a Costa Nova.
Pelo sul da actual ponte da Cambeia também desapareceram a Marinha Velha, a dos Gramatas e bem assim a dos Mil-Homens que ficava pelo norte do Forte Novo ou Castelo da Gafanha
.” [...]

É daqui oriundo o mais, ou pelo menos, um dos mais antigos armadores da frota bacalhoeira. De facto, a não ser que se conhecessem documentos do século XVII ou do XVIII, e até prova em contrário, vamos considerar o senhor António Ribau o primeiro a mandar fazer um navio. Mandou fazê-lo na Murtosa, sendo posterior o chamado NAVEGANTE I, feito em 1921 pelo Mestre Mónica.
Quando este barco foi feito, o senhor António Ribau deu uma quota de 1.000$00 a cada filho – e eram onze – e sabe-se que o preço médio dum navio nessa década de 20 rondava os 14.000$00.
Foi então que surgiu a empresa ligada à pesca e secagem de bacalhau denominada Empresa Naval Ribaus, Lda. [...]

Vamos contar um episódio curioso. Voltemos ao senhor António Ribau. Nas suas deslocações tinha uma bicicleta com travões de cinta.
Naqueles tempos era costume, nos bacalhoeiros ou na arte xávega, irem à bruxa para dar sorte nas pescas. Ora nestes primeiros anos do século XX não havia comunicação entre os bancos do noroeste atlântico e Portugal. O barco do senhor A. Ribau não aparecia e já lá vão mais de seis meses. Que faz ela! Diz:
“O navio aparece amanhã e tem de entrar, senão vai ao fundo, porque se aproxima um ciclone.”

O mar estava ruim. Que fez ele? Carregou a pistola e na antiga cadeia do Forte, que pertencia aos pilotos da Barra, tomou posição e mandou entrar o navio que entrou mesmo. Se a sua ordem desse para torto, seria o seu último dia de vida. Tal não sucedeu. A propósito de superstições e bruxas a desenfeitiçar pescarias leia-se a curiosíssima página do livro “Nossa Senhora da Nazaré” referente à fundação da capela do senhor dos Aflitos ou a correspondente da Monografia.

Hoje a empresa de que falámos é do seu neto senhor José Ribau e outras empresas, quatro ou cinco, tiveram a sua origem no avô corajoso e investidor.
A Marinha Velha possui [...] uma seca de bacalhau e, em construção, o novo porto de pesca costeira, um futuro de esperança.»

Aí fica, para os nossos mais novos e um ou outro curioso, esta página de antologia do nosso Bacalhau!

Manuel

Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 21:08


O RAPAZINHO DO FARNEL


Não estranhes, bom moço, receber uma carta aberta escrita em português corrente. Ainda não aprendi, como os teus colegas, a fazer a “escrita inteligente”. Tenho pena, mas paciência!
Sou um padre que vive à beira-mar, junto do Atlântico. Estou a ficar idoso e, desde muito novo, apreciei o que se diz de ti no Evangelho da multiplicação dos pães, recordas-te?!
São duas coisas que me impressionam muito: o seres novo e o teres procedido daquela maneira. Estou convencido que também foi isto que mais despertou a atenção de quem escreveu aquele episódio. Olha que nem registou o teu nome, nem o dos teus pais, nem da tua terra. Só aquelas duas coisas. Tu, se calhar, gostarias de ser tratado pelo nome, e eu também, porque o nome tinha um significado próprio e dava a conhecer quem nós éramos no sonho de Deus.

Acho interessante que sejas conhecido por “o rapazinho do farnel”. Sabes porquê?! Eu dou-te a minha explicação. Este nome indica a maravilha da tua idade e a grandeza da tua acção. De agora em diante, todas as pessoas são convidadas a serem como tu: atentas e amigas, confiantes e próximas, ousadas e previdentes, generosas na doação, joviais no espírito, discretas na acção. O farnel manifesta o teu modo de ser e a quantidade de alimento a tua maneira de proceder.

Agora tenho uma pergunta a fazer-te. Por que levaste cinco pães e dois peixes? Não era demais só para ti ou preocupava-te outra coisa? Inclino-me mais para esta segunda hipótese porque a bondade do teu coração desejava ouvir Jesus ainda que tivesses de correr alguns riscos. E também aceito que pressentias algo mais: a fome que podia vir, o descuido de alguém sem alimento, a possibilidade de seres útil. Parece-me que a tua imaginação abria horizontes ao teu coração. Ou então o episódio tem ainda outro sentido. É quase certo!

