de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 30 Junho , 2009, 23:25

1. Vem a público um grande inquérito de análise comparativa sobre os valores pessoais e sociais dos portugueses nos últimos dez anos. Este género de documentos interessa a todos os que de algum modo se preocupam com o progresso da sociedade tendo em vista um desenvolvimento pautado por valores com valor. Este inquérito intitulado Dez anos de valores em Portugal é apresentado ao público num seminário na UCP (30-06-09) tendo como pano de fundo a temática: A urgência de educar para os valores. Reveste-se de ampla pertinência o estudo em que, mesmo contando com a densidade das subjectividades, vai ao encontro de questões de fundo futuras da comunidade nacional.

2. A destacar duas linhas força de conclusões: uma que confirma o individualismo dos portugueses, outra que há menos preconceitos raciais nesta entrada do terceiro milénio da sociedade global. Muito mais que enquadramentos e suas justificantes, valerá a pena ir além das conclusões do estudo e lançarmos o olhar sobre quem e como se (?) tem procurado desenvolver as apostas decisivas nesta área dos valores consensuais, apostas que serão educativas em ordem ao futuro. Não chega, de quando em quando, a realização de inquéritos e sondagens sobre as descortinadas variáveis de tipologias comportamentais; feitos os diagnósticos, importará uma reflexão como acção conforme as carências detectadas, e mesmo sobre o que se considera valor e se esse deve ser tido em conta no proceder cidadânico de alguns, de muitos, ou de todos.

3. Sobre esta questão de fundo, sempre aberta, a largueza até pode conduzir à própria indiferença. Estará clarissimamente na hora da designada elite intelectual, cuidadosamente sempre de forma aberta e pluralista, saber construir alguns consensos razoáveis em torno de alguns valores pessoais e sociais, não como imposição mas como proposta gratificante de realização e de vidas com sentido. Especialmente estando a educação tecnológica generalizada, valerá (re)parar em Valores. Dá-se valor?

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 30 Junho , 2009, 12:56
Domingos Cardoso, Donzília Almeida e Oliveiros Louro, na apresentação da obra


“Língua e Costumes da Nossa Gente”
é um desafio à memória de muitos leitores


No dia 6 de Junho, na Biblioteca Municipal, foi apresentado pela Confraria Camoniana de Ílhavo o livro “Língua e Costumes da Nossa Gente”, da autoria de Maria Donzília de Jesus Almeida e Oliveiros Alexandrino Ferreira Louro. Ambos gafanhões, da Gafanha da Encarnação, e docentes do ensino secundário.
Trata-se de uma obra que retrata actividades ligadas à ria, que serviu de “matriz das sucessivas gerações que tão prodigamente acolheu e alimentou”, como se sublinha em “Nota Prévia”, assinada pelos autores. Há ainda “expressões e vocábulos que ouvíamos nas nossas meninices”, mais “breves descrições de alguns usos e costumes”, documentos e curiosidades.
Com edição dos autores e Prefácio de Domingos Freire Cardoso, da Confraria Camoniana de Ílhavo, “Língua e Costumes da Nossa Gente” apresenta-se a cores, em bom papel e com arranjo gráfico cuidado. Profusamente ilustrado, o livro é agradável à vista e um desafio à memória de muitos leitores, sobretudo da nossa região.
Domingos Cardoso frisou, na apresentação da obra, que este trabalho é uma “manta de retalhos, no bom sentido”, bonita e interessante, mas também com apontamentos de humor, de leitura fácil e agradável, e para consulta frequente.
Maria Donzília, que falou em seu nome e em nome do seu colega Oliveiros Louro, recordou que ambos estudaram em Coimbra, onde criaram “gosto pela arte literária”. Afastados por obrigações profissionais, como professores que sempre foram, o reencontro deu-se anos depois, em escolas vizinhas, nas Gafanhas da Nazaré e da Encarnação.
O tecido social da terra que os viu nascer foi-se alterando e ganhou consistência. O linguajar das suas meninices corria o risco de se perder, daí a preocupação de registar no papel a riqueza cultural do passado, como frisou Donzília Almeida. E na esperança de que “nestas páginas todos se revejam”, manifestou o desejo de que os registos agora publicados constituam “o princípio de novas investigações.”
Em conversa com os autores da mais recente obra sobre a Gafanha, segundo cremos, ficámos a saber que o prazer que sentiram ao escrever este livro se baseou na experiência enriquecedora de terem remontado às “suas raízes”, sobretudo a Donzília, que viveu 20 anos no Porto. Aliás, “esse facto agudizou o seu amor à terra natal”, como salientou.
Ainda adiantaram que tiveram a preocupação de fixar, por escrito, “a língua antiga, carregada de regionalismos, que são uma preciosidade, nos dias de hoje e para as gerações vindouras”.
Ambos referiram que “o contacto directo com o povo simples foi muito agradável e revigorante”, mas não podem deixar de lamentar a falta de apoio da Câmara Municipal de Ílhavo para a edição deste trabalho.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 30 Junho , 2009, 10:59
(Clicar na imagem para ampliar)


