de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 19:14

Eça agHora

Disse João da Ega,
Que não era um primo
A campanhas alegres dado,
Depois que encontrou
Carlos, no avistado arrimo
Do Turf, num Rossio ultrapassado
Pelos anos em que ensonou
Num País de lupanares e calotes,
E de malandros aos magotes,

Num País de corridas falazes
E de vestidos sérios de missa,
Com jornais bafientos
E de artigos rançosos
Lidos por uns tantos rapazes
De futuros pachorrentos
E costumes ociosos:

«-Falhámos na vida, menino!»

E os tempos verbais trocados
Ensinam a História redita,
Desde os serões iluminados
Pelas lições da monarquia,
À juventude nérvea de sabedoria
E impaciência liberal,
Que corre num vai-vem
Num outro aterro irreal
Aquém delirante do trem
Que nem sempre alcançamos.

E assim vai o País de quem promete
Lançar carris em largueza
Para deixar de vez a charrete
E permanecer na certeza
Das falas finais que relembramos:

«-Ainda o apanhamos!»


Hélder Ramos
25.XI.2008
NOTA: A propósito do dia de hoje, aqui segue um poema dedicado a Eça de Queirós, pelo 163º aniversário. É um poema ao estilo parodioso do romancista, inspirado em algumas personagens e obras marcantes do autor.
Hélder Ramos

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 13:36
O MAR POR TRADIÇÃO

A Câmara Municipal de Ílhavo e um conjunto de entidades deste concelho e da Região de Aveiro vão criar o “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”, com o objectivo-base de dinamizar o desenvolvimento das actividades náuticas, centradas no recreio, no desporto e na cultura.
Esta é uma aposta estratégica para a terra que tem “O Mar por Tradição” e a modernidade como aposta permanente, tirando proveito e rentabilizando as suas condições ao nível da natureza, da história e da cultura da nossa gente.
Nesse âmbito, vai realizar-se amanhã, 26 de Novembro, quarta-feira, pelas 18 horas, no auditório do Museu Marítimo de Ílhavo, o acto formal de constituição do “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”.
Nota: Clicar na foto para ampliar

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 12:08
25 de Novembro

Neste dia, em 1905, o Governador Civil de Aveiro aprovou os primeiros estatutos do Clube dos Galitos, prestimosa colectividade aveirense fundada em 24 de Janeiro do ano anterior, conforme se pode ler nos Estatutos do Clube dos Galitos, edição de 1905, páginas 21-23, e edição de 1956, página 3.
In Calendário Histórico de Aveiro

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 11:53

NUNCA TE DETENHAS

Tem sempre presente, que a pele se enruga,
que o cabelo se torna branco,
que os dias se convertem em anos,
mas o mais importante não muda!

Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada triunfo, há outro desafio.

Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.

Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de alguns esperarem que abandones.

Não deixes que se enferruje o ferro que há em ti.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.

Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.

Mas nunca te detenhas!

Madre Teresa de Calcutá



Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 11:42

A CRISE ATINGE MAIS OS MAIS FRÁGEIS DA SOCIEDADE

Nos dias 29 e 30 de Novembro, o Banco Alimentar vai recolher alimentos junto das grandes superfícies. Precisa, por isso, de voluntários, que possam dar algum do seu tempo para esta tarefa.
Todos sabemos que a crise que estamos a sentir na pele atinge muita gente, mas com mais força os mais frágeis da sociedade. Porém, é precisamente nestes momentos que a solidariedade deve manifestar-se com mais vigor. Que cada um saiba dar um pouco do seu tempo, mas também daquilo que tem, alimentos ou dinheiro, na certeza de que esse gesto irá direitinho para quem passa fome.
Eu sei que às vezes temos dificuldade em acreditar que há gente sem pão para comer, em época de tanta abundância para alguns. E se nos convencermos desta realidade, então mais força encontraremos em nós para a partilha, urgentíssima.

