de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 23 Agosto , 2008, 12:21

AMIZADES PARA A VIDA

Ao longo da vida criamos muitas amizades, algumas das quais crescem com o tempo, apesar das distâncias que nos separam uns dos outros. Uma dessas amizades, das tais que se consolidam com o decorrer dos anos, nasceu há décadas com uma família de Chaves, que viveu perto de nós, na Gafanha da Nazaré. Refiro-me aos meus amigos Nazaré e António Fernandes e aos seus filhos, Pedro, José Carlos e Vítor. Depois, o grupo alargou-se às noras e aos netos, Erika e Paula, Mariana, Alexandra, Rita e Francisco. Quando o encontro, programado ou ocasional, acontece, experimentamos, naturalmente, uma renovada alegria.
Este ano nada fazia prever o reencontro com a família flaviense. Que não era fácil uma estada, para gozo de férias, naquela altura do mês de Agosto, no Algarve, diziam-me. Mas eu, que acredito ou penso que acredito no sexto sentido, tinha cá um palpite de que tudo seria possível.
Um fim de tarde, quando deambulava pelo aldeamento, reparei que na casa dos nossos amigos havia janelas entreabertas, como sinal de gente amiga à vista. Os amigos Nazaré e António, ao simples toque da campainha, surgiram na minha frente, para o abraço fraterno. Tinham acabado de chegar e estavam a arrumar as malas. Julgo que, ao saberem que estávamos por ali, não resistiram e quiseram fazer-nos uma surpresa. Que agradável surpresa, de pessoas que tanto estimamos!
Para pôr a conversa em dia, com recordações e mais recordações, com preocupações e anseios, com alegrias e projectos, de tudo um pouco se falou durante os dias em que estiveram no Algarve. Mas o que mais me apetece sublinhar é a forma amiga, mais que fraterna, como partilhamos sentimentos e emoções, vivências passadas e sonhos ainda por realizar.
Com esta família partilhámos, ao longo das nossas vidas, algumas férias. Foram estes amigos que um dia, já um pouco longínquo, nos convidaram para conhecer Chaves, e nos entusiasmaram pelo conhecimento de Trás-os-Montes. Com eles calcorreámos vilas e aldeias daquela região, saboreámos os melhores petiscos (pastéis, bola e folar de Chaves), com destaque para o presunto que nos esperava, fresquinho, na cave de sua casa, e que comíamos com o pão de centeio, tão famoso por aquelas bandas. No frigorífico havia um vinho não muito forte, que temperava o presunto comido às lasquinhas.
Foi com eles que aprendi a gostar da feijoada transmontana e do leitão à moda da terra, dum cozido mais completo do que o tradicional à portuguesa. E fico-me por aqui, com a certeza de que muito haveria a dizer.
Com eles conheci monumentos, li e reli história e tradições de Chaves, dei um salto até Espanha, ainda no tempo do contrabando consentido, provei em Boticas o vinho dos mortos e assisti em Montalegre à “chega dos bois”, de que hei-de falar um dia destes, se encontrar as fotografias que na altura registei. Subi montes e vales para apreciar castros e conhecer aldeias típicas. E, ainda, como experiência rara, para a época, trocámos as nossas casas para viver as férias com mais comodidade.
Afinal, as amizades são assim, quando, desinteressadamente, as cultivamos e as enriquecemos em horas boas e menos boas.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sábado, 23 Agosto , 2008, 09:56
" Quando no século XXI.. falamos de céu, inferno e paraíso, utilizamos metáforas. Não cre-mos que Deus, na sua infinita sabedoria, tenha criado um universo em que realmente existam estes domínios ultra-terrenos. Tão-pouco pensamos que a vida seja uma peregrinação que conduz a Deus. Nisto nos diferenciamos de Dante, o maior poeta da Idade Média." Aí está, com esta serenidade, a afirmação de entrada de uma breve introdução de Ch. Zschirnt à leitura de A Divina Comédia de Dante.
Reconhecendo, evidentemente, a perplexidade toda destas questões e que Dante se encontra no mundo das metáforas, será assim tão universal e transparente esta declaração de evidência na abolição de Deus e do seu mistério?
Ainda recentemente, o famoso antropólogo René Girard, por exemplo, à pergunta: "Crê que há algo para lá da morte?", respondia: "Espero, é a minha fé, um acto de vontade e de esperança. O cristão afirma que não pode reduzir-se tudo ao universo no qual se encontra. Que seja tudo como se nada tivesse sido parece-me demasiado abominável para ser real. Aposto na Realidade."
António Lobo Antunes também disse ao DN que se zanga com Deus porque permite o sofrimento. "O sofrimento sempre me foi incompreensível porque nascemos para a alegria." E não é a morte "uma puta"? Mas acredita. "A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso, cada vez mais, não no sentido desta ou daquela igreja mas porque me parece que a ideia de Deus é óbvia." Não tem dúvidas? "Acredito sempre, mas a dúvida e pôr constantemente em questão é próprio da fé. Muitas vezes pergunto-me: será que existe? É óbvio que sim."
"Mas reza ou não?" Com as cruzes no horizonte, Eduardo Lourenço pensa e sorri. E responde ao Expresso: "Pode-me acontecer!"
Quem pode negar que as religiões também trouxeram ao mundo barbaridade, superstição, guerras, infantilismo? Afinal, o mundo seria melhor sem elas? A causa da indignidade está nas religiões ou nos seus crentes e funcionários que delas se servem de modo rasteiro e blasfemo para seus propósitos desumanos?
Anselmo Borges
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