Aqui fica o convite para um Almoço Missionário, uma organização da ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento. É já no próximo domingo e ainda há alguns bilhetes por vender! Se puder e gostar (porque será moamba, receita tradicional angolana), a sua participação será bem-vinda! As inscrições podem ser feitas em 917494874, 964417249 ou almocomissionario@hotmail.com
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 29 Junho , 2009, 23:29
Um aspecto da visita

FESTIVAL DO BACALHAU
- Jardim Oudinot, 19 a 23 de Agosto -

A Confraria Gastronómica do Bacalhau visitou recentemente o Museu do Vinho de Anadia, visita integrada no programa de actividades culturais e lúdicas da instituição gastronómica ilhavense.
Presentes alguns confrades, os quais foram recebidos por responsáveis do Museu, tendo visitado as salas da vinha, vindima, prova e vinificação, com a mostragem dos espumantes, das caves e adegas existentes na zona da Bairrada.
Também foi interessante ver os diversos artefactos que ilustram a evolução técnica da viticultura, que, para alguns dos confrades presentes, não foram novidades, havendo muitos utensílios ainda em uso nas suas propriedades.
O roteiro da Bairrada, a enoteca, a biblioteca e mediateca foram outros espaços visitados pelos confrades, além da colecção de 1400 saca-rolhas oferecidos ao Museu pela família do Comendador Adolfo Roque e das exposições de pintura, fotografia e escultura patentes na altura.
O almoço foi servido na sala de Restauração do Museu e como prato da região foi servido Leitão e espumante da Bairrada.
Esta visita dos Confrades do Bacalhau ao Museu foi aproveitada pela direcção para anunciar o próximo Festival do Bacalhau, que decorre no Jardim Oudinot, de 19 a 23 de Agosto, e cuja organização é formada pela Câmara de Ílhavo e pela Confraria Gastronómica do Bacalhau. Ainda foi anunciado que está para breve a concretização de um desejo de anteriores direcções, que é a existência de uma sede e o aparecimento de um espaço na internet.

Carlos Duarte

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 29 Junho , 2009, 21:08

1. As últimas décadas viram nascer e crescer um conjunto de grandes artistas que, à medida que o mundo das comunicações se foi globalizando, os tornou presentes em toda a parte. Assim aconteceu com Michael Jackson (1958-2009), que (na internet) é colocado entre os cantores, compositores, actores, dançarinos, escritores, produtores, poetas, instrumentistas, estilistas, ilusionistas e empresários. O artista cresceu muito, tendo sido a sua estrutura de personalidade, de um jovem que não viveu a juventude e de uma criança forçada ao trabalho musical, desafiada fortemente a compreender o preço da fama planetária. O álbum mais vendido da história da música Pop – Thriller – editado em 1982, sendo na altura uma revolução envolvida de dança e inovação de vídeo-clip é marca de recorde de vendas.

