de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 23:09

A importância da Terra Nova só seria reconhecida se ela se calasse

A Rádio Terra Nova (RTN-105FM), como a grande maioria dos órgãos de comunicação social, está, desde há muito, a encontrar sérias dificuldades para sobreviver. O fenómeno é conhecido, mas nem por isso as comunidades locais, nas quais ela se insere, se mobilizam para a apoiarem. Como nos dizia Vasco Lagarto, seu principal responsável desde a primeira hora, as pessoas e instituições só reconheceriam a importância da RTN se ela se calasse de vez.
“Toda a gente se habituou à ideia de que a rádio está ali, que funciona 24 horas por dia, e só reclamam quando há um programa que vai para o ar com uns dez minutos de atraso ou quando, por qualquer razão, não há possibilidades de fazer a cobertura de provas desportivas ou de outros eventos”, salientou.
O director da Terra Nova garante que a rádio só se mantém em actividade porque existem algumas pessoas que lhe dedicam o seu tempo, mas urge compreender que há “encargos e que é preciso chegar ao fim do mês com meios financeiros para os suportar”, referiu.


A RTN nasceu na década de 80 do século passado, num período de baixa de preços dos equipamentos de emissão. Um pouco por todo o mundo, e em Portugal também, surgiram rádios locais, muitas vezes direccionadas para simples bairros. Pretendia-se divulgar iniciativas de instituições dos mais variados ramos, que nunca tinham vez nem voz nas rádios nacionais. O boom das “rádios piratas” foi de tal ordem elevado, que as entidades oficiais não tiveram qualquer hipótese de impedir o seu funcionamento.
Em 12 de Julho de 1986, a RTN, mesmo sem baptismo, foi para o ar, na sede da Cooperativa Cultual. Diz a sua história que eram 11.30 horas de um sábado. “Ligámos apenas um amplificador e passámos música gravada”, recorda Vasco Lagarto.
Em 31 de Dezembro de 1988 “calou-se”, por imposição do processo de legalização entretanto iniciado. Mas em 26 de Março de 1989, num domingo de Páscoa, agora com alvará e com as exigências de legislação entretanto aprovada, reiniciou as suas emissões, assumindo um projecto voltado para as realidades culturais e sociais das comunidades envolventes, num raio de acção que hoje chega aos 50 quilómetros.
Posteriormente, adoptou o nome Terra Nova, não só em homenagem a quantos viveram a saga da Faina Maior – pesca do bacalhau – nos mares do mesmo nome, mas ainda por reflectir o sonho de quantos apostam numa terra nova, no respeito pelo progresso sustentado e pelos direitos humanos.

Rádio Terra Nova aposta na WEB

Reconhecendo que os princípios que enformaram as rádios locais estão um pouco “adulterados”, o director da RTN reafirma que não consegue conceber o projecto Terra Nova sem as componentes da primeira hora. E adianta que actualmente há muitas que, por força das dificuldades económicas, cederam a antena a grandes rádios nacionais, ficando o nome como pequena “máscara”. Essas rádios nacionais operam assim, ”aproveitando as sinergias da sua dimensão, para atingirem o mercado local da publicidade”.
Vasco Lagarto insiste na ideia de que a ligação da RTN à sociedade é importante. “Isto é uma coisa que ao longo do tempo tem vindo a diminuir; as pessoas cada vez mais se interessam menos por aquilo que acontece à sua volta e pela riqueza da sua própria comunidade”, frisou.
Questionado sobre a atracção exercida por outros meios de comunicação social, nomeadamente a Internet, o director da Terra Nova admite que tal possa estar a acontecer. Porém, sublinha de imediato que a RTN também se adaptou a essa realidade, ocupando o seu espaço na WEB (www.terranova.pt), onde regista um sucesso que não pára de crescer, com um milhão de visitas por mês, sendo 80 por cento de Portugal e as restantes do estrangeiro.
A RTN, que opera nos 105 FM, procura reflectir nos seus conteúdos a vida concreta, a vários níveis, dos concelhos à volta de Ílhavo, sendo garantido que “é isso que nos diferencia de qualquer outra rádio de outra região, quer seja local, quer nacional”, garante o nosso entrevistado.
Entretanto, numa constante procura de ligação às mais diversas instituições, Vasco Lagarto não perde a oportunidade de sensibilizar toda a gente para uma envolvência mais dinâmica, tanto sob o ponto de vista técnico como humano, tanto científico como económico. Assim, apresentou um projecto no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, no sentido de criar “uma relação mais próxima, mais pessoal, entre a comunidade (neste caso o mundo inteiro) e a própria rádio”. E acrescentou: “Ficámos surpreendidos quando, no fundo, cinco alunos se entusiasmaram pelo projecto, estando então a fazer um esforço, na perspectiva de criar uma nova página com aquelas funcionalidades.”
Sobre a ligação da Terra Nova a outros projectos de comunicação social, Vasco Lagarto admitiu que houve, há anos, a ideia de criar um jornal, “esperança que ainda não se perdeu”, até porque o que é produzido na rádio poderia ser aproveitado para isso. A questão, que “não saiu da agenda”, talvez possa voltar a ser equacionada, “quando a rádio completar 25 anos”.



