de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 16:25

1. A novela de alguns bancos portugueses afogados pela incúria e pelo interesse único do deus dinheiro continua imparável. Mundos e fundos transferidos para os chamados paraísos fiscais são o reflexo dessa estratégia multiplicadora mas fugidia de um paradigma de economia que, mais ano menos ano, teria de ter o seu próprio fim. Não menos preocupante poderá ser a estratégia da generalização acusatória para com facções políticas, como se o “crime económico” fosse desta ou daquela corrente de pensamento. Esta atitude continua a espelhar que ainda não se aprendeu com a história… De todos os lados do pensamento social e político, infelizmente, poderá existir a suspeita de pertenças ao poço sem fundo, que cresce tanto mais quanto menos a ineficiência justiceira.

2. Do ano 2000 para cá um conjunto de situações, suspeitas de grandes crimes que entroncam na corrupção, têm assolado este paraíso à beira mar plantado. Da sensação de que seriamos um povo pobre mas honrado, passou-se, com meia dúzia de grandes casos envolvendo personalidades mediáticas, a uma nova consciência de que havíamos andado enganados. Não se transfira só a responsabilidade para entidades de estatuto nacional, pois que as obrigações cívicas e éticas nunca podem passar de moda pessoal e social, pelo contrário: vão sendo tanto mais publicadas e defendidas quanto menos agilidade nos sistemas educativos e de justiça parece existir. Também seja sublinhado e interrogado sobre: qual o papel eficiente das entidades de supervisão? O que faltou/falta?
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3. O prior que pode acontecer será o colocar-se tudo no mesmo saco. Como em tudo, existem papéis diferentes para diferentes actores. O cumprimento das regras do jogo conduz a que é lícito e meritório o procurar a gestão dos rendimentos, o arriscar nas bolsas, o avançar para esta ou aquela entidade bancária que, pressupostamente, cumprirá os requisitos oficiais. Mas, sem ética da confiança tudo se desmorona… Não será?
Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 13:52

Programa aposta forte no convívio
entre as várias tripulações

Nos próximos dias 27 e 28 de Junho vai realizar-se, ao largo da Barra de Aveiro, a 2.ª Regata de Cruzeiros do Porto de Aveiro. A organização é da Administração do Porto de Aveiro (APA), em parceria com o Clube de Vela da Costa Nova (CVCN). A BP associa-se a esta importante prova desportiva como Patrocinadora Oficial.
A prova é aberta a barcos de cruzeiro à vela agrupados em classes IRC, ANC e OPEN. A 19 e 20 de Junho começarão a chegar a Aveiro as embarcações forasteiras. As provas decorrem nos dias 27 e 28, inseridas num programa que aposta forte no convívio entre as várias tripulações.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 11:40

Às vezes, ou frequentemente, passamos a correr pela nossa Ria. Mas se passarmos por ela com calma, é certo e sabido que nos ângulos da nossa visão há sempre motivos para contemplação. Como os que esta imagem mostra, com a Ria por pano de fundo.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 11:14
Obama

Salazar retirou-nos o orgulho
de podermos cantar vitória


Obama continua a marcar a nossa história contemporânea com intervenções certas na hora certa. Ontem, em França, nas celebrações do Dia D, batalha em que se definiu o rumo de um futuro democrático, o Presidente norte-americano homenageou os homens normais que defenderam a liberdade da Europa, face ao terror Nazi. Foi um combate entre duas visões da humanidade. Venceu a visão que ainda hoje nos anima, embora carregada de sombras prenunciadoras de perigos, tudo por causa das injustiças sociais.
Falou dos homens normais. Os eternos esquecidos nos registos da história. Os chefes, os que ficam nos anais e que são também fundamentais, ensombram ou ignoram os que dão o corpo à luta. Esses que, muitas vezes, semeiam os campos de batalha, marcando com o seu sangue as areias que testemunham o seu esforço. Honra, portanto, aos homens normais e quase sempre esquecidos.
Já agora, só mais uma palavra. Nessa luta por uma liberdade digna para a Europa e para o mundo, os portugueses, pelas decisões dos seus chefes, ficaram de fora. Salazar não passou de um cobarde que negociou, ora com os aliados ora com os nazis, uma neutralidade indigna, retirando-nos o direito e o orgulho de podermos cantar vitória com esses homens normais, que reorientaram a história do nosso tempo. Não deixou que os portugueses lutassem pela dignidade dos homens livres.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 10:56
Pouca gente na Feira do Livro
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Velhas edições e monos
não são serviço útil à cultura
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Fui um dia destes à Feira do Livro, em Aveiro, no Rossio, onde era suposto encontrar muita gente. Meia dúzia de pessoas por ali andavam e, que se visse, pouco ou nada compraram. Tal como eu. Custa-me dizer isto, mas foi verdade. Nos barracas que, à partida, deviam ter as obras que procurava, nada. Questionei a empregada, que me atendeu solícita, sobre a ausência de certos livros, e a resposta foi pronta: Com as percentagens de lucro que as editoras nos dão, não temos hipóteses. A Feira "exige" uma baixa de preços e nós não podemos perder dinheiro.
Claro que as Feiras do Livro servem para atrair pessoas e criar leitores. Os descontos são um estímulo. Mas estar numa Feira destas a vender velhas edições e monos, daqueles que se vendem ao molho, não é um bom serviço para a promoção da leitura e da cultura. Se isto continuar nestes moldes, a Feira do Livro em Aveiro cai no descrédito, o que é pena.
FM

