de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Agosto , 2008, 09:39

D. Manuel faleceu em Coimbra

UMA VIDA LONGA E CHEIA DE JESUS CRISTO

Recebi ontem, 5 de Agosto, cerca das 20 horas, a triste notícia do falecimento de D. Manuel de Almeida Trindade, primeiro Bispo Emérito de Aveiro, em Coimbra, onde fixou residência depois de ter deixado Aveiro, em 1988.
Depois dessa data, nos aposentos que lhe destinaram, no Seminário onde fora aluno e reitor, aí continuou a sua caminhada de cristão como nós e de Bispo para nós. Não só rezando e meditando, mas também lendo e escrevendo, aproveitando inúmeros apontamentos e registos que guardou ao longo da sua vida de seminarista, presbítero e bispo, partilhando com os seus leitores vivências, testemunhos, impressões, emoções e saberes, na perspectiva de um apostolado consciente e responsável.
D. Manuel entrou em Aveiro precisamente na época conciliar (Vaticano II), tendo participado nos seus trabalhos, ainda antes de ser ordenado bispo. Por isso, D. Manuel esteve perfeitamente identificado com a renovação da Igreja proposta pelo concílio, por muitos considerado o fulcro da maior revolução eclesial do século XX.
Porém, se foi importante esse facto, de que veio a beneficiar toda a vida da Igreja Aveirense, pessoalmente atrevo-me a recordar, hoje, tão-só o bispo que me marcou pelo seu trato simples e afável, o teólogo que me fez pensar nos mistérios e na grandeza de Deus, o homem que era capaz, sem qualquer dificuldade, de falar com a criança ingénua e com o idoso carente de ternura e de compreensão. Ainda com o culto e com o inculto, seguindo o princípio de que é mais importante ouvir do que falar. Lembro também que era pessoa atenta à sua obrigação de concluir qualquer conversa com um conselho oportuno, com uma admoestação fraterna, com um preceito evangélico pertinente.
D. Manuel, que algumas vezes me segredou ser cristão connosco e bispo para nós, parafraseando Santo Agostinho, manteve, com muita simplicidade, uma postura humilde, a par de um sentido de fraternidade evangélica muito grande. Teólogo atento aos ventos da história, aberto às preocupações e anseios das pessoas, das quais se considerava igual, manifestava a todo o momento, com terna naturalidade, a missão profética de que estava investido, que o levava a intervir, na praça pública, com determinação, enfrentando poderes que ousaram menosprezar o estatuto e os valores da Igreja, que sentia ser sua obrigação defender, quer como presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, quer como bispo e como cidadão, posição de que nunca abdicou.
Homem de proximidade, encantava quantos com ele se relacionavam, e nas visitas pastorais procurava usar uma linguagem que fosse compreendida por todos, letrados ou analfabetos, jovens e menos jovens.
Um dia escrevi um texto sobre o seu livro “Memórias de um Bispo”, obra repleta de vivências e de testemunhos, de pessoas e acontecimentos, que retrata uma vida cheia de amor a Deus e aos homens seus irmãos. Recomendei-o para leitura “obrigatória” de férias. D. Manuel teve então a gentileza de me endereçar um cartão simpático, com considerações elogiosas, que eu estava longe de esperar e de merecer. “… De todas as recensões a sua foi uma das que mais gostei. Apanhou-me todo! … Aqui lhe deixo um abraço de sincero agradecimento e também de louvor por ter apanhado a alma do livro.”
D. Manuel era assim.
Partiu agora para a Casa do Pai, ao fim de uma vida longa e cheia de Jesus Cristo. Uma vida que deu vida à Igreja Aveirense. Uma vida que nos legou a todos marcas indeléveis de paz e bem, da Graça de Deus e do sentido apostólico.
Que Deus o acolha no seu seio, com muita ternura…

6 de Agosto

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Agosto , 2008, 09:16
O Stella Maris, da Obra do Apostolado do Mar, com sede na Gafanha da Nazaré, vai celebra, no dia 20 de Setembro, as Bodas de Prata da bênção e lançamento da primeira pedra, facto que ocorreu em 18 de Setembro de 1983. Veja aqui a recordação desse acontecimento, de tanta importância para todos os homens do mar.