Rádios Locais também fazem serviço público


O Estado apoia a indústria automóvel e aquilo que tem a ver com a preservação do emprego. Depois, apoia a RDP e a RTP, porque cumprem um serviço público. E todos nós, os que pagamos energia eléctrica, contribuímos, mês a mês, para isso. Mas todas as rádios locais, que exercem esse papel, nada recebem. “Eu posso achar que a RDP faz serviço público, mas as rádios locais também o fazem”, frisou. E explica: “Quando divulgamos as actividades das associações e outras organizações estamos a fazer serviço público, coisa que a RDP não faz, porque considera como sua comunidade local o grande centro urbano que é Lisboa.”

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 23:01
Johnny Holliday

Irreverência II

“Sleep is my only homework.
And I wish I had more of it”



(O meu único trabalho de casa é dormir. E gostaria de ter mais trabalho desse...)
Em letras brancas, garrafais, sobre fundo preto, ostentava com ar desafiador, aquela inscrição na sua t-shirt nova. Era aquele aluno, oriundo dali, da Costa Nova, com uns olhos verde-água, quase transparentes, penetrantes.
A língua inglesa era para ele uma toada estranha, que em nada se assemelhava aos pregões que ouvia no mercado, onde a sua família vendia o pescado. Não vislumbrava qualquer utilidade nela, nem sequer na época balnear, em que a sua zona era visitada e frequentada por uma multidão de turistas estrangeiros. A ocupação nos tempos de férias, em restaurantes e bares, onde podia usar, dar utilidade à língua estrangeira, não era suficientemente atractiva para o demover da sua inércia. Deixava-a passar ao lado! P’ra quê falar Inglês, se os seus compinchas tão bem o entendiam e as suas aspirações na vida, não tinham acompanhado o seu crescimento, tinham ficado anãs?
Aquela inscrição, subversiva, em Inglês, despertara-lhe o apetite! Era “in” exibir um dito jocoso, na língua mais falada do planeta!
A teacher esteve atenta e aproveitou, pedagogicamente, aquela intencionalidade irreverente. Pelo menos, aquela frase entrara-lhe e sabia o seu significado! Atrás desse, outros viriam, também provocadores, mas... o que interessa é que lhes visse a utilidade.
T-shirts com inscrições, em Inglês, mescladas com certa conotação humorística, sempre foram do agrado da teacher, que ainda hoje as usa no seu quotidiano. Desde cedo que exerceram fascínio na sua mente feminina e a aquisição dessas peças de vestuário tem sido uma prática recorrente. Evoca aquela fase dos seus verdes anos, na Faculdade, em que se pavoneava pelas ruas da Lusa Atenas com a efígie do cantor pop Johnny Holliday. A revista jovem da altura, Salut les coupains promovera a venda dessas t-shirts a troco de uma pequena quantia em francos. Fã que era do cantor, lá vai a jovem universitária encomendar e receber, pelos CTT, a almejada encomenda. Ah! Aquilo é que foi um delírio! Toda ufana e ostentando uma coisa original (ninguém fora tão excêntrico (!?) percorria o caminho para a universidade e ouvia, com a timidez duma teenager, o piropo avulso de algum transeunte com quem se cruzava! O rosto estampado no peito daquele cantor francês era o mote para uma comunicação unilateral... mas que dava algum gozo àquela aspirante a teacher!
Afinal, aquela criatura ingénua, com ar de santinha, introvertida e sonhadora, tinha lá no fundo, aprisionada, a sua fracção de irreverência que haveria de explodir num futuro longínquo... quiçá na idade madura!