2. Por estes dias, na ocasião de seu falecimento, foram muitas as reportagens e entrevistas que ajudam a compreender muitas realidades da vida dos artistas por dentro, do altíssimo preço da fama e da estrutura mental necessária para conviver com a perseguição mediática. Após grandes baixios de imagem pública, o chamado «King of Pop» (Rei da Música Popular) preparar-se-ia bem acima do limite humano para dezenas de concertos, de duas horas imparáveis de dança. A fasquia seria muito alta, a medicina terá atenuado as dores da exigência dos compromissos, a fragilidade acrescentada nos últimos anos tornaram desumana a tarefa. De entrevistas do próprio Michael Jackson gravadas e dadas nestes dias ressalta uma surpreendente pequenez de uma tão grande vedeta da música capaz de entupir as redes da internet.

3. O seu “nome” tornou-se imensamente maior que a sua pessoa humana. O fenómeno global a que quanto mais se foge – de fotógrafos, fãs ou de casos de escândalo lançados sobre si… (?) –mais se é perseguido, fala-nos de uma tremenda factura que se paga, quando a estrela já não pode respirar em liberdade mas é escrava da sua condição. A música fica, o mito nesta morte adensa-se. A história da vida, fala…

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 29 Junho , 2009, 20:55



Dois livros como sugestão de leituras

Penso que o conhecimento do nosso passado, que tanto nos enche de orgulho, deve ser intensificado. Só amamos verdadeiramente o que conhecemos bem.
O ilhavense Senos da Fonseca escreveu uma obra, “ÍLHAVO - Ensaio Monográfico”, com diversas pesquisas, estudos e informações, sobre terras ilhavenses, que merece ser mais lida.
Também dois gafanhões, da Gafanha da Encarnação, Maria Donzília Almeida e Oliveiros Louro, publicaram recentemente “Língua e Costumes da nossa Gente”, que nos convida a recordar cenas da infância do nosso povo mais velho.
Afinal, são dois livros que podem ajudar a passar umas boas horas ou dias das nossas férias.

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 29 Junho , 2009, 12:53

VIAGEM

Sabes o caminho
não sabes os passos

Como uma criança
os teus olhos buscam
a rota dos pássaros no céu
Cabeça erguida
sorvendo o vento
no deserto

Não sabes os passos
apenas
a rota dos pássaros no céu
a estrada aberta pelos veleiros
entre azul e neblina

Não sabes os passos
sabes o caminho
do vento

O deserto
é o orvalho
das noites

Orlando Jorge Figueiredo
25 de Junho 2009

Editado por Fernando Martins | Domingo, 28 Junho , 2009, 16:36

Maria Filomena Mónica mostra
um sentido crítico muito apurado

O dia está um tanto ou quanto desagradável para o meu gosto. Isto é, não me aconselha a sair de casa. Aliás, é aqui que sinto a intimidade do meu mundo muito especial. Se não dá para sair, dá para ler e ouvir música.
O livro que me ocupou um tempinho, e que vai continuar a ser lido, numa perspectiva de viajar com a autora, tem por título “Passaporte – viagens 1994-2008” e foi escrito pela socióloga Maria Filomena Mónica. Para já, fui com ela ao “Islão Ibérico”, revisitei “Lisboa”, fui a “Fátima fora de horas”, participei numa “Viagem ao fim da pátria” e andei com ela pela terra dos seus avós. As outras viagens ficarão para um dia destes.
Permitam-me que sublinhe o poder descritivo e a cultura multifacetada de Maria Filomena Mónica, sempre com o sentido crítico muito apurado. Porque não quero ocupar, de forma alguma, o lugar dos críticos, apenas refiro que é um livro que se lê com gosto. O leitor, quer queira quer não, sai normalmente enriquecido com obras destas: recorda factos, passa pela história já um pouco esquecida e aprende muito do que ela revela e descobre por onde viaja. Com naturalidade, com conhecimentos que escapam ao comum dos mortais, com saber, com olhar atento.
O leitor pode não concordar com a visão que ela tem do mundo, com as apreciações críticas por vezes contundentes, mas, no fundo, dá sempre gosto ler Maria Filomena Mónica.