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Agosto , 2008, 14:32

MANDELA, UM SANTO LAICO


Adriano Moreira classificou, e muito bem, Nelson Mandela como “Um santo laico”.
Ora aqui está um homem que, independentemente da religião que professa ou não professa, é mesmo um santo a imitar no mundo de hoje, por toda a gente, ao nível da capacidade de perdoar e do gosto por contribuir, com gestos indesmentíveis de fraternidade e de paz, para uma sociedade mais justa e mais humana.
Nem sempre conseguimos ver santos fora da Igreja Católica, mas que os há, há.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Agosto , 2008, 14:08

ISLA CRISTINA EM NOITE CÁLIDA
Sair de Portugal, mesmo que o salto seja pequeno, é sempre agradável. Em Espanha, onde os portugueses da raia vão a correr atestar o depósito de gasolina, pude usufruir de uma noite cálida, na Isla Cristina, terra de pescadores e de praias, mas não só.
Olhar as paisagens, mirar os nossos vizinhos com olhos de quem procura diferenças mas onde encontra, a cada esquina, tantas e tantas semelhanças, dá-me sempre um gozo especial. Desde o tempo, já longínquo, em que só se podia ir de passaporte, que nos dava, então, a liberdade de saborear uma Cola-Cola e comprar caramelos.
Na Isla Cristina calcorreámos ruas principais com gente que aproveitava a noite quente para conviver, saboreando um gelado ou enchendo as esplanadas em jantares familiares. Foi o que fizemos, atendidos por empregados solícitos e simpáticos, que não se cansavam de sugerir este e aquele petisco.
Apreciei como os nossos irmãos vizinhos falavam alto, com toda a naturalidade, enquanto saboreavam típicos “calamares” entre outros comeres, regados com bebidas frescas, sempre com a criançada em alegre convívio sob os olhares atentos dos pais.
Como curiosidade, registei a frequência com que deparava com esplanadas anexas aos cafés e demais estabelecimentos de comes e bebes. Em alguns casos, em plena rua, que fora fechada para esse efeito. E logo pensei como em Portugal, em certos concelhos, dificultam a preparação de espaços desses, que tanto contribuem para aproximar as pessoas. Aí, os espanhóis dão-nos lições que urge aproveitar, já que nos está reservado um lugar especial na área do turismo, se o quisermos aproveitar.

4 de Agosto

FM

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Agosto , 2008, 13:23

Resultados frustrantes?

Esta ideia de que em tudo, ou quase tudo, sobretudo no desporto, somos os melhores do mundo não passa de nacionalismo saloio. Direi mesmo ridículo. Culpados? Certamente, a culpa será, em grande parte, da comunicação social.
Temos de nos convencer de que somos um país pequeno, com apenas dez milhões de habitantes, e sem grandes infra-estruturas capazes de formas campeões. Somos bons, dizem, a improvisar. Mas os Jogos Olímpicos não são para gente que improvisa. Quando assim é, de quando em vez lá temos uns campeões, por força dos seus próprios esforços e de qualidades inatas para certas provas. O resto é conversa.
Antes dos Jogos, a nossa comunicação social não se cansou de nos garantir que estariam certas uma tantas medalhas, porque alguns atletas eram mesmo campeões. Só que se esqueceram de que os outros também são bons. Ou melhores. Como foi o caso da Vanessa Fernandes. A que recebeu a medalha de ouro, por exemplo, já foi campeã do mundo, pelo que sei, umas três vezes. A nossa Vanessa fez o que pôde, com grande mérito. Não recebeu a medalha de ouro, mas também lhe fica bem a de prata. E como é uma jovem com grande força de vontade, pode ser que um dia chegue, nos Jogos Olímpicos, a ganhar a medalha de ouro.
Daqui, deste meu recanto, felicito os nossos atletas que fizeram o que puderam. Condeno, obviamente, quem nos quer fazer crer, por razões que não entendo, que somos os melhores do mundo.