M.ª Donzília Almeida
05.06.09
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 23:00

Mais de 800 emigrantes de vários locais dos EUA reuniram-se em Newark numa festa, tipicamente portuguesa, e cuja receita reverte, integralmente, para a construção do Hospital de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo.
Presentes nesta festa o provedor da Santa Casa, professor Fernando Maria, o presidente da Câmara, Ribau Esteves, e dois vereadores da Câmara de Newark, que entregaram às entidades portuguesas a medalha daquela cidade Americana.
A receita prevista será de mais de 20 mil dólares e vai ser entregue em Ílhavo pela comissão organizadora do encontro, composta por emigrantes de Ílhavo e das Gafanhas.
O professor Fernando Maria visitou o Hospital Saint Barnabás acompanhado pela Direcção do hospital, tendo ficado satisfeito com a visita, pois a estrutura funcional deste estabelecimento americano é idêntica à de Ílhavo.

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 17:08
Os ecologistas estão muito atentos ao gato morto que se abandona na rua ou ao lixo lançado fora dos contentores, mas passa-lhe ao lado a preocupação pelo ambiente humano deteriorado e cada dia mais inquinado pelo que se publica, se vê e ouve, até na rua, que, por enquanto, ainda é espaço de todos


Será que foi sempre mais ou menos assim ou estaremos perante um fenómeno novo a que a comunicação social se encarrega de dar permanente e vistosa publicidade?
O inquinamento doentio da mente e do coração sempre pôde atingir a todos com gravidade. Em tempos foi-se muito longe, quando a manifestação pública deste inquinamento produziu vidas depravadas e chegou à exaltação, como se se tratasse de grandeza da raça ou de um melhor estatuto cívico. Ainda aí há sinais disso.
Como quer que tenha sido antes, a verdade é que estamos hoje a viver ou a reviver uma época de pan-sexualismo, reduzido à manifestação de obscenidade que o ambiente farisaicamente favorece e dá dinheiro a quem o promove, acabando por manchar, socialmente, a maravilhosa dimensão da afectividade e da sexualidade humana.
Como que a fazer eco do que se passou há poucos anos nos Estados Unidos da América, surge agora, como realidade ao longo de décadas, igual mazela na Irlanda. Acontecimentos que são, descontados embora os exageros de alguns relatos, a todos os títulos lamentáveis e condenáveis, mais ainda por estarem relacionados com instituições cristãs. Ninguém está imune do mal e de passos mal andados, devendo reconhecer-se, no entanto, que não é isso que se espera de pessoas e de obras sociais, que se propuseram ter a mensagem evangélica como instância educativa permanente.
Quem folheia jornais e revistas de generalidades e pára na rua para observar os escaparates dos quiosques da imprensa ou passa pelos canais de televisão, de cá e de fora, se tem sentimentos de dignidade e preocupação por uma sociedade sadia e liberta, não pode deixar de ficar perplexo e preocupado ante o que lê e vê.
A educação sexual, sempre e muito mais neste contexto, torna-se, de facto, necessária para os mais jovens, chamados a ser gente responsável, não por caminhos modernos tortuosos ou a agir sob sentimentos imediatos, mas pela transmissão lúcida de valores perenes que levem ao respeito por si e pelos outros. Muitos adultos necessitam, também, de um forte safanão que os acorde e os leve a quererem ser mulheres e homens, pessoal e socialmente dignos, e a trocar os atoleiros e o chafurdo por ambientes sadios, onde se viva de modo feliz e liberto. Do mesmo modo, haja quem atento tome conta do que se publica. Os ecologistas estão muito atentos ao gato morto que se abandona na rua ou ao lixo lançado fora dos contentores, mas passa-lhe ao lado a preocupação pelo ambiente humano deteriorado e cada dia mais inquinado pelo que se publica, se vê e ouve, até na rua, que, por enquanto, ainda é espaço de todos.
Quando a vergonha e a responsabilidade pessoal não são censura válida, qualquer outra se torna odiosa. Quando o poder económico é rei e senhor, não faltam outros poderes a dobrar-se reverentes, ante os que mais têm e podem sempre ser úteis.
Tem começado pela desagregação moral o declínio dos povos que se julgavam pioneiros de uma liberdade sem controlo. Por aí vamos, porque as crises económicas são antes morais e éticas. Comer, gozar e agradar não é modo de viajar rumo a bom porto.
E a família? Muito se tem feito para a dignificar e capacitar para as suas tarefas. Mas muito se tem feito, também, para a destruir e anular na sua dignidade e nos seus direitos e deveres. A fonte que gera todas as crises humanas é sempre a mesma numa sociedade adormecida, manietada e desvirtuada nos seus objectivos normais. Se houver coragem para o reconhecer haverá também determinação para dar resposta.
A intoxicação do obsceno e do sentimental debilitou os sentimentos mais nobres e os vínculos que unem as pessoas. O problema é cultural, com inevitáveis reflexos no humanismo reinante. As grandes vítimas estão aí à mostra: as crianças e os mais idosos. Ambos, pela sua natural dependência, se tornam manejáveis a interesses. Sem respeito e amor às crianças e gratidão aos idosos, para onde ruma e onde vai parar a sociedade?

