de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 02 Julho , 2009, 21:04
Manuel Pinho


O ministro da Economia, Manuel Pinho, teve hoje um gesto impróprio e ofensivo da dignidade da Assembleia da República e dos deputados. Apresentou o seu pedido de demissão e o primeiro-ministro, José Sócrates, de imediato o aceitou. A bancada do PS e o Governo também pediram desculpa ao Parlamento e aos deputados. Não podia ser de outro modo.
O que me choca, nisto tudo, é que a reacção a esta atitude de Manuel Pinho nunca foi seguida em situações semelhantes. Quantas vezes, no Parlamento ou fora dele, houve insultos desbragados e ofensas inqualificáveis de uns deputados para outros? De uns e de outros partidos? Só agora é que registaram a má educação que anda por ali?
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 02 Julho , 2009, 19:57
É essencial que ninguém se sinta a mais
na família, na sociedade e na Igreja


Sociedade complicada, esta em que nós vivemos. As relações pessoais são sempre o espaço em que as complicações mais se acentuam e as tensões ganham maior relevo.

Não devia ser assim, quando se trata de pessoas adultas, embora com idades diferentes. A roda da vida, para todos inexorável, não deixa que os mais velhos esqueçam as atitudes de quando eram ainda pouco amadurecidos e reagiam a ordens e conselhos, e aos mais novos, não deve passar despercebido que a juventude é tempo que se escoa depressa. Rápida.

A convivência de idades diferentes permite a todos uma permuta de dons e de experiências, que enriquece mutuamente, mostrando que valemos e podemos mais, quando juntos e unidos, abertos e aceitantes da complementaridade.

O poder decisivo, hoje, está, na sociedade e, em muitos aspectos, também na Igreja, cada vez nas mãos dos mais novos. É verdade que, sobretudo nas empresas, ser mais velho para determinadas funções e tarefas, pode logo acontecer aos quarenta anos. Assim se atende mais a aspectos considerados de rendimento profissional, esquecendo-se que a rentabilidade não se traduz apenas em dinheiro. Há gente válida e capaz, aos milhares, desempregada por encerramento de empresas. Logo vê como se lhe torce o nariz ao procurar trabalho. Já tem cinquenta anos! Um país que quer continuar pobre.

Diz-se que o poder corrompe, novos e menos novos. Assim, há chefes mais novos, bem vestidos e engravatados, orgulhosos com seus diplomas e títulos, com atitudes que magoam, empobrecem a relação e mostram que são fruto de uma suficiência tola que não quer conselhos e apoios de ninguém. Também não faltam chefes mais idosos com a presunção de que ninguém lhes ensina nada. O “cresce e aparece”, ou “o seu tempo passou” ainda são atitudes mais frequentes do que se julga.

A Igreja, com a normal coexistência de gerações diversas na orientação das suas comunidades, procura acautelar as boas relações entre os padres, chamando a atenção para os valores de cada idade, esforço de compreensão, mútua aceitação, colaboração concreta, trabalho em equipa, comunhão de bens, deveres de hospitalidade, partilha de trabalhos, promoção de iniciativas que evitem o isolamento. Como procura que abram os olhos à participação dos leigos, com seu valor, experiência e trabalho realizado.

O problema tende a agravar-se no clero, onde a pirâmide de idades se inverte com o aumento dos mais idosos. Se não se exprime, visivelmente, a comunhão entre todos, não se caminha na colaboração mútua. Há, em todo o país, padres muito novos e pouco experientes e padres muito idosos e cansados a presidir a grandes comunidades. Um título canónico não garante, automaticamente, capacidades de liderança e sabedoria de decisões. Na aceitação mútua, a colaboração exprime-se e enriquece. Este testemunho, tomado a sério, pode servir de estímulo para outros sectores da sociedade. O tempo não é de novos ou de velhos. É de todos. É preciso, na Igreja e na sociedade, estar atento para que ninguém presente, se torne invisível ou ausente. As prateleiras não são lugar para arrumar gente, nem se podem promover pessoas, marginalizando outras pessoas. Até no seio da família e das relações familiares, se o saber e a experiência, vivida e sofrida, dos mais velhos, não lhes dá direito a ter opinião e a encontrar corações abertos para a ouvir, a família acabou. E muitas vão acabando, apesar das casas a dar nas vistas.

