de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Dezembro , 2008, 23:15

Mesmo com o dia a chegar ao fim, sinto que é minha obrigação assinalar aqui o Dia Internacional das Migrações. Não para fazer doutrina sobre as vantagens, desvantagens e necessidades das migrações, afinal um fenómeno de todos os tempos e de todas as zonas do globo, mas para me associar a todos quantos sentiram a urgência da partida, deixando famílias e sonhos para trás.
Dar as mãos aos que chegam e apoiar, com a nossa solidariedade, os que têm de partir, é obrigação de cada um de nós, porque, afinal, ninguém sabe, concretamente, o que o espera um dia.
Já vi chegar até junto de mim as mais diversas pessoas de rostos, culturas e sensibilidade bem diferentes das que presenciei desde a minha infância; também já vi partir conhecidos e amigos que, nem sempre pelo espírito da aventura, experimentaram na alma a obrigação de buscar noutras paragens, de usos e costumes tantas vezes estranhos, o que de essencial lhes faltava na terra natal.
Dos que saíram e nunca mais regressaram, bem como dos que, enraizados noutros ares, com famílias que entretanto foram nascendo e crescendo, por aqui aparecem, de férias, de quando em vez, quero, neste Dia Internacional das Migrações, saudar com uma palavra fraterna e solidária, na esperança de que, onde quer que se encontrem, aqui permanecem as suas raízes, que vamos regando com a nossa amizade.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Dezembro , 2008, 20:48

Era a última aula duma das NACs (Novas Áreas Curriculares), do 1.º período escolar, do ano civil, deste Outono tardio!
Estava na memória dos alunos a tradição, que aqui convém manter, de que “Prima non datur, ultima non recipitur”! Aqui o Latim tem a vivacidade e actualidade duma qualquer língua viva, apesar de qualquer indivíduo, menos informado, ter o conhecimento que é e se mantém como língua morta!
Para fugir à imposição das obrigações escolares, qualquer aluno guarda bem, na sua memória, estas tradições! A 1.ª não se dá, sendo da responsabilidade do professor esse encargo; da última encarregam-se os alunos, que estão sempre prontos para a gazeta. Ou... não fossem eles alunos! Todos já por lá passaram, não constituindo a teacher uma excepção!
Vai daí, há que fazer recurso de todo o seu know how, de toda a sua experiência, de toda a sua versatilidade de pedagoga.
Assim fez! Foi aos arquivos da sua memória e anteviu a possibilidade de atingir algum objectivo pedagógico! Os professores são uns interesseiros, claro que são! Estão sempre a tentar levar a água ao seu moinho! E... às vezes, este está tão distante!
Pois bem, a teacher almejou, nas suas actividades de última aula, conseguir, ‘inda assim, construir/reforçar/instaurar a autodisciplina, nos alunos. Deste modo, preparou-os para o que se ia seguir, mas… havia uma condição! Tinham que fazer silêncio total!
Se alguém, que esteja fora da esfera docente, nunca o experimentou, eu lanço daqui um desafio: que venha a uma Escola, assistir a uma aula de gente miúda e verifique quantos segundos uma turma de 20 alunos consegue estar sem qualquer ruído! Que proeza a teacher lhes estava a pedir! Ficarem em silêncio! Crianças de 10 anos, com toda a vitalidade e pujança de “coisinhas” que mexem? Brinquedos de corda a que não falta energia? Que têm o bicho-carpinteiro, mesmo que o material didáctico seja essencialmente de papel e plástico! Uf! É uma tarefa de titãs!
Ora, foi neste contexto de gente hiperactiva, que a teacher pediu silêncio, para dramatizar um pequeno sketch. Foi criando a expectativa acerca do que ia contar, inspirando, até, um sentimento de ansiedade e algum temor, nos alunos mais sensíveis!!!
A teacher sabia o que fazia! P’ra que somara anos de experiência a lidar com o que há de mais belo, complicado, problemático, à face deste Planeta Azul, que é o ser humano! A teacher gostava de desafios e estava a enfrentar um, naquele momento. Queria ver até onde ia a capacidade de se autocontrolarem, aquelas cabecinhas irrequietas, irreverentes!
Pediu silêncio… e para criar o cenário/ambiente adequado ao teor do “drama”, sugeriu até que se fechassem as persianas! Todos colaboraram a criar o escuro e daí... até se criarem as condições exigidas para a declamação da actriz… foi um dia de juízo! Havia sempre alguém que, a propósito disto ou daquilo, emitia algum som, o que deitava por terra todo o esforço até aí conseguido! Queria treinar os seus alunos a saberem intervir, apenas quando solicitados, ou quando se justificasse, em absoluto, a sua interpelação.
Estavam finalmente criadas as condições para a actuação! A teacher recortara, até, em papel branco, uma knife, como material necessário para a dramatização. Quando tudo já estava a postos para ‘levantar o pano’, com a sala toda às escuras, vem sorrateiramente a Bia, aquela menina que oferecera o Brad Pitt (!?) à professora, murmurar, assustada, ao seu ouvido:
- Eu tenho medo do escuro! Aí, chegando ao de leve a sua cara à pele de pêssego da menina, tranquiliza a teacher:
- É só uma brincadeira, Bia!
Afinal, o dramático, o terrível, o fantasmagórico daquela cena, resumia-se a “Uma velha, com um enorme facalhão, que, à meia-noite, em que faltara a electricidade!?, punha manteiga... no pão!”.