FM

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Agosto , 2008, 12:39
As tasquinhas estão quase montadas

ÍLHAVOS E GAFANHÕES DE BRAÇO DADO


A partir de amanhã e até domingo vai ter lugar, no renovado e atraente Jardim Oudinot, o FESTIVAL DO BACALHAU, com almoços entre as 12 e as 15 horas e jantares entre as 19 e as 24 horas. A inauguração do Festival será às 18.30 horas, no Navio-Museu Santo André.
O FESTIVAL DO BACALHAU, para além de oferecer saborosos petiscos à base do fiel amigo (doutros tempos, que hoje este amigo é mais para quem pode), não deixará de apresentar outras iguarias do nosso concelho, com destaque, a meu ver, para o arroz doce e para os rojões.
A animação vai ser variada, com cinema ao ar livre, muita música, exposições, artesanato, homenagem ao Capitão Francisco Marques, entre muitas outras diversões.
Dos artistas convidados, realço a participação de José Alberto Reis, André Sardet, Mariza e Adelaide Ferreira. Surpresas não faltarão.
Voltei hoje ao jardim. O povo por lá andava. Às tantas, numa roda de gafanhões, as recordações entraram em cena. E eu disse cá para mim. Se o Jardim Oudinot continuar com esta dinâmica, é certo e sabido que aproximará as nossas gentes. Ílhavos e gafanhões, de braço dado, em amena cavaqueira, em dias de folga, ensaiarão francas e abertas convivências.

FM

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Agosto , 2008, 21:59

"Num tempo de crescente globalização, importa acreditar que os jovens migrantes cristãos querem e devem ser protagonistas da esperança vivida e proclamada nos caminhos difíceis da solidariedade, da justiça e da paz!
Os conflitos de fronteiras entre os povos, as vicissitudes de autonomias inconsolidadas, as dificuldades sentidas no respeito pela diferença, o desinteresse manifestado face ao sofrimento alheio, a insensibilidade diante da pobreza, da dor e da exclusão são desafios incessantes a um urgente protagonismo da esperança e a um tempo de profecia evangélica."


Da homilia do Bispo de Aveiro na eucaristia da ordenação do presbítero Johony Freire Loureiro, na Sé de Aveiro, no passado domingo.
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Agosto , 2008, 21:41

O Navio-Museu Santo André vai ser palco, no dia 22 de Agosto, pelas 18.30 horas, de mais uma merecida homenagem ao Capitão Francisco Marques, com a projecção do filme “A Faina Maior do Capitão Francisco Marques”.

Leia mais em Ponto de Encontro
Nota: Foto de Ponto de Encontro

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Agosto , 2008, 18:46


PALMAS PARA A HOMILIA


A missa dominical foi na igreja de Nossa Senhora da Conceição, de portal gótico. Por dentro, nada de anormal. Templo sóbrio, de três corpos. Com bancos quase para toda a gente que vive a missa dominical, esteja onde estiver. De férias, era o caso. Nas paredes laterais, diversas ventoinhas ajudavam a tornar o ar respirável. Percebia-se que havia muitos turistas. Alguns ingleses e de outras nacionalidades, estes em menor número. Coral constituído por gente local e tudo bem ordenado. O celebrante era uma padre já idoso, brasileiro.
De inédito, coisa nunca presenciada por mim, ao longo de toda a minha vida de católico, os aplausos para a homilia. Por ser erudita? Com preocupações de altas teologias? Destinada a gente culturalmente elevada, sob o ponto de vista académico? Por ser doutrinalmente consistente? Por ser feita a partir de frases bem concebidas? Nada disso. Apenas porque foi muito simples, de forma a que todos entendessem a mensagem.
O celebrante foi sobretudo um homem simples. E disse: a eucaristia tem de continuar na vida; o milagre da multiplicação dos peixes e do pão tem de ser feito, hoje, por cada um de nós, respondendo aos que passam fome ao nosso lado; temos de partilhar, em espírito de caridade e de justiça social, com os que mais precisam.
Depois lembrou que a Igreja é a Casa do Pai, que a todos tem de acolher e com todos tem de repartir e ajudar a repartir… E mais… num estilo próximo, como quem conversa com os amigos. No fim, o Povo de Deus aplaudiu, para meu espanto, porque nunca tinha assistido a tal coisa.
Já que falei das homilias, ocorre-me dizer que, por vezes, fico cansado quando ouço certos padres. Eu sei que as homilias não são fáceis de fazer. Exigem preparação, muita preparação, e alguns dons. Um padre, que foi catedrático na Universidade de Aveiro, disse-me, um dia, que levava uma boa hora a preparar uma aula e duas a preparar a homilia. Pensei que fosse o contrário, mas foi assim que ele me disse. De modo que, quando ouço algumas, sinto logo que não foram preparadas. Dá a impressão que alguns celebrantes se convencem de que, quando abrem a boca, para transmitir a mensagem evangélica, adaptada aos nossos dias, é o Espírito Santo quem fala através deles. Puro engano. O Espírito Santo não pode ajudar quem não assume a obrigação de preparar a prédica da eucaristia. Muito menos substituir celebrantes. Penso eu!