Estamos em tempo de acolhimento, não de desperdício, muito menos de pessoas. Não basta respeitar, quando se aparece. É preciso dar apreço sempre. Há causas que nunca deixam livres aqueles, hoje mais velhos, que por elas sofreram e lutaram. Não podem agora ser mendigos das migalhas que caem da mesa do poder. Elas continuam suas.

É essencial que ninguém se sinta a mais na família, na sociedade e na Igreja. Todas são pátria comum, espaço de vida, lugares de permuta e colaboração. Em todas o amor é lei.

António Marcelino
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 02 Julho , 2009, 19:44

Esta insegurança é um ponto de chegada
infeliz das liberdades que urge educar/agir?


1. Sabe-se que a segurança não tem sido um emblema maior dos tempos que correm. Quem passa de modo leve os olhos pela imprensa da região apercebe-se de uma onda de insegurança e criminalidade que assusta, mesmo para quem procura gerir o espaço público como lugar onde importa acima de tudo manter a serenidade. Os índices de assaltos têm crescido fortemente, e este é também um dos reflexos duros da crise social em situações onde está em causa a sobrevivência despertadora da insegurança do “salve-se quem puder”. Nestas circunstâncias, quanto maior for a permeabilidade das habitações ou a idade dos seus habitantes pior poderá ser a vulnerabilidade ao crime.

2. Uma cultura avassaladora de notícias “assaltadoras” da dignidade humana e de uma sociedade pacífica é continuamente “ensinada” pelos grandes poderes da comunicação. Veja-se a violência criminosa que perpassa no mundo dos cinemas e das notícias. Por vezes, tanto se denuncia e anuncia a criminalidade que se generaliza o seu hábito e mesmo se explica os procedimentos. Lembramo-nos, há alguns anos, de uma gigante onda de assaltos a espaços de religiosidade para os lados de Braga. Juntava-se a vulnerabilidade física e idade avançada dos zeladores desses patrimónios com a riqueza histórica apetecível aos olhares criminosos. Preocupante este rasto que pareceu não parar…

3. Recentemente os Padres de Águeda lançaram ao Governo Civil uma Petição pelo reforço da Segurança nos templos religiosos, destacando-se «seguramente mais de cem assaltos» nos últimos tempos. As populações, inseguras, estão indignadas, a gestão do património assume-se como um dever, a insegurança de pessoas ergue-se como um imperativo. Torna-se claro, nessa importante e alertadora petição pública, que as “palavras” até agora não têm dado frutos e que é urgente uma intervenção explícita no reforço de efectivos… Esta insegurança é um ponto de chegada infeliz das liberdades que urge educar/agir?

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 02 Julho , 2009, 14:55
Alfredo Ferreira da Silva na sala de jantar da Casa Gafanhoa

Os trajes são de gente simples,
porque a Gafanha nunca foi terra de fidalgos


No próximo dia 11 de Julho, o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN) vai realizar o seu XXVI Festival Nacional de Folclore, com a participação de cinco grupos. Esta iniciativa, que tem sido, ao longo de 26 anos, a mais expressiva, ao nível da cultura popular, levada a cabo pelo grupo, mostra à evidência a vitalidade desta associação, ostentando garantias de continuidade, pela força da juventude que a integra.
Nasceu a partir de uma festa de final do ano catequético da nossa paróquia, registando a história o dia 1 de Setembro de 1983 como data de fundação. Assume em 11 de Julho de 1986, por escritura pública, a sua existência legal. Desde a primeira hora, tem sido, sem dúvida, um extraordinário baluarte da cultura da região e um grande embaixador da Gafanha da Nazaré, quer no País, quer no estrangeiro.