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Junho , 2009, 00:00
BACALHAU EM DATAS - 24


A PRIMEIRA GRANDE GUERRA

Caríssimo/a:

1911 - «1911 fora um ano mau. Queixavam-se as empresas “de que os seus barcos trazem menos que no último ano alguns contos de réis da preciosa salga... Apanharam quase todos os restos de um tufão e tiveram na viagem um mar tormentoso. No regresso, o lugre SOPHIA perdeu um pescador, “o infeliz Cipriano José, natural de Ílhavo”. O capitão Manuel dos Santos Labrincha: “Ia o rapaz a sair das escadas da câmara quando um golpe de mar entrou por aí dentro e mo levou. [...] A câmara ficou com meio metro de água dentro. Os vidros desapareceram, rebentou-lhes com as portas, e lá vai o pobre rapaz sem o poderem salvar [...].” »[Oc45, 88]
1912 - «Em 1912, um ano fraco para a pesca do bacalhau, nasce uma nova sociedade, a “Boa União”, que inicia a construção dos seus armazéns.» [Oc45, 84]
«Em 1912, ao sair para a Terra Nova, o LUCÍLIA, da praça de Ílhavo, “esteve em risco de naufragar. Já fora da barra, amainando o vento, o iate encostou numa restinga do sul, tendo de alijar parte da carga de sal para poder safar-se”. Nesse mesmo ano de 1912, no regresso da Terra Nova, perdeu-se o ATLÂNTICO: ”encostou à praia, ao entrar, e se partiu perdendo-se. A carga, anunciada para vender em leilão, foi arrematada pela firma Pinto Leite, do Porto, à razão de 6$000 réis o quintal”.» [Oc45, 88]
«Tanto a Murraceira como o Cabedelo, Carneiro e outros locais da Figueira da Foz serviram para a construção de lugres bacalhoeiros já no primeiro quartel do século XX, quer pela mão dos Mónica, quer pela mão de outros mestres construtores navais como Sebastião Gonçalves Amaro ou Jeremias Novaes, destacando-se, entre outras, as seguintes unidades: GOLFINHO (1912), JÚLIA IV (1914), GUERRA SEGUNDO (futuro CORÇA e futuro GRANJA – 1919), SARAH (futuro GASPAR – 1919), CISNE (1920), MARIA DOMINGAS (futuro BRETANHA – 1923), SÃO PAULO I (futuro MARIA PRECIOSA – 1925).» [Oc45, 120 n. 14]
1913 - «Em 1913, eram já 38 os navios portugueses na Terra Nova. Aveiro contribui com 6 unidades. Nesse mesmo ano, a empresa Cunha & C.a constrói uma nova seca na Gafanha da Nazaré. No final desse mesmo ano, nasce uma nova empresa para a pesca do bacalhau, para o que adquiriu o lugre LUCÍLIA. Mas o crescimento da frota era lento e irregular.» [Oc45, 84]
1914 a 1918 - «Mas a pesca do bacalhau decaiu com a Primeira Grande Guerra. Depois do Armistício, o Estado disponibilizou algum auxilio aos armadores, assistindo-se a um incremento da pesca do bacalhau e da construção naval associada, que originou um novo relançamento da frota. Esta compunha-se de navios de madeira, de propulsão à vela, construídos maioritariamente nos estaleiros da Figueira da Foz, Aveiro e Viana do Castelo e armando em lugre, lugre-patacho, lugre-escuna, patacho escuna e iate.»[Creoula, 10]
«O período da I Guerra Mundial foi marcado por dificuldades várias, a começar pela irregularidade do volume do pescado, que de resto se fez sentir durante as primeiras décadas do século XX.» [Oc45, 85]
«Alberto Souto, membro da Comissão de Pescarias da Câmara dos Deputados: [...] “[E]nquanto nas Escolas Industriais dos centros piscatórios se não fizer um curso de aquicultura com as competentes demonstrações nos Viveiros Nacionais e nos Laboratórios de Zoologia Marítima, a indústria aquícola em Portugal continuará a ser o que hoje é – o atraso, a rotina e a devastação”. O papel do Estado não podia ser, em seu entender, “apenas o de um fisco avaro e de um polícia severo”.» [Oc45, 85]

Pelas palavras que lemos, ficamos com algumas certezas e muitas dúvidas.
Certamente que estou com Alberto Souto lá isso estou... mas parece que estas “guerras” estão perdidas antes de tempo!

Manuel

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