3 de Agosto
FM

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Agosto , 2008, 17:05


(Clicar nas fotos para ampliar)


PARABÉNS!

Parabéns! Esta é a palavra mais justa para quantos idealizaram e avançaram com esta prenda para os amantes da natureza e do prazer da vida ao ar livre. Para os nossos autarca e APA (Administração do Porto de Aveiro), mas também para quantos, ao longo de décadas, lutaram para que as obras dos portos não eliminassem, pura e simplesmente, o Jardim Oudinot, que os nossos pais e avós usufruíram, em horas festivas ou de descanso.
Não pude estar presente, como gostaria, mas soube, à distância, da inauguração. Hoje fui lá e gostei. Gostei bastante de ver muita gente a passear e a apreciar o que foi feito. O bom gosto impera e o povo saberá gostar desta prenda, merecida, que lhe deram. A Gafanha da Nazaré e todo o concelho de Ílhavo têm, agora, um espaço condigno que estará aberto a quem o desejar. Todos quantos gostam da Ria, da vida sã, da maresia e da tranquilidade que as águas mansinhas da laguna inspiram. As árvores e arbustos plantados, mais a relva verdinha que já desponta, com a ajuda da rega automática, são motivos para nos atraírem para ali.
Quem gostar de caminhar, quem precisar de exercícios de manutenção física e mental, quem gostar de meditar olhando a água e as aves que cirandam por ao sabor do aragem que o céu azul emoldura, quem necessitar de afugentar o stresse e quem apreciar a calma que um ambiente sadio proporciona têm agora um parque de lazer, para todas as idades e para todos os apetites.
Passei hoje pelo renovado Jardim Oudinot, mas voltarei muitas vezes. Os meus parabéns para todos nós.

FM

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 18 Agosto , 2008, 16:22

A relação humana está sempre condicionada pela identidade do masculino e do feminino e pela reciprocidade de ambos. É uma constante que brota da natureza e se educa pela cultura e pela religião. Homem e mulher, entre si, não são apenas complementos ou sobreposições, nem estão “condenados” à competitividade ou anulação. Pelo contrário, estão chamados a realizar em comum a missão recebida de cuidar da terra e da vida, manifestando o rosto benigno de Deus presente e actuante nas atitudes de cada um. Também no campo religioso.

O episódio da cananeia é uma preciosidade do Evangelho sobre a relação de Jesus com a mulher e, nesta forma de relacionamento, uma novidade em todo o universo religioso. A cena tem como protagonistas principais: A mãe aflita pela doença da filha, os discípulos e Jesus. O fio condutor passa pelo diálogo – por vezes desconcertante – entre eles, mas em que sobressai a mulher-mãe.

Jesus actua em contracena ao que se esperava: silêncio perante o pedido feito, resposta “seca” aos discípulos que se haviam interposto, sentença desconcertante face à insistência da mãe aflita e, finalmente, assentimento e concessão do bem desejado.