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 11:30

Marca da nossa memória colectiva


“Moinhos do Distrito de Aveiro” é um livro de Armando Carvalho Ferreira, que vai ser lançado na Universidade de Aveiro, na Sala dos Actos Académicos (Edifício da Reitoria), no dia 13 de Dezembro, pelas 16 horas.
Com este trabalho, o autor, um apaixonado pelo tema, pretende mostrar o trabalho de recolha e investigação que fez durante dois anos. Ainda apresenta o património molinológico da nossa região, "a grande maioria dele desconhecido ou esquecido, contribuindo assim para a sua valorização como marca da nossa memória colectiva", lê-se no convite de divulgação do evento.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Novembro , 2008, 11:11

(Clicar nas fotos para ampliar)

"O MEU OLHAR"
“O meu olhar” é uma exposição de fotografia de Carlos Duarte. Vai ser inaugurada em 29 de Novembro, na Biblioteca Municipal, com o apoio do Rotary Club de Ílhavo.
São fotografias retratando temas diversos como a Ria, Costa Nova, os canais de Aveiro ou as procissões, mas com a matriz própria de quem vê estas imagens para além do real, o que para o comum dos observadores não será fácil de captar num primeiro registo.
Esta mostra é feita em parceria com o Rotary Club de Ílhavo e a receita reverte para a campanha que os rotários estão a levar a efeito para apoiar a Obra da Criança.
Do seu currículo, destaca-se a colaboração que tem prestado a diversos eventos, tendo sido, pelo seu labor, distinguido pela associação Os Ílhavos com o “Leme da Reportagem”.
Carlos Duarte expôs, pela primeira vez, em Ílhavo, na Junta de Freguesia, em 2005. Em 2006, na Gafanha da Nazaré, e em 2007 na Biblioteca Municipal, apresentando o livro “40 anos de fotografia”, cuja edição se esgotou.

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 24 Novembro , 2008, 11:28
Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente, esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
Bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe.

Sebastião da Gama


NOTA: Quando hoje acordei lembrei-me deste poema de Sebastião da Gama. Tenho boas razões para isso. Setenta anos de vida, bem vividos, justificam esta pequena imodéstia.

FM

Editado por Fernando Martins | Domingo, 23 Novembro , 2008, 10:41

Xanana, o herói timorense, anda nas bocas do mundo, acusado de ditador. O filho querido do povo Lorosae, que sofreu nas masmorras a tirania dos que não queriam Timor livre e independente, “já não goza da admiração de outrora”, no dizer do EXPRESSO.
Durante anos, mesmo depois da independência da ex-colónia portuguesa, era escutado com respeito e seguido com devoção. Presentemente, e depois de uma nebulosa eleição que o levou ao poder, como primeiro-ministro, não falta quem o acuse de estar ilegitimamente no cargo, chegando-se ao ponto de dizer que está conotado com atitudes autoritárias. Estará, assim, a cair em desgraça.
Sempre vi em Xanana um herói simples, com capacidade de se dar a causas justas, como a da libertação do seu povo. Até admirava o seu estilo, que chegou a ser parodiado em programa televisivo. Vi, algumas vezes, como humanamente acalmou o povo revoltado e resolveu conflitos entre militares, governantes e a população. Mas também registei, embora à distância, as eleições pouco claras e as manobras pouco democráticas que o levaram à chefia do Governo. Então tive pena do Xanana.
Para mim, os heróis raramente têm uma segunda oportunidade. De repente, quando menos se espera, passam a ser olhados com desconfiança. Não me espanta nada que isso venha realmente a acontecer.
Teria sido bem melhor para a história de Timor e para o próprio Xanana que ele tivesse ficado simplesmente numa situação de reserva da nação. Xanana, sem cargos políticos na sociedade timorense, seria muito mais útil ao seu povo do que na chefia do Governo. O futuro o dirá. Mas, pelo que é possível perceber, o Xanana, mártir da independência, estará a ser destruído, com a sua própria colaboração.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Domingo, 23 Novembro , 2008, 08:19

