de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Junho , 2009, 23:27
A verdade das coisas
não é ou branca ou preta,
também há o cinzento

1. Sabe-se que o poder do criticismo cego, quando aplicado em todo o seu esplendor, não deixa espaço para o reconhecimento de que os outros também sabem pensar e fazer coisas boas. Também se compreende bem que, se o unanimismo de todos concordar com tudo, sendo uma inverdade, não abre espaço à dialéctica, à procura, à nossa e nova síntese que faz crescer. Mas, nem ao mar, nem à serra! Será tão importante o reconhecimento do bem realizado pelos outros, como o sentirmos e despertarmo-nos mutuamente para uma superação sempre mais aperfeiçoada, pois que tudo pode ser sempre melhor, mais amplo, mais envolvente. Talvez a prova da maturidade completa esteja, sem a anulação de identidade própria, o reconhecer-se (aperfeiçoando-se) dos valores e das virtudes do outro.

2. Há dias realizou-se no parlamento português o debate da avaliação da liderança política. Qual pêndulo do relógio, que ora vai para um lado ora para o outro, as oposições da nossa jovem democracia dão ainda pouco espaço para o reconhecimento de que do outro lado também há coisas boas, que nem tudo foi mau. Continua a tornar-se claro que (tal como a verdade das coisas não é ou branca ou preta, também há o cinzento!), enquanto a maturidade destes reconhecimentos das apostas certeiras do outro não fizerem parte do caminho de maturidade política, temos a sensação de que estamos e/ou estaremos sempre a recomeçar, e, neste ponto, estaremos na “estaca zero”. O bem da comunidade, não só nos tempos de crise mas estes mais despertam a urgência, carece da dose “quanto baste” de consensos que abra caminhos e crie pontes.

3. O progresso humano é inimigo do ponto zero da crispação social, das incapacidades estruturantes de gerar consensos básicos em ordem ao bem comum. O querer crescer, sem a ilusão de todos concordarem com tudo e no assumir do debate como abertura a horizontes sempre maiores, obriga ao reconhecer-se de que todos continuamos da obra comum. Reconhecer para crescer!
:
Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Junho , 2009, 23:15

“Prima non datur, ultima non recipitur”! Soa como uma melodia, este binómio que agora se vai concretizando. Na verdade, nos alunos que frequentavam o ensino liceal, no século passado, era uma expressão recorrente e que muito lhes agradava. A primeira aula ficava-se pelas apresentações, de mestres e discípulos, a última pela despedida. E... o Latim tinha força de lei!
Caminha a passos largos para o fim mais um ano lectivo e multiplicam-se as tarefas, os esforços, de ambas as partes deste processo, ensino/aprendizagem. Sendo verdade que até ao lavar dos cestos é vindima, como se ouvia aos mestres doutras épocas, também hoje, nas escolas, por todo o país, se esfalfam os professores para dar, aos seus alunos, a possibilidade de alcançar os seus objectivos pedagógicos, isto é, o tão almejado sucesso. Sim, a classe docente, a mesma que é tão maltratada pela opinião pública, é aquela que dá o corpo ao manifesto e a alma ao diabo, para conseguir que os seus alunos ultrapassem as dificuldades.
Ainda há dias, num contexto de comércio local, a teacher travou um duelo verbal, em que o opositor desbaratava a torto e a direito sobre os professores. Foi proferida toda uma série de impropérios, numa generalização redutora e perigosa, que ia sendo rebatida pela argumentação lógica e fundamentada duma profissional do ramo!!!
Aquele género de pessoa, já bem tipificada na sociedade hodierna, que tudo destrói, tudo condena, tudo amesquinha, sem contudo ter soluções para nada, era o interlocutor da teacher! Esta ouviu, ouviu e por fim deixou que o diálogo descambasse para monólogo, pejado de agressividade! E frustração, já que o que este tipo de pessoas denota é, na realidade, um enorme sentimento de frustração perante a vida, que não lhes deixa enxergar nada à frente do nariz. Quem tem este tipo de atitudes, sobretudo para com uma classe tão sacrificada, incompreendida e injuriada, revela, numa interpretação freudiana, um complexo de inferioridade, associado a uma muito baixa auto-estima.
Os professores vão estar aí, novamente no centro das atenções, pois vão proceder a uma das mais delicadas tarefas do seu mister – a avaliação. Processo que incorpora uma grande dose de subjectividade, é grandemente questionado, debatido e exercido.
Parafraseando Jean Foucambert, a Escola seria preciosa se ajudasse todos os alunos nas suas aprendizagens, já que existe precisamente para isso. Muito do que os alunos aprendem é por sua conta e risco, isto é, existem aprendizagens sem ensino, na conhecida escola paralela, mas a Escola tem por função estimular, desabrochar o gosto pela aprendizagem. Ao avaliar um aluno, o professor está a avaliar-se implicitamente, pois dependeu do seu papel interventivo, o desempenho do aluno.
Agora, retirando todo o caudal de água benta aspergida pelos docentes, resta a recompensa para os que se esforçaram e... a libertação para aqueles que consideram a Escola como o inimigo n.º 1 do aluno. Assim se referiu o Caramelo à instituição que frequenta e ao enorme desinteresse que nutre por ela!

M.ª Donzília Almeida
14.06.09
tags:

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Junho , 2009, 23:06


Estrada

Olhando as minhas mãos, assim despidas,
Tão vazias de anéis e compromissos,
Tão desnudas de feitos e feitiços
Penso que as intenções foram perdidas.

Descubro em minhas rugas esculpidas
As marcas dos propósitos postiços
E, nos meus olhos, de brilhos já mortiços,
A dor de renovadas despedidas.

Tive amor no meu peito e não o quis,
Senti m sonho à mão e nada fiz
Por julgar que este mundo era ilusão.

Tendo de meu tão pouco ou quase nada
Vejo, no fim da estreita e erma estrada,
Sorrindo, à minha espera, a solidão.

Domingos Freire Cardoso

mais sobre mim
Junho 2009
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9


22



arquivos
as minhas fotos
pesquisar neste blog
 
blogs SAPO
subscrever feeds