É verdadeiramente em contracena pois o seu modo de agir com as mulheres caracteriza-se pelo maior respeito: nunca feriu a sensibilidade feminina, por palavras ou atitudes; nunca evocou o estatuto de inferioridade social a que estavam votadas; nunca desvalorizou a missão da mulher. Pelo contrário, relaciona-se com normalidade, acolhe as que o procuram, enaltece as suas capacidades, aceita a sua companhia na “obra” da missão e encarrega algumas de funções muito específicas.

À luz do proceder normal de Jesus, e apesar do muito que já se andou no reconhecimento e na aceitação do “papel” da mulher na Igreja, quanto é preciso progredir para destrinçar as “capas” culturais das verdadeiras razões bíblicas e teológicas. Destrinçar e agir em conformidade.

Mas a heroína é a mulher-mãe. Apenas uma preocupação a domina: a cura da sua filha que sofria horrivelmente. Nada pede para si. Nada teme enfrentar: nem o desprezo, o ridículo ou a ironia. Está decidida a tudo. Entra em sintonia com Jesus. Aceita migalhas em vez de pão, pois estas também são dadas aos cachorrinhos. O importante é que a sua filha seja liberta do mal.

E Jesus “aprende” com a atitude desta mulher estrangeira. Abre-se a outros horizontes da missão. Liberta-se do reduto judaico. Antevê horizontes mais vastos: Também os “gentios” são chamados para a mesa do Senhor, a comer do seu pão, a beber do seu vinho.

O diálogo da cananeia com Jesus é admirável. Ela, uma mulher simples, revela as suas capacidades persuasivas para alcançar o que deseja, deixa-se guiar pelo coração inteligente e pela vontade decidida, tal o amor à filha e a certeza na eficácia da autoridade de Jesus. A sua confiança e paciência, a sua humildade e insistência provocam “uma brecha” na reserva de Jesus, tocando as fibras mais sensíveis do seu ser e as prioridades do seu agir missionário. E ela, que soube fazer da necessidade a sua maior virtude, obtém não apenas a cura da filha, mas o elogio mais rasgado da sua fé.

Georgino Rocha
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Agosto , 2008, 15:39

FORA DO MUNDO, NO MUNDO
Parti para férias, a 2 de Agosto, liberto de compromissos e de olhos postos no Portugal mais quente. Para trás, ficou o meu quotidiano de muita ocupação, às vezes de nadas. Senti que era importante repensar atitudes e alterar comportamentos, numa perspectiva de encher a vida de coisas mais úteis, quiçá de substratos mais consistentes e mais enriquecedores.
Deixei computador, jornais, revistas, televisão e rádio. Tudo o que psicologicamente me envolvesse plenamente. Apenas a ideia de ler uns livros, se possível, mas com calma. Deixei em casa a necessidade de abrir, em qualquer sítio, as caixas do correio electrónico. Deixei o hábito de estar a par, via Net, do que se passava no mundo. Deixei passar para a terra que pisava as cargas electromagnéticas que me alimentavam o stresse. Abri o espírito a horizontes mais azuis e a temperaturas mais quentes que o nosso País oferece a quem ali, no Algarve, procura encontrar-se consigo próprio, com os outros (os mais íntimos, sobretudo) e com Deus.
A viagem, sob forte calor, tornou-se cansativa para a minha débil resistência. Almoço em Évora, no restaurante Cozinha da Santo Humberto, já conhecido de outras andanças por aquelas bandas. Embora inapropriado para o dia quentíssimo, apostei no ensopado de borrego. Os pratos típicos sempre nos dão sabores agradáveis. Foi o caso.
Na casa que nos esperava, no aldeamento Pedras da Rainha, iniciei o meu período de férias deste ano. A alma estava cheia de tranquilidade. E do prazer de estar fora do mundo, no mundo.