Há muito se diz que é melhor ser ex-ministro que ministro. O caso de Dias Loureiro, que saiu sem fortuna quando deixou o Governo e que logo a seguir enriqueceu, é paradigmático. E julgava eu, ma minha boa-fé, que não era assim. Não terá acontecido com muitos, mas é um caso dos que se serviram dos relacionamentos de ministro para subir na vida dos negócios, aparentemente com uma facilidade incrível. Uns contactos, umas viagens, mais uns amigos daqui e dali, e está bem feita a cama onde pode dormir descansado o resto da vida. Ele e a família.
Não tenho nada contra o ex-ministro Dias Loureiro, que sempre me pareceu um homem digno, sendo certo que, até prova em contrário, temos de o respeitar. Porém, depois da entrevista na RTP, já há quem o desminta, sobre a história dos contactos que manteve no BdP, por causa do BPN. A justiça dirá.
Vem isto a propósito de me habituar há muito à ideia de que cargos políticos são, para os vocacionados para isso, para servir a comunidade, como missão e contributo para o bem comum. Para servir, que não para ser servido. Mas, afinal, parece que não é bem assim. Daí o vigor com que muitos políticos se agarram aos “tachos”, como lapas à rocha dura. Para eles, a vida, fora disso, nem terá sentido. Continuo a ter dificuldades em aceitar estes comportamentos, embora admita que possa estar enganado.
Eu sei que o poder, pelos vistos, é aliciante. Há quem goste de estar na crista da onda, quem goste de ocupar cargos de chefia, quem goste de mandar e de impor as suas razões, e, ainda, quem goste de ficar na história, de preferência com busto ou estátua na praça pública.
Eu gostaria mais de ver políticos que cumprissem, com dignidade, os cargos para os quais foram eleitos, regressando às suas ocupações anteriores com toda a naturalidade deste mundo. E se gostassem de se dar à comunidade, haveria sempre um qualquer campo de intervenção tão importante como os cargos políticos. Não há por aí tantas instituições à espera de voluntários?
É claro que nem todos os políticos terão na manga a preocupação de enriquecer depois de regressarem a uma vida profissional normal. Nem todos enriquecem à custa dos cargos que desempenharam, mas começa a notar-se, infelizmente, que há uma certa vantagem em ser ex-ministro. Não será a maioria, mas, pelos vistos, há quem se aproveite.
Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 23 Novembro , 2008, 07:47

A PROVA DE PASSAGEM DA 1.ª PARA A 2.ª CLASSE

Caríssima/o:

Pelo que se vê, estamos a chegar ao final do ano, mas antes ainda temos de esfolar o rabo, que é como quem diz: temos de passar por uma prova bem difícil.
E que prova era essa? Apenas e só a prova de passagem de classe, levada ao extremo da seriedade e da ansiedade!
Começava pelos treinos: papel almaço e com umas palavras impressas sobre as quais sobressaía e se sobrepunha um escudo de Portugal!
Aí, nessa primeira página, rabiscávamos o nosso nome a tinta... e não podia ter emendas nem borrões. Preparativos minuciosos, qual motor de fórmula um, para verificar e afinar o aparo, se não abanava, se a tinta não caía... E o lápis bem aguçado... E as mãos limpas para não deixarem marcas no papel...
À prova assistia a nossa Professora e uma outra que muitas vezes nos era desconhecida, vinha de escola próxima... Procuravam cativar-nos e sorriam e que fizéssemos tudo com cuidado que ia correr tudo bem e todos passávamos...
Começávamos pela cópia: do livro de leitura, à sorte.
A seguir uma redacção que também não trazia grandes surpresas: as duas ou três frases que se escreviam já nos não eram desconhecidas.
Agora era a vez da aritmética: um problema de uma operação, com a respectiva indicação e uma resposta completa e também uma conta que podia ser de somar, subtrair, multiplicar ou dividir, com toda a tabuada até nove. Claro, a multiplicação e a divisão era só por um algarismo... Havia também a representação de uma fracção por meio de um desenho-gráfico e a escrita de um número romano até XX...
Está quase, que só falta o desenho na última metade da quarta página (pois em cima tínhamos feito a fracção e escrito o tal romano...): o vaso fica mais bonito com uma flor!
Terminada a prova escrita, íamos para o recreio esperar que nos chamassem para mostrarmos a nossa arte na leitura.
Muitas vezes, só à tarde é que aparecia pregado à porta o papel onde se lia que todos os que fizeram a prova de passagem tinham transitado para a 2.ª classe...