Admiro a prontidão do teu gesto. Confiante, partilhaste. Entregaste a André o que tinhas. Filipe olha estupefacto. Jesus assume o teu farnel, agradece a Deus a sua bondade e multiplica a tua generosidade. E a multidão sacia a fome com o alimento repartido.
Obrigado, rapazinho do farnel! Pela tua mocidade que se revela ser garantia da esperança de todas as idades da vida. Pela tua doação que rasga horizontes de proximidade. Pela partilha “do pão e do peixe” que manifesta uma nova relação com os bens. Pela atitude confiante que desvenda outro rosto de Deus no proceder de Jesus: É um Deus que se preocupa com a sorte da humanidade, que não é auto-suficiente, que aprecia a eficácia e a organização, que não prescinde da nossa colaboração.

Obrigado, rapazinho do farnel. A tua discreta intervenção põe em evidência para sempre uma grande mensagem: os milagres de Jesus passam pelas nossas mãos; os cristãos são convidados a comportar-se como pão que se parte e reparte por um mundo novo, por uma sociedade onde haja lugar para todos no banquete da vida.

Aceita o meu abraço amigo e agradecido!


Georgino Rocha

Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 20:55

Voltar atrás?...

Ao olhar para mim não me revejo
No petiz que eu fui, jovem que sonhou,
Parecendo que a fé já se esfumou
Na tortuosa estrada em que mourejo.

Em adulto perdi todo o ensejo
De fazer o que sempre me animou
E a vida tão sonhada se mudou
De grande sinfonia em fraco harpejo.

No tremor alquebrado dos joelhos
Sinto que foram vãos esses conselhos
Que tanto me previram este fim.

Tentar voltar atrás de nada vale
Por não haver regresso que me cale
A saudade que sofro já por mim!

Domingos Freire Cardoso

Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 20:44


Férias de Verão



Neste Verão é bom ouvir:
As férias estão a chegar!
E a minha dona sentir
P’lo meu pêlo a mão passar
!



A palavra férias soa agora com a magia de sempre! Numa altura meteorológica que se assemelha mais a um Outono tardio, ou até a um Inverno pesado, elas aí estão. Animadoras dos espíritos cansados do trabalho! Mas como em muita coisa na vida, parece haver alguma contradição, pois ouço dizer aos humanos que o trabalho dá saúde! Será assim? Ah, percebo agora por que razão andei adoentado, com a cabeça metida num funil, que me tornou tão infeliz! Eu que gosto de meter o nariz em todo o lado, até naquilo em que não sou chamado! Aqui, neste particular, não me demarco dos humanos, pois há muitos que padecem da mesma enfermidade, p’ra não dizer moléstia! Pela lógica humana, se trabalhasse tanto como a dona, teria a saúde de ferro que ela ostenta! Mas...eu passo a vidinha toda em férias! Até pareço um reformado que não tem horas para nada! Tem o tempo todo do mundo! Era isso mesmo que ela dizia a um dessa classe e que não gostava nada de a ouvir! Ficava tão amofinada a criatura! Até se zangava e tudo! O que vale é que a minha dona deixou de dizer esses desaforos! Queria viver em paz com todos e por isso passou a respeitar a isenção de horários dos retirados do trabalho!
Ah! Mas que bom é sentir o clima de férias que se vive em meu redor! A casa parece que ganhou outro brilho! Há mais luz, mais calor humano! Este é alimentado pelas visitas que cá vêm e que me vão passando a mão pelo pêlo! Será alguma tentativa sub-reptícia de sedução? Que queiram conquistar alguma coisa, vá que não vá, mas eu sou desconfiado! Quando a esmola é grande, o pobre desconfia!
Mas que é bom o ar de férias, lá isso é! Até o rancho melhorou para os meus lados! Vejo a dona a usar o barbecue com mais frequência, há mais comensais à mesa...enfim, também sobra sempre alguma coisa p’ra mim! Apesar de apreciar o fast food, sempre ali prontinho a comer, lambo-me todo quando vejo aproximar-se de mim o prato com aqueles petiscos que a minha dona tão bem prepara! Que delícia! Sou, na verdade, um cão sortudo e não faço nada jus ao aforismo popular referente a uma qualquer criatura que parece abandonada ao seu destino cruel e suscita a evocação, dita com ar de desdém: “vida de cão”! Pertenço ao rol daquelas avezinhas do céu, citadas na Bíblia, que não semeiam nem colhem e têm a mesa sempre posta na natureza! Eu... tenho-a em casa, desfrutando do dedicação afectuosa e exclusiva dos meus donos! Agora em férias, privamos ainda mais tempo, o que até certo ponto é contraproducente, pois no dizer da dona sempre crítica e nunca abstraindo do seu tom pedagógico, eu fico estragado com mimos!
Mas... um cão que se preze é sempre um cão, com toda a dignidade que a espécie lhe confere!
Eu vou continuar a desfrutar destas férias do pessoal cá de casa e aproveito todas as mordomias que me fazem. Para alguma coisa sou o guardião desta mansão e nunca deixei os meus créditos por patinhas alheias!