2 de Agosto

FM


Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Agosto , 2008, 10:11


MÉTODOS


Caríssima/o:

E como se ensinava nos idos de quarenta e de cinquenta dos últimos século e milénio, com todas as limitações com que se deparavam professores e alunos? Ou melhor: como aprendíamos?
Logo à partida, a voz do professor e o quadro.
Tudo o professor explicava, exemplificava, demonstrava com a voz; se fosse caso disso e oportuno, um esquema ou desenho no quadro.
Depois o aluno lia, relia, praticava, memorizava: a aprendizagem seria tanto melhor quanto mais se aproximasse do modelo apresentado pelo professor.
A base experimental fornecia-no-la a vida em família e no campo, onde já tinha sido observado e experienciado muito do que era lido e decorado. As crianças então passavam os seus tempos livres em contacto directo com a natureza – nas sementeiras e nas colheitas, a cuidar dos animais ( desde a alimentação, ao fazer da cama, o colher dos ovos, o mungir as vacas e as ovelhas, a matança do porco...). Também as compras na loja, com os respectivos pagamentos e trocos, eram tarefas dos pequenos – e ai se faltava um tostão!
Apregoa-se que todo o ensino tinha por base a memória e que o trabalho do aluno se baseava na repetição. Porém, pelo que fica dito acima, dá ideia de que não seria bem assim... Mesmo aceitando esse apriorismo, não podemos esquecer o treino da vontade, da disciplina e do trabalho... Veremos mais tarde que, adquiridas as noções básicas (tabuadas, conjugações dos verbos, ...) e as automatizações, muito se treinava o cálculo mental e se apelava à inteligência na resolução de problemas aritméticos (que aprenderíamos depois a resolver nas regras de três simples, nas equações e nos sistemas de duas equações).

Chegando a altura de fazer um estudo comparativo de metodologias e processologias, bom será que se equacionem todas as premissas e componentes, partindo do aluno, passando pelo professor e indo até ao social e enquadramento natural.



Manuel

Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Agosto , 2008, 10:05
A questão que o Homem é para si mesmo mostra-se paradoxal. Por um lado, é inevitável: o abismo insuperável entre o que espera e quer ser e o que realmente alcança obriga-o a perguntar: o que sou? Que ser é este entre ser e não ser e que nunca é plenamente? Por outro lado, a questão é insolúvel, porque, para conhecer--se, o Homem precisava de saltar para fora de si em ordem a poder ver-se de fora, objectivamente. Ora, precisamente este salto é impossível.
Depois, o Homem vive-se a si mesmo em processo e em tensão. E são muitas as suas tensões. Lá está sempre a pulsão e a lógica, a afectividade e o pensamento, o inconsciente e o consciente, a emoção e o cálculo, o impulso e a razão. Aliás, essa tensão inscreve-se numa base neurofisiológica - há o cérebro que funciona holisticamente, mas com três níveis: o paleocérebro, o cérebro arcaico, reptiliano, o mesocéfalo, o cérebro da afectividade, e o córtex com o neocórtex, em conexão com as capacidades lógico-racionais. Não é sabido, até por experiência própria, que muitas vezes as respostas emocionais escapam ao controlo racional por causa do chamado "atalho neuronal" e do "sequestro emocional", como mostrou Paul D. Mac Lean? De repente, demos uma resposta a alguém de que depois nos arrependemos, a pulsão sobrepôs-se à razão...
É verdadeiramente paradoxal a constituição humana. Somos constituídos e vamo-nos constituindo a partir de uma herança genética e de uma história, numa determinada cultura. É próprio do Homem não ter uma natureza fixa e imóvel, porque é histórico e cultural. Somos afectivos e racionais. Ninguém começa com a inquirição racional do mundo. Primeiro, o ser humano sentiu o mundo e foi afectado por ele, positiva ou negativamente. É muito lentamente que a razão se vai erguendo no seu uso teórico-prático.
Anselmo Borges
Leia todo o texto em DN
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 02 Agosto , 2008, 09:16
***
Nos próximos 15 dias, estarei de férias, algures onde possa respirar um ar diferente, para conviver com familiares e com os meus sonhos. No regresso, estarei rejuvenescido e pronto para outro ano de trabalho, ao sabor das minhas capacidades e obrigações. Também com presença assídua no mundo da blogosfera. Boas férias para todos os meus amigos.
Fernando Martins
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