Manuel

Editado por Fernando Martins | Sábado, 22 Novembro , 2008, 09:57

Quando passo por um hospital, quase sempre registo a presença dos voluntários hospitalares. Homens e mulheres que se dão ao apoio a quem está a sofrer, física e psicologicamente. Ontem mais uma vez confirmei o bem que eles fazem. Atentos a quem chega, frequentemente pressentem quem precisa de ajuda. A partir daí, não mais deixam de estar com a pessoa.
“Eu sei que não é fácil vir a estas casas, mas temos de ter esperança que tudo se vai resolver; há ali café, chá e bolachas que oferecemos a quem quiser”, disse um, enquanto, com o seu sorriso, dava algum ânimo a quem estava.
Tanto quanto posso imaginar, são pessoas reformadas e, por isso, disponíveis. Porém, não se vão meter em casa à espera que o tempo passe, nem se acomodam num qualquer café… ou banco de jardim. Dão-se aos outros generosamente.
É certo que não é voluntário hospitalar quem quer. Reconheço que é preciso ter vocação para lidar com doentes, mas também sei que em reuniões vão recebendo formação específica. Hoje, mais do que nunca, estas tarefas delicadas exigem conhecimentos e preparação, sob pena de se cometerem falhas que podem provocar efeitos contrários aos desejados. E depois, os voluntários hospitalares têm de assumir os seus compromissos, cumprindo, escrupulosamente, os horários que subscrevem.
Por tudo isto, e pelo que diariamente fazem nos hospitais, junto dos doentes, mais admiro os voluntários que no dia-a-dia estão próximos dos que sofrem.

FM

Editado por Fernando Martins | Sábado, 22 Novembro , 2008, 09:37

A impressão geral que me ficava da religião nos tempos da catequese não era luminosa. Pelo contrário, tudo aquilo transmitia um mundo bastante tenebroso, a ideia de um Deus castigador e de nós sujeitos a um destino de submissão trágica. Os primeiros pais tinham pecado, Deus andava irado com a gente e Jesus sofria na cruz para ver se nos libertava. A alegria era um roubo e a palavra Evangelho, que quer dizer "notícia boa", não pousava sobre nós nem nos aquecia.
O que infectava o cristianismo era a doutrina infausta do pecado original. Escreveu o célebre historiador católico Jean Delumeau: "Não é exagerado afirmar que o debate sobre o pecado original, com os seus subprodutos - problemas da graça, do servo ou livre arbítrio, da predestinação -, se converteu (no período central do nosso estudo, isto é, do século XV ao século XVII) numa das principais preocupações da civilização ocidental, acabando por afectar toda a gente, desde os teólogos aos mais modestos aldeões. Chegou a afectar inclusivamente os índios americanos, que eram baptizados à pressa para que, ao morrerem, não se encontrassem com os seus antepassados no inferno. É muito difícil, hoje, compreender o lugar tão importante que o pecado original ocupou nos espíritos e em todos os níveis sociais. É um facto que o pecado original e as suas consequências ocuparam nos inícios da modernidade europeia o centro da cena mundial, sem dúvida muito atribulado."
No entanto, a doutrina do pecado original, no sentido estrito de um pecado transmitido e herdado, não se encontra na Bíblia. Jesus nunca se referiu a um pecado original.
Na sua base, encontra-se fundamentalmente Santo Agostinho, a partir de um passo célebre da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 5, versículo 12. Mas ele seguiu a tradução latina: Adão, "no qual" todos pecaram, quando o original grego diz: "porque" todos pecaram. Ora, uma coisa é dizer que todos são pecadores e outra afirmar que todos pecaram em Adão, como a árvore fica infectada na raiz, de tal modo que todos nascem em pecado do qual só o baptismo os pode libertar. Santo Agostinho deixava cair no inferno, mesmo que menos terrível, as crianças sem baptismo. Durante séculos, houve mães tragicamente abaladas, porque os filhos morreram sem baptismo.
A Santo Agostinho serviu esta doutrina sobretudo para, convertido do maniqueísmo ao cristianismo, "explicar" o mal no mundo, que não podia vir do Deus criador bom.
De facto, baseou-se numa exegese errada. E quem não sabe hoje que o que diz respeito a Adão e Eva e à queda é da ordem do mito? Adão e Eva não são personagens históricas. Depois, se eles ainda não sabiam, como diz o texto do Génesis, do bem e do mal, como podiam pecar? O que o texto diz é outra coisa, e fundamental: o que caracteriza o Homem frente ao animal é a liberdade. O Homem já não é um animal como os outros: tem auto-consciência, sabe de si como único - a nudez metafísica - e que é mortal.
Mas os estragos desta doutrina infausta foram e são incalculáveis, sobretudo a partir do acrescento de Santo Anselmo e a sua doutrina da retribuição: os primeiros pais cometeram uma ofensa contra Deus infinito e, assim, era necessária uma reparação infinita para uma dívida infinita que só o Deus-homem Jesus podia pagar na cruz.
Ficou então a ideia de um Deus por vezes monstruoso, que precisou da morte do Filho para reconciliar-se com a Humanidade. Mas como era isso compatível com o Deus amor? Porque o pecado se transmitia pelo acto sexual, a sexualidade, o corpo e a mulher ficaram envenenados, numa situação dramática: era preciso continuar a gerar filhos - no limite, a actividade sexual só se legitimava para a procriação -, mas eles eram gerados em pecado e a mulher trazia o pecado dentro dela.
Porque é que o primeiro acto humano da História havia de ser o pecado? Hoje, com a teoria da evolução, a contradição torna-se maior. E, afinal, o que São Paulo diz no passo célebre da Carta aos Romanos é uma mensagem de esperança: todos os seres humanos pecam, o pecado do Homem é grande, mas o amor de Deus é maior. Infinito.