M.ª Donzília Almeida
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 10:19

Livros para momentos de lazer

A leitura é ainda um prazer indispensável em tempo de férias. Quem tem o hábito de ler, nunca deixa de aproveitar a oportunidade da pausa maior da actividade profissional para pôr a leitura em dia. E como sugeri há dias umas visitas turísticas à cidade de Aveiro, proponho hoje a leitura de dois livros referentes à nossa capital do distrito.
Permitam-me que indique, então, o livro "A PRINCESA SANTA JOANA E A SUA ÉPOCA (1452-1490)", de João Gonçalves, que nos revela o essencial sobre a padroeira da cidade e Diocese de Aveiro. Do mesmo autor, "AVEIRO 2009 – Recordando Efemérides", que nos oferece uma excelente resenha de acontecimentos e pessoas que ajudaram a construir a velha cidade, que tem estado a celebrar os seus 250 anos de existência.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 25 Julho , 2009, 10:16

O amor é o princípio
de toda a acção humana
individual e colectiva

O amor é o princípio de toda a acção humana individual e colectiva. Evidentemente, não pode existir sem a justiça, embora a supere. Mas o amor e a justiça têm de ser iluminados pela verdade, sendo esta luz da verdade simultaneamente a da razão e da fé. "Só com o amor - "caritas" -, iluminado pela luz da razão e da fé, é possível conseguir objectivos de desenvolvimento com um carácter mais humano e humanizador", segundo o princípio: "Se não for do Homem todo e de todos os homens, não é verdadeiro desenvolvimento."

A partir deste fundamento, a encíclica, lembrando que "a Igreja, estando ao serviço de Deus, está ao serviço do mundo em termos de amor e de verdade", acusa os desvios e problemas dramáticos do desenvolvimento, ao mesmo tempo que avança com princípios e propostas.

Assim, previne para o risco de confiar todo o processo do desenvolvimento apenas à técnica, segundo a mentalidade tecnicista, que "faz coincidir a verdade com o factível". Critica as posições neoliberais, cujo único objectivo é o lucro. Contra a pretensão de o Homem encontrar, sozinho, a solução dos problemas, afirma: "A razão, por si só, é capaz de aceitar a igualdade entre os homens, mas não consegue fundar a fraternidade" e, por isso, "a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos mais próximos, mas não mais irmãos." Como admitir que a riqueza mundial cresça em termos absolutos, mas aumentem também as desigualdades? Encontra-se corrupção e ilegalidade nos países ricos e também nos países pobres. "Há formas excessivas de protecção dos conhecimentos por parte dos países ricos" e "as ajudas internacionais desviaram-se frequentemente da sua finalidade por irresponsabilidades tanto nos doadores como nos beneficiários". É um equívoco pensar que a economia de mercado precisa de uma quota de pobreza e de subdesenvolvimento para funcionar melhor. Os organismos internacionais de ajuda deveriam perguntar-se pela eficácia real dos seus aparelhos burocráticos de alto custo. As organizações sindicais nacionais não podem ignorar os trabalhadores dos países em vias de desenvolvimento.

Para o seu correcto funcionamento, a economia precisa da ética, "uma ética amiga da pessoa". O comércio mundial tem de ser justo. O desenvolvimento tem de respeitar a ecologia ambiental, humana e social, pensando também nas gerações futuras. No quadro da interdependência global, impõe-se que nos tornemos seus protagonistas e não vítimas, sendo urgente uma nova síntese humanista para um humanismo integral e uma globalização orientada pela relacionalidade, comunhão e participação de todos, no vínculo indissolúvel de solidariedade e subsidiariedade.

É neste contexto que aparece a proposta mais sublinhada por todos: "Perante o imparável aumento da interdependência mundial e também face a uma recessão de alcance global, sente-se intensamente a urgência da reforma tanto da Organização das Nações Unidas como da arquitectura económica e financeira internacional, para que seja possível uma real concretização do conceito de família de nações. De igual modo sente-se a urgência de encontrar formas inovadoras para pôr em prática o princípio da responsabilidade de proteger e dar também uma voz eficaz nas decisões comuns às nações mais pobres. Isto revela-se necessário precisamente no âmbito de um ordenamento político, jurídico e económico que incremente e guie a colaboração internacional para o desenvolvimento solidário de todos os povos." Para conseguir o governo da economia mundial, o desarmamento, a segurança alimentar e a paz, a salvaguarda do meio ambiente e a regulação dos fluxos migratórios, "urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial", "que deverá ser reconhecida por todos, gozar de poder efectivo para garantir a cada um a segurança, a observância da justiça, o respeito dos direitos".

Anselmo Borges

In DN
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