Mª Donzília Almeida
18.12.08
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Dezembro , 2008, 12:52

Natal, tempo habitado pela esperança

1.O nascimento de Jesus foi precedido por um longo tempo de ansiada expectativa. Esse tempo terá para sempre as marcas dolorosas da saudade do paraíso recusado e do diálogo entre Deus e o homem, interrompido por impensadas desculpas e por imponderadas acusações. Na esperança do Natal, o povo de Israel fez uma libertadora travessia através de desertos desconcertantes, cheios de surpresas e mistérios. Porém, este povo nunca perdera da linha do seu horizonte, uma longínqua e ténue esperança e o encanto da promessa inicial de Deus: “Um Salvador vos será dado”. Neste difícil caminho não faltaram ao povo herdeiro da promessa a autoridade dos patriarcas, a sabedoria dos governantes e a voz dos profetas. A uns e outros se deve o segredo da fidelidade reencontrada mesmo em horas de desânimo ou em momentos de revolta e de medo. A confiança no Senhor torna-se sentimento forte e ideia determinante para incentivar o povo a manter viva a promessa e firme a esperança. Essa mesma confiança será renovada no belo hino de Maria, a Mãe de Jesus, que exulta de alegria pelas maravilhas que Deus realiza ao exaltar os humildes e ao dar valor e atenção aos simples. É por entre hinos de alegria e cânticos de esperança que o Natal é anunciado ao mundo e que os homens adormecidos e recostados ao silêncio tranquilo da noite são convidados a despertar. O mistério da Encarnação de Deus tornou-se centro da história da humanidade e razão da nossa fé. Paulo, apóstolo de Jesus, estabelecerá mais tarde a partir daqui uma das mais belas sínteses da nossa identificação com Jesus Cristo: “ Nele vivemos, nos movemos e existimos”.
2. Somos chamados a viver este Natal em tempo de crise económica e financeira, de empresas a fechar, de desemprego a aumentar, de posições extremadas entre pessoas e grupos, de diálogos rompidos, de pobres a quem tudo falta, de gente sem pão, sem casa e sem trabalho. A maior pobreza é, porém, a falta de esperança já visível em tantos rostos tímidos e envergonhados. O Natal deve educar-nos para a sobriedade, para a procura do essencial, para o encontro com Deus, para a experiência solidária e para a partilha fraterna com estes nossos irmãos, independentemente da sua origem, cultura, etnia, ou credo. Todos têm direito igual ao Natal. Todos têm a mesma necessidade do Natal. Do seu mistério original e dos seus valores culturais. Todos precisamos do Natal. Que este Natal a ninguém esqueça, a ninguém ignore, a ninguém exclua da mesa da família humana, da casa da fraternidade cristã e do coração santo de Deus!
3.Propõe-se a Diocese de Aveiro como plano pastoral para os próximos cinco anos ser Igreja renovada na caridade e esperança no mundo. É um ambicioso programa de vida e de acção pastoral que só tem sentido se o procurarmos realizar a partir da convicção profunda e da fé inabalável de que Deus veio habitar no meio de nós. Que o Natal, vivido e celebrado neste tempo novo, seja um cântico de esperança a relançar novo ardor, novos métodos e os novos horizontes de evangelização!
Façamos deste Natal um tempo habitado pela esperança. “O cristianismo só cumpre verdadeiramente a sua missão se contagiar de esperança a humanidade” (J. Moltmann). Com estes sentimentos tão próprios deste tempo, a todos saúdo na alegria e na paz, desejando a todos os diocesanos um santo Natal e um abençoado Ano de 2009.

António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro
Nota: Ilustração de Almada Negreiros
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Dezembro , 2008, 12:17

ATITUDES A TER EM CONTA

O tradicional jantar de Natal da Obra da Providência foi este ano um pouco diferente do que é habitual. A crise económica actual e o exemplo de uma certa parcimónia ditaram as suas leis. Juntando a isso o desejo da direcção de convidar não só os dirigentes, antigos dirigentes e funcionárias, mas também as suas famílias, levou a esta bonita opção. A refeição foi preparada, em grande parte, por todos. E à roda da mesa, então, todos se sentaram e conviveram, como se no melhor restaurante estivessem. Exemplo a aproveitar. Maria da Luz Rocha, uma das fundadoras, marcou presença no jantar, com todo o seu carinho pela instituição de que foi directora durante décadas. Uma outra fundadora, Rosa Bela Vieira, por razões de saúde, não pôde comparecer, mas o seu espírito esteve com toda a gente.
Logo a abrir, e depois das palavras de boas-vindas do presidente Eduardo Arvins, o Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, lembrou o nascimento da Obra da Providência, desejando que a chama da atenção aos outros se mantenha. A Obra da Providência, nasceu – referiu – como gesto de caridade. As fundadoras agiram enquanto vicentinas, pondo em prática o mandamento do amor.
As instituições ligadas à Igreja Católica não podem descurar essa faceta, sob pena de menosprezarem e de traírem a sua matriz cristã. Urge, pois, viver a solidariedade na caridade, sublinhou o Padre Francisco Melo. Aliás, ainda adiantou que as instituições de solidariedade social de cariz cristão devem em tudo mostrar a sua diferença, para melhor, no respeito pelo cumprimento das leis, na seriedade do seu agir, na atenção aos que mais precisam.
Outro momento significativo foi a entrega à direcção da Obra da Providência de um conjunto de dossiês, constituído por inúmeros documentos e fotos, que são o retrato histórico da vida da instituição, com mais de meio século de trabalho com os que precisam. Foi organizado pelas irmãs Ascensão Ramos e Margarida Lagarto, filhas de uma fundadora, Maria da Luz Rocha.
Durante o jantar, um dirigente da instituição, Eduardo Almeida, especialista em artes mágicas, brindou os convivas com alguns números do seu reportório. A vida, de facto, sem a alegria de alguma magia, não faz sentido.

FM

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