FM
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 28 Junho , 2009, 11:05
Costa Nova em tempo de férias

FÉRIAS ECONÓMICAS: Não há nada como aproveitar o que a terra oferece

Para umas férias económicas em tempo de crise, não há nada melhor do que aproveitar o que a terra oferece, tanto em termos de festas dedicadas aos padroeiros das paróquias, como no âmbito das organizadas pelas autarquias e instituições culturais, recreativas ou desportivas, com larga aceitação junto das populações.
O nosso concelho, como é sabido, tem quatro freguesias, as quais abrangem seis paróquias, estando garantido que haverá festejos em todas elas. Depois, a Câmara Municipal não deixará, à semelhança do que tem acontecido nos anos anteriores, de oferecer ao povo diversos espectáculos, uns mais populares e outros de nível artístico mais elevado. Para todos os gostos, diga-se de passagem. Mas Ílhavo tem muito mais para dar. Importa, pois, descobrir o nosso concelho em tempo de férias.
Permitam-me que sugira visitas ao Museu Marítimo de Ílhavo e ao Museu da Vista Alegre, que nos dão o prazer de apreciar raridades nem sempre conhecidas do nosso povo. O Centro Cultural da sede do concelho continua a programar espectáculos dignos da nossa melhor atenção, para todas as idades e para todos os gostos.
Há festivais de Folclore que são, normalmente, excelentes motivos para recordarmos o viver dos nossos antepassados. E poderão ser, ainda, um forte estímulo para a nossa juventude, de todas as idades, se dedicar ao estudo do nosso passado histórico, com tantas estórias para contar e para divulgar.
Se quiser dedicar um dia à cidade maruja, não deixe de apreciar alguns edifícios de Arte Nova e diversos recantos das nossas paisagens naturais. No mês passado sugeri a frequência da Praia da Barra e hoje viro-me para a da Costa Nova. A primeira mais para os gafanhões e a segunda mais para os ílhavos, por razões criadas ao longo dos tempos e que nem sempre se compreendem muito bem.
Lembro ainda que o Jardim Oudinot deve continuar a ser visita obrigatória para toda a gente das terras ilhavenses, com programação a condizer com o Verão que já nos aquece, e de que maneira!

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 28 Junho , 2009, 10:46
Entrevista publicada na RevistaÚNICA do EXPRESSO
:

(Foto de Tiago Miranda)

"É PRECISO OUVIR O SILÊNCIO DO MUNDO"

"Num dia de denso calor, no fresco jardim da York House, em Lisboa, o madeirense José Tolentino Mendonça, 43 anos, padre e poeta, mas sobretudo, um pensador livre, parou o tempo para falar de utopia. Um homem que admira os místicos, escreve sobre sensualidade e sabores na Bíblia e gosta de cidades. Em Nova Iorque, observa a multidão "numa coreografia de Pina Bausch". Nos mosteiros, escuta a profundidade do silêncio. Esta entrevista é atravessada por essa luminosidade."
Ler toda a entrevista aqui

Editado por Fernando Martins | Sábado, 27 Junho , 2009, 23:49


BACALHAU EM DATAS - 27
:

Iate Nazareth




I CONGRESSO NACIONAL
SOBRE A PESCA DO BACALHAU




Caríssimo/a:


1920 - «A imprensa ilhavense referia que, no início dos anos 20, os navios franceses estavam já equipados com telefonia sem fios, como podiam contar com um navio-hospital.» Oc45, 86


1921 - «O governo nomeou em 1921 uma comissão com o fim de estudar e propor um conjunto de medidas que conduzissem ao desenvolvimento da pesca do bacalhau.» HPB, 69

«O governo decretou a criação da Junta de Fomento da Pesca, na Póvoa do Varzim, dotada de meios para fomentar a construção de novas embarcações. Mas tal medida não trouxe qualquer alteração significativa.» HPB, 71

«A partir de 1921 a frota bacalhoeira volta a compor-se por mais de 35 embarcações.» Oc45, 86

«Em 1921, Aveiro tinha 11 navios da pesca do bacalhau. O ano foi excelente. “A Gafanha está a abarrotar e nos secadouros já não sabem onde o hão-de arrumar”. Nos finais de 1921, os periódicos locais anunciam a venda de um lugre de 500 t, “acabado de lançar à água, de magnífica construção”. Mas entretanto perguntava: “Para onde vai tanto bacalhau? Escondem-no para o venderem pelo preço que querem, com lucros fabulosos à custa do povo faminto e desgraçado? Na época das colheitas sempre os preços baixam, mas o bacalhau, esse, em vez de descer sobe?”» HPB, 76