António Marcelino

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 16:56
1. Cada acto eleitoral afirma-se como um forte desafio à cidadania. Sendo verdade que a motivação em participar, muitas vezes, é bem mais desperta em situações de não liberdade ou quando existem regimes ditatoriais…o certo é que a plena consciência de uma cidadania efectivamente activa conduzirá a saber dizer «presente» mesmo, porventura, em situações em que não dá jeito ou a urgência parece não ser tanta. Torna-se essencial o nunca perder da memória histórica para apreciar o direito de votar e o valor do voto como das conquistas sociais mais dignificantes; é importante o considerar que cada dia, cada pessoa e cidadão, é convidado a ser actor sócio-político de modo generalizado, o que implica a noção dos «deveres para com a comunidade» (Declaração Universal DH, artigo 29º).

2. Nunca a «desculpa de mau pagador» das más imagens ou menos boas práticas políticas poderá ser justamente argumento para a não participação. Poderão, porventura, existir muitas condicionantes, circunstâncias e até dúvidas sobre o «peso» de cada voto; poderão existir visões ou distracções promotoras de uma indiferença generalizada diante da distância dos centros de poder (europeus) para que se vota… Mas nada nem nenhum argumento, numa sociedade madura que se deseja, justificará qualquer sentimento e prática de abstenção. Sociedade não participativa será comunidade social adormecida. Esse adormecimento, depois consequentemente, deita por terra o terreno activo de credibilidade reclamadora e estimulante.

3. Sendo que por vezes até pode interessar a indiferença ou um não pensamento de visão crítica integral a determinados agentes políticos, a verdade é que nada poderá afectar a necessidade de alimentar a democracia diária de que também a possibilidade de votar é expressão inequívoca. Uma certa anemia social da sociedade civil portuguesa, que se denuncia volta e meia, é desafiada a ser superada nas eleições europeias(?).
Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 12:31
Um bom petisco com pouca despesa



Um bom petisco, com imaginação, não obriga a muitas despesas. Se não puder apreciar a caldeirada de enguias à Zé-Zé, no sítio próprio, compre as enguias e ensaie fazer a dita, em família, aproveitando as sugestões deste e daquele. Se não tiver dinheiro para comprar as enguias, compre outros peixes quaisquer, mais em conta, e coma-os como se fossem enguias. Não se esqueça de regar a caldeirada e a garganta com um vinho branco fresquinho.
Quanto a doce, opte pela aletria, bem açucarada, que toda a gafanhoa que se preze sabe fazer.

Há um livro à sua espera


Se olhar para a sua estante, há decerto um bom livro que por ali deve estar à espera que lhe pegue. Se puder comprar um, aqui fica a sugestão. O livro “Regresso ao Litoral – Embarcações Tradicionais Portuguesas”, de Ana Maria Lopes. É, seguramente, uma boa opção cultural.
Se não tiver dinheiro para livros, então passe pelo pólo da Biblioteca Municipal, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, onde pode requisitar um livro, para ler durante 15 dias. A bibliotecária pode dar-lhe algumas sugestões.
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