de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 21 Dezembro , 2008, 12:38

“Naquele tempo, a Escola era risonha e franca...” Este excerto dum poema antigo, declamado pelo pai, nos seus tempos de menina, assomava-lhe agora à memória, com toda a acutilância! Chamava-se “O Estudante alsaciano” e era um grito de patriotismo, da época em que a Alsácia foi anexada à Alemanha, na 2ª Guerra mundial. Gravara-se-lhe na memória o tom épico do poema, aliado à voz sonora e bem timbrada do pai, quando, ao serão e à lareira, evocava o seu passado escolar. Estava inscrito no seu livro da 4ª classe, numa época em que o sentimento patriótico era bem inculcado aos alunos! Hoje, que sentimento nutrem os nossos alunos pela pátria? Terão eles alguma noção do que isso é? Preocupar-se-ão a política e os políticos de hoje em preservar e defender esses valores?
Por isso mesmo, os Americanos, com apenas dois séculos de história e uma nação que é um “melting pot”, conseguem transmitir aos seus cidadãos um conceito de patriotismo tão arreigado. De pequenino se torce o pepino e a história americana assim o comprova!
Perde-se a teacher nestas lucubrações, a propósito do aspecto triste, soturno, que a sua Escola, à semelhança de tantas outras deste país, ostenta, nesta quadra natalícia.
Noutros anos, ainda no passado, era ver a Escola a engalanar-se para a vivência do Natal! Mal entrava Dezembro, começavam os preparativos para a ornamentação da mesma. Praticando uma pedagogia de reaproveitamento e reciclagem de materiais de desperdício, os professores das Artes afadigavam-se a dar, ao recinto escolar, um ar de festa e de acolhimento humano. E... louvor lhes seja feito, pois muito bem o conseguiam!
A teacher, que não pertence à área das Expressões, mas que nutre uma admiração enorme pelo esforço, empenho e sentido artístico dos colegas, rejubilava, ao movimentar-se nesse ambiente colorido, alegre e de espírito natalício!
Este ano foi uma tristeza! O litígio que abalou a classe docente e as exigências desmedidas que lhe foram feitas deixaram os professores extenuados, desiludidos e desmotivados. A tutela da educação... esquece que, para alguns alunos, desprotegidos da sorte, é ali, na Escola, que vivem o seu único Natal!

Mª Donzília Almeida
19.12.08

Editado por Fernando Martins | Domingo, 21 Dezembro , 2008, 12:33


O EXAME DE ADULTOS


Caríssima/o:

Será que ainda não estais cansados de exames?
Paciência, não posso deixar de falar do exame de adultos...
Como já vimos muitos e muitas não iam além da terceira classe. Ora, quando se chegava ao mercado de trabalho e se era confrontado/a com uma lei que exigia o diploma da quarta para continuar nesse emprego, era uma aflição e uma corrida a casa do/a Professor/a “que lhe desse o diploma”, senão estava desgraçado e não tinha com que dar de comer aos filhos! E começava uma lufa-lufa contra o tempo que o pessoal só se lembra de Santa Bárbara quando troveja...
Verdade seja que o exame, embora tivesse a mesma abrangência do do 2.º grau das crianças, era adaptado à nova realidade e amenizado pelo humanismo dos examinadores, conhecedores da “aflição” dos examinandos... Em todo o caso havia sempre os mínimos a atingir e uma dignidade a defender: os alunos, para conseguirem o tal diploma, tinham de saber ler, escrever e operar ... Logo um homem/uma mulher que tivesse uma terceira classe bem feita do seu tempo de criança, com uma ligeira refrescadela, poderia submeter-se ao tal exame e seria considerado apto.... O problema era quando a pessoa necessitada não tinha passado dos cartões ou nem sequer passara pelos bancos da Escola; com os movimentos embotados, tínhamos pela frente um caso bicudo... Mas a necessidade aguça o engenho e multiplica o interesse e a dedicação: autênticos milagres presenciávamos que iam do pesado rabiscar do nome até uma leitura fluente e uma ortografia limpa!
Claro que não fiz este exame (e curiosamente nunca me vi como parte dum desses heróicos júris...), mas familiares meus apoiei nessa travessia e, mais tarde, ajudei muitos rapazes e raparigas a ultrapassarem essa meta.
Só que nunca pensei presenciar, nos dias que vão correndo, octagenários (e até nonagenários, afirmaram!...) sentados numa mesa a aprenderem a rabiscar o seu nome; e esta aprendizagem a ser realizada numa escola secundária...! Sinais dos tempos ou... das novas oportunidades!?

Manuel

Editado por Fernando Martins | Domingo, 21 Dezembro , 2008, 12:27

O natal de Jesus provoca uma onde de generosidade que manifesta a nova era a despontar na humanidade. Alegria esfusiante nos corações, afluência animada dos peregrinos da Gruta, entusiasmo crescente em procurar caminhos novos, confusão de pessoas sobressaltadas perante a notícia do sucedido, abundância de gestos significativos e prendas expressivas. Dir-se-ia que a terra se une ao céu para em admirável harmonia celebrarem a festa do nascimento de Jesus – o presente mais excelente que Deus nos faz. É um começo germinal que há-de crescer constantemente como o Menino até ser Homem adulto.
Jesus é o Presente, por excelência. À sua luz, todos as outras prendas reforçam o valor que têm. Sem ele, ficam apenas com o lusco-fusco do alvorecer, ainda que promissor, que aguarda a chegada do pleno dia.
Jesus é o Presente que Deus nos oferece: De tal modo Deus ama o mundo que lhe entrega o Seu Filho muito amado. Oferta de Deus em que nos é proporcionado tudo o que há de melhor. Basta dispormo-nos e querermos. Basta entrar na lógica do amor gratuito e expansivo. Basta reconhecer que a reciprocidade é a resposta mais acertada de quem é amado a quem ama.
Jesus é o Presente de Deus no tempo. Agora e não apenas ontem ou amanhã. É presente de salvação das feridas da vida, de cura e revigoramento das forças debilitadas, de coragens esmorecidas, de sonhos e projectos truncados. Hoje é o dia em que pode haver natal. Depende de ti e de mim. E se houver, o mundo fica melhor! “Agora, estais mais perto da salvação” - lembra Paulo numa das suas cartas.
Jesus é o Presente de Deus no espaço. Aqui onde nos encontramos. “Ele está presente no meio de nós” – respondemos ma saudação litúrgica. Fazer natal a partir do coração, da família, da vizinhança, do ambiente de trabalho, do grupo apostólico, do partido ou movimento político. E há tantas situações onde o Natal pode acontecer: nos egoísmos sem nome, nas injustiças camufladas, nas mediocridades consentidas e alimentadas, nas aspirações a mais e melhor abafadas, nos encontros pessoais conscientemente adiados, nos sorrisos disfarçados que aguardam um rosto amigo e atraente como o de Deus feito Menino.
Jesus é o Presente que fica connosco e em nós. Para dar uma nova dimensão ao nosso pensar e agir, amar e sentir, parecer e ser. Para fazer de nós, a seu jeito e a seu gosto, presentes para toda a humanidade. Que alegria e responsabilidade!

Georgino Rocha
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