de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 30 Abril , 2009, 21:34

Dia 1 de Maio. Dia do Trabalhador

Faz-se uma interrupção no trabalho, um feriado, para comemorar o Dia do Trabalhador! É, no mínimo, paradoxal, esta lógica do ser humano!
Sendo um valor que acompanha o homem em todas as sociedades, tem sido encarado das mais diversas formas. A ironia que subjaz à expressão “O trabalho dá saúde que trabalhem os doentes!”, atesta de forma jocosa a ambivalência do conceito. É um valor, sim, para muitos, mas também uma imposição para tantos outros, que, não o acatam com prazer!
O aforismo popular “O trabalho não azeda” contraria o outro provérbio, “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Afinal, sendo o povo detentor de uma sabedoria catalogada e milenar, também se contradiz nestas tiradas de sapiência!
O valor do Trabalho que a teacher interiorizou, por herança genética, tem o peso e o valor que os seus progenitores lhe transmitiram. Sempre observou, empiricamente, como os pais, desde tenra idade, o iam transmitindo.
Nesta perspectiva, discorda das políticas dos últimos governos, em relação a alguns apoios pecuniários, atribuídos aos desempregados do mercado laboral. Haveria múltiplas formas de ocupar as pessoas atingidas pelo flagelo do desemprego, dando-lhes tarefas, trabalho, num serviço cívico a prestar à comunidade. Para uma camada da população que não atribui ao trabalho, o valor, a dignidade que este confere, é mais fácil, cómodo e aliciante ficar à “boa vida”, sem fazer nada, sem despender qualquer esforço, e ter no fim do mês, a migalha, a esmola, o RSI (rendimento social de inserção) que o governo, displicentemente, lhes disponibiliza.
Para os que dão o corpo ao manifesto, que fazem pela vida, que se esfalfam para ganhar o pão nosso de cada dia, que fazem calos nas mãos... ou nas cordas vocais, essa medida é vista com desaprovação, desconforto, desconfiança.
Invoca-se aqui, a análise de António Aleixo:

Quem trabalha e mata a fome,
Não come o pão de ninguém!
Mas quem não trabalha e come
Come sempre o pão de alguém
!

Há sempre alguém que por falta de cabeça, de capacidades, de dignidade, prefere estar às sopas dos outros, neste caso concreto, do governo, a “vergar a mola” e trabalhar! Faz calos! Dizem alguns, preferindo ficar na indigência.
No seu percurso profissional, quando no final do ano lectivo se ocupava das matrículas, tarefa, já há muito desempenhada pelos DTs (directores de turma), deparava-se com esta cena tão caricata quanto insólita.
Algumas mães, quando acompanhavam os filhos nas matrículas e eram interpeladas sobre a sua profissão, respondiam que não faziam nada, que não trabalhavam. Eram domésticas!
A teacher remoía-se toda por dentro, contra esta assumpção de “inutilidade” de “indigência”, pois sabia que não correspondia à verdade.
Durante muitos anos, senão décadas ou até séculos, o trabalho doméstico não estava catalogado no rol das profissões que os pais dos alunos indicavam, aquando do preenchimento dos boletins de matrícula.
- Não limpa a casa?
- Não passa a ferro?
- Não cuida da educação dos seus filhos?
- Não zela pelos interesses da família?
Interrogava a teacher, levando as ditas mulheres “indigentes” a reflectir sobre a panóplia de afazeres que lhes preenchiam o dia.
Claro que sim, Sra Doutora, faço tudo isso! Era a resposta imediata.
E... ainda se atreve a dizer que não trabalha e que não tem profissão? Só porque não é remunerada? Não tem um patrão directo, com visibilidade para lhe exigir um horário rígido de entrar e largar o trabalho. Aposta a teacher que estas donas de casa que se esfalfam para que as suas tarefas sejam cumpridas, de tão compridas que são, têm isenção de horário de trabalho, como qualquer executivo de uma grande empresa! Estes, dadas as suas responsabilidades acrescidas, não têm horários rígidos, sim, todos sabemos, mas trabalham muito mais que os subalternos que lhes estão directamente dependentes. Ser dona de casa é uma missão e diria até, nos dias de hoje, uma profissão nobre!
Nos dias de hoje, o trabalho doméstico assumiu outro estatuto e tanto é considerado já como alternativa profissional, desempenhado por uma série de mulheres com formação académica diferenciada, como é partilhado pelos casais jovens. Estes, quando têm a sua actividade profissional, fora de casa, assumem a divisão das tarefas domésticas como incumbência de ambos. Só assim haverá a igualdade, tão propalada por um sector do mundo feminino, e os homens contribuirão para a harmonia familiar que é aspiração de todos.
E... doméstica, doméstica já é considerada uma profissão sem carácter sectarista, já que há elementos do sexo masculino a desempenhá-la também. E, à guisa de conclusão, apetece dizer: ou há moralidade... ou trabalham todos!