1922 - «Localizados na zona norte da Ria de Aveiro, uma zona conhecida por actividades de construção naval ligadas à construção de barcos moliceiros, também aqui foram construídos alguns lugres para a pesca de bacalhau, principalmente pela mão do mestre José Maria Lopes de Almeida, natural de Pardilhó, nos Estaleiros do Bico da Murtosa. Em 1922, este mestre já havia construído nessa paragem, um lugre de madeira para a pesca do bacalhau, o MARIA DA CONCEIÇÃO, para a Sociedade Construtora Naval, L.da, Bola Vilarinho & C.a, L.da, armadores da praça de Aveiro, bem como o hiate LIGEIRO. Não foi executada naquelas instalações outra construção de grande tonelagem até 1945.» Oc45, 115


1923 - «Em 8 e 9 de Outubro, realiza-se em Aveiro o I Congresso Nacional sobre Pesca de Bacalhau, promovido pela Associação da Classe dos Armadores de Navios de Portugal.» Oc45, 86

«Além do iate NAZARETH, com todos os seus pertences, a Parceria de Pesca, L.da, anuncia, a sequência da decisão de dissolução, a venda dos armazéns, utensílios de seca, etc..» Oc45, 86

« ASSISTÊNCIA SANITÁRIA: À semelhança do que se passou com os franceses ao longo dos tempos, também entre nós a assistência dispensada aos nossos pescadores da Terra Nova começaria com um navio afecto à Armada Portuguesa. Primeiro o cruzador CARVALHO ARAÚJO, mais voltado para os estudos hidrográficos do que para a assistência médica propriamente dita, zarpou para a Terra Nova numa viagem embrionária de apoio à nossa gente, em 1923; depois, o GIL EANES...» HDGTM, 43

Apesar
de vida intensa, em 1922, nos Estaleiros do Bico da Murtosa,
das perguntas da imprensa,
da dissolução de uma sociedade,
do surgir da assistência médica,
saliento hoje o PRIMEIRO CONGRESSO NACIONAL SOBRE PESCA DO BACALHAU, EM AVEIRO, EM 1923!
É salutar fazer paragens dando espaço à meditação e reflexão!

Manuel

Editado por Fernando Martins | Sábado, 27 Junho , 2009, 11:42
"A glória de Deus é o Homem vivo"


Independentemente do que se pense sobre a concepção de Deus como mera projecção do Homem, penso que mesmo os crentes não terão dúvidas de que a imagem de Deus será decisiva para a imagem que têm de si mesmos, do Homem e do mundo.

Talvez nada possa prejudicar tanto o ser humano como uma imagem malsã de Deus. Por isso, nunca se agradecerá suficientemente àqueles e àquelas, crentes e ateus, que ousaram, até ao sacrifício da própria vida, purificar a imagem de Deus. De facto, é preferível ser ateu a acreditar num deus que humilha o Homem, o escraviza ou diminui aos seus próprios olhos. Uma imagem malsã de Deus envenena a imagem do Homem e vice-versa.

Cá está! Durante séculos, foi pregado um deus irado e mesquinho. Era tal a sua ira que precisou da morte do Filho para ser aplacado e reconciliar-se com a Humanidade. E, devido ao pecado cometido por Adão e Eva, mandou todos os males ao mundo, incluindo a morte. Durante quanto tempo se pregou que foi por causa de terem comido o fruto proibido - uma maçã, segundo a imaginação popular?

Perante a arbitrariedade de um deus assim, o que podia esperar-se senão ateísmo? Não se tratava de um deus mesquinho e invejoso da alegria dos seres humanos? E não criou esta ideia personalidades atormentadas, torturadas, com a obsessão de não ofenderem um deus que tudo proibia? Ainda recentemente, uma jovem estudante me atirou: "quando penso na Igreja, só vejo proibições, como se a alegria estivesse envenenada".~

Mas, depois, foi-se para um outro extremo, não menos pernicioso. Começou-se a pregar um Deus que é amor, mas sem se perceber o que é o amor. Prega-se então um deus "bonzinho", que nada exige, que não impõe regras nem limites, que permite tudo.