Manequim representativo da gafanhoa

Em antevésperas de mais um Festival Nacional de Folclore, quis ouvir um dos seus fundadores e presidente da direcção, Alfredo Ferreira da Silva, com o objectivo de dar a conhecer aos meus leitores um pouco da vida desta instituição cultural, que já atingiu, há muito, a maioridade.
A conversa decorreu no ambiente mais apropriado, na sala de jantar da Casa-Gafanhoa, espaço museológico representativo de uma habitação de lavrador rico dos princípios do século XX.
Alfredo Ferreira da Silva recorda que os 26 Festivais de Folclore da Gafanha da Nazaré correspondem à idade do Grupo Etnográfico, como associação cultural com intervenção nas áreas da pesquisa, do estudo, do registo, dos ensaios e das actuações. A oficialização veio mais tarde, depois de confirmado que na nossa região havia tradições que mereciam e deviam ser recordadas, revividas e divulgadas.
Ferreira da Silva quer continuar a mostrar o que a nossa terra tem neste sector da cultura. No entanto, adianta que os responsáveis do GEGN têm de enfrentar a situação de alguns colaboradores, que “têm pouca disponibilidade de tempo”. Acrescenta que “a vida de hoje é um bocado diferente e difícil”.
Recorda que “outros vão envelhecendo e já não podem fazer tudo o que é necessário fazer; apenas vão coordenando e apoiando os mais novos.”
O presidente do Grupo Etnográfico sublinha, contudo, que, “felizmente, têm aparecido muitos jovens, até ao 12.º ano de escolaridade; quando entram nas universidades ou se empregam, nem sempre podem dar o seu contributo, embora alguns o façam, apesar dos sacrifícios por que têm de passar”.
Questionado sobre o envolvimento dos mais novos nas pesquisas e estudo das nossas raízes, Ferreira da Silva garante que essa tarefa ainda está mais nas mãos dos que andam no grupo desde a primeira hora. São, portanto, os mais velhos que recolhem as nossas tradições, nomeadamente, nas áreas das músicas, danças e cantares. Muitas recolhas estão na “mala”, não podendo ser divulgadas, apenas porque “o reportório já é bastante grande”, informa.
Quanto a participações nos mais diversos festivais para os quais o GEGN é convidado, Ferreira da Silva explica que houve uma fase inicial de grande entusiasmo, próprio da juventude. “Havia saídas às sextas-feiras, sábados e domingos e até às segundas-feiras; eram fins-de-semana muito ocupados e muito cansativos; a partir de certa altura, optámos por saídas aos sábados e domingos, neste caso só se for perto, porque os membros do grupo têm de trabalhar ou estudar às segundas de manhã”, esclareceu.
O GEGN tem compromissos com a Câmara Municipal de Ílhavo, no sentido de participar nos eventos para os quais é convidado. Assinou um protocolo com a autarquia, recebendo dela um subsídio anual, fundamental para a subsistência da associação. Outras receitas resultam de “jantares, rifas e quermesses organizados para o efeito”. Ainda recebe apoios do Instituto da Juventude e da Junta de Freguesia. Neste caso, não muito significativos, “porque as receitas da Junta não devem ser muito grandes”.
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Manequim representativo do gafanhão

O GEGN considera que a filiação na Federação do Folclore Português (FFP), ocorrida em 16 de Maio de 1988, significa, como regalia a ter em conta, “a garantia de qualidade”. E acrescenta: “Os dirigentes e técnicos da Federação estão constantemente a exigir rigor nas visitas que fazem aos seus filiados, o que é muito bom, para não se apresentar gato por lebre.”
Ferreira da Silva fez questão de sublinhar que o Folclore não é espectáculo para toda a gente, mas apenas para quem sabe apreciar trajes das regiões e de determinadas épocas, suas danças e cantares, ritmos e postura do corpo. “Quando convidamos grupos para os nossos festivais, pedimos, normalmente, que apresentem o seu folclore genuíno, porque não podemos deixar de ser exigentes”, frisou.
E sobre os trajes apresentados pelo GEGN, salienta que são todos de gente simples e de trabalho. “A Gafanha nunca foi terra de fidalgos”, esclarece.

Fernando Martins



XXVI Festival Nacional de Folclore
da Gafanha da Nazaré

Data: 11-07-2009
Local: Largo anexo à Alameda Prior Sardo
Grupos participantes: Orfeão da Feira – Vila da Feira; Rancho Folclórico e Etnográfico e Arzila, Soure; Grupo Etnográfico “Os Esparteiros de Mouriscas”- Mouriscas – Abrantes; Centro Recreio Popular S. Félix da Marinha – Vila Nova de Gaia; e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.

Programa:
16.30 horas – Recepção aos grupos participantes
17 horas – Visita à Casa Gafanhoa e cerimónia de boas-vindas, com entrega de lembranças
18.30 horas – Jantar na Escola Preparatória da Gafanha da Nazaré
21 horas – Início do desfile
21.30 horas – Abertura oficial do Festival
22 horas – Início do Festival

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