de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 02 Junho , 2009, 16:19

1. Ninguém duvida que a complexidade da justiça, na sua multiplicidade de organismos e instâncias, nos conduz a uma reflexão que não seja simplista nem superficial. Todos temos a certeza de que uma sociedade que consiga “ter” uma justiça de qualidade garante meio caminho andado para o desejado progresso humano e social. Façamos o exercício de ver a justiça de trás para a frente, das finalidades e dos finalmentes serem redefinidos os meios, de olhar para o que chega diariamente ao cidadão comum com o intuito de reinterpretar as estruturas. É bem verdade que a revolução de comunicação humana que está a acontecer cada dia desafia à reinvenção dos modelos e estruturas sociais que muitas vezes se foram cristalizando no tempo.

2. Talvez a justiça, a par de outras estruturas, seja um destes pilares da sociedade ainda em défice de ajustamento contínuo, também porque não é fácil responder com a agilidade dos dias de hoje na base de procedimentos provindos de outros tempos e ritmos. Aos organismos práticos da justiça pede-se tudo: um tratamento de qualidade em quantidade. Mas para este salto qualitativo poucos envolvimentos e investimentos são reconhecidos e atribuídos. O mesmo se poderá dizer da Escola para que a Educação (para além da Escola) seja outro baluarte seguro, sempre em aperfeiçoamento, para que das experiências realizadas se elaborem as sínteses que permitem avançar…e nada caia em saco roto quando tudo o vento leva. Não nos referimos meramente a técnicas ou tecnologias; talvez o segredo seja outro: um Humanismo estimulante.

3. O exagerado e desordenado “barulho” que implode o reino da justiça na sociedade democrática, a par da desordenança subjacente que impede os consensos mínimos razoáveis para se seguir em frente, comprovam-nos a existência do défice de humanismo de sentido de bem comum. Até porque o segredo de toda a Paz não reside no tratado assinado em papéis mas carece de um pouco de boa vontade… Isto!

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 02 Junho , 2009, 13:48
António Rego

Pertencer à Comunidade Europeia é um privilégio e um risco. E quando a Comunidade não se define primariamente como económica, aproxima os países mais ricos e mais pobres na procura da identidade histórica, política e cultural. E estimula uma aproximação social ainda que a velocidades diferentes. Os chamados fundos estruturais continuam voltados para os que chegam mais tarde e têm de andar mais depressa. Não faria qualquer sentido que em termos de saúde, habitação, cultura - desenvolvimento - algum dos países membros vivesse em situações de carência sem quaisquer condições de parceria ou negociação com os restantes membros.
Neste conjunto e apesar dos muitos queixumes, Portugal quase se tornou irreconhecível a partir da sua pertença à União Europeia. Mesmo que a muitos pareça, ou dê jeito dizer, que se vive pior hoje que há trinta ou quarenta anos.
Todos os dias somos confrontados com números europeus. Vindos de diferentes instâncias e abrangendo múltiplas áreas, fazem de nós um objecto de percentagens em radiografia permanente, não deixando por vezes que respiremos em ligeira passagem do positivo para o negativo. Se por vezes tem aspectos próximos do ridículo, apresenta outros interessantes: coloca-nos em contínuo exame de consciência ou numa autoavaliação que não nos deixa sossegados no adquirido.
Corremos também riscos: dissolver a nossa identidade em tantos segmentos para alcançarmos um padrão europeu; vender a alma ao diabo para nos apresentarmos modernos e progressistas; renunciarmos a um património que é muito nosso em troca dum incerto prato de lentilhas.
Aqui entra o papel dos nossos deputados ao Parlamento Europeu. Na assiduidade das suas presenças, nas questões que levantarem, nas propostas que fizerem, nos votos que emitirem, nas prioridades de ideologia, progresso, cultura, desenvolvimento que escolherem. E nos valores que defenderem. Não é indiferente um ou outro candidato. Eles têm de ser o reflexo de todos nós seja qual for o partido que lá os coloque. Sabe-se que são representantes de grupos políticos. Mas antes disso, dum país que é o nosso. O nosso passado e o nosso futuro são mais que um jogo partidário ou palavras que o vento leva. A isso não é alheio o conjunto de valores cristãos que tecem a nossa comunidade nacional.
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António Rego


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 02 Junho , 2009, 11:15

Obra que merece ocupar um lugar especial nos nossos interesses culturais


“Língua e Costumes da Nossa Gente” é um livro de Maria Donzília Almeida e de Oliveiros Louro, ambos docentes do Ensino Secundário. Vai ser lançado no próximo sábado, 6 de Junho, pelas 15.30 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal de Ílhavo. A organização do evento é da Confraria Camoniana de Ílhavo.
A identidade do povo da Gafanha vai decerto sair reforçada com a publicação deste livro de dois gafanhões, que se orgulham das suas raízes. Conheço-os o suficiente para fazer esta afirmação. Digo isto mesmo sem ter lido o livro que agora vai ver a luz do dia. Contudo, se não li esta obra, li já bastante dos seus autores, em trabalhos dispersos e escritos ao longo de anos. Escrevem muito bem e das suas almas sai expressiva poesia.
O livro é uma “manta de retalhos”, no bom sentido. Fala de trabalhos na água e na terra, actividades que se complementavam. Basta pensar que era da ria que se tirava o moliço, fertilizante para as areias áridas que haveriam de dar o sustento a quem aqui se fixou. Contém, por isso, palavras e expressões relacionadas com o trabalho agrícola e com as fainas piscatórias. Contém, também, expressões de uso local e outras de uso mais alargado.
Relata usos como a matança do porco, a festa da Páscoa e os Reis, fala de orações, responsos, canções infantis do tempo da escola, lengalengas, provérbios e ditos da sabedoria popular.
São inúmeras as referências a alfaias e utensílios usados na pesca, na agricultura e na vida doméstica, ilustrados com dezenas de fotografias.
Nele se inserem actas e documentos históricos e no fim tem uma surpresa para muita gente que eu não desvendo.
Trata-se, portanto, de um livro muito belo, que merece ocupar um lugar especial nos nossos interesses culturais, em tempo de uma globalização que tudo dilui, com avidez mortífera, se não estivermos atentos.
FM
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