No fundo, um deus que não é nada. De facto, um deus que tudo permite e nada exige ainda ama? Sabemos o que acontece aos filhos com a imagem de pais irados. E que lhes acontece, quando os pais tudo permitem e nada exigem? Quando os pais não impõem regras nem limites, os filhos ainda acreditam que lhes têm amor de verdade?

Afinal, onde reside o equívoco? A imagem de um deus irado estará na base de personalidades torturadas, azedas e violentas; a imagem do deus "bonzinho" estará na base de personalidades anárquicas, desestruturadas, sem auto-estima e igualmente destruidoras.

Assim, o que é preciso compreender é que Deus não impõe mandamentos arbitrários, pelo culto de si e para ser tiranicamente obedecido. É igualmente um erro pensar que os homens e as mulheres ofendem Deus directamente. Como pode um ser finito ofender Deus? Pelo menos segundo a compreensão do cristianismo, Deus não se revelou por causa dele e da sua glória, mas por causa dos seres humanos e da sua felicidade, de tal modo que só o que ofende os homens e as mulheres o pode ofender a ele.

O que Deus exige é por causa do Homem. O único interesse de Deus é o Homem. Como escreveu Santo Ireneu, "a glória de Deus é o Homem vivo", isto é, o Homem plenamente realizado em todas as dimensões. De tal modo Deus ama o Homem que quer que tenha um desenvolvimento íntegro de toda a sua pessoa. Não pode desenvolver-se apenas numa dimensão, pois precisa de um crescimento holístico. Deus quer que o Homem vá tão longe no seu ser quanto pode ser.

É necessário sublinhar este desenvolvimento harmónico da pessoa toda, que é o que Deus quer.

A pessoa deve desenvolver-se no seu ser físico - também é preciso cuidar da saúde, por exemplo -, no seu ser intelectual - é preciso esforçar-se por entender a realidade, entender-se a si mesmo e a sociedade -, no seu ser emocional - cada vez estamos mais despertos para a importância das emoções positivas e negativas na existência humana -, no seu ser social - os outros também existem e sem tu não há eu -, no seu ser artístico - sem beleza, não há salvação -, no seu ser moral - é preciso aprender a distinguir entre bem e mal e a saber julgar do bem e do mal - no seu ser espiritual - não é o Homem, constitutivamente, o ser do transcendimento sem fim, até ao Infinito?

Anselmo Borges
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 26 Junho , 2009, 22:02

Sem de algum modo querer aceitar a crise como coisa boa, não posso deixar de admitir que, com ela ou sem ela, até podemos aproveitar uma situação destas, como a que estamos a viver, para passar umas férias com sentido muito positivo.
Sem dinheiro para extravagâncias ou para grandes despesas, podemos muito bem usar o tempo livre para visitar alguns familiares e amigos um tanto ou quanto esquecidos, por força da vida agitada que levamos. Alguns, já de idade avançada ou doentes, talvez se regozijem com a nossa visita, provavelmente há muito esperada.
Umas tardes dedicadas a esta meritória forma de preencher os dias de férias serão, por certo, enriquecidas pelo prazer de recordar tempos idos em família ou em encontros de amigos, com episódios e situações que, revividos, nos hão-de dar algumas alegrias do dever cumprido.
Depois, poderá surgir a descoberta de que afinal ainda podemos ser úteis a muita gente, desenvolvendo em nós o espírito de solidariedade, tão necessário nos dias que correm.
Fazendo isto em época de férias, em momentos de crise, afinal saberemos contribuir um pouco para tornar mais felizes os que são menos felizes do que nós.

FM
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 26 Junho , 2009, 21:55

1. Ninguém duvida de que a auto-estrada da informação traz novas possibilidades que transportam as correspondentes responsabilidades. O recente bloqueio da China durante duas horas ao Google (uma das fontes de informação planetária mais usadas onde em cada momento pode ser encontrado de tudo), sugere uma ampla reflexão. As agências noticiosas chinesas criticaram fortemente em termos de regime educativo o livre acesso do Google à pronografia, o que foi a fundamentação estatal para o bloqueio. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian o fundador do site China Digital Times, Xiao Oiang, sublinha que «é claramente um aviso ao Google bem como a outras companhias estrangeiras», ainda que tal facto represente que o governo quer manter o controlo sobre a Internet.