Maria Donzília Almeida
30.04.09
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 30 Abril , 2009, 18:04
D. Manuel Martins

Frei Nuno de Santa Maria foi finalmente canonizado.
Este acontecimento não mereceu grande atenção a boa parte dos portugueses, sobretudo a nível dos responsáveis do país e de alguns dos meios de comunicação social.
Não vem para aqui a questão dos milagres exigidos pela Congregação para a Causa dos Santos.
Adianto só que, com todo o respeito pelas disposições da Igreja, julgo sinceramente que tais milagres não deviam funcionar como condição para a glorificação dos cristãos.
Além de saberem a tentação de Deus, acontece que muitos deles não convencem. Já D. António Ferreira
Gomes, nas célebres “Cartas ao Papa” põe clara e corajosamente esta questão. A Igreja, quero dizer mais propriamente, a Comunidade dos cristãos sabe bem quem é santo e merece, por isso, ser glorificado. Ao que vêm tantos exames aos escritos, ao que vem a audição de tantas testemunhas, ao que vem a perscrutação dos sentimentos do povo relativamente a este ou àquele cristão que viveu e morreu com fama de santidade?
O nosso Frei Nuno há muito tempo que estava canonizado pelo povo.
Quem olha atentamente para a nossa História do século XIV não terá dificuldade em reparar que Portugal estava a perder a alma, estava a fugir de Portugal. E foi o Condestável D. Nuno que deu
Portugal a Portugal, que fez com que Portugal se reencontrasse e pudesse assim perspectivar futuro.
Sem D. Nuno, Portugal seria uma apagada lembrança da memória.
Se calhar, até seria bom que parássemos um pouco para nos perguntarmos se o Portugal dos nossos dias não andará a fugir novamente de Portugal, se Portugal não andará por caminhos que o levem a perder a sua alma e a sua identidade.
Bastaria para tanto pensar em leis que atentam contra a família, contra a vida, contra tantas situações que têm a ver com o humanismo que deveria acompanhar situações de saúde, de trabalho, de educação de justiça, de respeito por valores e tantas coisas mais. Portugal está a afastar-se da sua matriz. Melhor, por razões de falso e perigoso poder, por razões ideológicas e filosóficas, muitos estarão a obrigar Portugal a fugir da sua matriz.
Claro que os tempos vão mudando e operam-se transformações profundas na sociedade. O ontem pertence à história e muitas vezes não fica dele senão uma amarga saudade. Mas, o que nos fez e faz não pode mudar. O que nos estruturou e estrutura não pode mudar. Estamos numa hora magnificamente exigente. Oxalá sejamos capazes de a apanhar como se impõe.

Manuel Martins,
Bispo Emérito de Setúbal

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 30 Abril , 2009, 17:49



A Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) adere ao Plano Nacional de Leitura (PNL), através de um protocolo com o Ministério da Cultura, numa cerimónia de assinatura agendada para hoje, 30 de Abril, pelas 17.30 horas, na Biblioteca Municipal de Ílhavo (BMI).

Com a assinatura deste protocolo, a CMI pretende levar os cidadãos a ler mais e melhor, proporcionando-lhes um maior acesso ao livro e à leitura, desde a primeira infância até à idade adulta. Também se pretende-se promover, de forma mais eficaz, junto das escolas e das famílias, o contacto com os livros e o gosto pela leitura.

Entre as várias obrigações, o PNL ficará responsável pelo apoio financeiro durante os próximos três anos aos Jardins-de-Infância e escolas dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico do concelho, com vista à aquisição de livros destinados a leitura orientada nas salas de aula e nas demais actividades curriculares.

Ainda foi agendada a assinado de um protocolo de Cooperação e Constituição da Rede de Bibliotecas de Ílhavo (Biblioteca Municipal e Bibliotecas Escolares). A Rede de Bibliotecas de Ílhavo é oficialmente criada por protocolo assinado, entre a CMI, os Agrupamentos de Escolas de Ílhavo, Gafanha da Encarnação, Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes e o Centro de Formação da Associação de Escolas dos Concelhos de Ílhavo, Vagos e Oliveira do Bairro (CFAECIVOB), na BMI, enquanto sede do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE).

Este é sem dúvida o culminar de uma realidade, baseada num trabalho contínuo de persistência, dinamização, promoção e divulgação de práticas que permitem dotar os seus leitores e utilizadores de competências nos domínios da informação e da literacia.

Ao longo destes últimos anos, o trabalho em equipa aproximou as nossas Bibliotecas Escolares e a Biblioteca Municipal na dinamização e promoção da leitura como factor primordial das aprendizagens.
Na mesma data, foi apresentado o Cartão de Utilizador RBI, a ser implementado no início do próximo ano lectivo, que permitirá, a todas as crianças e jovens que frequentam as Jardins-de-Infância e Escolas do Concelho de Ílhavo, aceder em simultâneo ao serviço de empréstimo nas Bibliotecas Escolares e na Biblioteca Municipal.

Fonte: CMI

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 30 Abril , 2009, 10:55

Marcos Cirino desfia recordações com muito amor à Gafanha da Nazaré


Marcos Cirino da Rocha, 87 anos, gafanhão de gema, vibra com as coisas da Gafanha da Nazaré. Conhece muito da sua história. Evoca com entusiasmo os assuntos em que se envolveu. Conta pormenores que escapam a muito boa gente. E insiste na ideia de que há pessoas que nos querem prejudicar, decerto marcado por tempos e comportamentos idos.
Fomos ouvi-lo um dia destes. Entrámos em sua casa e vimos miniaturas de barcos de várias épocas. Todos construídos por si. “À escala”, sublinha. Mas também vimos inúmeras pastas de documentos e processos relacionados com antigas, e talvez recentes, reivindicações e polémicas.
Fernando Martins
Leia toda a entrevista aqui

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