Anselmo Borges
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 20 Novembro , 2008, 18:20

Face ao escandaloso comportamento dos jogadores da selecção portuguesa de Futebol, no jogo com o Brasil, o seleccionador nacional, Carlos Queiroz disse: "Todos têm e já tiveram oportunidade de mostrar empenhamento e atitude. Isto tem de servir de lição, de aprendizagem. Nós podemos tentar estimular e tentar chamar a atenção daquilo que é importante fazer. Depois compete, no momento certo, fazer e se não acontecer teremos naturalmente de tomar decisões para aquilo que é o significado de vestir a camisola da selecção."
Mesmo percebendo muito pouco de futebol, permito-me acrescentar que, no mínimo, os nossos multimilionários jogadores foram passear até ao Brasil. Que a triste figura que fizeram lhes sirva de lição, são os meus votos.

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 20 Novembro , 2008, 18:08


Ao cair da tarde, em terras da Judeia, um pastor separa as ovelhas dos cabritos. Acção simples, mas cheia de simbolismo, que Jesus aproveita para transmitir uma mensagem sublime e interpelante. A linguagem que usa é fruto da cultura bucólica e campestre. A forma literária pertence a um género especial – a apocalíptica. A realidade envolvida na narrativa faz parte da vida humana, dos modos de relacionamento entre as pessoas, do uso dos bens, da capacidade de ver as “coisas” em profundidade e extensão.
Faz assim um “esboço” do Reino que se torna presente e desenvolve, quando aquela realidade é vivida no amor e na justiça, na verdade e na liberdade, na solidariedade e na paz. Por cada pessoa e por toda a humanidade. Como Ele vive, anuncia e deixa em forma de testamento.
Ser fiel à herança de Jesus constitui a alegria cristã mais profunda, revigora a esperança mais consistente e intensifica a dedicação mais generosa àqueles que Deus ama e quer ver felizes. Supõe o nosso envolvimento afectivo e inteligente, completo e integral. Brota da certeza que Jesus está connosco e nos abre caminhos acessíveis cada vez mais concretos.
A prova de fidelidade faz-se na vida, nos critérios e comportamentos assumidos. Um dia, ao fazer o nosso “exame final”, Deus não pergunta pelo modelo do carro, pela grandeza da casa, pela marca da roupa, pela conta do ordenado, pela categoria profissional, pela quantidade de amigos, pela cor da pele, pela religião, pela frequência do culto ou prática devocional. Não. Se chegar a fazer tais perguntas é por causa de outros assuntos mais importantes. Ele prefere seguir outra pista para nos ajudar e vai-nos segredando:
Que fizeste com os teus bens? A quantas pessoas serviste com o carro e a quantas acolheste em casa? O ordenado era fruto de trabalho honesto ou vendeste a consciência e deixaste-te corromper? A categoria profissional foi merecida pela competência e honradez ou resultado de suborno e falcatruas? Quantas pessoas te consideravam amigo sincero? Como tratavas os vizinhos? Fazias discriminação de alguém apenas pela cor da pele ou preconceito de raça? Viveste a fé como um compromisso de amor, uma âncora de esperança, um farol de horizontes novos?
Dando respostas positivas, o estilo de vida da humanidade, sobretudo dos cristãos-discípulos do meu Filho Jesus, configurará o rosto social da realidade nova que vos proponho no meu Reino. Será um rosto belo e atraente. Será uma realidade inclusiva e envolvente. Para bem e felicidade de todas as criaturas e de toda a criação.

Georgino Rocha
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