2. Nesta decorrência, uma medida já está decidida: a partir de 1 de Julho todos os milhões de computadores na China deverão ser vendidos tendo incorporado o chamado Green Dam (barragem verde), um filtro que impede o acesso a determinados conteúdos. Claro que em termos comerciais e no que se refere à óptica da liberdade americana, os Estados Unidos criticaram fortemente a aplicação que «viola as regras comerciais, enfraquece a segurança dos computadores e levanta sérias questões quanto à censura na Internet», refere a BBC. Situação que abre novas dimensões delicadas como apeladoras às múltiplas responsabilidades e aos equilíbrios em jogo nestas estradas da comunicação virtual que cada vez mais têm impacto real.

3. Delicadíssimo este bloqueio no Google que vai dar que falar: reflecte o encontro desencontrado de duas liberdades – 1.ª dos estados (China) ao impedir a pessoa/cidadão de aceder livremente aos conteúdos; 2.ª das ferramentas e utilizadores, na formação de uma liberdade à qual não pertencerão conteúdos deseducativos. Pergunta ainda sem resposta: nesta expansão da consciência global que se efectua, conseguirá a liberdade ser ética, das pessoas aos estados?

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 25 Junho , 2009, 23:49
Alameda D. Manuel II


D. Manuel II



D. Manuel II foi o único rei português
que passou pela Gafanha da Nazaré


Tanto quanto sabemos, D. Manuel II, o último rei de Portugal, foi, provavelmente, o único soberano português a passar pela Gafanha. Mereceria, por isso, ter uma rua com o seu nome. Porém, houve uma razão muito mais forte para que os nossos autarcas dele se lembrassem, já que foi D. Manuel II quem assinou o decreto da criação da freguesia da Gafanha da Nazaré, em 23 de Junho de 1910.
Em 5 de Outubro, como é sabido, foi implantada a República, exilando-se o rei em Inglaterra, sem resistência, ao jeito de quem aceita as circunstâncias. Sua própria mãe, a rainha D. Amélia, tê-lo-á acusado de falta de empenho na luta pela causa monárquica. Mas a sua atitude também é vista como a de um homem que soube pôr os interesses da Pátria acima dos interesses pessoais.
A Alameda D. Manuel II é fácil de localizar. Seguindo pela Rua João XXIII, a Alameda dá acesso ao novo mercado da Gafanha da Nazaré. E já agora, permitam-nos que lembremos aqui a pertinência de uma outra homenagem ao rei que, mesmo destituído do trono, nunca deixou de amar Portugal e os portugueses. Merecia ele, na nossa óptica, numa qualquer praça que venha a nascer na nossa terra, um simples busto, sublinhando-se que foi a sua assinatura que determinou a criação da freguesia.
D. Manuel II visitou Aveiro em 27 de Novembro de 1908, já lá vai mais de século. Depois, deslocou-se à Barra de automóvel, “acompanhado pela sua comitiva e por muitas outras pessoas, que se deslocavam, quer em automóveis, quer em carruagens, indo «á frente do cortejo um verdadeiro exercito de cyclistas»”, como recorda Armando Tavares da Silva, no seu livro “D. Manuel II e Aveiro – Uma Visita Histórica (27 de Novembro de 1908)”.
Esteve no Forte da Barra, onde embarcou num barco saleiro, que o transportou até Aveiro. E na sala das sessões da Câmara, “El-Rei poz ao peito do barqueiro Antonio Roque, da Gafanha, uma medalha de mérito, phylantropia e generosidade, abraçando-se ambos enternecidamente”, como recorda Armando Tavares da Silva, no seu livro já aqui citado.
Esta referência a um gafanhão, que foi homenageado por D. Manuel II, merece que alguém tente descobrir quem era este nosso concidadão, provavelmente o único a ser distinguido por um rei português.

Fernando Martins

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