de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 24 Junho , 2009, 23:04

“A neblina da manhã amaciava os longes.
As quebradas dos montes vinham juntar-se em baixo, suavemente, segredando o caminho do rio.
Os refegos, acastelados, ficavam no horizonte, como panejamentos de cores suaves, onde havia cinzentos fimbrados de moreno baço com laivos de neve, tão branco se tornara o nevoeiro com o contacto da luz do sol. Nos primeiros planos das dobras dos montes ainda de desenhavam copas de árvores em borrão; mas, lá adiante, só ficava o dentado dos cerros mais altos em caprichos de formas. E aldeias espalhadas. Porto Antigo e do outro lado do Avestança, Souto do Rio. Depois Buaças, lá longe, onde os homens trazem tatuado nos braços um sino-saimão.”

Alves Redol
In Porto Manso
(Na introdução ao livro)

Para todos os que cuidam
da preservação da nossa identidade

Tenho andado a ler, há meses já, com o cuidado indispensável, que aumenta o prazer, uma monografia interessante, como quase todas as monografias o são. Trata-se do livro “BOASSAS – Uma aldeia com história”, com edição do jornal “Miradouro”, que assino, defensor dos interesses de Cinfães, Castelo de Paiva e Resende. O seu autor, Manuel da Cerveira Pinto, arquitecto, é filho do meu amigo Manuel da Cerveira Pinto Ferreira, director daquele jornal, e distinto cinfanense, que à sua terra deu muito, quer como cidadão culto e empenhado pelas coisas do espírito, como poeta que também é, quer como professor e autarca. Aliás, o autor dedica-lhe uma referência merecida e oportuna, em tempos propícios ao esquecimento dos nossos maiores.
Na apresentação do livro, Manuel da Cerveira Pinto Ferreira diz, com graça, que “Boassas há uma. Apenas esta. Não é, pois, como os chapéus…”. E logo adianta, ao jeito de quem quer abrir-nos o apetite: “Consta, com alguma base histórica, que o Autor defende, que o seu nome provirá de um árabe importante que, antes da reconquista, por cá viveu ou estadeou: Abolaças.”
Por sua vez, o Prof. Doutor António Jacinto Rodrigues, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, sublinha, na nota que antecede a obra propriamente dita, que “BOASSAS – Uma aldeia com história” se apresenta como “um trabalho de rigor e notável erudição”. E salienta, logo a seguir, o levantamento feito pelo autor do “património riquíssimo daquela área”, com “referências arqueológicas e etnográficas”, enquanto revela “edifícios de importância patrimonial”.
Para aquele catedrático, “esta excelente monografia de Boassas revela não apenas um acervo documental do património local mas abre pistas para um enquadramento de estratégia cultural e histórica cheio de potencialidades”.
Foi, pois, com estes esclarecimentos iniciais, que se tornaram desafios, que li e reli as 180 páginas desta obra, preparada com arte, muito bem ilustrada e com notas bibliográficas e registos de rodapé de suma importância para os estudiosos e interessados pela história das nossas terras e gentes.
Viajei, então, graças ao trabalho de Manuel da Cerveira Pinto, por aquelas bandas com Douro à vista, desde a pré-história aos nossos dias. Calcorreei os caminhos de Boassas, familiarizei-me com apelidos que fizeram história, passei por monumentos e casario de várias épocas, senti a religiosidade do povo, saboreei lendas e tradições que perduram, umas, e se foram, outras. Os usos e costumes foram-me contados com graça e até com ternura, adivinhei superstições e apreciei a gastronomia, marca indelével do ser e viver de gentes que preservam a identidade da sua região.
Figuras históricas e políticas, do passado e do presente, pessoas simples e populares, artesanato e arquitecturas, casas nobres e roteiros turísticos podem visitar-se, graças ao excelente trabalho de Manuel da Cerveira Pinto, um dos quatro filhos do meu amigo, de banca meu companheiro, Manuel da Cerveira Pinto Ferreira.
Os meus parabéns para quem concebeu e fez esta obra, com votos de que ela sirva de estímulo a quantos cuidam da preservação da nossa identidade, em tempos de globalização, que tudo é capaz de diluir, na voragem dos interesses económico-financeiros.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 24 Junho , 2009, 22:41
Biblista Carreira das Neves



Sem São Paulo não estaríamos aqui a conversar. O Cristianismo seria uma seita, que talvez já tivesse morrido. Não teria universalidade.

São Paulo não teve medo. Movia-se bem nos ambientes gregos e romanos. Pensava converter o mundo inteiro em pouco tempo, diz o biblista Joaquim Carreira das Neves em entrevista ao Correio do Vouga, quando o Ano Paulino está a chegar ao fim. No dia 28 de Junho, Bento XVI preside na Basílica de São Paulo Extramuros (Roma) às Vésperas da solenidade litúrgica dos santos Pedro e Paulo, encerrando um ano que teve como finalidade principal realçar a importância do Apóstolo para o acesso do mundo a Cristo
Leia toda a Entrevista aqui

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 24 Junho , 2009, 22:29
Só o facciosismo, a ignorância, a cegueira,
o fanatismo podem negar uma realidade,
que se mete pelos olhos dentro
:
"A Igreja, pelos seus membros, tanto é pecadora como irmã universal que luta pelo bem, num mundo onde abundam os acomodados. Reconhece as suas limitações e falhas, mas, também, o seu caminho de conversão, os seus méritos passados e presentes, a sua vocação de serva das pessoas, homens e mulheres, de qualquer raça, religião, língua ou cor. Por isso não se acomoda e se, por vezes, o fez ou ainda o faz, é contra a sua razão de ser e missão permanente. Tudo isto o dizem as páginas da história, nas quais, uma multidão inumerável de procuradores dos pobres, ocupa lugar cimeiro, com destaque para gente da têmpera de Francisco de Assis, Vicente de Paulo, José Cotolengo, João de Deus, Frederico Ozanam, Américo de Aguiar, João XXIII, Teresa de Calcutá…
Alguns governos laicos põem entraves à sua acção, mas não podem negar o que é claro e que o povo agradece como o sempre beneficiado. Só o facciosismo, a ignorância, a cegueira, o fanatismo podem negar uma realidade, que se mete pelos olhos dentro."
:
António Marcelino
Leia tudo aqui
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 24 Junho , 2009, 22:11
Siri Hustvedt

1. Em inícios de Junho a escritora norte-americana Siri Hustvedt, esposa do reconhecido escritor da actualidade Paul Auster, lançou o seu quatro romance. De ascendência norueguesa, cedo ela sentiu os EUA como a sua terra e nos tempos de estudante (anos 80) foi para Nova Iorque. Nessa cidade cosmopolita sentiu a presença de gentes de todas as paragens, de todos os sotaques, de todos os credos, pois o credo fundante dessa liberdade social é inclusivo e respeitador. Por estes dias, Siri concedeu uma interessante entrevista à televisão portuguesa (claro, no canal 2 e a horas já bem tardias) acerca do novo romance e do sentir da vida e do mundo.

2. O seu pai foi militar na 2ª guerra e assistiu à mortandade horrenda nessas paragens turbulentas da Europa (tal como ela assistiu ao 11 de Setembro). Foi quando da situação do falecimento de seu pai (2003), Lloyd Hustvedt, que Siri começou a redigir a sua obra «Elegia para um americano», escrito de pendor marcadamente autobiográfico como significando um luto pela partida do pai. A crítica aponta para uma ficção «sobre o luto e a transmissão das gerações», para um livro dedicado à filha, actriz e cantora, Sophie Hustvedt Auster. Destacando-se como a enfermidade e morte favorecem o dar-se sentido pleno ao tempo da vida, na referida entrevista a escritora a certa altura lança o olhar de admiração sobre a cidade de Nova Iorque, onde vive: sublinha que «em Nova Iorque, ninguém é estrangeiro!»

3. Pouco importando-se com a ideologia política ou mesmo contrariando um certo e existente imperialismo americano que teve em W. Bush um sinal menor, a admiração pela cidade onde ninguém se sente de fora porque todos vêm de todas as paragens, sendo simbólica, acaba por ser um reflexo do melhor que a condição humana pode sentir. Há 2000 anos Paulo de Tarso, inspirado em textos bíblicos falando da nova condição diz que: «Já não há estrangeiro, nem escravo, nem homem ou mulher». Só no futuro?!
Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 24 Junho , 2009, 21:56


Decorreu hoje, dia 24, na Fundação Mário Soares, em Lisboa, a apresentação do novo livro de Álvaro Garrido, denominado "Henrique Tenreiro - uma Biografia Politica". A obra será apresentada pelo historiador e professor universitário Fernando Rosas.
A apresentação, em Ílhavo, será a 4 de Julho, no Museu Marítimo.
Henrique Tenreiro nasceu em Dezembro de 1901, filho de um professor e neto de um coronel. Após a instrução primária e o Liceu Pedro Nunes, ingressa na Escola Naval. Em 1936, como Primeiro Tenente, entra no aparelho corporativo, onde trabalha às ordens do ministro Ortins Bettencourt, cuja cunhada, abastada brasileira, será sua mulher.
Em 1936, o então ministro Pedro Teotónio Pereira nomeia-o delegado do governo junto do Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau. Durante 38 anos é o verdadeiro patrão das pescas, sendo nomeado delegado do governo nos restantes grémios (sardinha, arrasto, baleia e atum)
Henrique Tenreiro consegue esvaziar a vida associativa dos grémios e vincular os armadores à política de fomento do governo e, até 1974, é ele quem define as directrizes da política nacional das pescas, controlando e dispondo sobre todos as fontes de financiamento dos programas de renovação das frotas pesqueiras.
Para o autor desta obra, "De 1936 a 1974, Henrique Tenreiro, actuou como uma espécie de condottieri para quem todo o poder foi sempre pouco. À medida que consolidou poderes cuja mobilização o regime não dispensou, fez das pescas um património pessoal, para seu engrandecimento político. Com o decorrer dos anos, a racionalidade política cedeu o passo à ambição e uma volúpia de poderes de escrutínio personalista e de fundamentos emotivos”.
:
Carlos Duarte

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